Via Láctea

Olavo Bilac · Capítulo 9 de 19

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Via Láctea

Capítulo XVII

Possa dorm ir sereno, com o o rio

Que, em noites calm as, sossegado e frio,

Dorm e aos raios de prata do luar!...

 

XVII

 

Por estas noites frias e brum osas

É que m elhor se pode am ar, querida!

Nem um a estrela pálida, perdida

Entre a névoa, abre as pálpebras m edrosas...

Mas um perfum e cálido de rosas

Corre a face da terra adorm ecida...

E a névoa cresce, e, em grupos repartida,

Enche os ares de som bras vaporosas:

Som bras errantes, corpos nus, ardentes

Carnes lascivas... um rum or vibrante

De atritos longos e de beij os quentes...

E os céus se estendem , palpitando, cheios

Da tépida brancura fulgurante

De um turbilhão de braços e de seios.

 

XVIII

 

Dorm es... Mas que sussuro a um edecida

Terra desperta? Que rum or enleva

As estrelas, que no alto a Noite leva

Presas, luzindo, à túnica estendida?

São m eus versos! Palpita a m inha vida

Neles, falenas que a saudade eleva

De m eu seio, e que vão, rom pendo a treva,

Encher teus sonhos, pom ba adorm ecida!