Trabalhe 4 Horas por Semana

Timothy Ferriss · Capítulo 20 de 26

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Trabalhe 4 Horas por Semana

15 Preenchendo o vazio

Preenchendo o vazio

 

 

Acrescentar vida depois de subtrair

trabalho

 

“Sermos absorvidos por algo externo a nós mesmos é

um poderoso

antídoto para a mente racional, a mente que tão

frequentemente confunde

sua cabeça com sua própria bunda.”

ANNE LAMMOTT, Bird by Bird

 

“Não há tempo suficiente para ficarmos sem fazer

nada

todo o tempo que queremos.”

BILL WATTERSON, criador das tiras de Calvin e Haroldo

 

KING’S CROSS, LONDR

 

Entrei tropeçando na lanchonete do outro lado da rua de pedras e pedi um sanduíche de presunto. Eram 10 e meia da manhã, a quinta vez que eu olhava no relógio e a vigésima vez que me perguntava “que

&%$# vou fazer hoje?”.

A melhor resposta que me veio à cabeça era: comer

um sanduíche.

Trinta minutos antes, eu tinha acordado sem

despertador pela primeira vez em quatro anos, depois

de ter embarcado no JFK na noite anterior. Esperava

isso há muito tempo: acordar com o canto dos pássaros

lá fora, sentar-me na cama com um sorriso, sentindo o

aroma de café recém-passado, e me espreguiçar como

um gato no aconchego de uma villa espanhola.

Magnífico. Acabou sendo mais ou menos assim:

acordar assustado, como se tivesse sido despertado por

uma sirene, agarrar o despertador, xingar, pular da

cama de cuecas para checar e-mails, lembrar que isso é

proibido, xingar de novo, procurar o meu anfitrião e

ex-colega de classe, perceber que ele foi trabalhar

como o resto do mundo, e ter um ataque de pânico.

O resto do dia passei atordoado, vagando do museu

para o jardim botânico para o museu, como se estivesse

repetindo, evitando cibercafés com alguma sensação

vaga de culpa. Eu precisava de uma lista de coisas para

fazer, para me sentir produtivo, escrevendo nessa lista

coisas como “jantar”.

Isso seria mais difícil do que eu supunha.

 

Depressão pós-parto: uma coisa normal

 

“O homem é de tal jeito que só consegue relaxar

de um tipo de trabalho começando outro.”

ANATOLE FRANCE, autor de O crime de Sylvestre Bonnard

 

Tenho mais dinheiro e mais tempo do que

sempre achei possível ter... Por que estou deprimido?

Eis uma boa pergunta com uma boa resposta.

Apenas agradeça por perceber isso agora e não no final

de sua vida! Os aposentados e os ultra-ricos são

frequentemente insatisfeitos e neuróticos pela mesma

razão: excesso de tempo livre.

Mas espere aí... não é atrás de mais tempo que

estamos? Este livro não é sobre isso? Não, de jeito

nenhum. Excesso de tempo livre não é mais do que

fertilizante para pensamentos duvidosos e ciclos

mentais infinitos. Subtrair o que é ruim não cria o que

é bom. Deixa um vácuo. Reduzir o trabalho gerador de

renda não é o objetivo. Viver mais – e crescer mais – é.

No começo, as fantasias externas bastarão, e não há

nada de errado com isso. É impossível exagerar a

importância desse período, de tão importante que é.

Fique louco e viva seus sonhos. Isto não é superficial ou

egoísta. É importantíssimo você parar de se reprimir e

romper com o hábito do adiamento.

Suponhamos que você decida realizar seus sonhos,

como mudar para uma ilha no Caribe ou fazer um

safári no Serengeti. Será maravilhoso, inesquecível, e

você deve fazê-lo. Chegará uma hora, no entanto –

sejam três semanas ou três anos depois –, em que você

não aguentará tomar mais uma piña colada sequer, ou

fotografar outro maldito babuíno de bunda vermelha.

Os ataques de autocrítica e de pânico existencial

começam nessa época.

 

Mas isso é o que eu sempre quis! Como posso

estar entediado?

Não pire para não piorar as coisas. Isso é normal

entre todas as pessoas de alto desempenho que

diminuem o ritmo depois de trabalhar pesado durante

bastante tempo. Quanto mais esperto e mais objetivo

você for, mais difíceis serão essas dores de

crescimento. Aprender a substituir a percepção da falta de tempo pela apreciação de sua abundância é como

passar de cafés expressos triplos para descafeinados.

Mas ainda há mais! Aposentados também ficam

deprimidos por outro motivo, e você também ficará:

isolamento social.

Escritórios são bons para algumas coisas: café ruim

de graça e reclamar do café ruim, fofoca e comiseração,

videoclipes estúpidos via e-mail com comentários

ainda mais estúpidos, reuniões que não decidem nada

mas matam algumas horas com algumas risadas. O

trabalho em si pode ser um beco sem saída, mas é a

teia das interações humanas – o ambiente social – que

nos mantém lá. Uma vez liberada, essa unidade tribal

automática desaparece e as vozes dentro de sua cabeça

ficam mais altas.

Não tenha medo de mudanças sociais ou

existenciais. A liberdade é como um novo esporte. No

começo, a simples novidade é excitante o bastante para

deixar as coisas sempre interessantes. Depois de

aprender o básico, no entanto, fica claro que, mesmo

para ser um jogador apenas regular, você precisará

praticar seriamente.

Não reclame. Grandes recompensas estão por vir, e

você está a três passos da linha de chegada.

Dúvidas e frustrações: você não está

sozinho

 

“As pessoas dizem que o que buscamos é um sentido

para a vida. Não acho

que isso seja o que realmente estamos procurando.

Acho que estamos

procurando uma experiência de estarmos vivos.”

JOSEPH CAMBELL, O poder do mito

 

Uma vez que você tenha eliminado o trabalho regular das 9 às 5 e colocado o pé na estrada, nem tudo serão rosas e felicidades, ainda que muita coisa possa

ser. Sem as distrações de prazos e de colegas de

trabalho, as grandes questões (como “Qual o sentido de

tudo isso?”) tornam-se mais difíceis de postergar para

depois. Num mar infinito de opções, as decisões

também se tornam mais difíceis (“Que diabos eu devo

fazer com a minha vida?”) É como o sentimento do

último ano da faculdade novamente.

Como todos os inovadores na curva da estrada, você

terá momentos assustadores de dúvidas. Depois do

momento “criança na confeitaria”, o impulso

comparativo irromperá. O resto do mundo continuará em sua rotina de 9 às 5 e você começará a questionar

sua decisão de sair da engrenagem. Dúvidas e

autoflagelações comuns incluem:

 

1. Estou realmente fazendo isso para ser mais livre e

para ter uma vida melhor, ou sou apenas

preguiçoso?

2. Saí dessa corrida maluca porque ela realmente é

ruim ou por que não podia suportá-la? Eu apenas

fugi?

3. Isso é tão bom quanto parece? Talvez eu fosse

melhor quando apenas seguia ordens e ignorava as

possibilidades. Pelo menos era mais fácil.

4. Sou realmente bem-sucedido ou estou apenas me

enganando?

5. Será que reduzi meus padrões para fazer de mim um

vencedor? E meus amigos, que ganham o dobro do

que ganhavam há três anos, estão no caminho

certo?

6. Por que não estou feliz? Posso fazer qualquer coisa e

ainda assim não estou feliz. Será que ao menos

mereço isso?

A maior parte disso pode ser superada assim que

reconhecemos o que são de verdade: comparações

defasadas usando os parâmetros mentais de “mais é

melhor” e “dinheiro é sucesso”, que já nos criaram

problemas. Ainda assim, há uma observação mais

profunda a se fazer.

Essas dúvidas invadem a mente quando não há nada

a ocupá-la. Pense em uma hora em que você se sinta

100% vivo e concentrado. É provável que seja uma hora

em que você tenha estado completamente focado em

algo externo: algo ou alguém. Esporte e sexo são dois

grandes exemplos. Faltando um foco externo, a mente

volta-se para si mesma e cria problemas para serem

resolvidos, mesmo que os problemas sejam indefinidos

ou desimportantes. Se você encontrar um foco, um

objetivo ambicioso que pareça impossível e force você a

crescer,[1] essas dúvidas desaparecem.

No processo de procurar um novo foco, é

praticamente inevitável que as “grandes” questões

apareçam. Há uma pressão onipresente dos

pseudofilósofos para deixar de lado o impertinente e

responder ao eterno. Dois exemplos populares são

“qual o sentido da vida?” e “qual é o ponto disso

tudo?”.

Há muitas outras, das mais introspectivas às

ontológicas, mas tenho uma resposta para

praticamente todas elas – não respondo a todas de jeito

nenhum.

Não sou niilista. Na verdade, passei mais de uma

década investigando a mente e o conceito de sentido,

uma busca que me levou dos laboratórios de

neurociência das melhores universidades a instituições

religiosas mundo afora. A conclusão, depois de tudo, é

surpreendente.

Estou 100% convicto de que a maior parte das

grandes questões que nos sentimos compelidos a

enfrentar – legadas através de séculos de pensamentos

exagerados e traduções ruins – usam termos tão

indefinidos que tentar respondê-las é uma completa

perda de tempo. Isso não é deprimente.[2] É libertador.

Pense na pergunta das perguntas: Qual é o sentido

da vida?

Se pressionado, tenho apenas uma resposta: é o

estado característico ou a condição de um organismo

vivo. “Mas isso é apenas uma definição”, retrucará

quem perguntou, “não é isso que eu quero dizer.” O

que você quer dizer, então? Até que a pergunta esteja

clara – cada termo nela bem definido –, não há por que respondê-la. A pergunta sobre o “sentido” da “vida” é

irrespondível sem uma elaboração posterior.

Antes de gastar tempo em uma pergunta

estressante, grande, ou qualquer outra coisa, garanta

que a resposta para as duas perguntas a seguir seja

“sim”:

 

1. Defini um único significado para cada termo nesta

pergunta?

2. Uma resposta para esta pergunta pode ser posta em

prática para melhorar as coisas?

 

“Qual o sentido da vida?” falha em ambas as

perguntas. Questões sobre coisas além de sua esfera de

influência – como “E se o trem atrasar amanhã?” –

falham na segunda e, por isso, merecem ser ignoradas.

Se você não puder definir ou não puder agir, esqueça.

Se você aprender apenas isso com este livro, você

estará entre o 1% mais realizador no mundo e manterá

a maior parte do estresse filosófico para fora de sua

vida.

Afiar sua caixa mental de ferramentas práticas e

lógicas não significa se tornar um ateu ou agnóstico. É

não ser burro e não ser superficial. É ser inteligente e direcionar os seus esforços para onde possam fazer

diferença para você e para os outros.

 

A questão central: rufem os tambores, por

favor

 

“O que o homem realmente precisa não é de um estado

sem tensão,

mas de empenhar-se e lutar por um objetivo que valha

a pena,

uma tarefa livremente escolhida.”

VIKTOR E. FRANKL, sobrevivente do Holocausto;

autor de Homens em busca de significado

 

Acredito que a vida existe para ser curtida e a coisa mais importante de todas é sentir-se bem consigo mesmo.

Cada pessoa terá seus próprios meios para atingir

isso, e esses meios mudam com o tempo. Para alguns,

a resposta será trabalhar com órfãos, para outros será

compor canções. Tenho uma resposta pessoal – amar,

ser amado e nunca parar de aprender –, mas não

espero que minha resposta seja universal.

Alguns criticam o foco no amor-próprio e na

curtição como egoísta, ou hedonista, mas não é nada

disso. Curtir a vida e ajudar os outros – ou sentir-se

bem consigo mesmo e aumentar o bem comum – não

são mais exclusivos mutuamente do que ser agnóstico

e levar uma vida moral. Um não elimina o outro. Vamos

assumir que concordamos nisso. Ainda assim, resta

uma questão: “O que posso fazer com meu tempo que

me fará curtir a vida e sentir-me bem comigo

mesmo?”.

Não posso oferecer uma resposta única que satisfará

a todos, mas, baseado em dúzias de NR satisfeitos que

entrevistei, dois componentes são fundamentais:

aprender continuamente e servir.

 

A questão central: rufem os tambores, por

favor

 

“O que o homem realmente precisa não é de um estado

sem tensão,

mas de empenhar-se e lutar por um objetivo que valha

a pena,

uma tarefa livremente escolhida.”

VIKTOR E. FRANKL, sobrevivente do Holocausto;

autor de Homens em busca de significado

 

Acredito que a vida existe para ser curtida e a coisa mais importante de todas é sentir-se bem consigo mesmo.

Cada pessoa terá seus próprios meios para atingir

isso, e esses meios mudam com o tempo. Para alguns,

a resposta será trabalhar com órfãos, para outros será

compor canções. Tenho uma resposta pessoal – amar,

ser amado e nunca parar de aprender –, mas não

espero que minha resposta seja universal.

Alguns criticam o foco no amor-próprio e na

curtição como egoísta, ou hedonista, mas não é nada

disso. Curtir a vida e ajudar os outros – ou sentir-se

bem consigo mesmo e aumentar o bem comum – não

são mais exclusivos mutuamente do que ser agnóstico

e levar uma vida moral. Um não elimina o outro. Vamos

assumir que concordamos nisso. Ainda assim, resta

uma questão: “O que posso fazer com meu tempo que

me fará curtir a vida e sentir-me bem comigo

mesmo?”.

Não posso oferecer uma resposta única que satisfará

a todos, mas, baseado em dúzias de NR satisfeitos que entrevistei, dois componentes são fundamentais:

aprender continuamente e servir.

 

Aprendizado ilimitado: afiando a lâmina

 

“Americanos que viajam para o estrangeiro pela

primeira vez

ficam frequentemente chocados em descobrir que,

a despeito de todo o progresso nos últimos 30 anos,

pessoas estrangeiras

continuam falando línguas estrangeiras.”

DAVE BARRY

 

Viver é aprender. Não vejo outra opção. É por isso que sempre me senti compelido a pedir demissão ou ser demitido de empregos nos primeiros seis meses. A

curva de aprendizado se achata e começo a me

entediar.

Ainda que você possa aprimorar seu cérebro em

casa, viajar e mudar-se traz condições únicas para

tornar o progresso muito mais rápido. As diferentes

circunstâncias agem como contraponto e espelho para

seus preconceitos, tornando as deficiências muito mais

fáceis de serem corrigidas. Raramente viajo para algum lugar sem decidir antes em que ficarei obcecado em

aprender. Eis alguns exemplos:

 

Connemara, Irlanda: Gaélico irlandês, flauta

irlandesa e hurling, o esporte de campo mais rápido

do mundo (imagine uma mistura de lacrosse e rúgbi

jogado com machados empunhados)

Rio de Janeiro, Brasil: Português do Brasil e jiu-jítsu

Berlim, Alemanha: Alemão e locking (uma forma de

dança break de pé)

 

Tenho tendência a me focar no aprendizado de um

idioma e em uma habilidade cinestésica, algumas vezes

descobrindo que habilidade é essa depois de chegar ao

novo país. Os nômades compulsivos de maior sucesso

que conheço tendem a contemplar o físico e o mental.

Note que frequentemente transporto uma habilidade

que pratico normalmente – artes marciais – para

outros países em que também é praticada. Vida social

instantânea e novas amizades. Não precisa ser um

esporte competitivo – pode ser caminhada, xadrez, ou

qualquer coisa que mantenha o seu nariz fora de um

livro e você fora de seu apartamento. Acontece que os

esportes são excelentes para evitar o medo de uma língua estrangeira, e desenvolver amizades duradouras

além de parecer algo meio Tarzan.

O aprendizado de idiomas merece menção especial.

É, sem dúvida, a melhor coisa que você pode fazer para

afiar a clareza de pensamento.

Sem contar o fato de que é impossível entender uma

cultura sem entender sua língua, aprender um novo

idioma o torna mais consciente de seu próprio idioma:

seus próprios pensamentos. Os benefícios de se tornar

fluente em uma língua estrangeira são subestimados, e

as dificuldades são superestimadas. Milhares de

teóricos de linguística discordarão, mas sei através de

pesquisas e de experiências pessoais com mais de uma

dúzia de idiomas que (1) adultos podem aprender

idiomas muito mais rápido do que crianças,[3] quando o

trabalho constante de 9 às 5 é removido e que (2) é

possível se tornar fluente para uma conversa em

qualquer língua em seis meses ou menos. Com quatro

horas por dia, seis meses podem ser reduzidos para

menos de três. Está fora do escopo deste livro explicar

a linguística aplicada e os 80/20 do aprendizado de

idiomas, mas há vários recursos e guias instrutivos

completos em www.fourhourworkweek.com. Aprendi

seis idiomas depois de ter sido reprovado em espanhol no ensino médio, e você pode fazer a mesma coisa com

as ferramentas corretas.

Aprenda um idioma e você ganhará um segundo par

de lentes através do qual poderá questionar e

compreender o mundo. Xingar as pessoas em outras

línguas, quando você volta para casa, também é

divertido.

Não perca a chance de dobrar sua experiência de

vida.

 

Servir pelas razões corretas: salvar as

baleias, ou matá-las e alimentar as

crianças?

 

“Moralidade é simplesmente a atitude que adotamos

em relação às pessoas

de quem pessoalmente não gostamos.”

OSCAR WILDE

 

Alguém poderia esperar que eu falasse sobre servir neste capítulo, e aqui está. Como tudo antes, o foco é um pouco diferente. Servir, para mim, é simples: fazer

algo que melhore alguma vida além da sua. Não é a

mesma coisa que filantropia. Filantropia é a preocupação altruísta com o bem-estar da humanidade

– da vida humana. O ser humano tem se focado na

exclusão do meio ambiente e do resto da cadeia

alimentar, daí a nossa corrida em direção à extinção

iminente. Bem apropriada. O mundo não existe

somente para o melhoramento e multiplicação da

humanidade.

Antes de começar a me acorrentar a árvores e a

salvar micosleão-dourados, no entanto, deixe-me dar

um conselho: não se torne um esnobe por conta de sua

causa.

Como você pode ajudar as crianças famintas da

África quando há crianças famintas em Los Angeles?

Como você pode salvar as baleias quando há pessoas

sem-teto morrendo congeladas? Como fazer pesquisa

voluntária sobre a destruição dos corais ajuda as

pessoas que precisam de ajuda agora?

Crianças, por favor. Tudo lá fora precisa de ajuda,

então não caia em argumentos do tipo “minha causa é

mais importante do que a sua”, sem soluções corretas.

Não há comparações qualitativas ou quantitativas que

façam sentido. A verdade é: aqueles milhares de vidas

que você salva podem contribuir com a fome que mata

milhões, ou aquele arbusto na Bolívia que você ajudou a proteger pode guardar a cura do câncer. Os efeitos

desencadeados são desconhecidos. Faça o seu melhor e

torça pelo melhor. Se você está melhorando o mundo –

seja lá como você defina isso – considere seu trabalho

bem-feito.

Servir não está limitado a salvar vidas ou o meio

ambiente. Também pode melhorar a vida. Se você é um

músico e põe sorrisos nos rostos de milhares, ou de

milhões, eu vejo isso como uma forma de servir. Se

você é um professor e muda para melhor a vida de uma

criança, o mundo ficou melhor. Aumentar a qualidade

das vidas no mundo não é de forma alguma inferior a

acrescentar mais vidas.

Servir é uma atitude.

Encontre a causa ou o meio que o interessa e não

arrume desculpas.

 

• Perguntas e ações •

 

“Os adultos estão sempre perguntando às crianças o

que querem ser

quando crescer porque estão em busca de ideias.”

PAULA POUNDSTONE

“O milagre não é andar sobre a água.

O milagre é andar sobre a terra verdejante,

profundamente integrado

ao presente momento e sentindo-se verdadeiramente

vivo.”

THICH NHAT HANH

 

Mas não posso apenas viajar, aprender idiomas ou lutar por uma causa o resto da minha vida! É claro que você não pode. Essa não é de forma alguma a minha

sugestão. Esses são apenas alguns bons “eixos de vida”

– pontos iniciais que levam a oportunidades e

experiências que não seriam encontradas de outra

forma.

Não há resposta correta para a pergunta “O que

devo fazer com minha vida?”. Esqueça o “devo”

também. O próximo passo – e isso é tudo – é buscar

alguma coisa, não importa muito o que, que pareça ser

divertido ou recompensador. Não tenha pressa para

mergulhar num compromisso integral de longo prazo.

Leve algum tempo para encontrar algo que o

entusiasme, não a primeira forma aceitável de trabalho

disponível. Esse chamado, por sua vez, conduzirá você

a algo mais.

Eis aqui uma boa sequência para começar, que

dúzias de NR usaram com sucesso.

 

1. Revisite o ponto zero: não faça nada.

Antes de escapar dos demônios de nossa mente,

precisamos encará-los. O principal deles é o vício em

velocidade. É difícil recalibrar seu relógio interno sem

fazer uma pausa da superestimulação constante. Viajar

e o impulso de ver um milhão de coisas podem

exacerbar isso.

Desacelerar não significa fazer menos coisas;

significa eliminar distrações contraprodutivas e a

percepção de estar na correria. Cogite entrar em um

retiro de silêncio de 3-7 dias, em que falar e ter acesso

à mídia é proibido.

 

Aprenda a reduzir a estática mental, de modo que

você possa apreciar mais antes de fazer mais:

 

The Art of Living Foundation (Curso II) –

Internacional (www.artofliving.org)

 

Centro de Meditação Spirit Rock, Califórnia

(http://www.spiritrock.org)

Centro Kripalu de Ioga e Saúde, Massachusetts

(http://www.kripalu.org)

 

Pousada Sky Lake, Nova York (http://www.sky-

lake.org)

 

2. Faça uma doação anônima para uma entidade

assistencial de sua escolha.

Isso ajuda a fazer a energia fluir e desassocia o

sentir-se bem em servir de receber crédito por isso. É

muito melhor quando é puro. Alguns bons sites para

começar são:

 

Charity Navigator (www.charitynavigator.org)

Este serviço independente lista mais de 5 mil

entidades de caridade usando o critério que você

escolher. Crie uma página personalizada de favoritos e

compare-os lado a lado, tudo gratuitamente.

 

Firstgiving (www.firstgiving.com)

O Firstgiving.com permite que você crie uma página

on-line para levantar recursos. As doações podem ser

feitas através de sua URL pessoal. Se você quer ajudar

animais, especificamente, pode clicar em um link

relacionado e acessar sites de centenas de entidades que cuidam de animais, e então decidir para qual você

quer doar. A versão britânica do site é

http://www.justgiving.com/.

 

Network for Good (www.networkforgood.org)

Os visitantes deste site encontrarão links para

entidades de caridade que precisam de doações, bem

como oportunidades de trabalho voluntário. Eles

também possuem um sistema automático de doações

on-line via cartão de crédito.

 

3. Tire uma miniaposentadoria combinada com

trabalho voluntário.

Tire uma miniaposentadoria – seis meses, ou mais,

se possível – para focar-se em aprender e servir. Uma

duração maior permitirá um foco maior no idioma, que

por sua vez permite uma interação e uma contribuição

mais significativas através do voluntariado.

Durante essa viagem, anote autocríticas e

autodepreciações em um diário. Sempre que estiver

chateado ou ansioso, pergunte-se “por que” pelo

menos três vezes e anote as respostas. Descrever essas

dúvidas escrevendo-as reduz seu impacto duplamente.

Primeiro, normalmente é a natureza ambígua da dúvida que dói mais. Defini-la e explorá-la por escrito

– assim como forçar seus colegas a se comunicar por

e-mail – demanda clareza de pensamento, depois do

qual se descobre que a maior parte das preocupações é

infundada. Segundo, registrar essas preocupações

parece removê-las de alguma forma da sua cabeça.

Mas aonde ir e o que fazer? Não há respostas

corretas para estas perguntas. Use as seguintes

perguntas e recursos para ter ideias:

 

O que mais o incomoda na situação do mundo?

 

Do que você mais tem medo pela próxima geração,

tendo filhos ou não?

O que o deixa mais feliz na vida? Como você pode

ajudar os outros a ter a mesma coisa?

 

Não há necessidade de se limitar a um único lugar.

Lembra-se de Robin, que viajou pela América do Sul

durante um ano com seu marido e seu filho de 7 anos?

Os três passaram entre um e dois meses fazendo

trabalho voluntário em cada lugar, incluindo a

construção de cadeiras de rodas em Banos, no Equador,

reabilitação de animais exóticos na floresta tropical boliviana e cuidando de tartarugas marinhas no

Suriname.

Que tal fazer escavações arqueológicas na Jordânia,

ou cuidar de vítimas do tsunami nas ilhas da Tailândia?

Estes são apenas dois das dúzias de estudos de caso

sobre mudança para outros países e trabalho

voluntário, presentes em cada edição da Verge Magazine

(www.fourhourblog.com/verge). Veja alguns dos

recursos testados pelos leitores:

 

Hands on Disaster Response: www.hodr.org

Project Hope: www.projecthope.org

Relief International: www.ri.org

International Relief Teams: www.irteams.org

Airline Ambassadors International:

www.airlineamb.org

Ambassadors for Children:

www.ambassadorsforchildren.org

Relief Riders International:

www.reliefridersinternational.com

Habitat for Humanity Global Village Program:

www.habitat.org

Planeta: Listagem Mundial de Ecoturismo Prático:

www.planeta.com 4. Revisite e redefina seus cronogramas de sonhos.

Depois da miniaposentadoria, revisite os

cronogramas de sonhos criados na “Definição” e

redefina-os se precisar. As questões a seguir ajudarão:

 

O que você faz bem?

O que você poderia fazer melhor?

O que o deixa feliz?

O que o deixa empolgado?

O que o faz sentir-se realizado e bem consigo

mesmo?

Do que você tem mais orgulho de ter realizado na

sua vida?

Você pode repeti-lo ou desenvolvê-lo?

O que você gosta de compartilhar ou viver com

outras pessoas?

 

5. Baseado nos resultados dos passos 1-4, pense em

testar novas vocações em meio período ou em tempo

integral.

Trabalho em tempo integral não é ruim se for o que

você gostaria de estar fazendo. É aí que separamos

“trabalho” de “vocação”.

Se você criou uma musa ou reduziu suas horas de

trabalho a próximo de nada, pense em testar uma

vocação: um chamado verdadeiro, ou uma ocupação

com a qual você já sonhou. Foi isso que fiz com este

livro. Agora posso dizer às pessoas que sou um escritor

em vez de dar a elas a explicação de duas horas sobre

distribuição de drogas. O que você sonhava ser quando

era criança? Talvez seja hora de se inscrever no Space

Camp ou se candidatar a assistente de um biólogo

marinho.

Recapturar a empolgação da infância não é

impossível. Na verdade, é necessário. Não há mais

correntes – ou desculpas – para segurá-lo.