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6 A dieta pobre em informação
A dieta pobre em
informação
Cultivando ignorância seletiva
“O que a informação consome é bastante óbvio:
consome a atenção do receptor. Daí, uma riqueza de informação
cria uma pobreza de atenção e uma necessidade de alocar
eficientemente a atenção em meio a uma superabundância de
fontes de informação que podem consumi-la.”
HERBERT SIMON [1] , vencedor do Prêmio Nobel de Economia e do A. M. Turing Award, o “Prêmio Nobel da Ciência da
Computação”
“Ler, depois de uma certa idade, diverte a mente muito além do
seu
potencial criativo. Qualquer homem que leia muito e use pouco seu
próprio cérebro cai em hábitos preguiçosos de pensar.”
ALBERT EINSTEIN
E spero que você esteja sentado. Tire o sanduíche da boca para não engasgar. Tape os ouvidos das
crianças. Eu vou lhe dizer algo que aborrece muitas
pessoas.
Nunca assisti ao noticiário e só comprei um único
jornal nos últimos cinco anos, no Aeroporto de Stansted, em Londres, e apenas porque ele me dava
desconto para comprar uma Pepsi Diet.
Eu até reivindicaria ser amish, mas da última vez
que chequei, Pepsi não estava no cardápio.
Que obsceno! E ainda digo ser um cidadão
informado e responsável? Como me mantenho
atualizado sobre as coisas que estão acontecendo?
Responderei tudo isso, mas espere – isso ainda fica
melhor. Checo meus e-mails profissionais durante uma
hora a cada segunda-feira, e nunca checo as
mensagens de voz quando estou viajando. Nunca
mesmo.
Mas e se alguém tiver uma emergência? Isso não
acontece. Meus contatos agora sabem que não atendo a
emergências, então as emergências de alguma forma
não acontecem ou não chegam até mim. Problemas, via
de regra, resolvem-se sozinhos ou desaparecem caso
você se elimine como gargalo de informação ou delegue
poderes a outros.
Cultivando ignorância seletiva
“Há várias coisas em que um homem sábio gostaria de ser
ignorante.”
RALPH WALDO EMERSON (1803-1882)
D este ponto em diante, proporei que você desenvolva a incomum habilidade de ser
seletivamente ignorante. A ignorância pode ser
incrível, mas também é muito prática. É imperativo que
você aprenda a ignorar ou a redirecionar todas as
informações e interrupções irrelevantes,
desimportantes ou impraticáveis. A maior parte se
enquadra nas três categorias.
O primeiro passo é desenvolver e manter uma dieta
pobre em informações. Assim como o homem moderno
consome muitas calorias e também calorias de pouco
valor nutritivo, quem trabalha com informação
consome dados em excesso e das fontes erradas.
O Projeto de Vida é baseado em ações em massa –
resultados. Elevar os resultados exige reduzir os
esforços. A maior parte das informações gasta o seu
tempo, é negativa, irrelevante para seus objetivos e
fora do seu âmbito de influência. Desafio você a olhar
para tudo o que leu ou a que assistiu hoje e me dizer qualquer coisa que não tenha pelo menos duas das
quatro características apresentadas.
Eu leio as manchetes das primeiras páginas nas
bancas de jornal enquanto caminho até o restaurante
onde almoço, todos os dias, e nada mais. Em cinco
anos, nunca tive um único problema por causa dessa
ignorância seletiva. Você ainda ganha algo novo para
perguntar ao resto da população no lugar da
conversinha miúda: “E aí, o que está rolando no
mundo?”. E, se for tão importante, você vai ouvir as
pessoas falando sobre isso. Usando esse meu método de
leitura indireta sobre o que acontece no mundo, ainda
consigo reter mais informação do que alguém que
perde a floresta para não perder as árvores, num
oceano de detalhes irrelevantes.
Sob uma ótica da informação útil, consumo no
máximo um terço de uma revista sobre indústria (a
Response) e uma revista de negócios (Inc.) por mês,
num total de aproximadamente quatro horas. Isso se
chama leitura voltada para resultados. Ainda leio uma
hora de ficção antes de ir para a cama, para relaxar.
Então como consigo agir com responsabilidade?
Deixe-me oferecer um exemplo de como eu e outros
NR analisamos e obtemos informação. Eu votei na
última eleição presidencial[2], apesar de estar em
Berlim. Tomei minha decisão em questão de horas.
Primeiro, mandei e-mails para amigos nos Estados
Unidos, com bom nível educacional, que tinham
valores parecidos com os meus, perguntando a eles em
quem votariam e por quê. Segundo, julgo as pessoas
baseado em suas ações, não em suas palavras; então,
perguntei a amigos em Berlim, que tinham uma visão
menos influenciada pela propaganda midiática
americana, como eles julgavam os candidatos, com
base em seu comportamento histórico. Por último,
assisti aos debates da campanha. Foi assim. Deixei
pessoas em quem confio sintetizarem centenas de
horas e milhares de páginas de mídia para mim. Foi
como ter dúzias de assistentes pessoais, e eu não tive
que pagar sequer um centavo a eles.
Isso é apenas um exemplo, você pode dizer, mas e
se você precisar aprender a fazer algo que seus amigos
nunca fizeram? Como, por exemplo, vender um livro
para o maior editor do mundo, sendo um autor de
primeira viagem? Que bom que você perguntou. Eis as
duas abordagens que usei:
1. Peguei um entre dúzias de livros, baseando minha
escolha pelas resenhas dos leitores e pelo fato de
que outros autores já haviam feito o que eu queria
fazer. Se o que se almeja é do tipo “como fazer
algo”, eu leio apenas relatos que sejam “como eu
fiz isso”, autobiográficos. Não vale a pena perder
tempo com especuladores ou com postulantes.
2. Utilizando o livro para gerar perguntas inteligentes
e específicas, contatei 10 dos principais autores e
agentes no mundo via telefone e e-mail, com uma
taxa de resposta de 80%.
Li apenas as partes do livro que eram relevantes
para os passos imediatamente próximos, o que levou
duas horas. Desenvolver um modelo de e-mail e de
roteiro de conversa telefônica levou mais ou menos
quatro horas, e os e-mails e telefonemas na prática
levaram menos de uma hora. Essa forma de contato
pessoal não só é mais eficaz e mais eficiente do que
toneladas de informação, mas também me fez
conseguir aliados de peso e mentores, necessários para
conseguir vender este livro. Redescubra o poder da
esquecida habilidade chamada “conversa”. Ela sempre
funciona.
Novamente, menos é mais.
Como ler 200% mais rápido em 10
minutos
Haverá horas em que, é verdade, você precisará ler. Eis aqui
quatro dicas simples que reduzirão o dano e aumentarão sua
velocidade de leitura em pelo menos 200% sem nenhuma perda de
compreensão:
1. Dois minutos: Use uma caneta ou um dedo para correr sob
cada linha lida o mais rapidamente possível. Durante a leitura, você
faz uma série de saltos visuais (chamados sacadas), e usar um guia
visual evita regressão.
2. Três minutos: Comece a ler cada linha focando na terceira
palavra a partir da primeira, e termine cada linha focando na terceira
palavra a partir da última. Isso faz com que você use sua visão
periférica que, de outra forma, é desperdiçada focando apenas as
margens. Por exemplo, mesmo se as palavras em destaque na frase a
seguir forem seus pontos focais inicial e final, a frase toda é “lida”,
mas agora fazendo menos movimentos com os olhos.
“Era uma vez, um viciado em informação que decidiu se
desintoxicar.”
Aproxime-se do centro cada vez mais conforme for ficando fácil.
3. Dois minutos: Assim que for confortável suprimir a leitura
direta de três ou quatro palavras de cada lado, tente fixar a visão
apenas duas vezes por linha, na primeira e na última palavra que
você destacar.
4. Três minutos: Pratique ler o mais rápido que conseguir sem
prejudicar a compreensão, mas utilizando boa técnica (as três acima,
por exemplo) por cinco páginas, para encontrar uma velocidade
confortável de leitura. Isso aumentará sua percepção e redefinirá seu
limite de velocidade, tal qual sentimos normalmente que estamos
rápidos a 80 km/h, mas essa mesma velocidade parece câmera-lenta
se tivermos acabado de reduzir de 110 km/h numa rodovia.
Para calcular sua velocidade de leitura, em palavras por minuto
(ppm) – e consequentemente seu progresso –, em um determinado
livro, some o número de palavras em dez linhas e divida por dez,
para ter a média de palavras por linha. Multiplique este valor pelo
número de linhas por página e você terá o número médio de
palavras por página. Agora é simples. Se você inicialmente lia 1,25
página por minuto em uma média de 330 palavras por página, isso
significa que você lia 412,5 palavras por minuto. Se, depois do
treinamento, você lê 3,5 páginas por minuto, isso são 1155 palavras por minuto e você está entre o 1% da humanidade que lê mais
rápido.
• Perguntas e ações •
“Aprender a ignorar coisas é um dos grandes caminhos para a paz
interior.”
ROBERT J. SAWYER , Calculando Deus
1. Entre imediatamente em jejum de mídia por uma
semana.
O mundo sequer soluça, muito menos acaba, quando
você corta o cordão umbilical da informação. Para fazer
isso, o melhor é usar o método band-aid – bem
rapidinho: um jejum de mídia por uma semana.
Informação é quase igual a sorvete. “Ah, vou tomar
apenas meia colherinha” é tão realista quanto “Vou
navegar na Internet só um minutinho”. Vai lá,
espertalhão.
Se depois você quiser voltar para sua dieta de
informações de batatas fritas de 15 mil calorias, tudo
bem, mas comece amanhã e, durante pelo menos cinco
dias, eis as regras:
Não leia jornais, revistas, não ouça audiobooks ou
rádios que não sejam musicais. Música é permitida.
Não acesse portais de notícias em hipótese alguma
(cnn.com, msn.com, etc.).
Não assista à televisão, exceto por uma hora, à
noite, para se distrair.
Não leia livros, exceto este aqui e algum outro de
ficção,[3] para se distrair antes de dormir.
Não navegue na Internet quando estiver
trabalhando, a menos que seja fundamental para
terminar um trabalho para aquele dia. Fundamental não
é sinônimo de “seria legal”.
Leitura desnecessária é o inimigo público número
um durante esse jejum de uma semana.
O que fazer então com seu tempo extra? Em vez de
ler o jornal durante o café-da-manhã, converse com
sua esposa, fique com seus filhos, ou aprenda os
princípios deste livro. Das 9 às 5, realize suas tarefas
prioritárias, consoante o capítulo anterior. Se você
completá-las e ainda sobrar tempo, faça os exercícios
deste livro. Recomendar coisas que estão neste livro
pode parecer hipocrisia, mas não é: as informações contidas nestas páginas são importantes e devem ser
aplicadas agora, não amanhã ou depois.
Todos os dias, na hora do almoço, e não mais cedo,
tenha seus cinco minutos de atualização diária.
Pergunte a um colega ou a um garçom do restaurante:
“Alguma coisa importante aconteceu hoje? Eu não pude
ler o jornal”. Pare de fazer isso assim que perceber que
a resposta não afeta em nada sua vida. A maior parte
das pessoas nem mesmo consegue se lembrar do que
passou uma ou duas horas absorvendo pela manhã.
Seja rigoroso com você mesmo. Eu posso receitar o
remédio, mas você precisa tomá-lo.
2. Desenvolva o hábito de perguntar a você mesmo:
“Será que vou realmente usar essa informação para
algo imediato e importante?”.
Não basta usar a informação para “algo” – precisa
ser imediato e importante. Se não for uma ou outra
coisa, não a consuma. Informação é inútil se não for
aplicada a algo importante ou você a esquecerá antes
que tenha chances de aplicá-la.
Já tive o hábito de ler um livro ou uma página da
Internet para me preparar para um evento que
ocorreria somente em semanas ou meses, e então precisava reler o mesmo material quando o prazo
estava mais próximo. Isso é estúpido e redundante.
Siga sua curta lista de coisas a fazer e preencha os
lapsos de informação à medida que surgirem.
3. Pratique a arte de não acabar as coisas.
Isso é outra coisa que levei muito tempo para
aprender. Começar alguma coisa não significa
automaticamente que você tem que terminá-la. Se você
está lendo um artigo que o deixa de saco cheio, ponha-
o de lado e não o pegue novamente. Se você vai ao
cinema e o filme é pior do que Matrix Revolutions, saia
correndo de lá antes que mais neurônios morram. Se
você está satisfeito depois de um prato de comida,
repouse o maldito garfo e não peça sobremesa. Mais
não é melhor, e interromper algo é frequentemente 10
vezes melhor do que terminá-lo. Desenvolva o hábito
de não acabar o que for chato ou improdutivo, a menos
que seu chefe mande você terminar.
• Desafiando o conforto •
Conseguir números de telefones (2 dias)
Assegurando manter olhos nos olhos, peça o
número do telefone de pelo menos duas (quanto mais
você tentar, mais fácil se tornará) pessoas atraentes do
sexo oposto, a cada dia. Moças, isso significa que vocês
também estão no jogo, e não importa se vocês tiverem
50 anos ou mais. Lembrem-se de que o verdadeiro
objetivo não é conseguir os números, mas vencer o
medo de perguntar, de modo que o resultado não é
importante. Se você está num relacionamento,
simplesmente descarte os números quando os
conseguir. Vá a um shopping center, se quiser adquirir
alguma prática rapidamente – é o que eu prefiro para
vencer o desconforto com agilidade – e coloque como
meta abordar três pessoas em seguida, em no máximo
cinco minutos. Sinta-se à vontade para usar alguma
variação do seguinte roteiro:
“Com licença. Eu sei que isso vai parecer estranho,
mas, se eu não perguntar agora, vou ficar martelando o
resto do dia. Estou correndo para ir encontrar um
amigo [isto é, eu tenho amigos e não sou um tarado],
mas achei você realmente [extremamente,
incrivelmente] linda [maravilhosa, gostosa]. Você me
daria seu telefone? Não sou um psicopata – garanto. Pode me dar um número falso se não estiver
interessada.”