Trabalhe 4 Horas por Semana
15 Preenchendo o vazio
Preenchendo o vazio
Acrescentar vida depois de subtrair
trabalho
“Sermos absorvidos por algo externo a nós mesmos é
um poderoso
antídoto para a mente racional, a mente que tão
frequentemente confunde
sua cabeça com sua própria bunda.”
ANNE LAMMOTT, Bird by Bird
“Não há tempo suficiente para ficarmos sem fazer
nada
todo o tempo que queremos.”
BILL WATTERSON, criador das tiras de Calvin e Haroldo
KING’S CROSS, LONDR
Entrei tropeçando na lanchonete do outro lado da rua de pedras e pedi um sanduíche de presunto. Eram 10 e meia da manhã, a quinta vez que eu olhava no relógio e a vigésima vez que me perguntava “que
&%$# vou fazer hoje?”.
A melhor resposta que me veio à cabeça era: comer
um sanduíche.
Trinta minutos antes, eu tinha acordado sem
despertador pela primeira vez em quatro anos, depois
de ter embarcado no JFK na noite anterior. Esperava
isso há muito tempo: acordar com o canto dos pássaros
lá fora, sentar-me na cama com um sorriso, sentindo o
aroma de café recém-passado, e me espreguiçar como
um gato no aconchego de uma villa espanhola.
Magnífico. Acabou sendo mais ou menos assim:
acordar assustado, como se tivesse sido despertado por
uma sirene, agarrar o despertador, xingar, pular da
cama de cuecas para checar e-mails, lembrar que isso é
proibido, xingar de novo, procurar o meu anfitrião e
ex-colega de classe, perceber que ele foi trabalhar
como o resto do mundo, e ter um ataque de pânico.
O resto do dia passei atordoado, vagando do museu
para o jardim botânico para o museu, como se estivesse
repetindo, evitando cibercafés com alguma sensação
vaga de culpa. Eu precisava de uma lista de coisas para
fazer, para me sentir produtivo, escrevendo nessa lista
coisas como “jantar”.
Isso seria mais difícil do que eu supunha.
Depressão pós-parto: uma coisa normal
“O homem é de tal jeito que só consegue relaxar
de um tipo de trabalho começando outro.”
ANATOLE FRANCE, autor de O crime de Sylvestre Bonnard
Tenho mais dinheiro e mais tempo do que
sempre achei possível ter... Por que estou deprimido?
Eis uma boa pergunta com uma boa resposta.
Apenas agradeça por perceber isso agora e não no final
de sua vida! Os aposentados e os ultra-ricos são
frequentemente insatisfeitos e neuróticos pela mesma
razão: excesso de tempo livre.
Mas espere aí... não é atrás de mais tempo que
estamos? Este livro não é sobre isso? Não, de jeito
nenhum. Excesso de tempo livre não é mais do que
fertilizante para pensamentos duvidosos e ciclos
mentais infinitos. Subtrair o que é ruim não cria o que
é bom. Deixa um vácuo. Reduzir o trabalho gerador de
renda não é o objetivo. Viver mais – e crescer mais – é.
No começo, as fantasias externas bastarão, e não há
nada de errado com isso. É impossível exagerar a
importância desse período, de tão importante que é.
Fique louco e viva seus sonhos. Isto não é superficial ou
egoísta. É importantíssimo você parar de se reprimir e
romper com o hábito do adiamento.
Suponhamos que você decida realizar seus sonhos,
como mudar para uma ilha no Caribe ou fazer um
safári no Serengeti. Será maravilhoso, inesquecível, e
você deve fazê-lo. Chegará uma hora, no entanto –
sejam três semanas ou três anos depois –, em que você
não aguentará tomar mais uma piña colada sequer, ou
fotografar outro maldito babuíno de bunda vermelha.
Os ataques de autocrítica e de pânico existencial
começam nessa época.
Mas isso é o que eu sempre quis! Como posso
estar entediado?
Não pire para não piorar as coisas. Isso é normal
entre todas as pessoas de alto desempenho que
diminuem o ritmo depois de trabalhar pesado durante
bastante tempo. Quanto mais esperto e mais objetivo
você for, mais difíceis serão essas dores de
crescimento. Aprender a substituir a percepção da falta de tempo pela apreciação de sua abundância é como
passar de cafés expressos triplos para descafeinados.
Mas ainda há mais! Aposentados também ficam
deprimidos por outro motivo, e você também ficará:
isolamento social.
Escritórios são bons para algumas coisas: café ruim
de graça e reclamar do café ruim, fofoca e comiseração,
videoclipes estúpidos via e-mail com comentários
ainda mais estúpidos, reuniões que não decidem nada
mas matam algumas horas com algumas risadas. O
trabalho em si pode ser um beco sem saída, mas é a
teia das interações humanas – o ambiente social – que
nos mantém lá. Uma vez liberada, essa unidade tribal
automática desaparece e as vozes dentro de sua cabeça
ficam mais altas.
Não tenha medo de mudanças sociais ou
existenciais. A liberdade é como um novo esporte. No
começo, a simples novidade é excitante o bastante para
deixar as coisas sempre interessantes. Depois de
aprender o básico, no entanto, fica claro que, mesmo
para ser um jogador apenas regular, você precisará
praticar seriamente.
Não reclame. Grandes recompensas estão por vir, e
você está a três passos da linha de chegada.
Dúvidas e frustrações: você não está
sozinho
“As pessoas dizem que o que buscamos é um sentido
para a vida. Não acho
que isso seja o que realmente estamos procurando.
Acho que estamos
procurando uma experiência de estarmos vivos.”
JOSEPH CAMBELL, O poder do mito
Uma vez que você tenha eliminado o trabalho regular das 9 às 5 e colocado o pé na estrada, nem tudo serão rosas e felicidades, ainda que muita coisa possa
ser. Sem as distrações de prazos e de colegas de
trabalho, as grandes questões (como “Qual o sentido de
tudo isso?”) tornam-se mais difíceis de postergar para
depois. Num mar infinito de opções, as decisões
também se tornam mais difíceis (“Que diabos eu devo
fazer com a minha vida?”) É como o sentimento do
último ano da faculdade novamente.
Como todos os inovadores na curva da estrada, você
terá momentos assustadores de dúvidas. Depois do
momento “criança na confeitaria”, o impulso
comparativo irromperá. O resto do mundo continuará em sua rotina de 9 às 5 e você começará a questionar
sua decisão de sair da engrenagem. Dúvidas e
autoflagelações comuns incluem:
1. Estou realmente fazendo isso para ser mais livre e
para ter uma vida melhor, ou sou apenas
preguiçoso?
2. Saí dessa corrida maluca porque ela realmente é
ruim ou por que não podia suportá-la? Eu apenas
fugi?
3. Isso é tão bom quanto parece? Talvez eu fosse
melhor quando apenas seguia ordens e ignorava as
possibilidades. Pelo menos era mais fácil.
4. Sou realmente bem-sucedido ou estou apenas me
enganando?
5. Será que reduzi meus padrões para fazer de mim um
vencedor? E meus amigos, que ganham o dobro do
que ganhavam há três anos, estão no caminho
certo?
6. Por que não estou feliz? Posso fazer qualquer coisa e
ainda assim não estou feliz. Será que ao menos
mereço isso?
A maior parte disso pode ser superada assim que
reconhecemos o que são de verdade: comparações
defasadas usando os parâmetros mentais de “mais é
melhor” e “dinheiro é sucesso”, que já nos criaram
problemas. Ainda assim, há uma observação mais
profunda a se fazer.
Essas dúvidas invadem a mente quando não há nada
a ocupá-la. Pense em uma hora em que você se sinta
100% vivo e concentrado. É provável que seja uma hora
em que você tenha estado completamente focado em
algo externo: algo ou alguém. Esporte e sexo são dois
grandes exemplos. Faltando um foco externo, a mente
volta-se para si mesma e cria problemas para serem
resolvidos, mesmo que os problemas sejam indefinidos
ou desimportantes. Se você encontrar um foco, um
objetivo ambicioso que pareça impossível e force você a
crescer,[1] essas dúvidas desaparecem.
No processo de procurar um novo foco, é
praticamente inevitável que as “grandes” questões
apareçam. Há uma pressão onipresente dos
pseudofilósofos para deixar de lado o impertinente e
responder ao eterno. Dois exemplos populares são
“qual o sentido da vida?” e “qual é o ponto disso
tudo?”.
Há muitas outras, das mais introspectivas às
ontológicas, mas tenho uma resposta para
praticamente todas elas – não respondo a todas de jeito
nenhum.
Não sou niilista. Na verdade, passei mais de uma
década investigando a mente e o conceito de sentido,
uma busca que me levou dos laboratórios de
neurociência das melhores universidades a instituições
religiosas mundo afora. A conclusão, depois de tudo, é
surpreendente.
Estou 100% convicto de que a maior parte das
grandes questões que nos sentimos compelidos a
enfrentar – legadas através de séculos de pensamentos
exagerados e traduções ruins – usam termos tão
indefinidos que tentar respondê-las é uma completa
perda de tempo. Isso não é deprimente.[2] É libertador.
Pense na pergunta das perguntas: Qual é o sentido
da vida?
Se pressionado, tenho apenas uma resposta: é o
estado característico ou a condição de um organismo
vivo. “Mas isso é apenas uma definição”, retrucará
quem perguntou, “não é isso que eu quero dizer.” O
que você quer dizer, então? Até que a pergunta esteja
clara – cada termo nela bem definido –, não há por que respondê-la. A pergunta sobre o “sentido” da “vida” é
irrespondível sem uma elaboração posterior.
Antes de gastar tempo em uma pergunta
estressante, grande, ou qualquer outra coisa, garanta
que a resposta para as duas perguntas a seguir seja
“sim”:
1. Defini um único significado para cada termo nesta
pergunta?
2. Uma resposta para esta pergunta pode ser posta em
prática para melhorar as coisas?
“Qual o sentido da vida?” falha em ambas as
perguntas. Questões sobre coisas além de sua esfera de
influência – como “E se o trem atrasar amanhã?” –
falham na segunda e, por isso, merecem ser ignoradas.
Se você não puder definir ou não puder agir, esqueça.
Se você aprender apenas isso com este livro, você
estará entre o 1% mais realizador no mundo e manterá
a maior parte do estresse filosófico para fora de sua
vida.
Afiar sua caixa mental de ferramentas práticas e
lógicas não significa se tornar um ateu ou agnóstico. É
não ser burro e não ser superficial. É ser inteligente e direcionar os seus esforços para onde possam fazer
diferença para você e para os outros.
A questão central: rufem os tambores, por
favor
“O que o homem realmente precisa não é de um estado
sem tensão,
mas de empenhar-se e lutar por um objetivo que valha
a pena,
uma tarefa livremente escolhida.”
VIKTOR E. FRANKL, sobrevivente do Holocausto;
autor de Homens em busca de significado
Acredito que a vida existe para ser curtida e a coisa mais importante de todas é sentir-se bem consigo mesmo.
Cada pessoa terá seus próprios meios para atingir
isso, e esses meios mudam com o tempo. Para alguns,
a resposta será trabalhar com órfãos, para outros será
compor canções. Tenho uma resposta pessoal – amar,
ser amado e nunca parar de aprender –, mas não
espero que minha resposta seja universal.
Alguns criticam o foco no amor-próprio e na
curtição como egoísta, ou hedonista, mas não é nada
disso. Curtir a vida e ajudar os outros – ou sentir-se
bem consigo mesmo e aumentar o bem comum – não
são mais exclusivos mutuamente do que ser agnóstico
e levar uma vida moral. Um não elimina o outro. Vamos
assumir que concordamos nisso. Ainda assim, resta
uma questão: “O que posso fazer com meu tempo que
me fará curtir a vida e sentir-me bem comigo
mesmo?”.
Não posso oferecer uma resposta única que satisfará
a todos, mas, baseado em dúzias de NR satisfeitos que
entrevistei, dois componentes são fundamentais:
aprender continuamente e servir.
A questão central: rufem os tambores, por
favor
“O que o homem realmente precisa não é de um estado
sem tensão,
mas de empenhar-se e lutar por um objetivo que valha
a pena,
uma tarefa livremente escolhida.”
VIKTOR E. FRANKL, sobrevivente do Holocausto;
autor de Homens em busca de significado
Acredito que a vida existe para ser curtida e a coisa mais importante de todas é sentir-se bem consigo mesmo.
Cada pessoa terá seus próprios meios para atingir
isso, e esses meios mudam com o tempo. Para alguns,
a resposta será trabalhar com órfãos, para outros será
compor canções. Tenho uma resposta pessoal – amar,
ser amado e nunca parar de aprender –, mas não
espero que minha resposta seja universal.
Alguns criticam o foco no amor-próprio e na
curtição como egoísta, ou hedonista, mas não é nada
disso. Curtir a vida e ajudar os outros – ou sentir-se
bem consigo mesmo e aumentar o bem comum – não
são mais exclusivos mutuamente do que ser agnóstico
e levar uma vida moral. Um não elimina o outro. Vamos
assumir que concordamos nisso. Ainda assim, resta
uma questão: “O que posso fazer com meu tempo que
me fará curtir a vida e sentir-me bem comigo
mesmo?”.
Não posso oferecer uma resposta única que satisfará
a todos, mas, baseado em dúzias de NR satisfeitos que entrevistei, dois componentes são fundamentais:
aprender continuamente e servir.
Aprendizado ilimitado: afiando a lâmina
“Americanos que viajam para o estrangeiro pela
primeira vez
ficam frequentemente chocados em descobrir que,
a despeito de todo o progresso nos últimos 30 anos,
pessoas estrangeiras
continuam falando línguas estrangeiras.”
DAVE BARRY
Viver é aprender. Não vejo outra opção. É por isso que sempre me senti compelido a pedir demissão ou ser demitido de empregos nos primeiros seis meses. A
curva de aprendizado se achata e começo a me
entediar.
Ainda que você possa aprimorar seu cérebro em
casa, viajar e mudar-se traz condições únicas para
tornar o progresso muito mais rápido. As diferentes
circunstâncias agem como contraponto e espelho para
seus preconceitos, tornando as deficiências muito mais
fáceis de serem corrigidas. Raramente viajo para algum lugar sem decidir antes em que ficarei obcecado em
aprender. Eis alguns exemplos:
Connemara, Irlanda: Gaélico irlandês, flauta
irlandesa e hurling, o esporte de campo mais rápido
do mundo (imagine uma mistura de lacrosse e rúgbi
jogado com machados empunhados)
Rio de Janeiro, Brasil: Português do Brasil e jiu-jítsu
Berlim, Alemanha: Alemão e locking (uma forma de
dança break de pé)
Tenho tendência a me focar no aprendizado de um
idioma e em uma habilidade cinestésica, algumas vezes
descobrindo que habilidade é essa depois de chegar ao
novo país. Os nômades compulsivos de maior sucesso
que conheço tendem a contemplar o físico e o mental.
Note que frequentemente transporto uma habilidade
que pratico normalmente – artes marciais – para
outros países em que também é praticada. Vida social
instantânea e novas amizades. Não precisa ser um
esporte competitivo – pode ser caminhada, xadrez, ou
qualquer coisa que mantenha o seu nariz fora de um
livro e você fora de seu apartamento. Acontece que os
esportes são excelentes para evitar o medo de uma língua estrangeira, e desenvolver amizades duradouras
além de parecer algo meio Tarzan.
O aprendizado de idiomas merece menção especial.
É, sem dúvida, a melhor coisa que você pode fazer para
afiar a clareza de pensamento.
Sem contar o fato de que é impossível entender uma
cultura sem entender sua língua, aprender um novo
idioma o torna mais consciente de seu próprio idioma:
seus próprios pensamentos. Os benefícios de se tornar
fluente em uma língua estrangeira são subestimados, e
as dificuldades são superestimadas. Milhares de
teóricos de linguística discordarão, mas sei através de
pesquisas e de experiências pessoais com mais de uma
dúzia de idiomas que (1) adultos podem aprender
idiomas muito mais rápido do que crianças,[3] quando o
trabalho constante de 9 às 5 é removido e que (2) é
possível se tornar fluente para uma conversa em
qualquer língua em seis meses ou menos. Com quatro
horas por dia, seis meses podem ser reduzidos para
menos de três. Está fora do escopo deste livro explicar
a linguística aplicada e os 80/20 do aprendizado de
idiomas, mas há vários recursos e guias instrutivos
completos em www.fourhourworkweek.com. Aprendi
seis idiomas depois de ter sido reprovado em espanhol no ensino médio, e você pode fazer a mesma coisa com
as ferramentas corretas.
Aprenda um idioma e você ganhará um segundo par
de lentes através do qual poderá questionar e
compreender o mundo. Xingar as pessoas em outras
línguas, quando você volta para casa, também é
divertido.
Não perca a chance de dobrar sua experiência de
vida.
Servir pelas razões corretas: salvar as
baleias, ou matá-las e alimentar as
crianças?
“Moralidade é simplesmente a atitude que adotamos
em relação às pessoas
de quem pessoalmente não gostamos.”
OSCAR WILDE
Alguém poderia esperar que eu falasse sobre servir neste capítulo, e aqui está. Como tudo antes, o foco é um pouco diferente. Servir, para mim, é simples: fazer
algo que melhore alguma vida além da sua. Não é a
mesma coisa que filantropia. Filantropia é a preocupação altruísta com o bem-estar da humanidade
– da vida humana. O ser humano tem se focado na
exclusão do meio ambiente e do resto da cadeia
alimentar, daí a nossa corrida em direção à extinção
iminente. Bem apropriada. O mundo não existe
somente para o melhoramento e multiplicação da
humanidade.
Antes de começar a me acorrentar a árvores e a
salvar micosleão-dourados, no entanto, deixe-me dar
um conselho: não se torne um esnobe por conta de sua
causa.
Como você pode ajudar as crianças famintas da
África quando há crianças famintas em Los Angeles?
Como você pode salvar as baleias quando há pessoas
sem-teto morrendo congeladas? Como fazer pesquisa
voluntária sobre a destruição dos corais ajuda as
pessoas que precisam de ajuda agora?
Crianças, por favor. Tudo lá fora precisa de ajuda,
então não caia em argumentos do tipo “minha causa é
mais importante do que a sua”, sem soluções corretas.
Não há comparações qualitativas ou quantitativas que
façam sentido. A verdade é: aqueles milhares de vidas
que você salva podem contribuir com a fome que mata
milhões, ou aquele arbusto na Bolívia que você ajudou a proteger pode guardar a cura do câncer. Os efeitos
desencadeados são desconhecidos. Faça o seu melhor e
torça pelo melhor. Se você está melhorando o mundo –
seja lá como você defina isso – considere seu trabalho
bem-feito.
Servir não está limitado a salvar vidas ou o meio
ambiente. Também pode melhorar a vida. Se você é um
músico e põe sorrisos nos rostos de milhares, ou de
milhões, eu vejo isso como uma forma de servir. Se
você é um professor e muda para melhor a vida de uma
criança, o mundo ficou melhor. Aumentar a qualidade
das vidas no mundo não é de forma alguma inferior a
acrescentar mais vidas.
Servir é uma atitude.
Encontre a causa ou o meio que o interessa e não
arrume desculpas.
• Perguntas e ações •
“Os adultos estão sempre perguntando às crianças o
que querem ser
quando crescer porque estão em busca de ideias.”
PAULA POUNDSTONE
“O milagre não é andar sobre a água.
O milagre é andar sobre a terra verdejante,
profundamente integrado
ao presente momento e sentindo-se verdadeiramente
vivo.”
THICH NHAT HANH
Mas não posso apenas viajar, aprender idiomas ou lutar por uma causa o resto da minha vida! É claro que você não pode. Essa não é de forma alguma a minha
sugestão. Esses são apenas alguns bons “eixos de vida”
– pontos iniciais que levam a oportunidades e
experiências que não seriam encontradas de outra
forma.
Não há resposta correta para a pergunta “O que
devo fazer com minha vida?”. Esqueça o “devo”
também. O próximo passo – e isso é tudo – é buscar
alguma coisa, não importa muito o que, que pareça ser
divertido ou recompensador. Não tenha pressa para
mergulhar num compromisso integral de longo prazo.
Leve algum tempo para encontrar algo que o
entusiasme, não a primeira forma aceitável de trabalho
disponível. Esse chamado, por sua vez, conduzirá você
a algo mais.
Eis aqui uma boa sequência para começar, que
dúzias de NR usaram com sucesso.
1. Revisite o ponto zero: não faça nada.
Antes de escapar dos demônios de nossa mente,
precisamos encará-los. O principal deles é o vício em
velocidade. É difícil recalibrar seu relógio interno sem
fazer uma pausa da superestimulação constante. Viajar
e o impulso de ver um milhão de coisas podem
exacerbar isso.
Desacelerar não significa fazer menos coisas;
significa eliminar distrações contraprodutivas e a
percepção de estar na correria. Cogite entrar em um
retiro de silêncio de 3-7 dias, em que falar e ter acesso
à mídia é proibido.
Aprenda a reduzir a estática mental, de modo que
você possa apreciar mais antes de fazer mais:
The Art of Living Foundation (Curso II) –
Internacional (www.artofliving.org)
Centro de Meditação Spirit Rock, Califórnia
(http://www.spiritrock.org)
Centro Kripalu de Ioga e Saúde, Massachusetts
(http://www.kripalu.org)
Pousada Sky Lake, Nova York (http://www.sky-
lake.org)
2. Faça uma doação anônima para uma entidade
assistencial de sua escolha.
Isso ajuda a fazer a energia fluir e desassocia o
sentir-se bem em servir de receber crédito por isso. É
muito melhor quando é puro. Alguns bons sites para
começar são:
Charity Navigator (www.charitynavigator.org)
Este serviço independente lista mais de 5 mil
entidades de caridade usando o critério que você
escolher. Crie uma página personalizada de favoritos e
compare-os lado a lado, tudo gratuitamente.
Firstgiving (www.firstgiving.com)
O Firstgiving.com permite que você crie uma página
on-line para levantar recursos. As doações podem ser
feitas através de sua URL pessoal. Se você quer ajudar
animais, especificamente, pode clicar em um link
relacionado e acessar sites de centenas de entidades que cuidam de animais, e então decidir para qual você
quer doar. A versão britânica do site é
http://www.justgiving.com/.
Network for Good (www.networkforgood.org)
Os visitantes deste site encontrarão links para
entidades de caridade que precisam de doações, bem
como oportunidades de trabalho voluntário. Eles
também possuem um sistema automático de doações
on-line via cartão de crédito.
3. Tire uma miniaposentadoria combinada com
trabalho voluntário.
Tire uma miniaposentadoria – seis meses, ou mais,
se possível – para focar-se em aprender e servir. Uma
duração maior permitirá um foco maior no idioma, que
por sua vez permite uma interação e uma contribuição
mais significativas através do voluntariado.
Durante essa viagem, anote autocríticas e
autodepreciações em um diário. Sempre que estiver
chateado ou ansioso, pergunte-se “por que” pelo
menos três vezes e anote as respostas. Descrever essas
dúvidas escrevendo-as reduz seu impacto duplamente.
Primeiro, normalmente é a natureza ambígua da dúvida que dói mais. Defini-la e explorá-la por escrito
– assim como forçar seus colegas a se comunicar por
e-mail – demanda clareza de pensamento, depois do
qual se descobre que a maior parte das preocupações é
infundada. Segundo, registrar essas preocupações
parece removê-las de alguma forma da sua cabeça.
Mas aonde ir e o que fazer? Não há respostas
corretas para estas perguntas. Use as seguintes
perguntas e recursos para ter ideias:
O que mais o incomoda na situação do mundo?
Do que você mais tem medo pela próxima geração,
tendo filhos ou não?
O que o deixa mais feliz na vida? Como você pode
ajudar os outros a ter a mesma coisa?
Não há necessidade de se limitar a um único lugar.
Lembra-se de Robin, que viajou pela América do Sul
durante um ano com seu marido e seu filho de 7 anos?
Os três passaram entre um e dois meses fazendo
trabalho voluntário em cada lugar, incluindo a
construção de cadeiras de rodas em Banos, no Equador,
reabilitação de animais exóticos na floresta tropical boliviana e cuidando de tartarugas marinhas no
Suriname.
Que tal fazer escavações arqueológicas na Jordânia,
ou cuidar de vítimas do tsunami nas ilhas da Tailândia?
Estes são apenas dois das dúzias de estudos de caso
sobre mudança para outros países e trabalho
voluntário, presentes em cada edição da Verge Magazine
(www.fourhourblog.com/verge). Veja alguns dos
recursos testados pelos leitores:
Hands on Disaster Response: www.hodr.org
Project Hope: www.projecthope.org
Relief International: www.ri.org
International Relief Teams: www.irteams.org
Airline Ambassadors International:
www.airlineamb.org
Ambassadors for Children:
www.ambassadorsforchildren.org
Relief Riders International:
www.reliefridersinternational.com
Habitat for Humanity Global Village Program:
www.habitat.org
Planeta: Listagem Mundial de Ecoturismo Prático:
www.planeta.com 4. Revisite e redefina seus cronogramas de sonhos.
Depois da miniaposentadoria, revisite os
cronogramas de sonhos criados na “Definição” e
redefina-os se precisar. As questões a seguir ajudarão:
O que você faz bem?
O que você poderia fazer melhor?
O que o deixa feliz?
O que o deixa empolgado?
O que o faz sentir-se realizado e bem consigo
mesmo?
Do que você tem mais orgulho de ter realizado na
sua vida?
Você pode repeti-lo ou desenvolvê-lo?
O que você gosta de compartilhar ou viver com
outras pessoas?
5. Baseado nos resultados dos passos 1-4, pense em
testar novas vocações em meio período ou em tempo
integral.
Trabalho em tempo integral não é ruim se for o que
você gostaria de estar fazendo. É aí que separamos
“trabalho” de “vocação”.
Se você criou uma musa ou reduziu suas horas de
trabalho a próximo de nada, pense em testar uma
vocação: um chamado verdadeiro, ou uma ocupação
com a qual você já sonhou. Foi isso que fiz com este
livro. Agora posso dizer às pessoas que sou um escritor
em vez de dar a elas a explicação de duas horas sobre
distribuição de drogas. O que você sonhava ser quando
era criança? Talvez seja hora de se inscrever no Space
Camp ou se candidatar a assistente de um biólogo
marinho.
Recapturar a empolgação da infância não é
impossível. Na verdade, é necessário. Não há mais
correntes – ou desculpas – para segurá-lo.