Trabalhe 4 Horas por Semana
9 Receita em piloto automático I
Receita em piloto
automático I
Encontrar a musa
“Estabeleça e esqueça!”
RON POPEIL , fundador da RONCO;
responsável por mais de 1 bilhão de dólares em vendas de
máquinas assadeiras de frango
“Métodos, pode haver milhões, mas princípios são poucos.
O homem que se guia por seus princípios pode ter sucesso
ao escolher seus métodos. O homem que tenta métodos,
ignorando princípios, certamente encontrará problemas.”
RALPH WALDO EMERSON
O minimalista da Renascença
D ouglas Price acordava em outra bela manhã de verão em seu sobrado no Brooklyn. Primeira coisa:
café. O jet lag tinha diminuído, considerando que ele
tinha acabado de chegar de uma viagem de duas
semanas pelas ilhas do litoral da Croácia, apenas um dos seis países que tinha visitado nos últimos 12 meses.
O Japão seria o próximo.
Com um sorriso no rosto e a caneca de café na mão,
ele caminhou até o seu Mac para ver seus e-mails
pessoais. Havia 32 mensagens novas e todas traziam
boas notícias.
Um de seus amigos e sócios, também co-fundador
do Limewire, tinha uma novidade: o Last Bamboo,
projeto deles que ambicionava reinventar a tecnologia
peer-to-peer, estava aproximando-se dos estágios
finais de desenvolvimento. Poderia ser a galinha dos
ovos bilionários, mas Doug preferia deixar os
engenheiros trabalhar primeiro.
Samson Projects, uma das galerias de arte
contemporânea mais importantes de Boston, tinha
mandado elogios pelo último trabalho de Doug e um
pedia envolvimento maior com novas exposições, como
curador de som.
O último e-mail era de um fã, endereçado ao
“Demon Doc”, elogiando seu último disco de hip-hop
instrumental, onliness v1.0.1. Doug lançara o álbum
dentro do que ele chamava de “música de código
aberto” – qualquer um poderia baixar o álbum de graça e usar sons de qualquer uma das faixas em suas
próprias composições.
Ele sorriu novamente, terminou seu café e abriu
outra janela para ver, em seguida, seus e-mails
profissionais. Isso levaria menos tempo. Na verdade,
menos de meia hora por dia e de duas horas por
semana.
Como as coisas mudam.
Dois anos antes, em junho de 2004, eu estava no
apartamento de Doug checando e-mails pelo que
esperava ser a última vez em bastante tempo. Iria em
questão de horas para o Aeroporto JFK, em Nova York,
preparado para uma viagem indefinida ao redor do
mundo. Doug olhou-me com preocupação. Ele tinha
planos similares e finalmente estava se
desembaraçando de um arriscado projeto de Internet
que tinha sido uma grande oportunidade e uma grande
paixão, mas agora era apenas um emprego. A euforia
da era pontocom tinha acabado há muito, junto com as
chances de vender o projeto ou lançar ações na bolsa.
Ele me desejou boa sorte e tomou uma decisão
assim que o táxi partiu – chega de coisas complicadas.
Era hora de voltar ao básico.
Prosounde ects.com, lançado em janeiro de 2005,
depois de uma semana de testes comerciais no eBay,
estava voltado para fazer uma coisa: dar a Doug muito
dinheiro com mínimo investimento de tempo.
Isso nos traz de volta à sua caixa de e-mails
comerciais, em 2006.
Havia 10 pedidos de coleções de som, CDs que
produtores de cinema, músicos, designers de jogos e
outros profissionais que trabalham com áudio usam
para adicionar sons raros – seja o ronronar de um
lêmure ou o som de algum instrumento exótico – a
suas próprias criações. Esses são os produtos de Doug,
mas ele não os possui, porque isso exigiria capital
inicial e um estoque físico. Seu modelo de negócios é
mais elegante do que isso. Aqui há apenas um fluxo
financeiro:
1. Um cliente em potencial vê a propaganda pay-per-
click (PPC) no Google ou em outro mecanismo de busca
e clica para acessar o seu site,
www.prosounde ects.com.
2. O cliente pede um produto de 325 dólares (que é o
preço médio dos pedidos, embora os preços variem de 29 a 7500 dólares) em um Cesto de Compras do Yahoo!,
e um PDF com toda a informação de cobrança e
remessa é automaticamente enviado para Doug por e-
mail.
3. Três vezes por semana, Doug pressiona um botão
na página de gerenciamento do Yahoo! para efetuar a
cobrança no cartão de crédito de cada um de seus
clientes e passar o dinheiro para sua conta bancária.
Ele então salva os PDFs como planilhas de compra no
Excel e manda os pedidos por e-mail para os
fabricantes dos CDs. Essas empresas mandam os
produtos direto para os clientes de Doug – isso é
chamado de drop-shipping – e Doug paga aos
fornecedores apenas 45% do preço no varejo, até 90
dias depois (a cada período de 90 dias).
Observemos a beleza matemática desse sistema para
ter uma noção completa do efeito.
A cada pedido de 325 dólares, Doug fica com 55%,
US$178,75. Se subtrairmos 1% do preço de venda (1%
de US$325,00 = US$3,25), que é a taxa de transação do
Yahoo! Store, e mais 2,5% da taxa do cartão de crédito
(2,5% de US$325,00 = US$8,13), Doug fica com um lucro bruto – antes dos impostos – de US$167,38, por
conta dessa única venda.
Multiplique isso por 10 e teremos US$1673,80 de
lucro por 30 minutos de trabalho. Doug ganha
US$3347,60 por hora e não compra nenhum produto
antecipadamente. Seus custos iniciais foram de
US$1200,00 para o design de seu site, o que ele
recuperou na primeira semana. Sua propaganda PPC
custa aproximadamente 700 dólares por mês e ele paga
ao Yahoo! 99 dólares por mês pela hospedagem e pelo
cesto de compras.
Ele trabalha menos de duas horas por semana,
frequentemente ganha mais de 10 mil dólares por mês
e não há nenhum tipo de risco financeiro.
Agora, Doug gasta seu tempo fazendo músicas,
viajando e explorando novos negócios apenas por
diversão. Prosounde ects.com não é a coisa mais
importante e definitiva da sua vida, mas acabou com
todas as suas preocupações financeiras e liberou sua
mente para pensar em outras coisas.
O que você faria se não tivesse que se preocupar com
dinheiro? Se seguir os conselhos deste capítulo, em
breve terá que responder a esta pergunta.
Agora é hora de encontrar a sua musa.
HÁ MIL E UMA formas de se ganhar 1 milhão de dólares.
De franqueamento a consultoria freelance, a lista é
infinita. Felizmente, a maior parte das formas é
inadequada aos nossos objetivos. Este capítulo não é
para quem quer gerir um negócio, mas para quem quer
ter um negócio e não gastar tempo com ele.
A resposta que ouço quando apresento este conceito
é mais ou menos universal: Hã?
As pessoas não conseguem acreditar que a maior
parte das empresas muito bem-sucedidas do mundo
não produz os próprios produtos que vendem, não
atende os próprios telefones, não embarca os próprios
produtos ou atende seus próprios clientes. Há centenas
de empresas que existem para trabalhar para outras
empresas, desempenhando essas funções e alugando
infra-estruturas para qualquer um que saiba encontrá-
las.
Você acha que a Microsoft fabrica o Xbox 360 ou que
a Kodak desenvolve e distribui suas câmeras digitais?
Adivinhe. A Flextronics, uma empresa de engenharia e
manufatura baseada em Cingapura, estabelecida em 30
países e com uma receita anual de 15,3 bilhões de
dólares, faz ambos. As marcas mais populares de bicicletas nos Estados Unidos são todas fabricadas nas
mesmas três ou quatro fábricas na China. Em dúzias de
call centers, pressiona-se um botão para atender a um
telefonema em nome de uma JC Penneys da vida, outro
botão para uma Dell Computadores da vida e outro
botão ainda para atender a um telefonema em nome de
algum Novo Rico como eu.
Tudo lindamente transparente e barato.
Antes de criarmos essa arquitetura virtual, no
entanto, precisamos de um produto para vender. Se
você trabalha com serviços, esta seção vai ajudá-lo a
transformar sua experiência e conhecimento em um
produto vendável, para escapar dos limites do modelo
baseado em horas. Se for começar do zero, ignore a
indústria de serviços por enquanto, uma vez que o
contato constante com os clientes torna difícil uma
ausência prolongada.[1]
Para estreitar ainda mais o campo, testar o nosso
produto-alvo não pode custar mais do que 500 dólares,
ele tem que se prestar à automação em quatro semanas,
e – quando estiver a pleno vapor – não pode tomar
mais de um dia por semana para sua administração.
Um negócio pode ser usado para mudar o mundo,
como o The Body Shop ou o Patagonia? Sim, mas não é nosso objetivo.
Um negócio pode ser usado para gerar recursos
através de uma venda ou da venda de ações em bolsa?
Sim, mas também não é nosso objetivo.
Nosso objetivo é simples: criar um veículo
automático de geração de renda sem consumir tempo.
Só isso.[2] Chamarei esse veículo de “musa” sempre
que for possível para separá-lo do conceito ambíguo de
“negócio”, que pode se referir a uma banca de
limonada ou a um dos 10 maiores conglomerados
petrolíferos – nosso objetivo é mais limitado e por isso
requer uma denominação mais precisa.
Em primeiro lugar as primeiras coisas: fluxo de
renda e tempo. Com essas duas moedas, todas as
outras coisas são possíveis. Sem elas, nada é possível.
Por que começar com o final em
mente: uma história de alerta
S arah está empolgada. Havia duas semanas que sua linha de camisetas
humorísticas para jogadores de golfe começara a ser
oferecida na Internet, e ela vendia em média 5 camisetas por dia a 15 dólares cada. Seu custo por
unidade era de 5 dólares, então ela tinha um lucro de
50 dólares (menos 3% de taxa dos cartões de crédito) a
cada 24 horas, uma vez que ela cobrava o frete dos
clientes. Em breve recuperaria o custo de seu pedido
inicial de 300 camisetas (incluindo a preparação, os
custos da gráfica, etc.) – mas queria ganhar mais.
Era uma boa mudança na sorte, considerando o
destino de seu primeiro produto. Ela tinha gasto 12 mil
dólares para desenvolver, patentear e fabricar um
carrinho de bebê de alta tecnologia, voltado para
mamães de primeira viagem (ela nunca tinha sido
mamãe), para descobrir depois que ninguém estava
interessado.
As camisetas, por outro lado, estavam vendendo,
mas as vendas começavam a diminuir.
Parecia que ela tinha alcançado o teto de vendas on-
line, já que os concorrentes mal-educados e com muito
dinheiro gastavam muito em propaganda, aumentando
os custos. Isso a atingiu em cheio – varejo!
Sarah foi conversar com o gerente da loja de golfe
local, Bill, que imediatamente demonstrou interesse
em vender as camisetas. Ela ficou emocionada.
Bill pediu o desconto mínimo padrão de 40%, preço
de atacado. Isso significa que o preço de venda seria de
9 dólares em vez de 15, e que seu lucro tinha caído de
10 dólares para 4. Sarah decide tentar e faz o mesmo
acordo com outras três lojas em cidades próximas. As
camisetas começam a sair das prateleiras, mas ela logo
percebe que seu pequeno lucro está sendo devorado
pelas horas extras em que passa manejando pedidos e
com administração adicional.
Ela decide conversar com um distribuidor[3] para
aliviar esse trabalho, uma empresa que trabalha como
um grande depósito, que vende produtos de vários
fabricantes para lojas de golfe em todo o país. O
distribuidor está interessado e pede pelo preço normal
– 70% de desconto, ou 4,50 dólares – o que deixaria
Sarah com um prejuízo de 50 centavos por unidade. Ela
recusa.
Para piorar, as quatro lojas da região começaram a
oferecer descontos nas camisetas para competir entre
si e começaram a destruir suas próprias margens de
lucro. Duas semanas depois, desaparecem os novos
pedidos. Sarah abandona o varejo e retorna
desmoralizada ao website. As vendas on-line tinham
despencado para praticamente zero com a nova competição. Ela não tinha recuperado seu investimento
inicial e ainda tinha cinquenta camisetas em sua
garagem.
Nada bom.
Tudo isso poderia ter sido evitado com os testes e
planejamentos adequados.
ED “SR. CREATINA” Byrd não é nenhuma Sarah. Ele não
investe e fica torcendo para dar certo.
Sua empresa, MRI, sediada em São Francisco, tinha
o suplemento esportivo mais vendido nos Estados
Unidos entre 2002 e 2005, o NO2. Ainda é um dos mais
vendidos, a despeito de dúzias de imitações. Ele
conseguiu isso através de testes inteligentes,
posicionamento inteligente no mercado e distribuição
brilhante.
Antes de fabricar o produto, a MRI ofereceu um livro
de preço baixo sobre o NO2, em anúncios de ¼ de
página em revistas masculinas de saúde e ginástica.
Uma vez que a demanda foi confirmada com uma
montanha de pedidos dos livros, ele estabeleceu o
preço do NO2 em escandalosos 79,95 dólares,
posicionando-o como o produto premium no mercado, vendido exclusivamente nas lojas da GNC em todo o
país. Ninguém mais podia vendê-lo.
Como pode fazer algum sentido recusar negócios?
Há algumas poucas e boas razões.
Em primeiro lugar, quanto mais competitivos forem
os revendedores, mais rápido seu produto será extinto.
Esse foi um dos erros de Sarah.
Funciona assim: o revendedor A vende o produto
pelo preço recomendado de 50 dólares, então o
revendedor B vende por 45 para concorrer com o A, e
daí o C vende por 40 dólares para concorrer com A e B.
Muito em breve, ninguém lucrará nada com seu
produto e os novos pedidos desaparecem. Clientes
estarão acostumados com o preço baixo e esse processo
é irreversível. O produto morre e você precisa criar
outro produto. Essa é exatamente a razão pela qual
tantas empresas precisam criar produto atrás de
produto, mês após mês. É uma dor de cabeça.
Tenho vendido um único suplemento,
BrainQUICKEN® (também vendido como
BodyQUICK®, nos últimos seis anos, e mantido uma
margem consistente de lucro limitando a distribuição,
especialmente on-line, aos dois maiores revendedores,
que podem movimentar quantidades maiores de
produtos e concordam em manter um preço mínimo.[4]
Se não, descontos criminosos no eBay e aventureiros
independentes acabam levando você à falência.
Em segundo lugar, se você oferece exclusividade a
alguém, o que a maior parte dos fabricantes tenta
evitar, isso pode funcionar a seu favor. Uma vez que
você oferece a uma única empresa 100% da distribuição
do seu produto, é possível negociar margens maiores
de lucro (oferecendo menos desconto sobre o preço
final), melhor suporte de marketing dentro da loja,
pagamentos mais rápidos e outros tipos de tratamento
preferencial.
É central você decidir como irá vender e distribuir
seu produto antes que se comprometa com algum
produto primário. Quanto mais intermediários
estiverem envolvidos, maiores suas margens terão que
ser para manter a lucratividade em todos os elos da
corrente.
Ed Byrd entendeu essas questões e tornou-se um
exemplo de como fazer o oposto do que a maioria faz
pode reduzir riscos e aumentar lucros. Escolher a
distribuição antes do produto é apenas um exemplo.
Ed dirige uma Lamborghini pela costa da Califórnia
quando não está viajando ou quando não está em seu escritório com sua equipe pequena e focada e seus dois
pastores australianos. Esse resultado não é acidental.
Seus métodos de criação de produtos – e os dos Novos
Ricos em geral – podem ser emulados.
Eis como você pode fazer isso com o menor número
possível de passos.
Passo 1: Escolha um nicho de
mercado alcançável
“Quando eu era mais nova... não queria ser classificada,
categorizada...
Basicamente, agora você quer ser categorizada.
É o seu nicho.”
JOAN CHEN, atriz; trabalhou em
O último imperador e Twin Peaks
C riar demanda é difícil. Aplacar a demanda é muito mais fácil. Não crie um produto antes de encontrar
alguém que o procure. Encontre um mercado – defina
seus clientes –, então tente encontrar ou desenvolver
um produto para eles.
Já fui estudante e atleta, então desenvolvi produtos
para esses dois mercados, focalizando o consumidor
masculino quando possível. O audiobook que criei para conselheiros universitários foi um fracasso porque
nunca fui conselheiro universitário. Então desenvolvi o
seminário de leitura dinâmica, depois de perceber que
tinha acesso livre aos estudantes, e o negócio deu certo
porque – por eu ser um estudante – entendia as
necessidades e os hábitos estudantis. Seja um membro
do seu mercado-alvo e não especule o que os outros
precisam ou o que desejarão comprar.
Comece pequeno, pense grande
“Algumas pessoas estão apenas no pródigo negócio
de entretenimento com anões.”
DANNY BLACK (1,27m),
sócio do Shortdwarf.com[5]
Danny Black aluga anões para entretenimento por 149
dólares por hora. Que tal como nicho de mercado?
Diz-se que, se todo mundo é seu cliente, ninguém é
seu cliente. Se você começa querendo vender um
produto para cachorros – ou para amantes de carros,
pare por aí. É muito caro fazer propaganda para um
mercado tão extenso, e você competirá com muitos
produtos e com muita informação livre. Se você se
focar em como treinar pastores-alemães ou em um
produto de restauração para Fords antigos, por outro lado, o mercado e a competição encolhem, tornando
menos caro atingir seus consumidores e mais fácil
conseguir um preço premium.
BrainQUICKEN foi inicialmente desenvolvido para
estudantes, mas o mercado mostrou-se muito
fracionado e difícil de atingir. Baseado em retornos
positivos de atletas estudantes, relancei o produto
como BodyQUICK e testei propaganda em revistas
específicas para praticantes de artes marciais e
halterofilistas. São mercados minúsculos comparados
ao enorme mercado de estudantes, mas não são
pequenos. O baixo custo de propaganda e a falta de
competidores me permitiram dominar esses nichos
com o primeiro “acelerador neural”.[6] É mais lucrativo
ser um peixe grande num lago pequeno do que um
pequeno peixe indefinido num lago enorme. Como você
sabe se o mercado é grande o bastante para satisfazer
sua meta? Para um exemplo detalhado e real de como
determinei o tamanho do mercado de um produto
recente, veja “Muse Math” (“Matemática da musa”)
no website deste livro.
Responda às seguintes perguntas para encontrar
nichos lucrativos.
1. A que grupo profissional ou social você pertence,
pertenceu, ou de que você entende, seja dentistas,
engenheiros, alpinistas, ciclistas, restauradores de
carros antigos, dançarinos ou outros?
Olhe criativamente para seu currículo, para sua
experiência profissional, hábitos esportivos e hobbies.
Compile uma lista de todos os grupos, no passado e no
presente, aos quais você consegue se associar. Olhe
para os produtos e livros que você possui, incluindo
assinaturas on-line e o -line, e pergunte-se: “Que
grupos de pessoas compram as mesmas coisas?”. Que
revistas, websites e informativos você lê regularmente?
2. Que grupos dos que você identificou possuem
suas próprias revistas?
Visite uma grande livraria, como a Barnes & Noble, e
vasculhe a estante de revistas em busca de revistas
voltadas para públicos específicos, para ter ideias de
nichos adicionais. Há literalmente milhares de revistas
específicas de ocupações, hobbies e interesses para se
escolher. Use o Writer’s Market para identificar opções
de revistas fora das bancas. Limite os grupos da
questão 1 àqueles que podem ser alcançados através de
uma ou duas pequenas revistas. Não é importante que todos esses grupos tenham muito dinheiro (por
exemplo, golfistas) – apenas que eles gastem dinheiro
em produtos de algum tipo (atletas amadores,
pescadores, etc.). Ligue para essas revistas, converse
com os diretores de propaganda, diga a eles que você
está cogitando anunciar; peça a eles que mandem por
e-mail a tabela atual de preços de anúncios e peça para
incluírem o número de leitores e alguns exemplares de
edições antigas. Procure nas edições antigas por
anúncios repetidos de empresas que vendem direto ao
consumidor via telefones 0800 ou via websites –
quanto mais anunciantes repetidos, e quanto mais
frequentes os anúncios, mais lucrativa a revista é para
eles... e será para nós.
Passo 2: Invente (não invista em)
produtos
“Gênio é apenas um poder de visão superior.”
JOHN RUSKIN, famoso crítico social e de arte
P egue os dois mercados com os quais você é mais familiar e que tenham suas próprias revistas, em que anúncios de página inteira custem menos de 5 mil
dólares.
Não deve haver menos de 15 mil leitores. Essa é a
parte divertida. Agora vamos pensar para achar
produtos com esses dois mercados em mente.
O objetivo é terminar com ideias bem-acabadas de
produtos sem gastar nada; no passo três, criaremos
anúncios para eles e testaremos respostas de
consumidores reais antes de investir em sua fabricação.
Há vários critérios que garantem que o produto final se
encaixará em uma arquitetura automatizada.
O principal benefício deve estar contido em uma
frase.
As pessoas podem não gostar de você –
frequentemente você venderá mais ofendendo algumas
pessoas –, mas elas nunca devem deixar de entendê-lo.
O principal benefício de seu produto deve ser
explicável em uma única frase. Por que isso é diferente
e por que devo comprá-lo? UMA frase, crianças. A
Apple fez um excelente trabalho com o iPod. Em vez de
usar o jargão normal da indústria, com gigabytes,
largura de banda e por aí vai, eles simplesmente
disseram “1000 músicas em seu bolso”. Feito. Seja simples e não vá em frente com um produto até que
você possa fazê-lo sem confundir as pessoas.
Seu produto deve custar ao cliente entre 50 e 200 dólares.
O grosso das empresas estabelece preços em uma
faixa média, e é exatamente aí onde há mais
competição. Colocar um preço baixo é pouco sábio,
porque sempre haverá alguém disposto a sacrificar a
própria margem de lucro e arrastá-lo junto para a
falência. Além do valor agregado, há três benefícios
principais em se criar uma imagem premium e cobrar
mais do que a concorrência.
1. Preço mais alto significa que podemos vender
menos unidades – e portanto gerenciar menos
clientes – para cumprir nossas metas. É mais
rápido.
2. Preço mais alto atrai clientes que demandam
menos manutenção (com mais créditos, menos
dúvidas e assistências, menos devoluções, etc.).
Traz menos dor de cabeça. E isso é ÓTIMO.
3. Preço mais alto também gera margens maiores de
lucro. É mais seguro.
Pessoalmente, ponho como meta um sistema de
preços de 8-10x, o que significa que um produto de 100
dólares não pode me custar mais do que algo entre 10 e
12,50.[7] Se eu tivesse usado o sistema recomendado de
5x com o BrainQUICKEN, teria falido em seis meses,
graças a fornecedores desonestos e a revistas atrasadas.
A margem de lucro salvou o produto e, depois de 12
meses, gerava até 80 mil dólares por mês.
No entanto, preço alto tem limite. Se o preço por
unidade estiver acima de determinado ponto, clientes
potenciais precisam falar com alguém ao telefone antes
que fiquem confortáveis o bastante para efetuar a
compra. Isso é contra-indicado em nossa dieta de
pouca informação.
Descobri que uma faixa de preço entre 50 e 200
dólares por venda produz o maior lucro para o menor
trabalho de atendimento ao consumidor. Coloque um
preço alto e depois justifique.
Seu produto não deve levar mais do que 3 ou 4 semanas para ser fabricado.
Isto é extremamente importante para manter os
preços baixos e para adaptar-se à demanda de vendas
sem precisar de estoques antecipados. Eu não almejaria trabalhar com qualquer produto que levasse mais de 3
ou 4 semanas para ser fabricado, e recomendo um
prazo máximo de uma ou duas semanas do pedido à
entrega ao consumidor.
Como saber quanto tempo leva a fabricação de um
produto?
Contate fabricantes que sejam especializados no tipo
de produto que você cogita vender:
http://www.thomasnet.com/. Ligue para um fabricante
da lista (por exemplo, cestas de lixo) se precisar de
uma referência para um determinado fabricante que
você não consegue definir (por exemplo, soluções para
limpeza de banheiros). Ainda não deu certo? Busque no
Google diferentes sinônimos para o seu produto junto
com “organização” e “associação” para entrar em
contato com as federações industriais corretas. Peça a
eles referências para contratar fabricantes e também
pelos nomes das revistas específicas da área, que
frequentemente contêm anúncios desses fabricantes e
outros prestadores de serviços na área, de que você
precisará posteriormente em sua arquitetura virtual.
Peça orçamentos dos fabricantes para garantir que
seu preço estipulado é viável. Determine o custo por
unidade para 100, 500, 1000 e 5000 unidades.
Seu produto deve ser totalmente explicável em
um bom FAQ[8]on-line.
Foi aqui onde mais me compliquei com minha
escolha de produto pelo BrainQUICKEN.
Ainda que produtos consumíveis tenham
possibilitado minha vida de NR, eu não desejo isso para
ninguém. Por que não? Você recebe mil perguntas de
cada cliente: Posso comer bananas juntamente com seu
produto? Ele me dará gases durante o jantar? E por aí
vai, ad nauseam. Escolha um produto que seja
totalmente explicável em um bom FAQ on-line. Senão,
uma simples viagem em que você tente esquecer o
trabalho se tornará bastante difícil, ou você gastará
uma fortuna com call centers.
Compreendendo esses critérios, uma pergunta
permanece: “Como alguém consegue um bom produto,
uma ‘musa’, que satisfaça os clientes?”. Há três
opções, que serão descritas em ordem crescente de
recomendação.
Opção 1: Revender um produto escobrir um produto existente para distribuir e
D revendê-lo é o caminho mais fácil e também o menos lucrativo. É o mais rápido para se começar, mas também o primeiro a se extinguir devido à
concorrência com outros revendedores. A vida lucrativa
de cada produto é curta, a menos que um acordo de
exclusividade evite que outros também o vendam.
Revender, no entanto, é uma excelente opção para
produtos secundários, back-end,[9] que podem ser
vendidos para consumidores existentes ou em venda
cruzada[10] para novos consumidores via on-line ou via
telefone. Para vender como distribuidor, siga estes
passos:
1. Contate o fabricante e peça uma “lista de preços de
atacado” (normalmente, 40% de desconto sobre o
preço do varejo) e as condições.
2. Se for preciso apresentar os números de registro de
sua empresa, imprima os formulários no site da
Secretaria da Fazenda local e faça o registro de uma
microempresa, o que não é caro.
NÃO compre produto nenhum até que tenha
completado o passo 3 deste capítulo. É o bastante para este ponto confirmar a margem de lucro e produzir
fotos do produto e literatura de vendas. Isso é revenda.
Nada muito além disso.
Opção 2: Licenciar um produto
“Eu não apenas uso o cérebro que tenho,
mas todos os que consigo tomar emprestado.”
WOODROW WILSON
A lgumas das marcas e produtos mais conhecidos do mundo foram adquiridas de alguém em algum
outro lugar.
A base do energético Red Bull vem de um tônico
tailandês e os Smurfs foram trazidos da Bélgica.
Pokémon veio da terra da Honda. A banda KISS ganhou
milhões com vendas de discos e shows, mas grande
parte dos lucros que tiveram foi com licenciamento –
dar a terceiros o direito de produzir centenas de
produtos com seus nome e imagem, em troca de uma
parte dos lucros.
Há duas partes envolvidas em um acordo de
licenciamento, e um membro dos Novos Ricos pode ser
um ou outro. Em primeiro lugar, há o inventor do
produto,[11] chamado “licenciador”, que pode vender a
outros o direito de fabricar, usar ou vender o seu
produto, normalmente em troca de algo entre 3 e 10%
do preço de distribuição (normalmente com 40% de
desconto sobre o preço do varejo) de cada unidade
vendida. Invente, deixe alguém fazer o resto e conte os
tostões. Nada mal.
O outro lado da equação é a pessoa interessada em
fabricar e vender o produto de um inventor em troca de
90 a 97% do lucro: o licenciado. Isso é, para mim e
para a maior parte dos NR, muito mais interessante.
O licenciamento é, no entanto, extremamente
exigente para ambos os lados e, por si só, uma ciência.
Uma negociação criativa de contratos é essencial e a
maior parte dos leitores encontrará problemas em sua
primeira experiência. Para estudos de casos reais, em
ambos os lados, indo de Teddy Ruxpin a Tae-Bo, e
modelos completos de acordos, com valores
atualizados, visite www.fourhourworkweek.com. De
como vender invenções sem protótipos ou patentes a
como garantir seus direitos com produtos, sendo um
iniciante sem renome, está tudo lá. A ciência
econômica é fascinante e os lucros podem ser
impressionantes.
Enquanto isso, focaremos na opção menos
complicada e mais lucrativa disponível para todas as
pessoas: a criação de produtos.
Opção três: Criar um produto
“A criação é um meio melhor de auto-expressão do que a posse;
é através do criar, e não do ter,
que a vida se revela.”
VIDA D. SCUDDER,
The Life of the Spirit in the Modern English Poets
C riar um produto não é complicado. “Criar” parece envolver mais coisas do que
realmente ocorre. Se a ideia for de um produto físico –
uma invenção, é possível contratar engenheiros
mecânicos ou designers industriais em www.elance.com
para desenvolver um protótipo baseado em sua
descrição de função e aparência, que será levado para o
fabricante contratado. Se você encontrar um produto
genérico e em estoque, produzido por um fabricante
terceirizado, que possa ser redefinido ou reposicionado
para um mercado especial, é ainda mais fácil: faça com
que eles produzam e colem o seu rótulo no produto e pronto – produto novo. Esse segundo exemplo é
normalmente chamado de “etiquetagem particular”.
Você já viu uma clínica de quiroprática com sua própria
linha de vitaminas, ou a marca Kirkland no Costco? É a
etiquetagem particular em ação.
É verdade que estaremos testando a resposta do
mercado antes de fabricar, mas, se o teste for bem-
sucedido, fabricar será o próximo passo. Isso significa
que precisamos ter em mente os custos de preparação,
custos por unidade e a menor quantidade possível em
um pedido. Dispositivos e engenhocas inovadoras são
ótimos, mas frequentemente precisarão de ferramentas
específicas para serem fabricados, o que torna o custo
de preparação alto demais para cumprir nossos
critérios.
Deixando de lado artefatos mecânicos e esquecendo
engenharias e soldas, há uma categoria de produtos
que cumpre todos os nossos requisitos, possui um
tempo de fabricação de menos de uma semana, em
quantidades pequenas, e quase sempre permite não só
um sistema de preços de 8-10x, mas um sistema de
20-50x.
Não, não é heroína nem trabalho escravo. Isso
envolve muito suborno e muita interação humana.
Informação.
Produtos de informação são baratos, rápidos de
serem fabricados e leva tempo para os concorrentes
copiarem. Considere que os produtos que não são de
informação que mais vendem em infomerciais – sejam
suplementos alimentares ou equipamentos de ginástica
– possuem uma vida útil de dois a quatro meses antes
que os imitadores inundem o mercado. Estudei
economia em Pequim por seis meses e observei em
primeira mão como o último modelo de um tênis Nike
ou um taco de golfe Callaway pode ser duplicado e
disponibilizado no eBay uma semana depois de ter
despontado nas prateleiras nos Estados Unidos. Isso
não é exagero, e não estou falando de um produto
parecido – estou falando de uma réplica exata por 1/20
do preço.
Informação, por outro lado, leva tempo demais para
os “artistas” copiarem, quando há produtos muito
mais fáceis de serem replicados. É mais fácil contornar
uma patente do que parafrasear um livro inteiro para
evitar infringir a propriedade intelectual. Três dos
produtos mais bem-sucedidos na televisão em todos os
tempos – todos eles passaram mais de 300 semanas na
lista dos 10 infomerciais que mais vendem – refletem a vantagem em competitividade e em margem de lucro
dos produtos de informação.
No Down Payment (Carlton Sheets)
Attacking Anxiety and Depression (Lucinda Bassett)
Personal Power (Tony Robbins)
Fiquei sabendo, por conversas com o principal dono
de um dos produtos acima, que informações valendo
mais de 65 milhões de dólares passaram por suas
portas em 2002. Sua infraestrutura consistia em menos
de 25 operadores, e o resto da infraestrutura, da
compra de espaços em propaganda ao setor de
embarques, era terceirizado.
Sua receita anual por empregado é superior a 2,7
milhões de dólares. Incrível.
No lado oposto do espectro de tamanho de mercado,
conheço um homem que criou um DVD instrutivo, de
baixo orçamento, por menos de 200 dólares, que
vendeu para donos de depósitos que gostariam de
instalar sistemas de segurança. É difícil conseguir um
nicho mais específico. Em 2001, vendendo DVDs que
custam 2 dólares para reproduzir e são vendidos por 95 dólares, ele ganhou centenas de milhares de dólares
sem ter nenhum empregado.
Mas eu não sou expert!
S e você não é um expert, não fique ansioso. Em primeiro lugar, “expert” no contexto de
vender um produto significa que você sabe mais sobre
o assunto do que o comprador. Nada além disso. Não é
necessário ser o melhor – apenas melhor do que um
pequeno número-alvo de clientes em potencial.
Suponhamos que seu sonho atual – competir na
corrida de 1150 milhas em trenós puxados por cães, em
Iditarod, no Alasca – exija 5 mil dólares para ser
realizado. Se houver 15 mil leitores e se pelo menos 50
(0,003%) puderem ser convencidos de seu
conhecimento superior no assunto X e gastarem 100
dólares por um programa que os ensine, isso significa
que você terá 5 mil dólares. Prepare os cães. Esses 50
clientes são o que chamo de “base mínima de
clientes”– o menor número de clientes que você
precisa convencer de sua expertise para atingir
determinado objetivo.
Em segundo lugar, o status de expert pode ser criado
em menos de quatro semanas se você entender os
indicadores básicos de credibilidade e o que as pessoas
estão condicionadas a aceitar como prova de
conhecimentos superiores. Veja o quadro mais adiante
neste capítulo para aprender como. O caminho para
você conseguir seu status de expert, e o tamanho
necessário desse status, depende de como você obterá
seu conteúdo. Há três opções principais.
1. Crie você mesmo o conteúdo, frequentemente
parafraseando e combinando pontos de vários
livros sobre determinado assunto.
2. Adapte conteúdo em domínio público, e por isso
não sujeito à proteção de direitos autorais, como
documentos governamentais e materiais que sejam
anteriores à lei moderna de direitos autorais.
3. Licencie conteúdo ou pague um expert para ajudá-lo
a criar. Os pagamentos podem ser únicos e
adiantados ou baseados em royalties (5-10% do
lucro líquido, por exemplo).
Se você escolher a opção 1 ou 2, precisará de um
status de expert diante de um mercado limitado.
Assumamos que você seja um corretor de imóveis e
tenha determinado que, como você, a maior parte dos
corretores deseja ter um site simples mas bom para
divulgar-se e promover seus negócios. Se você ler e
entender os três livros mais vendidos sobre design de
home pages, saberá mais sobre o assunto do que 80%
dos leitores de uma revista voltada para corretores. Se
puder resumir o conteúdo e fazer recomendações
específicas para o mercado de imóveis, um retorno de
0,5-1,5% de um anúncio colocado na revista não é
absurdo de se esperar.
Use as perguntas a seguir para pensar em guias em
potencial ou em produtos informativos que possam ser
vendidos para os seus mercados utilizando a sua
expertise ou uma expertise emprestada. Busque uma
combinação de formatos que justifique um preço de 50
a 200 dólares, como uma combinação de dois CDs (30 a
90 minutos cada), uma transcrição de 40 páginas dos
CDs e um Guia Rápido de 10 páginas.
1. Como talhar uma habilidade geral para seu
mercado – o que chamo de “niching down” – ou
como adicionar algo ao que é vendido com sucesso
nas suas revistas-alvo? Pense em restringir e
aprofundar em vez de alargar o campo.
2. Em quais habilidades você está interessado e pelas
quais você – e outros como você – pagaria para
aprender? Torne-se um expert nessa habilidade e
então crie um produto para ensiná-la. Se você
precisar de ajuda ou quiser acelerar o processo,
considere a próxima questão.
3. Que experts você poderia entrevistar e gravar para
criar um CD de áudio vendável? Essas pessoas não
precisam ser as melhores, apenas melhores do que
a maioria. Ofereça a elas uma cópia digital da
entrevista para fazerem o que quiserem (isso
normalmente é o bastante) e/ou ofereça um
pequeno adiantamento ou um pagamento baseado
em royalties. Use Skype.com com o HotRecorder
(mais dessas e outras ferramentas em “Truques e
ferramentas”) para gravar as conversas
diretamente em seu PC e envie o arquivo mp3 para
um serviço on-line de transcrição.
4. Você tem alguma história “do fracasso ao sucesso”
que possa ser transformada em um produto
informativo para outras pessoas? Considere os
problemas que você superou em sua vida, sejam
profissionais ou pessoais.
A construção de um expert:
como se tornar um expert em 4
semanas
É hora de destruir o culto ao expert. E o mundo do RP que me
despreze.
Antes de mais nada, há uma diferença entre ser reconhecido
como um expert e ser um. No contexto dos negócios, o primeiro é o
que vende produtos e o segundo, em relação à sua “base mínima de
clientes”, é o que cria bons produtos e evita devoluções.
Mesmo que você saiba tudo o que se pode saber sobre um
assunto – medicina, por exemplo –, se você não tiver um “dr.” antes
de seu nome, poucos darão atenção. O “dr.” é o que chamo de
“indicador de credibilidade”. O “expert” com mais indicadores de
credibilidade é quem vende mais produtos, e não aquele com o
maior conhecimento sobre determinado assunto.
Então como conseguimos adquirir indicadores de credibilidade
no menor tempo possível?
Uma amiga minha levou apenas três semanas para se tornar
“uma das maiores experts em relacionamentos que, como saiu na Glamour e em outras publicações nacionais, aconselhou executivos
das 500 maiores empresas do país sobre como melhorar suas
relações pessoais e profissionais em 24 horas ou menos”. Como fez
isso?
Ela seguiu alguns poucos passos simples que criaram um efeito
de bola de neve em sua credibilidade. Eis aqui como você pode fazer
o mesmo.
1. Inscreva-se em duas ou três associações ligadas à área que
você deseja que tenham um nome que soe como oficial. No seu
caso, ela escolheu a Associação para a Resolução de Conflitos
(www.acrnet.org) e a Fundação Internacional para a Educação de
Gênero (www.ifge.org). Isso pode ser feito em cinco minutos na
Internet com um cartão de crédito.
2. Leia os três livros mais vendidos sobre seu assunto de
interesse (pesquise o histórico das listas de mais vendidos no site do
New York Times) e resuma cada um em uma página.
3. Ministre um seminário gratuito de uma a três horas em
uma universidade renomada próxima, usando cartazes para divulgar.
Em seguida, faça o mesmo em braços locais de duas empresas
conhecidas (AT&T, IBM, etc.). Diga à empresa que você ministrou
seminários na Universidade X ou na Faculdade X e que é um membro
dos grupos do passo 1. Enfatize que você está oferecendo esses seminários gratuitamente para adquirir mais experiência em falar em
público fora do meio acadêmico e que não venderá produtos ou
serviços. Grave os seminários de dois ângulos diferentes para poder
usar as imagens em um futuro CD ou DVD.
4. Opcional: Ofereça-se para escrever um ou dois artigos para
revistas comerciais ligadas à sua área, citando o que você fez nos
passos 1 e 3, para ganhar credibilidade. Se recusarem, ofereça-se
para entrevistar um especialista conhecido e escrever a matéria –
isso fará com que seu nome seja listado pelo menos como
colaborador.
5. Entre para o ProfNet, um serviço usado por jornalistas para
encontrar experts para citar em matérias. Estabelecer RP é simples se
você parar de gritar e começar a ouvir. Use os passos 1, 3 e 4 para
demonstrar credibilidade e uma pesquisa on-line para responder a
perguntas de jornalistas. Se feito corretamente, isso fará com que
você apareça na mídia, de pequenos jornais locais ao New York
Times e ABC News.
Tornar-se um expert reconhecido não é difícil, de modo que
quero eliminar as barreiras.
Não estou recomendando que alguém finja ser o que não é. Eu
não poderia fazer isso! “Expert” é uma expressão midiática nebulosa
e tão exageradamente usada quanto indefinível. Nos termos das
modernas relações públicas, provas de expertise são afiliações em grupos, listas de clientes, créditos em textos e menções na mídia, e
não pontos de QI ou ph.Ds.
Apresentar a verdade sob a melhor luz, mas não a fabricar, é o
nome do jogo.
Te vejo na CNN.
• Perguntas e ações •
P ara este capítulo prático, as perguntas e ações são simples.
Na verdade, é apenas uma pergunta: “Você leu o
capítulo e seguiu as instruções?”. Se não, faça isso. Em
vez das perguntas e ações normais, o final deste
capítulo e dos dois seguintes trarão mais recursos para
realizar as ações descritas em detalhes no texto.
• Desafiando o conforto •
Encontrar Yoda (3 dias)
Ligue para pelo menos um mentor que seja um
superstar por dia, por três dias. Só mande e-mails
depois de tentar ligar. Recomendo ligar antes de 8h30 ou depois de 18h para diminuir conversinhas com
secretárias e outros guardiões. Tenha uma única
pergunta na cabeça, uma que você pesquisou, mas não
conseguiu responder sozinho. Tente figurões – CEOs,
empresários muito bem-sucedidos, autores famosos,
etc. – e não tente figuras menores para ser menos
assustador. Use www.contactanycelebrity.com se
precisar e baseie seu roteiro no seguinte.
Atendente: Acme Inc. [ou “a empresa do Mentor X”],
boa tarde.
Você: Oi, aqui é Tim Ferriss e eu gostaria, por favor,
de falar com John Grisham.[12]
Atendente: Do que se trata?
Você: Isso pode parecer um pouco estranho,[13] mas
eu sou um escritor de primeira viagem e acabei de
ler sua entrevista no Time Out New York.[14] Sou um
fã de longa data[15] e finalmente tive coragem[16]
para ligar para ele em busca de um conselho
específico. Não vou tomar mais do que dois minutos
do tempo dele. Será que você poderia me ajudar de
alguma forma a falar com ele?[17] Eu realmente
ficaria muito grato pelo que você porventura possa
fazer.
Atendente: Hmmm... Só um minuto. Deixe-me ver se
ele pode atender. [Dois minutos depois.] Pronto. Boa
sorte. [Transfere a chamada.]
John Grisham: John Grisham falando.
Você: Olá, sr. Grisham. Meu nome é Tim Ferriss. Sei
que pode parecer um pouco estranho, mas sou um
escritor de primeira viagem e um fã de longa data
do seu trabalho. Acabei de ler sua entrevista no Time
Out New York e finalmente criei coragem para ligar.
Sempre quis lhe pedir um conselho específico, e isso
não deve tomar mais do que dois minutos do seu
tempo. Posso?[18]
John Grisham: Hã… Ok. Vá em frente. Eu tenho um
compromisso em alguns minutos.
Você (ao final do telefonema) : Muito obrigado por ser
tão generoso com seu tempo. Se tiver uma eventual
dúvida – muito eventual – há alguma chance de eu
manter contato via e-mail?[19]
PROJETO DE VIDA NA PRÁTICA
Sobre a lua
Minha filha de 13 anos quer ser astronauta quando crescer. No
ano passado ela teve de enfrentar um grande desafio. A frase “Fracasso não é uma opção”, do filme Apolo 13, tornou-se uma
espécie de lema para nós. Tive a ideia de entrar em contato com o
comandante da Apolo 13, Jim Lovell. Não demorei muito a encontrá-
lo e ele enviou uma carta maravilhosa para minha filha contanto
todo o seu suplício só para entrar para o programa Apolo, sem falar
das falhas da espaçonave. A carta foi muito importante para minha
filha. Alguns meses depois fomos um pouco além e conseguimos
acesso VIP para assistir ao lançamento de uma nave espacial.
− Rob
• Truques e ferramentas •
Para confirmar um tamanho suficiente do mercado
Compete (www.compete.com) e
Quantcast (www.quantcast.com)
Encontre o número de pessoas que visita mensalmente
a maioria dos sites, além de fazer uma busca pelos
termos que geram mais tráfego para os sites.
Writer’s Market (www.writersmarket.com)[20]
Aqui você encontrará uma lista de milhares de revistas
específicas, incluindo as respectivas tiragens e
telefones para assinatura. Eu prefiro a versão impressa.
Spyfu (www.spyfu.com)
Para fazer o download dos gastos dos concorrentes com
publicidade, palavras-chave e detalhes sobre as
adwords. Gastos repetidos e consistentes geralmente
indicam publicidade bem-sucedida e retorno do
investimento.
Standard Rate and Data Services (www.srds.com)
Confira esse recurso para listas anuais de revistas e
empresas com mailing lists de clientes para alugar. Se
você está cogitando criar um vídeo instrutivo sobre
caça de patos, primeiro confira o tamanho das listas de
assinantes das revistas sobre armas de caças e outras
revistas relacionadas. Use a versão impressa nas
bibliotecas em vez de pagar por um acesso on-line um
tanto confuso.
Para encontrar fábricas ou produtos para revender
A liate Networks: Clickbank
(www.clickbank.com),
Commission Junction (www.cj.com),
Amazon Associates (www.amazon.com/associates)
Nada de estoque ou faturas. Experimentar produtos ou
categorias por meio de redes de afiliadas como
Clickbank ou Commission Junction, que pagam, entre
10% e 75% em cada compra, é um método rápido para
testar um conceito usando produtos similares.
Geralmente vale a pena criar contas em ambas só para
ver como os itens mais vendidos estão sendo
comercializados e promovidos.
A média das comissões da Amazon Associates varia
entre 7% e 10%, mas os livros mais vendidos são
excelentes para testar os mercados para produtos
informativos mais elaborados. Para todos os sites
apresentados acima: não entre em guerra de preços
contra outras afiliadas usando palavras-chave caras ou
marcas superexpostas. Descubra um nicho ou vá à
falência.
Alibaba (www.alibaba.com)
Com sede na China, o Alibaba é o maior mercado
empresarial do mundo. De MP3 por 9 dólares a vinhos
tintos por 2 dólares a garrafa, esse site é a fonte. Se
eles não fazem algo, provavelmente não pode ser feito
por mais ninguém.
Worldwide Brands (www.fourhourblog.com/wwb)
Oferece um extenso guia para encontrar fabricantes
dispostos a enviar os produtos diretamente para seus
clientes, permitindo que você economize com estoques
adquiridos previamente. É aqui que usuários da
Amazon e do eBay encontram não apenas fornecedores,
mas também atacadistas e liquidatários. Shopster
(www.fourhourblog.com/shopster) também é uma
opção popular, com mais de um milhão de produtos
para entrega via dropshipping.
Thomas’s Register of Manufacturers
(www.thomasnet.com) (800-699-9822)
Esse é um banco de dados com serviço de busca de
fabricantes de todos os produtos imagináveis, de
roupas íntimas a alimentos, passando por peças de
avião.
Eletrônicos, DVDs e livros
www.ingrambook.com, www.techdata.com
Veja esses dois sites se estiver em busca de eletrônicos,
DVDs ou livros.
Equipamentos e utensílios domésticos
www.housewares.org,
www.nationalhardwareshow.com
(847-292-4200)
Sites de equipamentos e utensílios domésticos. Pense
também em visitar feiras locais ou estaduais.
Produtos vitamínicos e consumíveis
www.expoeast.com, www.expowest.com
Veja esses sites se estiver em busca de produtos
vitamínicos e consumíveis.
Para encontrar informação em domínio público
para retrabalhar
Assegure-se de conversar com um advogado
especializado em propriedade intelectual antes de usar
material aparentemente em domínio público. Se
alguém modificar 20% de um trabalho em domínio
público (complementando com resumos ou notas, por
exemplo), seu “novo” trabalho completo poderá ser
protegido por direitos autorais. Usá-lo sem permissão
poderia ser, então, uma infração punível. Os detalhes
deixam qualquer um confuso. Faça a pesquisa você
mesmo, mas peça o olhar de um profissional sobre
seus achados antes de prosseguir com o
desenvolvimento de um produto.
Projeto Gutenberg (www.gutenberg.org)
O Projeto Gutenberg é uma biblioteca digital com mais
de 15 mil peças de literatura consideradas em domínio
público.
LibriVox (www.librivox.org)
LibriVox é uma coleção de audiobooks em domínio
público, disponíveis para download gratuito.
Para gravar entrevistas telefônicas com experts para produtos em CD
HotRecorder (www.hotrecorder.com)
HotRecorder grava qualquer chamada telefônica
originada ou recebida por um computador, e pode ser
usado em conjunto com o Skype (www.skype.com) e
com outros programas.
NoCost Conference (www.nocostconference.com)
Oferece uma linha gratuita 0800, além de gravação e
recuperação de arquivos. Telefones normais podem ser
usados, por isso não há necessidade de computador ou
conexão com a internet. Se você pretende se valer de
um questionário, sugiro solicitar as perguntas com antecedências para os participantes para evitar
problemas com emudecimento das linhas.
Jing Project (www.jingproject.com) e
Dim Dim (www.dimdim.com)
Se quiser fazer gravações para tutoriais em vídeo, esses
dois programas gratuitos dão conta do recado. Se
precisar de edição, o irmão mais velho do Jing,
Camtasia, é o padrão da indústria (www.camtasia.com).
Para licenciar ideias para outros em troca de
royalties
InventRight (www.inventright.com) (800-701-
7993)
Stephen Key é o inventor de sucesso mais consistente
que já conheci, com milhões de dólares em royalties
recebidos de empresas como Disney, Nestlé e Coca-
Cola. Ele não trabalha com alta tecnologia, mas
especializou-se em criar produtos simples sobre coisas
já existentes e então licenciar (alugar) suas ideias para
grandes empresas. Ele chega com a ideia, faz uma
patente preventiva por menos de 200 dólares e deixa
que outra empresa faça o trabalho enquanto ele conta o
dinheiro que recebe. Esse site apresenta seu sistema à prova de falhas para fazer o mesmo. Suas técnicas para
buscar inspiração são inestimáveis. Altamente
recomendado.
Guthy-Renker Corporation
(www.guthyrenker.com)
GRC é a grande empresa de informerciais. Ela vende
mais de 1,3 bilhão de dólares por ano com megahits
como Tony Robbins, Proactiv Solution e Windsor
Pilares. Não espere mais de 2 a 4% de royalties, mas os
números são grandes o bastantes para fazer valer a
pena dar uma olhada. Envie seu produto on-line.
Para transformar patentes de ideias inexploradas em produtos
Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos
(www.uspto.gov) (800-786-9199)
www.autm.net
Para tecnologias licenciáveis desenvolvidas em
universidades, clique em “view all listings” no menu
“Technology Transfer O ces”.
www.uiausa.org/
Associações e grupos de inventores, ligue e
pergunte se os membros possuem algo para ser
licenciado.
Para se tornar um expert
ProfNet via PR Leads
(www.prleads.com/discountpage) e HARO
(www.helpareporterout.com)
Receba informativos diários de jornalistas procurando
por experts para citar ou entrevistar para suas matérias,
variando de jornais locais à CNN e ao New York Times.
Pare de nadar contra a corrente e comece a responder
às histórias nas quais já há pessoas trabalhando.
Mencione meu nome e ganhe dois meses pelo preço de
um.
HARO oferece gratuitamente informativos
selecionados.
PRWeb Press Releases (www.prwebdirect.com)
O press release não funciona na maioria dos casos, mas
o uso deste serviço traz muitos benefícios em relação a
ferramentas de pesquisa, como aparecer no topo dos
resultados do Yahoo! e Google News.
ExpertClick (www.expertclick.com)
Esse é outro segredo dos profissionais de RP. Crie um
perfil de expert visível em um diretório de mídia, receba
um banco de dados atualizado de contatos importantes
na mídia e mande informativos para 12 mil jornalistas,
tudo em um único site, com mais de 5 milhões de
visitas por mês. Foi assim que cheguei à NBC e acabei
desenvolvendo um programa de TV no horário nobre.
Funciona. Mencione meu nome ao telefone, ou use
“Tim Ferriss $100” on-line para ganhar um desconto
de 100 dólares.
PROJETO DE VIDA NA PRÁTICA
Bon Jour, Tim.
Eu estava na Barnes & Noble no último sábado, 25 de abril,
esperando um funcionário me trazer um livro (Trópico de Câncer,
caso queira saber). Enquanto esperava, vi um exemplar de Trabalhe 4
horas por semana em cima do balcão. Eu me aproximei do livro e
comecei a ler. Como você pode imaginar, pedi ao funcionário que me
trouxesse um exemplar do seu livro. Ainda não terminei de ler Trópico
de Câncer, mas seu livro...
Na segunda-feira recebi “sim” como resposta quando perguntei
ao meu chefe se poderia trabalhar remotamente duas vezes por
semana. Começo na semana que vem. Também na segunda reservei o apartamento mais incrível de Paris para o mês de setembro, pela
metade do aluguel que pago no sul da Califórnia. Planejo aumentar
o tempo de trabalho remoto até agosto para poder me afastar em
setembro sem problemas, mantendo o trabalho remoto. Se a
resposta for não (algo que eu duvido), estou preparada para pedir
demissão.
Agora estou trabalhando no meu projeto de Receita no piloto
automático.
Tim: é incrível. Minha vida mudou em três dias. (Além disso, seu
livro é divertido pra caramba.) Muito obrigada!!!
− Cindy Frankey