Via Láctea

Olavo Bilac · Apêndice

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Via Láctea

I

VIA-LÁCTEA

Olavo Bilac

 

I

 

Talvez sonhasse, quando a vi. Mas via

Que, aos raios do luar ilum inada,

Entre as estrelas trêm ulas subia

Um a infinita e cintilante escada.

E eu olhava-a de baixo, olhava-a... Em cada

Degrau, que o ouro m ais lím pido vestia,

Mudo e sereno, um anj o a harpa dourada,

Ressoante de súplicas, feria...

Tu, m ãe sagrada! Vós tam bém , form osas

Ilusões! sonhos m eus! íeis por ela

Com o um bando de som bras vaporosas.

E, ó m eu am or! eu te buscava, quando

Vi que no alto surgias, calm a e bela,

O olhar celeste para o m eu baixando...

 

II

 

Tudo ouvirás, pois que, bondosa e pura

Me ouves agora com o m elhor ouvido:

Toda a ansiedade, todo o m al sofrido

Em silêncio, na antiga desventura

Hoj e, quero, em teus braços acolhido,

Rever a estrada pavorosa e escura

Onde, ladeando o abism o da loucura,

Andei de pesadelos perseguido.