Via Láctea
Capítulo XV
Inda hoj e, o livro do passado abrindo,
Lem bro-as e punge-m e a lem brança delas;
Lem bro-as, e vej o-as, com o as vi partindo,
Estas cantando, soluçando aquelas.
Um as, de m eigo olhar piedoso e lindo,
Sob as rosas de neve das capelas;
Outras, de lábios de coral, sorrindo,
Desnudo o seio, lúbricas e belas...
Todas, form osas com o tu, chegaram ,
Partiram ... e, ao partir, dentro em m eu seio
Todo o veneno da paixão deixaram .
Mas, ah! Nenhum a teve o teu encanto,
Nem teve olhar com o esse olhar, tão cheio
De luz tão viva, que abrasasse tanto!
XVI
Lá fora, a voz do vento ulule rouca!
Tu, a cabeça no m eu om bro inclina,
E essa boca verm elha e pequenina
Aproxim a, a sorrir, de m inha boca!
Que eu a fronte repouse ansiosa e louca
Em teu seio, m ais alvo que a neblina
Que, nas m anhãs hiem ais, úm ida e fina,
Da serra as grim pas verdej antes touca!
Solta as tranças agora, com o um m anto!
Canta! Em bala-m e o sono com teu canto!
E eu, aos raios tranqüilos desse olhar,