Via Láctea
Capítulo XXVII
Ontem – néscio que fui! - m aliciosa
Disse um a estrela, a rir, na im ensa altura:
“Am igo! um a de nós, a m ais form osa
De todas nós, a m ais form osa e pura,
Faz anos am anhã... Vam os! procura
A rim a de ouro m ais brilhante, a rosa
De cor m ais viva e de m aior frescura!”
E eu m urm urei com igo: “Mentirosa!”
E segui. Pois tão cego fui por elas,
Que, enfim , curado pelos seus enganos,
Já não creio em nenhum a das estrelas...
E – m al de m im ! – eis-m e, a teus pés, em pranto...
Olha: se nada fiz para os teus anos,
Culpa as tuas irm ãs que enganam tanto!
XXVIII
Pinta-m e a curva destes céus... Agora,
Erecta, ao fundo, a cordilheira aprum a:
Pinta as nuvens de fogo de um a em um a,
E alto, entre as nuvens, o raiar da aurora.
Solta, ondulando, os véus de espessa brum a,
E o vale pinta, e, pelo vale em fora,
A correnteza túrbida e sonora
Do Paraíba, em torvelins de espum a.
Pinta; m as vê de que m aneira pintas...
Antes busques as cores da tristeza,
Poupando o escrínio das alegres tintas: