Via Láctea

Olavo Bilac · Capítulo 8 de 19

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Via Láctea

Capítulo XV

 

Inda hoj e, o livro do passado abrindo,

Lem bro-as e punge-m e a lem brança delas;

Lem bro-as, e vej o-as, com o as vi partindo,

Estas cantando, soluçando aquelas.

Um as, de m eigo olhar piedoso e lindo,

Sob as rosas de neve das capelas;

Outras, de lábios de coral, sorrindo,

Desnudo o seio, lúbricas e belas...

Todas, form osas com o tu, chegaram ,

Partiram ... e, ao partir, dentro em m eu seio

Todo o veneno da paixão deixaram .

Mas, ah! Nenhum a teve o teu encanto,

Nem teve olhar com o esse olhar, tão cheio

De luz tão viva, que abrasasse tanto!

 

XVI

 

Lá fora, a voz do vento ulule rouca!

Tu, a cabeça no m eu om bro inclina,

E essa boca verm elha e pequenina

Aproxim a, a sorrir, de m inha boca!

Que eu a fronte repouse ansiosa e louca

Em teu seio, m ais alvo que a neblina

Que, nas m anhãs hiem ais, úm ida e fina,

Da serra as grim pas verdej antes touca!

Solta as tranças agora, com o um m anto!

Canta! Em bala-m e o sono com teu canto!

E eu, aos raios tranqüilos desse olhar,