Trabalhe 4 Horas por Semana

Timothy Ferriss · Capítulo 10 de 26

Páginas do PDF

Trabalhe 4 Horas por Semana

6 A dieta pobre em informação

A dieta pobre em

 

informação

 

Cultivando ignorância seletiva

 

“O que a informação consome é bastante óbvio:

consome a atenção do receptor. Daí, uma riqueza de informação

cria uma pobreza de atenção e uma necessidade de alocar

eficientemente a atenção em meio a uma superabundância de

fontes de informação que podem consumi-la.”

HERBERT SIMON [1] , vencedor do Prêmio Nobel de Economia e do A. M. Turing Award, o “Prêmio Nobel da Ciência da

Computação”

“Ler, depois de uma certa idade, diverte a mente muito além do

seu

potencial criativo. Qualquer homem que leia muito e use pouco seu

próprio cérebro cai em hábitos preguiçosos de pensar.”

ALBERT EINSTEIN

 

E spero que você esteja sentado. Tire o sanduíche da boca para não engasgar. Tape os ouvidos das

crianças. Eu vou lhe dizer algo que aborrece muitas

pessoas.

Nunca assisti ao noticiário e só comprei um único

jornal nos últimos cinco anos, no Aeroporto de Stansted, em Londres, e apenas porque ele me dava

desconto para comprar uma Pepsi Diet.

Eu até reivindicaria ser amish, mas da última vez

que chequei, Pepsi não estava no cardápio.

Que obsceno! E ainda digo ser um cidadão

informado e responsável? Como me mantenho

atualizado sobre as coisas que estão acontecendo?

Responderei tudo isso, mas espere – isso ainda fica

melhor. Checo meus e-mails profissionais durante uma

hora a cada segunda-feira, e nunca checo as

mensagens de voz quando estou viajando. Nunca

mesmo.

Mas e se alguém tiver uma emergência? Isso não

acontece. Meus contatos agora sabem que não atendo a

emergências, então as emergências de alguma forma

não acontecem ou não chegam até mim. Problemas, via

de regra, resolvem-se sozinhos ou desaparecem caso

você se elimine como gargalo de informação ou delegue

poderes a outros.

 

Cultivando ignorância seletiva

“Há várias coisas em que um homem sábio gostaria de ser

ignorante.”

RALPH WALDO EMERSON (1803-1882)

 

D este ponto em diante, proporei que você desenvolva a incomum habilidade de ser

seletivamente ignorante. A ignorância pode ser

incrível, mas também é muito prática. É imperativo que

você aprenda a ignorar ou a redirecionar todas as

informações e interrupções irrelevantes,

desimportantes ou impraticáveis. A maior parte se

enquadra nas três categorias.

O primeiro passo é desenvolver e manter uma dieta

pobre em informações. Assim como o homem moderno

consome muitas calorias e também calorias de pouco

valor nutritivo, quem trabalha com informação

consome dados em excesso e das fontes erradas.

O Projeto de Vida é baseado em ações em massa –

resultados. Elevar os resultados exige reduzir os

esforços. A maior parte das informações gasta o seu

tempo, é negativa, irrelevante para seus objetivos e

fora do seu âmbito de influência. Desafio você a olhar

para tudo o que leu ou a que assistiu hoje e me dizer qualquer coisa que não tenha pelo menos duas das

quatro características apresentadas.

Eu leio as manchetes das primeiras páginas nas

bancas de jornal enquanto caminho até o restaurante

onde almoço, todos os dias, e nada mais. Em cinco

anos, nunca tive um único problema por causa dessa

ignorância seletiva. Você ainda ganha algo novo para

perguntar ao resto da população no lugar da

conversinha miúda: “E aí, o que está rolando no

mundo?”. E, se for tão importante, você vai ouvir as

pessoas falando sobre isso. Usando esse meu método de

leitura indireta sobre o que acontece no mundo, ainda

consigo reter mais informação do que alguém que

perde a floresta para não perder as árvores, num

oceano de detalhes irrelevantes.

Sob uma ótica da informação útil, consumo no

máximo um terço de uma revista sobre indústria (a

Response) e uma revista de negócios (Inc.) por mês,

num total de aproximadamente quatro horas. Isso se

chama leitura voltada para resultados. Ainda leio uma

hora de ficção antes de ir para a cama, para relaxar.

Então como consigo agir com responsabilidade?

Deixe-me oferecer um exemplo de como eu e outros

NR analisamos e obtemos informação. Eu votei na

última eleição presidencial[2], apesar de estar em

Berlim. Tomei minha decisão em questão de horas.

Primeiro, mandei e-mails para amigos nos Estados

Unidos, com bom nível educacional, que tinham

valores parecidos com os meus, perguntando a eles em

quem votariam e por quê. Segundo, julgo as pessoas

baseado em suas ações, não em suas palavras; então,

perguntei a amigos em Berlim, que tinham uma visão

menos influenciada pela propaganda midiática

americana, como eles julgavam os candidatos, com

base em seu comportamento histórico. Por último,

assisti aos debates da campanha. Foi assim. Deixei

pessoas em quem confio sintetizarem centenas de

horas e milhares de páginas de mídia para mim. Foi

como ter dúzias de assistentes pessoais, e eu não tive

que pagar sequer um centavo a eles.

Isso é apenas um exemplo, você pode dizer, mas e

se você precisar aprender a fazer algo que seus amigos

nunca fizeram? Como, por exemplo, vender um livro

para o maior editor do mundo, sendo um autor de

primeira viagem? Que bom que você perguntou. Eis as

duas abordagens que usei:

1. Peguei um entre dúzias de livros, baseando minha

escolha pelas resenhas dos leitores e pelo fato de

que outros autores já haviam feito o que eu queria

fazer. Se o que se almeja é do tipo “como fazer

algo”, eu leio apenas relatos que sejam “como eu

fiz isso”, autobiográficos. Não vale a pena perder

tempo com especuladores ou com postulantes.

2. Utilizando o livro para gerar perguntas inteligentes

e específicas, contatei 10 dos principais autores e

agentes no mundo via telefone e e-mail, com uma

taxa de resposta de 80%.

 

Li apenas as partes do livro que eram relevantes

para os passos imediatamente próximos, o que levou

duas horas. Desenvolver um modelo de e-mail e de

roteiro de conversa telefônica levou mais ou menos

quatro horas, e os e-mails e telefonemas na prática

levaram menos de uma hora. Essa forma de contato

pessoal não só é mais eficaz e mais eficiente do que

toneladas de informação, mas também me fez

conseguir aliados de peso e mentores, necessários para

conseguir vender este livro. Redescubra o poder da

esquecida habilidade chamada “conversa”. Ela sempre

funciona.

Novamente, menos é mais.

 

Como ler 200% mais rápido em 10

 

minutos

 

Haverá horas em que, é verdade, você precisará ler. Eis aqui

quatro dicas simples que reduzirão o dano e aumentarão sua

velocidade de leitura em pelo menos 200% sem nenhuma perda de

compreensão:

 

1. Dois minutos: Use uma caneta ou um dedo para correr sob

cada linha lida o mais rapidamente possível. Durante a leitura, você

faz uma série de saltos visuais (chamados sacadas), e usar um guia

visual evita regressão.

2. Três minutos: Comece a ler cada linha focando na terceira

palavra a partir da primeira, e termine cada linha focando na terceira

palavra a partir da última. Isso faz com que você use sua visão

periférica que, de outra forma, é desperdiçada focando apenas as

margens. Por exemplo, mesmo se as palavras em destaque na frase a

seguir forem seus pontos focais inicial e final, a frase toda é “lida”,

mas agora fazendo menos movimentos com os olhos.

 

“Era uma vez, um viciado em informação que decidiu se

desintoxicar.”

Aproxime-se do centro cada vez mais conforme for ficando fácil.

 

3. Dois minutos: Assim que for confortável suprimir a leitura

direta de três ou quatro palavras de cada lado, tente fixar a visão

apenas duas vezes por linha, na primeira e na última palavra que

você destacar.

4. Três minutos: Pratique ler o mais rápido que conseguir sem

prejudicar a compreensão, mas utilizando boa técnica (as três acima,

por exemplo) por cinco páginas, para encontrar uma velocidade

confortável de leitura. Isso aumentará sua percepção e redefinirá seu

limite de velocidade, tal qual sentimos normalmente que estamos

rápidos a 80 km/h, mas essa mesma velocidade parece câmera-lenta

se tivermos acabado de reduzir de 110 km/h numa rodovia.

 

Para calcular sua velocidade de leitura, em palavras por minuto

(ppm) – e consequentemente seu progresso –, em um determinado

livro, some o número de palavras em dez linhas e divida por dez,

para ter a média de palavras por linha. Multiplique este valor pelo

número de linhas por página e você terá o número médio de

palavras por página. Agora é simples. Se você inicialmente lia 1,25

página por minuto em uma média de 330 palavras por página, isso

significa que você lia 412,5 palavras por minuto. Se, depois do

treinamento, você lê 3,5 páginas por minuto, isso são 1155 palavras por minuto e você está entre o 1% da humanidade que lê mais

rápido.

 

• Perguntas e ações •

 

“Aprender a ignorar coisas é um dos grandes caminhos para a paz

interior.”

ROBERT J. SAWYER , Calculando Deus

 

1. Entre imediatamente em jejum de mídia por uma

semana.

O mundo sequer soluça, muito menos acaba, quando

você corta o cordão umbilical da informação. Para fazer

isso, o melhor é usar o método band-aid – bem

rapidinho: um jejum de mídia por uma semana.

Informação é quase igual a sorvete. “Ah, vou tomar

apenas meia colherinha” é tão realista quanto “Vou

navegar na Internet só um minutinho”. Vai lá,

espertalhão.

 

Se depois você quiser voltar para sua dieta de

informações de batatas fritas de 15 mil calorias, tudo

bem, mas comece amanhã e, durante pelo menos cinco

dias, eis as regras:

Não leia jornais, revistas, não ouça audiobooks ou

rádios que não sejam musicais. Música é permitida.

Não acesse portais de notícias em hipótese alguma

(cnn.com, msn.com, etc.).

Não assista à televisão, exceto por uma hora, à

noite, para se distrair.

Não leia livros, exceto este aqui e algum outro de

ficção,[3] para se distrair antes de dormir.

Não navegue na Internet quando estiver

trabalhando, a menos que seja fundamental para

terminar um trabalho para aquele dia. Fundamental não

é sinônimo de “seria legal”.

 

Leitura desnecessária é o inimigo público número

um durante esse jejum de uma semana.

O que fazer então com seu tempo extra? Em vez de

ler o jornal durante o café-da-manhã, converse com

sua esposa, fique com seus filhos, ou aprenda os

princípios deste livro. Das 9 às 5, realize suas tarefas

prioritárias, consoante o capítulo anterior. Se você

completá-las e ainda sobrar tempo, faça os exercícios

deste livro. Recomendar coisas que estão neste livro

pode parecer hipocrisia, mas não é: as informações contidas nestas páginas são importantes e devem ser

aplicadas agora, não amanhã ou depois.

Todos os dias, na hora do almoço, e não mais cedo,

tenha seus cinco minutos de atualização diária.

Pergunte a um colega ou a um garçom do restaurante:

“Alguma coisa importante aconteceu hoje? Eu não pude

ler o jornal”. Pare de fazer isso assim que perceber que

a resposta não afeta em nada sua vida. A maior parte

das pessoas nem mesmo consegue se lembrar do que

passou uma ou duas horas absorvendo pela manhã.

Seja rigoroso com você mesmo. Eu posso receitar o

remédio, mas você precisa tomá-lo.

 

2. Desenvolva o hábito de perguntar a você mesmo:

“Será que vou realmente usar essa informação para

algo imediato e importante?”.

Não basta usar a informação para “algo” – precisa

ser imediato e importante. Se não for uma ou outra

coisa, não a consuma. Informação é inútil se não for

aplicada a algo importante ou você a esquecerá antes

que tenha chances de aplicá-la.

Já tive o hábito de ler um livro ou uma página da

Internet para me preparar para um evento que

ocorreria somente em semanas ou meses, e então precisava reler o mesmo material quando o prazo

estava mais próximo. Isso é estúpido e redundante.

Siga sua curta lista de coisas a fazer e preencha os

lapsos de informação à medida que surgirem.

 

3. Pratique a arte de não acabar as coisas.

Isso é outra coisa que levei muito tempo para

aprender. Começar alguma coisa não significa

automaticamente que você tem que terminá-la. Se você

está lendo um artigo que o deixa de saco cheio, ponha-

o de lado e não o pegue novamente. Se você vai ao

cinema e o filme é pior do que Matrix Revolutions, saia

correndo de lá antes que mais neurônios morram. Se

você está satisfeito depois de um prato de comida,

repouse o maldito garfo e não peça sobremesa. Mais

não é melhor, e interromper algo é frequentemente 10

vezes melhor do que terminá-lo. Desenvolva o hábito

de não acabar o que for chato ou improdutivo, a menos

que seu chefe mande você terminar.

 

• Desafiando o conforto •

 

Conseguir números de telefones (2 dias)

Assegurando manter olhos nos olhos, peça o

número do telefone de pelo menos duas (quanto mais

você tentar, mais fácil se tornará) pessoas atraentes do

sexo oposto, a cada dia. Moças, isso significa que vocês

também estão no jogo, e não importa se vocês tiverem

50 anos ou mais. Lembrem-se de que o verdadeiro

objetivo não é conseguir os números, mas vencer o

medo de perguntar, de modo que o resultado não é

importante. Se você está num relacionamento,

simplesmente descarte os números quando os

conseguir. Vá a um shopping center, se quiser adquirir

alguma prática rapidamente – é o que eu prefiro para

vencer o desconforto com agilidade – e coloque como

meta abordar três pessoas em seguida, em no máximo

cinco minutos. Sinta-se à vontade para usar alguma

variação do seguinte roteiro:

“Com licença. Eu sei que isso vai parecer estranho,

mas, se eu não perguntar agora, vou ficar martelando o

resto do dia. Estou correndo para ir encontrar um

amigo [isto é, eu tenho amigos e não sou um tarado],

mas achei você realmente [extremamente,

incrivelmente] linda [maravilhosa, gostosa]. Você me

daria seu telefone? Não sou um psicopata – garanto. Pode me dar um número falso se não estiver

interessada.”