Via Láctea

Olavo Bilac · Capítulo 5 de 19

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Via Láctea

Capítulo X

Falo-te – e com que fogo a voz levanto! –

Em vão... Finges-te surda às m inhas frases...

Surda: e nem ouves m eu am argo pranto!

Cega: e nem vês a nova dor que trazes

À dor antiga que doía tanto!

 

X

 

Deixa que o olhar do m undo enfim devasse

Teu grande am or que é teu m aior segredo!

Que terias perdido, se, m ais cedo,

Todo o afeto que sentes se m ostrasse?

Basta de enganos! Mostra-m e sem m edo

Aos hom ens, afrontando-os face a face:

Quero que os hom ens todos, quando eu passe,

Invej osos, apontem -m e com o dedo.

Olha: não posso m ais! Ando tão cheio

Deste am or, que m inh’alm a se consom e

De te exaltar aos olhos do universo...

Ouço em tudo teu nom e, em tudo o leio:

E, fatigado de calar teu nom e,

Quase o revelo no final de um verso.

 

XI

 

Todos esses louvores, bem o viste,

Não conseguiram dem udar-m e o aspecto:

Só m e turbou esse louvor discreto

Que no volver dos olhos traduziste...

Inda bem que entendeste o m eu afeto