Via Láctea

Olavo Bilac · Capítulo 18 de 19

Páginas do PDF

Via Láctea

Capítulo XXXIII

- Do seu cabelo o delicado cheiro,

Da sua voz o tim bre prazenteiro,

Tudo do livro sinto que se evola...

Todo o nosso rom ance: - a doce esm ola

Do seu prim eiro olhas, o seu prim eiro

Sorriso, - neste poem a verdadeiro,

Tudo ao m eu triste olhar se desenrola.

Sinto anim ar-se todo o m eu passado:

E quanto m ais as páginas folheio,

Mais vej o em tudo aquele vulto am ado.

Ouço j unto de m im bater-lhe o seio,

E cuido vê-la, plácida, a m eu lado,

Lendo com igo a página que leio.

 

XXXIII

 

Com o quisesse livre ser, deixando

As paragens natais, espaço em fora,

A ave, ao bafej o tépido da aurora,

Abriu as asas e partiu cantando.

Estranhos clim as, longes céus, cortando

Nuvens e nuvens, percorreu: e, agora

Que m orre o sol, suspende o vôo, e chora,

E chora, a vida antiga recordando...

E logo,. O olhar volvendo com pungido

Atrás, volta saudosa do carinho,

Do calor da prim eira habitação...

Assim por largo tem po andei perdido:

- Ah! que alegria ver de novo o ninho,

Ver-te, e beij ar-te a pequenina m ão!