Via Láctea
Capítulo XVII
Possa dorm ir sereno, com o o rio
Que, em noites calm as, sossegado e frio,
Dorm e aos raios de prata do luar!...
XVII
Por estas noites frias e brum osas
É que m elhor se pode am ar, querida!
Nem um a estrela pálida, perdida
Entre a névoa, abre as pálpebras m edrosas...
Mas um perfum e cálido de rosas
Corre a face da terra adorm ecida...
E a névoa cresce, e, em grupos repartida,
Enche os ares de som bras vaporosas:
Som bras errantes, corpos nus, ardentes
Carnes lascivas... um rum or vibrante
De atritos longos e de beij os quentes...
E os céus se estendem , palpitando, cheios
Da tépida brancura fulgurante
De um turbilhão de braços e de seios.
XVIII
Dorm es... Mas que sussuro a um edecida
Terra desperta? Que rum or enleva
As estrelas, que no alto a Noite leva
Presas, luzindo, à túnica estendida?
São m eus versos! Palpita a m inha vida
Neles, falenas que a saudade eleva
De m eu seio, e que vão, rom pendo a treva,
Encher teus sonhos, pom ba adorm ecida!