Via Láctea

Olavo Bilac · Capítulo 19 de 19

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Via Láctea

Capítulo XXXIV

 

Quando adivinha que vou vê-la, e à escada

Ouve-m e a voz e o m eu andar conhece,

Fica pálida, assusta-se, estrem ece,

E não sei por que foge envergonhada.

Volta depois. À porta, alvoroçada,

Sorrindo, em fogo as faces, aparece:

E talvez entendendo a m uda prece

De m eus olhos, adianta-se apressada.

Corre, delira, m ultiplica os passos;

E o chão, sob os seus passos m urm urando,

Segue-a de um hino, de rum or de festa...

E ah! que desej o de a tom ar nos braços,

O m ovim ento rápido sustando

Das duas asas que a paixão lhe em presta

 

XXXV

 

Pouco m e pesa que m ofeis sorrindo

Destes versos puríssim os e santos:

Porque, nisto de am or e íntim os prantos,

Dos louvores do público prescindo.

Hom ens de bronze! um haverá, de tantos,

(Talvez um só) que, esta paixão sentindo,

Aqui dem ore o olhar, vendo e m edindo

O alcance e o sentim ento destes cantos.

Será esse o m eu público. E, decerto,

Esse dirá: “Pode viver tranqüilo

Quem assim am a, sendo assim am ado!”

E, trêm ulo, de lágrim as coberto,

Há de estim ar quem lhe contou aquilo

Que nunca ouviu com tanto ardor contado.

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Olavo Bilac

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