Via Láctea
Capítulo VI
Não atravessa nunca a luz do dia,
Assim tam bém , da luz do am or privado,
Tinhas o coração erm o o fechado,
Com o a floresta secular, som bria...
Hoj e, entre os ram os, a canção sonora
Soltam festivam ente os passarinhos.
Tinge o cim o das árvores a aurora...
Palpitam flores, estrem ecem ninhos...
E o sol do am or, que não entrava outrora,
Entra dourando a areia dos cam inhos.
V
Dizem todos: “Outrora com o as aves
Inquieta, com o as aves tagarela,
E hoj e... que tens? Que sisudez revela
Teu ar! que idéias e que m odos graves!
Que tens, para que em pranto os olhos laves?
Sê m ais risonha, que serás m ais bela!”
Dizem . Mas no silêncio e na cautela
Ficas firm e e trancada a sete chaves...
E um diz: “Tolices, nada m ais!” Murm ura
Outro: “Caprichos de m ulher faceira!”
E todos eles afinal: “Loucura!”
Cegos que vos cansais a interrogá-la!
Vê-la bastava; que a paixão prim eira
Não pela voz, m as pelos olhos fala.