Via Láctea
Capítulo XXII
A
Goethe
Quando te leio, as cenas anim adas
Por teu gênio, as paisagens que im aginas
Cheias de vida, avultam repentinas,
Claram ente aos m eus olhos desdobradas...
Vej o o céu, vej o as serras coroadas
De gelo, e o sol, que o m anto das neblinas
Rom pe, aquecendo as frígidas Cam pinas
E ilum inando os vales e as estradas.
Ouço o rum or soturno da charrua,
E os rouxinóis que, no carvalho erguido,
A voz m odulam de ternuras cheia:
E vej o, à luz tristíssim a da lua,
Herm ann, que cism a, pálido, em bebido
No m eigo olhar da loura Dorotéia.
XXIII
De
Calderón
Laura! dizes que Fábio anda ofendido
E, apesar de ofendido, nam orado,
Buscando a extinta cham a do passado
Nas cinzas frias avivar do olvido.
Vá que o faça, e que o faça por perdido
De am or ... Creio que o faz por despeitado:
Porque o am or, um a vez abandonado,