Via Láctea
Capítulo X
Falo-te – e com que fogo a voz levanto! –
Em vão... Finges-te surda às m inhas frases...
Surda: e nem ouves m eu am argo pranto!
Cega: e nem vês a nova dor que trazes
À dor antiga que doía tanto!
X
Deixa que o olhar do m undo enfim devasse
Teu grande am or que é teu m aior segredo!
Que terias perdido, se, m ais cedo,
Todo o afeto que sentes se m ostrasse?
Basta de enganos! Mostra-m e sem m edo
Aos hom ens, afrontando-os face a face:
Quero que os hom ens todos, quando eu passe,
Invej osos, apontem -m e com o dedo.
Olha: não posso m ais! Ando tão cheio
Deste am or, que m inh’alm a se consom e
De te exaltar aos olhos do universo...
Ouço em tudo teu nom e, em tudo o leio:
E, fatigado de calar teu nom e,
Quase o revelo no final de um verso.
XI
Todos esses louvores, bem o viste,
Não conseguiram dem udar-m e o aspecto:
Só m e turbou esse louvor discreto
Que no volver dos olhos traduziste...
Inda bem que entendeste o m eu afeto