Trabalhe 4 Horas por Semana

Timothy Ferriss · Capítulo 24 de 26

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Trabalhe 4 Horas por Semana

Vivendo a semana de trabalho de 4 horas

para nossos esforços de marketing e publicação. Como

decidimos que seria um pouco invasivo tirarmos nós mesmas as

fotos, queríamos tentar uma nova abordagem para conseguir as

fotos de que precisávamos. Todos os participantes dos nossos

Seminários do Verão de 2008 podem inscrever as fotos que

tiraram durante o seminário concorrendo a um Certificado de

Presente da Amazon no valor de 5 dólares por cada foto que

escolhermos.

 

Vivendo a Semana de Trabalho

de 4 horas

 

Estudos de caso, dicas e atalhos

 

Zen e a arte de viver como um rock star

Procura-se amantes das artes

Acabamento fotográfico

Advocacia virtual

Levantando voo com a ornitologia

Formação fora do trabalho

Ordens médicas

Família 4 horas e a educação global

Reflexões financeiras

Quem disse que as crianças nos impedem de fazer as

coisas?

Trabalho remoto

Matando seu blackberry

Star Wars

 

Zen e a arte de viver como um rock

star

 

Oi, Tim.

A história é a seguinte: sou músico e moro em Munique, na Alemanha. Tenho

meu próprio selo e não tem sido nada fácil fazer o negócio decolar. Enquanto tentava resolver isso minha criatividade foi diminuindo até chegar ao fundo do poço (algumas vezes).

Apesar de continuar sendo difícil sobreviver na indústria musical, não acho

nada difícil agora fazer o que desejo fazer. E é tudo o que faço. Faço o que quero fazer. E isso inclui ser pai, fazer música, compor, cuidar do negócio, viajar, aprender línguas (principalmente italiano), andar de bicicleta etc. Está tudo nos parágrafos a seguir.

1. Li o livro passo a passo por cerca de dois meses em setembro/outubro de

2008 (além de navegar pelo blog) e fiz da minha vida uma tábula rasa (muito vômito cerebral no papel).

2. Comecei a terceirizar as coisas que mais me aborreciam (e assim ficavam

mais tempo na minha lista de coisas para fazer). Terceirizei:

pesquisa, a maior parte relacionada à indústria musical (a

terceirização da pesquisa me pouca cerca de 2−3

horas/dia)

manutenção de sites (sites sociais como o Facebook,

Myspace etc.). Estou planejando fazer a maior parte do

meu marketing através desses sites em 2009 e estou em

mais de 25 sites como artista.

Meu AV (getfriday.com, como você recomenda em seu livro) faz todas as atualizações e checa os sites uma vez por semana para reunir comentários, mensagens por e-mail, etc., filtrar e enviar um relatório semanal incluindo todos os detalhes para que eu possa responder. (Isso me poupa 1−2 horas/dia).

Os retoques das minhas fotos para a imprensa são feitos pela elance (economia de 5 horas de trabalho e cerca de 500 dólares). Administração do mailing com as datas de shows, atualização de álbuns, etc. (Economia de cerca de 1 hora gasta com cada mailing). Comecei a testar musas (aprendizado de línguas com música para venda on-line). Ainda estou testando! Decidi abrir um negócio de publicação online para empresas de cinema licenciarem músicas para filmes com um clique do mouse, sem ter que passar meses negociando. Isso acontecerá em 2009 (logo começarei os testes).

As pessoas em geral ficam surpresas e impressionadas com o fato de uma pessoa que não tem ar de executivo (pareço mais um roqueiro punk aposentado) terceirizar parte de sua vida e viver como um milionário (acho que parecem apesar de estarmos longe disso!).

Percebi que poderia ser assim depois de ter recebido o primeiro feedback positivo do meu AV terceirizado. Os resultados do meu projeto foram postados no elance e um dia depois obtive os resultados. Eu disse, é isso aí, isso é MEU!

A maior mudança é que agora tenho minha vida sob controle. Cuido da minha filhinha (20 meses) durante metade do dia (na outra metade minha esposa toma conta dela), cuido dos negócios e tenho tempo para fazer as coisas que sempre quis fazer. Em termos de renda continuo basicamente na mesma situação de antes, mas agora tenho muito mais tempo livre e a cabeça mais descansada (por isso acho que fiquei muito mais rico!).

Trabalho sempre que quero (sem chefe) por cerca de 24−30 horas semanais

(incluindo as horas que passo no escritório e nos estúdios de música) e o que faço agora é o que eu realmente gosto de fazer. Ainda estou otimizando a eficiência para reduzir as horas de escritório (atualmente cerca de 10 horas/semana). Meu sonho é acabar com o escritório de uma vez, eliminar toda a papelada, e ficar apenas com o laptop.

Eliminei todo o trabalho que me jogava pra baixo ou que me deixava esgotado

(eliminei uma carga de trabalho de aproximadamente 10 horas/semana). Não aceito trabalhos (para escrever/produzir música) a menos que adore o projeto. Eliminei todas as pessoas que viviam reclamando ou que odiavam tudo (o que poupou meu estômago).

Acabei de criar meu blog juergenreiter.com, “zen e a arte de viver como um

rockstar”, e pretendo compartilhar essas mudanças que fiz na minha vida (principalmente para que os músicos vejam que há luz no fim do túnel).

E gravei um álbum com minha músicas e pela primeira vez na vida escrevi

todas as letras sozinho! Será lançado na primavera pelo meu selo ORkAaN Music+Art Productions.

Este ano vou passar seis meses em Nova York em uma miniaposentadoria. Em

maio vou passar duas semanas na Sicília para aprender italiano. Voltarei à Sicília em setembro por mais duas ou três semanas para percorrer a ilha de bicicleta. E estou pensando em ir para o México, América Central ou Austrália no inverno.

Aprendi a me barbear com uma navalha em 30 minutos, algo que eu desejava

há anos. Agora, o ritual do barbear é muito excitante e divertido! Em abril vou fazer um curso para especialistas em café (sou viciado em café) e me tornarei um “maestro del café”. Ajudei minha esposa a largar o emprego de professora e realizar o desejo de ter um Café em Munique. O nome do lugar é Frau Viola e abriu as

portas em outubro de 2008. Está indo muito bem. (www.frauviola.wordpress.com)

Tem como avaliar tudo isso? Acho que as coisas falam por si mesmas.

O espírito geral do livro Trabalhe 4 horas por semana me deu tranquilidade para

poder ter tempo para brincar com minha filha e desfrutar meu “tempo livre” sem ter medo de perder alguma coisa ou de estar desperdiçando minha vida. Eu diria que de modo geral (com todas as mudanças que mencionei acima) minha produtividade aumentou em pelo menos 70% e as dúvidas caíram em 80%.

Para aqueles que estão apenas começando:

1. Comece pequeno pense grande.

2. Identifique aquilo que te estimula e o que te aborrece.

3. Elimine e concentre-se no que te estimula.

4. Permaneça fiel ao que te estimula independentemente do que as pessoas

digam. A vida é sua, viva como você acha que é certo pra você.

5. Leia Trabalhe 4 horas por semana, é claro.

− J. Reiter

 

Procura-se amantes das artes

 

Vi meu pai se matar de trabalhar durante 20 anos como lixeiro após ter imigrado do México. Ao avaliar minha vida em 2007 em um quarto de hotel solitário após mais uma semana interminável de viagem a trabalho, longe da minha família e das pessoas que eu amava, percebi que estava no mesmo caminho – tinha 33 anos e trabalharia até morrer, abrindo mão do meu amor pela música e pelo teatro.

Nada acontece por acaso na vida e, naquela noite, eu me deparei com o e-mail de um velho amigo sugerindo que eu lesse Trabalhe 4 horas por semana. Devorei o livro em poucas horas e comecei a praticar seus princípios imediatamente. Quando falava a respeito do livro e contava o que pretendia fazer as pessoas diziam que eu estava louco. Concentrei todos os meus esforços nos sonhos, na Eliminação e na Liberação. No trabalho, a primeira coisa que eu queria era a liberação com um trabalho remoto. Apesar de todas as tentativas malsucedidas, perseverei (aprendendo muito com a negociação) e consegui. Isso mudou tudo. Eu trabalhava mais de 9 horas por dia com viagens semanais e passei a trabalhar 4 horas por semana, com uma semana de viagem a trabalho por mês e consegui um aumento de 10 mil dólares com o dobro de produtividade em relação ao ano anterior.

O resultado é que agora posso viver com minha namorada em Seattle (minha

cidade-natal). Posso me dedicar à minha paixão pela música (canto em um coro e componho minhas canções folk-rock) e pelo teatro (estou fazendo minha primeira apresentação de 60 minutos inteiramente improvisada neste fim de semana), além de cuidar do meu preparo físico. Estou treinando para participar da minha segunda maratona.

A maioria dos meus amigos mal consegue acreditar que eu possa dedicar a

maior parte do meu tempo ao meu amor pelas artes e ainda ter uma boa renda trabalhando apenas 4 horas por semana. A melhor parte de tudo isso é que descobri mentalmente o significado da liberdade. A realidade é negociável e agora a minha realidade é que agora posso passar horas desfrutando a companhia do meu pai, que esperou vinte anos até se aposentar para aproveitar a liberdade que encontrei menos de dois anos após a leitura de Trabalhe 4 horas por semana.

Como imigrante quero espalhar a mensagem de que par ser bem-sucedido nos

Estados Unidos no século XXI NÃO devemos nos matar de trabalhar, em vez disso devemos seguir os princípios do livro Trabalhe 4 horas por semana e trabalhar de maneira mais inteligente para podermos alcançar realmente o Novo Sonho Americano: liberdade para desfrutar o recurso mais precioso que temos na vida... nosso tempo nesta terra.

− I. Barron

 

Acabamento fotográfico

 

Oi, Tim.

Eu queria dizer que seu livro Trabalhe 4 horas por semana foi uma verdadeira

inspiração e mudou minha vida este ano!

Comprei seu livro em novembro. Antes disso, eu não sabia o que era

“automação do fluxo de trabalho”. Eu tinha uma funcionária de meio-período, mas seu trabalho acabava gerando mais trabalho pra mim. Às vezes, eu ficava trabalhando até as 3 da manhã e levantava às 7. Queria viajar, mas a verdade é que isso me parecia impossível. Eu não tinha tempo nem dinheiro.

Um dia estava ouvindo seu audiolivro. Estava ouvindo cada um dos capítulos, várias vezes. Estava correndo e parei. Acho que estava ouvindo um estudo de caso sobre alguém que vendia arquivos de música na internet.

Sou fotógrafo. Principalmente de casamentos. Fiquei imaginando como poderia vender imagens digitais pela internet. Então me ocorreu uma ideia fantástica de uma empresa de fotos de família. Na hora decidi reservar um site pelo celular.

Dois meses depois eu tinha um site, acesso a milhares de fotógrafos de todo o país, e fiz nossa primeira venda. Melhor ainda, agora estou no negócio de fotos de famílias e não preciso mais tirar fotos. E melhor +1, somos o primeiro negócio desse tipo que não vende fotos impressas, apenas arquivos digitais. Deu certo! Adotei esse procedimento para as fotos do meu casamento. Outros fotógrafos ficaram ofendidos, mas estou ganhando MUITO mais dinheiro, eliminei praticamente todos os custos e tenho muito mais tempo livre!

Sei que este relato é vago, mas não é essa a questão. A questão é que agora trabalho melhor, mais rápido, tenho mais dois funcionários, desativei as notificações de e-mails no computador e meu celular, apesar de tudo o que pode fazer, sequer toca. O e-mail foi desativado. Dou apenas uma olhada de vez em quando para ver os telefonemas que perdi.

Minha noiva me adora porque chego em casa a tempo de jantar e deixo o laptop no trabalho. É uma vida que jamais imaginei que poderia ter. Enquanto isso, os sistemas estão trabalhando no meu lugar e este ano parece que será muito melhor, financeiramente, do que o ano passado.

Então decidi que estava na hora de tentar minha primeira miniaposentadoria. O objetivo: esquiar nos Alpes Suíços e passar cinco dias na Suíça gastando menos de mil dólares. Consegui uma passagem de ida e volta por cerca de 500 dólares. O passe para esquiar por um dia em Engelberg ficou em 80 dólares. A acomodação

não custou nada devido à sua sugestão (www.couch-surfing.com) e comi castanhas assadas, linguiças, peixe e batata frita e tomei muita cerveja boa durante toda a semana. Eu consegui!

Serei eternamente grato e estou muito entusiasmado com as próximas miniaposentadorias. Estou vivendo os melhores dias da minha vida.

P.S. No dia 11 de maio parto para um mês de férias a trabalho na Itália. (Fui

contratado para fotografar dois casamentos em Siena). Estou pensando em me divertir MUITO mais do que trabalhar.

− Mark Cafiero, fotógrafo.

 

Advocacia Virtual

 

Eu trabalhava para um grande escritório de advocacia do Vale do Silício mas

um dia acordei e decidi que queria viajar por um ano e aprender uma língua diferente. Seis semanas depois estava vivendo em Cali, na Colômbia. Nunca tinha ido a Cali e não falava uma palavra de espanhol, mas era justamente aquilo que me entusiasmava. Bem, quase dois anos depois, ainda passo mais de 95% do meu tempo vivendo e trabalhando em Cali (recentemente comprei um apartamento fantástico que jamais teria condições de comprar na Califórinia). Além disso tenho uma empregada/cozinheira (cinco horas por dia/cinco dias por semana) que me custa menos de 40 dólares semanais.

Abri meu escritório de advocacia virtual e então meu juntei ao meu antigo

chefe. Meu número dos Estados Unidos toca onde quer que eu esteja (sou da Nova Zelândia, por isso viajo para lá com bastante frequência) e toda a minha correspondência é enviada para a Market Street, San Francisco e escaneada para que eu possa ver online. Se precisar enviar cartas, tenho outro serviço que imprime a carta e envia nos Estados Unidos para que não haja atrasos de envio internacional.

Definitivamente, use www.fourhourblog/earthclass para escanear-receber

correspondência. Eles têm vários pacotes mas você vai gastar por volta de 30−40 dólares mensais. Você também pode escolher uma ou mais Caixas Postais ou endereços físicos. Meu endereço na Market Street é na verdade um endereço earthclassmail.

Para imprimir pequenas cartas e enviá-las dentro dos Estados Unidos use o

www.postalmethods.com. Pode ser meio desajeitado no começo, mas é ótimo depois que você se habitua. É muito barato pois você só paga quando envia (uma carta de quatro páginas fica em pouco mais de 1 dólar incluindo a postagem).

Venha me visitar algum dia. A Colômbia não é nada do que dizem – eu me sinto muito mais seguro caminhando tarde da noite por aqui do que em muitos lugares de San Francisco. Mas não conte a ninguém, aqueles que vivem por aqui querem manter esse segredo!

− Gerry M.

 

Levantando voo com a ornitologia

 

Tim,

No último mês de julho meu mentor me deu seu livro e ele causou um grande impacto na minha vida, não podia ter chegado em melhor momento. Na época em que li seu livro, faltavam algumas semanas para minha primeira participação em um triatlo olímpico. Eu havia treinado durante cinco meses, parecia e me sentia forte; o mais importante, no entanto, é que a disciplina e o empenho para conquistar um objetivo físico resultaram em uma criatividade que eu não sentia há anos. Postei meu tempo no evento e me senti tão otimista em relação à minha capacidade que fiz a inscrição em uma prova de Meio Ironman.

Voando alto desse jeito e seguindo os princípios do seu livro, tive muitas ideias de produtos/negócios e estou prestes a lançar a primeira dessas ideias. É uma linha de produtos chamada OrniTHreads para observadores de pássaros da Geração X e Y.

São dois os motivos que me levam a focar esse segmento:

1. Durante o dia trabalho na [nome da empresa]. Descobri muita coisa a

respeito desse público, como o fato de que existem 70 milhões de americanos que praticam a observação de pássaros (estatística impressionante da US Fish & Wildlife). São pessoas muito apaixonadas por essa atividade e seu interesse só tende a crescer com o tempo! Em geral pertencem às classes média e alta e têm bom nível de instrução formal.

2. Neste verão fiz um curso de ornitologia na Columbia University (onde estou

matriculada em um programa de Biologia da Conservação) e fiquei

apaixonada pelas ilustrações dos meus livros, senti vontade de ficar cercada por aquelas imagens.

Vou lançar o www.ornithreads.com na próxima semana e o primeiro dos meus

desenhos está sendo impresso neste momento.

Tenho grandes planos para a empresa mas estou tentando apenas criar a

primeira coleção e aprender o máximo possível. Seu livro tem sido extremamente útil para delinear os passos que preciso dar para ser bem sucedida e espero que minha ideia tenha fôlego (ou asas), o que se transformará automaticamente em renda.

Se vier para NY – para promover seu livro ou por outro motivo – adoraria

encontrar com você. Sinceramente,

− Brenda Timm

 

Formação fora do trabalho

 

Usei conceitos do 4HWW para continuar a trabalhar de agosto de 2008 a janeiro

de 2009 enquanto viajava por Portugal, Espanha, Europa, Suécia e Noruega, surfando e praticando snowboarding. A melhor parte de tudo isso? Voltei para casa tendo no banco o triplo do dinheiro que teria se continuasse a trabalhar normalmente das 9 às 5. Trabalho para [nome da empresa] como programador de so ware e consegui colocar os conceitos em prática e mudar minha vida.

Baixei o Fring (um programa de chamadas que te possibilita ter um número no

exterior) no meu iPhone. Passei quatro meses antes de partir tentando não ficar no meu cubo, mas sempre por perto. Decidi ficar SEMPRE disponível no Messenger de forma que se as pessoas fossem até meu cubo para me ver pessoalmente perceberiam que eu estava em outro lugar e então entrariam na internet para perguntar: “Onde é que você está?” Minha resposta era sempre parecida: na cafeteria no fundo do corredor..., aqui embaixo no café... na mesa do fulano... Depois de dois meses aconteceu uma coisa mágica. As pessoas começaram a me procurar no Messenger e pararam de ir até minha mesa. Isso me permitiu estar a quase 10 mil quilômetros de distância sem que ninguém percebesse.

Algo mais a considerar... como a diferença do fuso horário afeta o trabalho remoto. Percebi, enquanto estava na Noruega (9 horas de diferença), que era a quantidade de tempo ideal. De certa forma, era como viver no futuro. Meu dia estava quase acabando quando meu chefe estava levantando... Eu podia explorar os fiordes, as montanhas, descobrir lugares diferentes para surfar na mais completa paz, sem me preocupar com a possibilidade de receber um telefonema... Era perfeito. Se eu quisesse, podia passar o dia todo explorando, voltar pra casa e jantar, e depois conversar com meu chefe por 20−30 minutos. As poucas vezes em que ele precisou de alguma coisa com urgência, me passou o trabalho antes de deitar e o recebeu na manhã seguinte, ao acordar.

− B. Williamson

 

Ordens médicas

 

Oi, Tim.

Essa é minha história...

Meu sonho começou cerca de quatro anos atrás. Eu ia fazer o exame para tirar minha licença de psicólogo e, depois de conversar com um amigo, decidi que me daria de presente uma viagem à América do Sul. Estávamos ambos exaustos com nossos empregos de 9 às 5 (às vezes até, 6, 7 ou 8 da noite) em clínicas e hospitais.

Eu já tinha viajado bastante pelos Estados Unidos e algumas partes da Europa, mas jamais havia tido contato com a cultura sul-americana.

Minha viagem foi absolutamente fantástica e realmente abriu meus olhos para outras formas de vida e de cultura. Durante a viagem passei muito tempo conversando com expatriados sobre como eles usavam seus fundos de pensões e aposentadorias para viver como reis. Uma coisa ficou evidente: a maioria dos expatriados que haviam tentado “montar um negócio” para ajudar a financiar seu estilo de vida fracassara miseravelmente. Imaginei que simplesmente não havia moeda (pesos) suficiente no mercado para sustentar um negócio voltado para os “gringos”.

Depois dessa viagem, disse ao meu amigo que precisava dedicar todas as minhas energias para desenvolver um método para ganhar dinheiro com cidadãos americanos mesmo que vivendo em outro lugar. A telefonia via internet tinha acabado de chegar ao mercado e os serviços de internet estavam melhorando na América do Sul e em outras partes do Terceiro Mundo.

O negócio precisava se basear na mobilidade total. Matutei sobre o negócio até

reduzi-lo a duas funções básicas: telefone confiável via internet e internet de alta velocidade. Na época eu tinha um pequeno escritório de consulta em pesquisa em que ajudava estudantes de doutorado por telefone e via e-mail a concluir suas dissertações, teses e análises estatísticas. Tinha um pequeno site que estava ficando congestionado, mas dependia de outros para serviços de marketing e internet. Posteriormente aprendi mais sobre otimização de ferramentas de pesquisa e marketing na web e acabei assumindo o controle de todo o marketing e

promoção do meu site, http://www.ResearchConsultation.com, o que me permitiu expandir os negócios substancialmente.

Nos três anos seguintes realizei inúmeros “testes de mobilidade”... viajando

para a Costa Rica, República Dominicana, Venezuela e Colômbia para fazer todos os ajustes do meu sistema para administrar meus negócios do exterior.

Finalmente deixei meu emprego no último mês de novembro, na véspera do

Dia de Ação de Graças, jurando que nunca mais voltaria à rotina de trabalho das 9 às 5. Eles tinham acabado de instalar um sistema de identificação digital que obrigava todos os funcionários a inserir a digital na entrada e na saída do turno no hospital para garantir que todos trabalhassem oito horas. Esse foi mais um sinal de que eu precisava sair dali.

Agora vivo em NY e na Colômbia, e viajo para outras partes do mundo ao longo

do ano: falando com clientes, administrando meus contratantes (americanos e colombianos) para adquirir dólares americanos, vivendo por uma fração do custo no exterior. Também estou desenvolvendo outros sites e negócios (fóruns comunitários) que deverão ser mais automatizados, exigindo menos interação e acompanhamento diários.

Bem... essa é minha história até aqui. Atualmente é a América do Sul, amanhã

pode ser qualquer lugar onde eu consiga internet rápida (banda ancha)! Meus níveis de estresse caíram significativamente desde que deixei meu antigo emprego e minha qualidade de vinha melhorou imensamente.

Minha família e amigos em NY ainda acham que sou maluco e concordo

inteiramente com eles...

− Jeff B.

 

Família 4 Horas e a educação global

 

Tim,

Passamos a ter uma vida familiar totalmente nômade e digital viajando pelo mundo em 2006, por isso descobrimos seu livro e suas ideias depois de termos começado... e adoramos! Nossa vida mudou totalmente, é mais gratificante e muito mais simples. Estamos mais verdes, mais magros, mais saudáveis, mais felizes e mais conectados.

Muitas pessoas pensaram que estávamos loucos quando decidimos fazer isto em 2004/5, mas agora muitas delas acham que fomos inteligentes e enxergamos longe.

Os problemas para encontrar uma boa escola (apesar de termos algumas excelentes à nossa disposição) foi talvez o momento mais específico (John Taylor Gatto expõe a questão do por que as escolas não educam) que nos ajudou a mudar e a querer passar mais tempo juntos, já prevendo a economia que faríamos.

Acho que mais famílias terão miniaposentadorias e levarão uma vida menos agitada, viajando e vivendo uma experiência nômade digital. Se a família fica longe durante meses, precisa estar informada a respeito de todas as oportunidades educacionais maravilhosas que são muito mais do que continuar em casa (o que poucos percebem)!

Existem MILHÕES de recursos fantásticos como o Classroom 2.0 e muitos educadores inovadores online. Minha filha acabou de fazer 8 anos e está adorando seu curso da Universidade John Hopkins/CTY, que também é ótimo para fazer amigos. Hoje em dia podemos mergulhar profundamente em uma cultura e ainda conservar nossa cultura natal. Essa é uma informação importante para as famílias que ainda temem os aspectos negativos e ultrapassados dos Third Culture Kids (TCK) dos anos 1960.

Maya Frost[91][1] apresenta informações excelentes sobre crianças mais velhas e até mesmo um novo paradigma a respeito da ida para a universidade. Acho que a educação é uma das coisas que passarão por uma grande transformação graças à internet e os pais precisam dessas informações para tomar decisões importantes.

Tivemos uma experiência fantástica com uma escola local na Espanha, que

permitiu que minha filha mergulhasse profundamente em uma segunda cultura, em sua língua e literatura. Precisamos de mais informações (no livro) sobre escolas locais e como vivenciar a experiência como família durante alguns meses.

Nossa filha teve aulas com uma maravilhosa professora de flamenco local e

também teve aulas de piano com nossa professora de Chicago via Skype.

As bibliotecas virtuais também são importantes (especialmente para uma

criança que lê muito). Http://learningfreedom.org/languagebooks.htm é uma fonte excelente para o aprendizado de línguas com ótimos livros para a educação de uma criança bilíngue, mesmo que você seja monolíngue!

− SOULTRAVELERS3,

uma família que está vivendo no exterior e adorando

 

Reflexões financeiras

 

Eu me formei na Universidade Stanford e comecei a trabalhar em um banco de

investimentos em julho de 2006 e, de uma forma doentia, no início quase gostava do que fazia. Sim, era um estilo de vida terrível, mas estava aprendendo muito e acendendo rapidamente. Tenho (tinha) uma personalidade tipo-A e por isso aquilo me atraía muito.

No entanto, à medida que o ano avançava percebi que aquela situação não era

sustentável e que eu queria cair fora... mas como acontece com tanta gente demorei a agir.

Em maio de 2007, estava voltando para casa às 3 horas da manhã e bati com o

carro em uma árvore. Se você nunca bateu contra um objeto inanimado ao pegar no sono ao volante, imagine acordar a 1,5 metro do chão fazendo bungee jumping com o cabo prestes a arrebentar e terá uma ideia do que aconteceu.

“No PS”

Esse era o título do e-mail que enviei no dia seguinte para todo o escritório.

Felizmente todos entenderam e me disseram que poderiam tirar um raro fim de semana de três dias. Felizmente sobrevivi, sem ferimentos graves, mas decidi que estava na hora de mudar.

Uma ou duas semanas depois encontrei com alguns amigos para jantar e contei minha história. Uma amiga (que havia deixado o emprego para ir atrás do sonho de ser atriz, enquanto vendia produtos de informação pela internet) me falou de um livro que havia lido recentemente chamado Trabalhe 4 horas por semana.

Pensei que fosse um golpe, é claro, mas eu estava odiando minha vida e decidi que deveria pelo menos dar uma espiada. Li de uma sentada. E então li de novo, só para ter certeza de que não estava alucinando. Antes de entrar para o mundo das finanças eu havia trabalhado com gráficos e web design, tinha experiência técnica, de forma que nada do que o livro dizia me pareceu extravagante – eu só não havia percebido como tudo era fácil e acessível. Além disso eu tinha passado seis meses no Japão enquanto fazia faculdade e tinha adorado – e uma longa viagem pelo mundo sempre estivera nos meus planos.

Passei um tempo ruminando as ideias do livro, tirei umas férias rápidas para voltar ao Japão em 2007 e ao voltar para casa decidi que tinha de começar. Minha musa: vender um guia de entrevistas de investimentos bancários. É um nicho, assunto com alta demanda e eu sabia que poderia criar um guia melhor do que todos os que existiam. Mas tinha um problema: precisava manter o anonimato pois ainda estava trabalhando e a publicidade com pagamento por clique seria muito cara dados os altos custos por clique para palavras-chave relacionadas.

Em novembro de 2007 decidi criar um blog, Mergers & Inquisitions

(http://mergersandinquisitions.com) sobre a área de investimentos financeiros e como entrar nesse setor, visando um público formado por universitários, mestrandos e profissionais. Enquanto criava meu público nunca encontrava tempo para terminar minha musa – o guia de entrevistas. Mas estava recebendo centenas de pedidos de consultoria dos meus leitores, então comecei com edição de currículos e expandi para entrevistas simuladas – sim, não é muito “estilo musa”, mas eu cobrava caro e podia ganhar o mesmo que meu antigo salário em uma fração do tempo. Fiz tudo isso mantendo total anonimato, pois não queria ser demitido enquanto não tivesse uma fonte de renda alternativa. O incrível é que minha prestação de serviços decolou mesmo sem poder dizer quem eu era.

Ao mesmo tempo, decidi que pediria demissão em junho de 2008 e que não

queria ter outro emprego na área financeira. Assim, eu tinha pouco tempo para fazer as coisas funcionarem. Meus amigos e familiares duvidaram, todos achavam que não daria certo. Decidi que estavam errados e que faria o que pretendia – se acontecesse o pior eu poderia cortar minhas despesas, mudar para a Tailândia e me tornar professor de inglês.

Para aumentar minha renda, renovei completamente meu site; passei de

alguns trocados para uma receita integral por uma consultoria de meio período em julho/agosto de 2008. Graças a isso pude viajar para o Havaí e para Aruba para praticar mergulho com snorkel, surfar, mergulhar em gaiolas no meio dos tubarões e visitar amigos em outras partes dos Estados Unidos, tudo isso ganhando com meu trabalho de meio período o mesmo que ganhava como analista financeiro de um banco de investimentos.

Com a recessão e a economia piorando meu negócio decolou por ser

anticíclico – qualquer coisa que ajude as pessoas a encontrar um emprego quando a procura está em alta e a economia vai mal. Desde então ajudei dezenas de analistas e consultores financeiros a encontrar emprego em outras áreas. Mas também estou começando a trabalhar muito mais porque estava trocando tempo por dinheiro... e no outono comecei a trabalhar na minha ideia original – o guia de entrevistas – que lancei com grande sucesso no final de 2008.

Consegui ter muito mais tempo, dobrar minha receita e colocar a maior parte

da minha renda no piloto automático. Se não trabalhasse mais a partir de agora, ainda assim ganharia 2−3 vezes mais do que ganhava por mês simplesmente escrevendo duas ou três vezes por semana para meu site (4−5 horas e prestando algumas consultorias (10 horas). Posso dizer que minha receita triplicou enquanto meu tempo de trabalho caiu 6−9 vezes, e minha mobilidade é total.

Admito que muitas vezes “trabalho” mais do que isso, mas sempre ligado a

projetos educacionais aos quais quero me dedicar, e não um trabalho que sou obrigado a fazer. E se não estiver com vontade de trabalhar em uma determinada semana, posso reduzir minha carga horária e me dedicar ao aprendizado de línguas, esportes ou viajar para algum lugar exótico.

Esse esquema permitiu que eu fizesse uma viagem incrível para a China,

Cingapura, Tailândia e Coreia em dezembro/janeiro, onde vivi algumas aventuras. Estou me mudando para a Ásia daqui alguns meses e depois disso pretendo viajar pelo mundo indefinidamente, administrando meu negócio dos Cafés por onde passar.

A propósito, encontrei com muitos clientes na Ásia que acharam demais esse estilo de vida.

Seu livro mudou minha vida e melhorou infinitamente meu estilo de vida, e só queria lhe agradecer por tudo.

− D. Dechesare

 

Quem disse que as crianças nos

impedem de fazer as coisas?

 

A primeira coisa que fiz foi pensar “Qual é a pior coisa que pode acontecer em uma escala de 1 a 10?” se eu deixar meu emprego bem remunerado no governo? O poder desse processo mental é incrível.

Larguei meu emprego, vendi minha casa e passei três meses acampando com meus dois filhos pequenos e minha esposa grávida (miniaposentadoria). Rodamos (bem devagar) pela costa sudeste da Austrália, de Sidney até Adelaide.

Com aquela clareza mental que só é possível quando você está no campo com sua família e sem qualquer preocupação, decidi colocar em ação um plano que vinha matutando há cerca de 12 meses. Comprei um dongle wireless e criei um produto com informações para engenheiros elétricos e o so ware para operar o produto.

Administrei isso (a) fazendo uma dieta de informação, (b) trabalhando das 9 da noite até meia-noite em um acampamento, sem qualquer distração, (c) terceirizando tudo o que considerava difícil ou demorado (como o negócio complicado do programa e as ilustrações para meu livro).

Depois de quatro semanas tinha um site informativo que havia substituído metade da minha renda de período integral – exigindo menos de 4 horas semanais para a manutenção.

O plano original era chegar em Adelaide e conseguir um emprego. Mas com minha receita passiva, decidi fazer meu negócio crescer e estou quase conseguindo ter 100% da renda que tinha antes. Parece simplesmente brilhante.

Agora estamos pensando em viajar pelo mundo até as crianças atingirem a

idade de ir para a escola primária...

Quem disse que as crianças nos impedem de fazer as coisas?

− Finn

 

Trabalho remoto

 

Um ano e um mês atrás, li Trabalhe 4 horas por semana por recomendação do

namorado da minha irmã, depois de passar muitos meses conversando sobre a vontade de mudar minha vida, ir para a Argentina e aprender castellano. Depois de ler o livro parei de falar sobre os meus sonhos e comecei imediatamente a estabelecer objetivos de curto e longo prazo. Comprei um notebook para acompanhar minhas tarefas e objetivos mensais. Pesquisei inúmeras possibilidades de trabalho remoto e comecei a conversar com familiares e amigos mais próximos sobre meus novos planos. Todo mundo achava que era apenas uma ideia e que eu não faria nada daquilo. Pensavam que era algo do tipo “um dia gostaria de fazer isso” e que eu não iria estabelecer objetivos diários para chegar lá. Sabiam que eu adorava meu trabalho, por isso, por que o trocaria por uma vida de incertezas? Eu não pensava assim. Não tinha medo, na verdade estava entusiasmado com a possibilidade de ter um novo estilo de vida, começar de novo, e apesar de gostar do meu trabalho eu também tinha outras coisas que desejava realizar na vida. No início pensei em dar aulas de inglês para ganhar a vida mas no fundo o que eu realmente queria era continuar trabalhando para a mesma empresa, só que remotamente. O livro me deu confiança para acreditar que isso era possível, quando todos ao meu redor achavam que era impossível.

Decidi redigir uma proposta [92][2] e apresentá-la à minha chefe mesmo com

todo mundo me aconselhando a não fazer isso. Se minha chefe rejeitasse a proposta, eu tinha dinheiro suficiente para viver na Argentina por pelo menos seis meses até encontrar uma forma de ganhar dinheiro por lá. Eu não desistiria do meu sonho de viver uma vida mais livre e mais feliz com menos trabalho e mais tempo para mim mesmo. Todas as probabilidades estavam contra mim mas assumi um risco calculado e tinha fé em mim. Depois de entregar a proposta, me preparei para o pior. Todo mundo que eu conhecia segurou a respiração e me desejou sorte. Mas ao sair da sala da minha chefe mal conseguia acreditar no que estava acontecendo. Ela não apenas aceitou minha proposta como ficou ansiosa para discutir os detalhes. Ninguém acreditou quando contei. Depois de passado o choque percebi que realmente poderia fazer aquilo e tive a sensação de ter tirado um grande peso dos ombros. A pior parte havia ficado para trás e agora eu poderia começar a pensar em todas as possiblidades que tinha pela frente.

Decidi que me mudaria para a Argentina em setembro de 2008. Cheguei no dia 3 de setembro e estou aqui há seis meses. Moro na capital de Jujuy, uma pequena província no noroeste da Argentina. Trabalho 5−10 horas por semana e acho que agora estou muito mais focado, longe do escritório e trabalhando sozinho. Tenho aulas de duas horas, cinco dias por semana, com um professor particular de espanhol. Tenho vários amigos com os quais pratico meu espanhol. Vou à academia três vezes por semana e pratico yoga duas vezes por semana – algo que não fazia nos Estados Unidos porque não tinha tempo. Minha alimentação é mais saudável porque tenho mais tempo para pensar no que vou comer. Tenho mais tempo para sonhar com as grandes coisas que desejo fazer no meu tempo livre. Gostaria de ter um Bar ou um Café, por isso daqui alguns anos esse talvez seja meu novo empreendimento.

Meu conselho aos leitores de Trabalhe 4 Horas por Semana é que se baseiem na minha experiência. Confio muito nos conselhos de amigos e parentes, mas às vezes é preciso ignorar os conselhos das pessoas queridas para fazer com que as coisas aconteçam. Se você acreditar que o impossível pode se tornar possível, isso acontecerá.

− A.K. Brookmire

 

Matando seu Blackberry

 

Tenho 37 anos e sou proprietário de uma franquia Subway com 13 lojas. Estou nisso há sete anos. Antes de ler Trabalhe 4 horas por semana eu era o rei do “trabalho pelo trabalho”. Nunca havia me dado ‘permissão” para ter um comportamento diferente daquele que costumava ter quando era empregado. O livro foi absolutamente libertador. Eu me “flagrei” e iniciei o tratamento do meu vício imediatamente. Eu ficava o tempo todo conectado e nunca estava presente em lugar algum − ocupado demais fazendo a “oração do blackberry” à mesa do jantar em vez de dar atenção às pessoas que estavam ao meu lado. As férias eram apenas um escritório remoto onde eu enfrentava um tsunami de e-mails. Trabalhe 4 horas por semana me deu um novo paradigma e comecei a olhar meu negócio como um “produto”, cujo objetivo (original) era me proporcionar uma renda desproporcional x tempo investido pessoalmente – para quê? Para APROVEITAR A VIDA e ter autonomia sobre meus horários e minhas atividades. Então larguei do meu pé, disse a mim mesmo que não havia problema algum em perseguir o objetivo original e fiz o seguinte:

Comprimi minha semana de trabalho “sempre aberta” em quatro dias e 20

horas. Comecei imediatamente a folgar na segunda-feira, o que me proporcionava um fim de semana de três dias. (As sextas estão na minha mira!) Trabalho de terça a sexta, das 11 da manhã às 4 da tarde (20 horas por semana). Sem o “luxo” do tempo nessa semana comprimida, fui obrigado a avaliar tudo pelo filtro 80/20 e descobri que 50% a 80% era bobagem e que outros 50−80% podiam ser feitos por outra pessoa da minha folha de pagamentos. Ótimo!

Tudo o que faço agora tem a ver ou com aumento das vendas ou com redução

de custos, caso contrário é “tarefa de outra pessoa”. Você não pode ficar “meio grávida”, por isso quando estou “on” estou realmente presente, e quando estou “off” estou fora – boa sorte caso queira entrar em contato comigo. Ainda mantenho o acesso aos meus e-mails mas eliminei a sincronização automática (a ruína da humanidade moderna em termos de interrupção) e fora do meu período de trabalho (das 11 às 4 da tarde) eles podem esperar.

A resposta automática eliminou 50% dos e-mails em duas semanas pois as

pessoas que me mandavam bobagens se cansaram de ver a resposta automática e me tiraram de suas listas – eu adorei! Mantenho uma lista do que fazer curta e compacta e marco o que considero importante na agenda. Dedico minha atenção a essas coisas antes de qualquer outra coisa na caixa de entrada pois se marquei na agenda é porque decidi anteriormente que era importante – o resto pode esperar.

Eu poderia continuar, mas de modo geral acho que esta é a mensagem que qualquer autônomo precisa ouvir. Sem “chefe” e sem “limites claros” para separar a vida profissional da vida pessoal é fácil se deixar envolver de tal forma que, sem querer, o negócio passa por cima de nós como um trator. O antídoto para isso é Trabalhe 4 horas por semana.

− Andrew, autônomo do Reino Unido

 

Star Wars

 

Eu soube que minha busca pela semana de 4 horas de trabalho estava funcionando quando a professora do jardim de infância perguntou à minha filha: “Que tipo de trabalho seu pai faz?” Quando a professora me contou essa história, o que realmente me surpreendeu foi a resposta que ela ouviu. “Sua filha olhou para mim com a expressão mais séria do mundo e disse: meu pai passa o dia assistindo Star Wars.”

É engraçado como uma pergunta tão simples, para não falar da resposta da minha filha, foi o momento de verdadeira conscientização para mim. O que minha filha disse para a professora tem um significado mais profundo. Acho que o que ela quis dizer, mesmo sem poder articular desta forma, foi: “Meu pai faz o que ele quiser.”

Li Trabalhe 4 horas por semana quase dois anos atrás, quando estava de férias na praia com minha família. Eu lembro muito bem porque estava sempre relendo partes do livro para minha esposa. Sou desenvolvedor e administrador de empresas para uma grande instituição financeira em Atlanta, Georgia. Parte do meu trabalho é apoiar os complexos sistemas de captura de documentos que ajudo a criar. Devido à importância desses sistemas, preciso estar à disposição 24/7/365. Isso é bom para a segurança do trabalho, mas péssimo para minha vida em família. Tenho quatro filhas lindas e faço de tudo para ser um pai presente. Por isso, armado com seu livro e uma nova (banhada pelo ar fresco do oceano) perspectiva, decidi colocar em prática muitos dos princípios de Trabalhe 4 horas por semana.

Comecei mudando minha relação com os e-mails. Examinei atentamente a

caixa de entrada e usei algumas das ferramentas propostas para eliminar toda a sujeira e o barulho. Criei novos hábitos e comprimi as sessões de checagem; não demorou muito para que eu conseguisse zerar a caixa de entrada com o método da pasta do “trio de confiança”. Também apliquei a filosofia do menos é mais ao criar meus e-mails para que fossem mais claros e concisos. Comunicando exatamente o que era necessário para o público certo e não para o mundo. Eliminando todas as gorduras da minha dieta de e-mails ficou muito mais claro que “ações” eram realmente importantes.

Reuniões e conference calls foram o alvo seguinte. Esquadrinhei cada convite

para uma reunião e comecei a recusar aqui e ali. Na maioria das vezes alegava que estava ocupado demais. Comecei a pedir que me enviassem a minuta da reunião ou que usassem o Messenger se tivessem uma pergunta específica que eu precisasse responder. Quando participo de uma reunião, quase sempre é via conference call. De qualquer forma, devido às limitações de salas e desafios geográficos a maioria das reuniões da empresa já era feita virtualmente.

Menos tempo desperdiçado representava mais tempo para me concentrar no

trabalho e nas tarefas realmente importantes. Parecia que eu estava trabalhando menos mas fazendo mais coisas e com resultados melhores. As pessoas certas começaram a notar e a percepção da minha capacidade para executar o trabalho nunca foi tão boa. A minha gestão parecia excelente e eles pararam de fazer perguntas ou de supervisionar as atividades diárias. Continuei provando que poderia trabalhar sem interferência. Aquele era o momento de fazer o que eu realmente queria – tornar-me virtual!

Na verdade era muito fácil me tornar virtual. Eu tinha uma relação sólida com

meu gerente e com os outros integrantes da cadeia de comando. Quase todo o meu trabalho diário já estava pronto remotamente. Tenho um ótimo escritório montado no porão da nossa casa. Fica longe do resto da casa, distante das distrações. Tenho meu próprio banheiro com chuveiro e até um micro-ondas e uma mini-geladeira. Ouso dizer que meu home office rivaliza com as salas bem equipadas dos principais executivos da empresa. Acima de tudo, tenho uma esposa e uma família que compreendem muito bem e respeitam as regras que estabeleci para continuar a ter sucesso.

No início eu trabalhava dois ou três dias em casa, mas não demorou para que eu começasse a trabalhar quatro dos cinco dias da semana em casa. Quando o sudeste foi atingido pela escassez de petróleo e o preço da gasolina disparou, a empresa aceitou completamente e oficializou o trabalho em casa. De um dia para o outro eu me transformei em modelo a ser seguido. Enquanto as pessoas à minha volta entravam em pânico por não terem gasolina para ir trabalhar, eu continuei a trabalhar tranquilamente em minha casa.

A essa altura as coisas estavam caminhando melhor do que eu havia planejado. Agora eu tinha mais tempo para ser o pai presente que sempre desejei ser. Ia sempre à escola das crianças. Almoçava na lanchonete com minhas meninas, principalmente no dia do frango frito! Participo de um programa de leitura e algumas vezes por mês vou até a escola e leio um pouco para cada classe. Levo minhas filhas para a escola e as vejo quando voltam para casa. Estou diariamente presente na vida da minha família e isso não tem preço. Eu sentia que havia alcançado meu objetivo. Por isso pensei...

Mas outras coisas começaram a acontecer. Sem perceber, as pessoas da escola ou da igreja começaram a me olhar com um respeito estranho. Digo estranho porque me confundiam com um médico ou algum tipo de milionário. Não estou brincando. Tem um sujeito que ainda me chama de “doutor”. Acho que as pessoas ainda estão presas a estereótipos do que acham que seja ser “rico”. Estou sempre presente nas atividades da escola ou em datas especiais, geralmente vestido de forma descontraída, sem preocupação com o tempo ou grudado no celular. Agora as pessoas me indicam para coisas como a APM e recentemente fui eleito para a diretoria do nosso clube. O mais bacana é que realmente tenho tempo para essas coisas, e continuo sendo eficiente no trabalho e em casa. Nem preciso dizer que novas portas se abriram para mim. Mais do que nunca.

Apesar de tudo o que aconteceu, não consigo esquecer o que minha filha disse para a professora. Na verdade, cheguei a um ponto em que se quisesse passar o dia “assistindo a Star Wars” eu poderia fazer isso. Mas agora preencho o tempo extra fazendo coisas que realmente significam alguma coisa. Estar presente no dia a dia da minha família, ajudar a comunidade ou trabalhar como voluntário na igreja. Agora estou pensando em escrever um livro. O projeto em que estou trabalhando se chama Manual do empregado virtual (The virtual employee handbook). Trata-se de uma compilação de dicas e o que fazer com todas as ferramentas que são essenciais para o empregado virtual moderno, como eu. Vamos ver no que vai dar. Uma coisa que sei é que eu sequer sonharia com o que estou fazendo hoje se não fosse pelo livro Trabalhe 4 horas por semana!

− W. Higgins