Trabalhe 4 Horas por Semana
2 Regras que mudam as regras
Regras que mudam as
regras
Tudo o que é popular é errado
“Não posso oferecer a você uma fórmula infalível para o sucesso,
mas posso oferecer uma fórmula para o fracasso:
tentar agradar a todos o tempo todo.”
HERBERT BAYARD SWOPE, editor e jornalista americano;
primeiro vencedor do Prêmio Pulitzer
“Tudo o que é popular é errado.”
OSCAR WILDE , A importância de ser prudente
Ganhar o jogo, em vez de jogar o
jogo
E m 1999, algum tempo depois de ter saído de meu segundo emprego medíocre e de ficar comendo
sanduíches de manteiga de amendoim para me
consolar, eu ganhei a medalha de ouro no Campeonato
Nacional Chinês de Kick boxing.
Não foi porque eu era bom em socar e chutar. Deus
proíbe. Parecia um pouco perigoso, considerando-se
que eu fiz isso por pura ousadia e que tive apenas
quatro semanas de preparação. Além disso, eu tenho
uma cabeça de melancia – que é um grande alvo.
Ganhei lendo as regras e procurando brechas, duas
das quais são:
1. A pesagem é no dia anterior à competição: usando
técnicas de desidratação, agora ensino para
levantadores de peso de elite, perdi 12 quilos em 18
horas, pesei 74 quilos e então me hiper-hidratei de
volta aos meus 87 quilos.[1] É muito difícil lutar contra
alguém três categorias acima de você. Pobres
pequeninos.
2. Havia uma tecnicidade no regulamento: Se um
combatente cair da plataforma elevada três vezes em
um único round, seu oponente vence. Eu decidi usar
essa tecnicidade como minha única técnica e apenas
derrubar meus oponentes do ringue. Como você pode
imaginar, isso não deixou os juízes chineses muito
felizes.
O resultado? Venci todas as minhas lutas por
nocaute técnico e me sagrei campeão nacional, algo
que 99% das pessoas com algo entre 5 e 10 anos de
treinamento são incapazes de conseguir.
Mas empurrar pessoas para fora do ringue não
significa ultrapassar os limites da ética? De maneira
nenhuma – isso nada mais é do que fazer o incomum
dentro das regras. A diferença importante é aquela
entre as regras oficiais e as regras autoimpostas.
Considere este exemplo do site oficial do Comitê
Olímpico Internacional (www.olympic.org).
A Olimpíada de 1968 na Cidade do México marcou
a estreia internacional de Dick Fosbury e seu
celebrado salto de costas, conhecido como Salto
Fosbury, que revolucionaria o salto em altura. Na
época, os atletas jogavam o pé para cima e depois
por cima da barra (fazendo um movimento
conhecido como straddle – perna aberta, em
inglês), caindo de pé. A técnica de Fosbury
empregava uma corrida em alta velocidade até a
barra, com uma aproximação em diagonal antes
de girar o corpo e passar por cima da barra de
costas, jogando primeiro a cabeça. Enquanto
treinadores de todo o mundo balançavam a
cabeça incrédulos, o público da Cidade do México,
absolutamente fascinado, gritava “Olé!”. Fosbury
saltou 2,22 metros sem derrubar a barra até
atingir o recorde de 2,24 metros e conquistar a
medalha de ouro.
Em 1980, 13 dos 18 finalistas olímpicos usavam a
técnica Fosbury.
As técnicas de perda de peso e empurrão do ringue
que eu usei agora são padrão na competição Sanshou.
Eu não inventei nada, só previ o que seria inevitável,
assim como outros que testaram essa abordagem.
Agora faz parte da luta.
Os esportes evoluem quando se matam as vacas
sagradas, quando pressupostos básicos são testados.
O mesmo vale para a vida e o estilo de vida.
Desafiar o status quo vs. ser
estúpido
A maior parte das pessoas anda pela rua com as pernas. E se eu andasse pela rua apoiado em minhas mãos? E se eu vestisse a cueca por cima das
calças para ser diferente? Não, não faço essas coisas.
Andar com as pernas e manter a cueca por dentro têm
funcionado muito bem até agora. Não preciso consertar
isso se está funcionando bem.
O diferente é melhor quando é mais eficiente ou
mais divertido.
Se todo mundo define um problema ou o soluciona
de determinada forma e os resultados são
insatisfatórios, é hora de perguntar “e se eu fizesse o
contrário?”. Não siga um modelo que não funciona. Se
a receita não funciona, não importa o quão bom
cozinheiro você é.
Quando trabalhava com vendas de armazenamento
de dados, meu primeiro trabalho depois da faculdade,
percebi que a maior parte das ligações não chegava às
pessoas desejadas por uma razão: pessoas que
impediam os contatos. Se eu simplesmente fizesse
todas as minhas ligações entre 8h e 8h30 e depois entre
18h e 18h30, conseguia evitar as secretárias e agendar
mais do dobro das reuniões do que conseguiam os
executivos seniores de vendas que ligavam entre 9h e
17h. Em outras palavras, eu conseguia o dobro dos
resultados em 1/8 do tempo.
Do Japão a Mônaco, de mães solteiras que percorrem
o mundo com seus filhos a pilotos multimilionários de
automobilismo, as regras básicas dos NR bem-
sucedidos são surpreendentemente uniformes e
previsivelmente divergentes do que o resto do mundo
pratica.
As regras a seguir são as diferenças fundamentais
que devemos ter em mente ao longo deste livro.
1. Aposentadoria é o seguro para o caso de acontecer a
pior das hipóteses.
Planejar a aposentadoria é como um seguro de vida.
Deve ser encarado como nada mais do que uma
previdência contra o caso de acontecer a pior hipótese:
nesse caso, tornar-se fisicamente incapaz de trabalhar
e precisar de uma reserva financeira para sobreviver.
A aposentadoria como objetivo ou como redenção
final é um equívoco por pelo menos três razões sólidas:
a. Está subentendido na aposentadoria que você não
gosta do que está fazendo durante os anos de maior
vigor físico em sua vida. Isso é um erro
fundamental: nada pode justificar esse sacrifício.
b. A maior parte das pessoas nunca será capaz de se
aposentar e manter um padrão razoável de vida.
Mesmo um milhão é apenas um trocado num
mundo em que a aposentadoria tradicional leva 30
anos e a inflação reduz seu poder de compra de 2%
a 4% por ano. A conta não fecha.[2] Os anos
dourados da aposentadoria tornam-se uma vida de
classe média-baixa revisitada. Isso é um final
amargo.
c. Se tiver juntado dinheiro suficiente para a conta
fechar, isso significa que você é uma ambiciosa
máquina de trabalhar. Se esse for o caso, quer
saber? Basta uma semana de aposentadoria e você
estará tão entediado que vai querer furar seus
olhos. Provavelmente optará por procurar um novo
emprego ou fundar uma nova empresa. E não é que
isso derrota a ideia de esperar?
Não estou dizendo para você não planejar para caso
o pior aconteça – eu reservei alguma quantia em um
fundo de pensão, que uso principalmente para abater
impostos –, mas não confunda isso com a
aposentadoria como objetivo.
2. Interesse e energia são cíclicos.
Se eu lhe oferecesse 10 milhões de dólares para
trabalhar 24 horas por dia durante 15 anos e então se aposentar, você aceitaria? É claro que não – você não
aguentaria. Não é uma situação sustentável,
exatamente como aquilo que mais define uma carreira:
fazer a mesma coisa por 8 ou mais horas por dia até
você ter um colapso ou ter dinheiro bastante para parar
de trabalhar definitivamente.
De que outra forma meus amigos de 30 anos de
idade estariam todos parecendo uma mistura de Donald
Trump com Joan Rivers? É um horrível envelhecimento
precoce acelerado por frappuccinos triplos e cargas de
trabalho inexequíveis.
Alternar períodos de descanso e de atividade é
fundamental para sobreviver, para não falar em
prosperar. Capacidade, interesse e resistência mental,
tudo isso vai e vem. Planeje de acordo.
Os NR objetivam distribuir “miniaposentadorias” ao
longo da vida, em vez de postergar o descanso e o
prazer para o ouro dos tolos que é a aposentadoria.
Trabalhando apenas quando você está mais
eficiente, a vida é mais produtiva e mais divertida. É o
exemplo perfeito de ter a faca e o queijo na mão, parti-
lo e comê-lo.
Pessoalmente, eu agora planejo um mês de passeio
em algum lugar do mundo ou treinamento de alta intensidade (em tango, luta ou alguma outra coisa)
para cada dois meses de trabalho.
3. Menos trabalho não significa preguiça.
Fazer menos trabalho inútil, de modo que possa
focar em coisas de importância maior para você NÃO é
preguiça. Isso é difícil para a maioria das pessoas
aceitar, porque nossa cultura tende a recompensar o
sacrifício pessoal em vez da produtividade pessoal.
Poucas pessoas optam (ou estão aptas a optar) por
medir os resultados de suas ações e, a partir daí, medir
em tempo o valor de suas contribuições. Mais tempo
significa mais valor próprio e mais apoio daqueles
acima e ao redor delas. Os NR, a despeito de menos
horas no escritório, produzem resultados mais
significativos do que uma dúzia de não NR juntos.
Definamos “preguiça” novamente – suportar uma
existência não ideal para deixar as circunstâncias ou
que os outros decidam sua vida por você, ou amealhar
uma fortuna enquanto passa pela vida como um
espectador, vendo-a da janela de um escritório. O
tamanho de sua conta bancária não afeta isto, bem
como o número de horas que você passa checando e-
mails inúteis ou detalhes desimportantes.
Foque-se em ser produtivo em vez de focar-se em
estar ocupado.
4. A noção que se tem do tempo nunca está correta.
Uma vez, perguntei a minha mãe como ela tinha
decidido quando ter o primeiro filho, eu, no caso. A
resposta foi simples: “Isso era algo que queríamos, e
decidimos que não havia por que postergá-lo. Nunca se
sabe a hora certa de ter um filho”. E assim aconteceu.
Para as coisas mais importantes, nunca temos
certeza se é a hora certa. Esperar a hora certa para sair
de seu emprego? As estrelas nunca estarão
suficientemente alinhadas e os semáforos da vida
nunca estarão todos verdes ao mesmo tempo. O
universo não conspira contra, mas também não sai de
seu fluxo normal para ajeitar tudo para você. As
condições nunca são perfeitas. “Algum dia” é uma
doença que levará seus sonhos para o túmulo junto
com você. Listas de prós e contras são igualmente
ruins. Se é importante para você, e se você quer fazer
“finalmente”, vá e faça, depois corrija os rumos ao
longo do caminho.
5. Peça perdão, não permissão.
Se o que você quer fazer não for devastar todos ao
seu redor, tente e depois se justifique. As pessoas –
sejam pais, parceiros ou patrões – proíbem que se
façam determinadas coisas, com base em uma noção de
que eles podem aprender a aceitar o fato depois de
consumado. Se o potencial de dano é moderado ou de
alguma forma irreversível, não dê às pessoas a chance
de dizer não. A maior parte das pessoas é rápida o
bastante para interrompê-lo antes que você comece,
mas é hesitante para entrar em seu caminho se você já
estiver em movimento. Você faz melhor em virar um
criador de problemas e pedir desculpas quando
realmente errar.
6. Enfatize os pontos fortes, em vez de corrigir as
fraquezas.
A maioria das pessoas é ótima em um punhado de
coisas e medíocre no resto. Eu sou ótimo em criação de
produtos e em marketing, mas terrível na maior parte
das coisas a seguir.
Meu corpo é talhado para levantar objetos pesados e
arremessá-los, simples assim. Ignorei isso por um
longo tempo. Tentei praticar natação, mas parecia um
macaco se afogando. Tentei jogar basquete, mas parecia um homem das cavernas. Aí resolvi começar a
lutar e me encontrei.
É muito mais lucrativo e divertido alavancar seus
pontos fortes em vez de tentar consertar todas as
rachaduras na sua armadura. A escolha é entre
multiplicação de resultados utilizando-se dos pontos
fortes ou desenvolvimento de melhorias retificando as
fraquezas que se tornarão, na melhor das hipóteses,
medíocres.
Foque-se num uso melhor de suas melhores armas,
em vez de focar-se em reparos constantes.
7. Coisas em excesso tornam-se o oposto.
É possível ter grandes quantidades de uma coisa
boa. Em excesso, a maior parte dos esforços e das
posses toma características de seus opostos:
Pacifistas se tornam militantes.
Ativistas pela liberdade se tornam tiranos.
Bênçãos se tornam maldições.
Ajudas se tornam estorvos.
Mais se torna menos.[3]
Muita quantidade e muita frequência tornam aquilo
de que você gosta no que você não gosta. Isso é verdade para posses e até mesmo para o tempo.
O Projeto de Vida não é, portanto, voltado para criar
um excesso de tempo livre, que é venenoso, mas sim
para um uso positivo do tempo livre, definido
simplesmente como fazer aquilo que você quer, em
oposição a fazer aquilo a que você se sente obrigado.
8. Dinheiro somente não é a solução.
Há muito a ser dito sobre o poder do dinheiro como
moeda (eu, particularmente, sou fã), mas apenas
ganhar mais dinheiro não é sempre a resposta, como
gostamos de acreditar. Em parte, isso é preguiça. “Ah,
mas se eu tivesse mais dinheiro” é o jeito mais fácil de
adiar o auto-exame profundo e a tomada de decisões
necessários para criar uma vida de prazer – agora, não
depois. Ao utilizar o dinheiro como bode expiatório e o
trabalho como uma rotina exaustiva, conseguimos
evitar que usemos nosso tempo para fazer as coisas de
outra maneira: “John, eu adoraria falar com você sobre
o vazio que sinto em minha vida, a desesperança que se
abate sobre mim como uma porrada todas as manhãs,
quando ligo meu computador, mas tenho muito
trabalho a fazer! Tenho pelo menos três horas de e-
mails desimportantes para responder antes de ligar para todos os possíveis clientes que disseram ‘não’
ontem. Preciso correr!”.
Ocupe-se com a rotina da roda do dinheiro, finja
que é a solução de todos os problemas e você
ardilosamente cria uma distração constante que evita
que você enxergue o quão inútil é isso tudo.
Aprofunde-se, você sabe que é tudo uma ilusão, mas,
como todo mundo participa do mesmo jogo de
acreditar, é fácil esquecer.
O problema é mais do que simplesmente dinheiro.
9. Renda relativa é mais importante do que renda
absoluta.
Entre nutricionistas e pessoas que fazem dieta, há
algum debate sobre o valor de uma caloria. Será uma
caloria uma caloria tal qual uma rosa é uma rosa? A
perda de gordura é simples como gastar mais calorias
do que se consome ou a fonte das calorias importa?
Baseado no meu trabalho com atletas de ponta, eu sei a
resposta para essa última pergunta.
E sobre renda? Um dólar é somente um dólar? Os
Novos Ricos não pensam assim.
Analisemos isso como se fosse um problema de
matemática da quinta série. Dois amigos trabalhadores estão lado a lado numa reta. O amigo A se move a 80
horas por semana e o amigo B se move a 10 horas por
semana. Ambos ganham 50 mil dólares por ano. Quem
estará mais rico quando chegarem ao ponto final? Se
disse B, você estará correto, e essa é a diferença entre
renda absoluta e relativa.
A renda absoluta é medida usando uma variável
universal e inalterável: o todo-poderoso dólar. Fulana
ganha 100 mil dólares por ano e é duas vezes mais rica
do que Beltrano, que ganha 50 mil por ano.
A renda relativa usa duas variáveis: o dólar e o
tempo, normalmente horas. O conceito de “por ano” é
arbitrário e engana facilmente. Observemos a realidade
das coisas. Fulana ganha 100 mil dólares por ano, 2 mil
por cada uma das 50 semanas por ano, e trabalha 80
horas por semana. Fulana ganha, portanto, 25 dólares
por hora. Beltrano ganha 50 mil dólares por ano, mil
por cada uma das 50 semanas, mas trabalha somente
10 horas por semana e ganha portanto 100 dólares por
hora. Em termos de renda relativa, John é quatro vezes
mais rico.
É claro que a renda relativa precisa gerar a quantia
mínima necessária para atingir seus objetivos. Se
ganho 100 dólares por hora mas só trabalho uma hora por semana, vai ser difícil viver como um superstar.
Assumindo-se que a renda absoluta total é onde
preciso chegar para realizar meus sonhos, a renda
relativa é a medida real da riqueza para os Novos Ricos.
Os melhores Novos Ricos ganham pelo menos 5 mil
dólares por hora. Quando saí da faculdade, eu comecei
ganhando em torno de 5 por hora. Vou levá-lo mais
perto dos primeiros.
10. Estresse é ruim, eustresse é bom.
Apesar de a maioria dos bípedes hedonistas não
saberem, nem todo estresse é ruim. Na verdade, os
Novos Ricos não procuram eliminar todo o estresse.
Não totalmente. Há dois tipos distintos de estresse,
ambos tão diferentes quanto a euforia e seu oposto
auto-explicativo, disforia.
Estresse (distress, em inglês) refere-se a estímulos
prejudiciais que deixam você mais enfraquecido, menos
confiante e menos capaz. Críticas destrutivas, chefes
abusivos e enfiar a sua cara no meio-fio são exemplos
disso. São essas coisas que devemos evitar.
Eustresse (eustress, em inglês), por outro lado, é
uma palavra que você provavelmente nunca ouviu. Eu,
um prefixo grego para “saudável”, é usado no mesmo sentido na palavra “euforia”. Modelos de
comportamento que nos levam a exceder nossos
limites, treinamento físico que tira nossa barriga gorda
e riscos que aumentam nossa esfera de ação
confortável são exemplos de eustresses – estresses que
são saudáveis e também são estímulos para nosso
crescimento.
Pessoas que evitam críticas falham. São as críticas
destrutivas que precisamos evitar, não todas as formas
de críticas. Da mesma forma, não há progresso sem o
eustresse, e quanto mais eustresse pudermos criar ou
aplicar em nossas vidas, mais cedo conseguiremos
realizar nossos sonhos. O segredo é jogar nos dois
times.
Os Novos Ricos são igualmente agressivos ao
remover o estresse e buscar o eustresse.
• Perguntas e ações •
1. O quanto estar sendo “realista” ou “responsável” o
tem afastado da vida que você deseja?
2. O quanto ter feito o que você “deveria” resultou em
experiências inferiores ou arrependimento de não
ter feito algo mais?
3. Olhe para o que vem fazendo atualmente e se
pergunte: “E se eu fizesse o oposto das pessoas ao
meu redor? O que sacrificarei se continuar nesse
caminho por 5, 10 ou 20 anos?”.