Via Láctea

Olavo Bilac · Capítulo 12 de 19

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Via Láctea

Capítulo XXII

 

A

Goethe

Quando te leio, as cenas anim adas

Por teu gênio, as paisagens que im aginas

Cheias de vida, avultam repentinas,

Claram ente aos m eus olhos desdobradas...

Vej o o céu, vej o as serras coroadas

De gelo, e o sol, que o m anto das neblinas

Rom pe, aquecendo as frígidas Cam pinas

E ilum inando os vales e as estradas.

Ouço o rum or soturno da charrua,

E os rouxinóis que, no carvalho erguido,

A voz m odulam de ternuras cheia:

E vej o, à luz tristíssim a da lua,

Herm ann, que cism a, pálido, em bebido

No m eigo olhar da loura Dorotéia.

 

XXIII

 

De

Calderón

Laura! dizes que Fábio anda ofendido

E, apesar de ofendido, nam orado,

Buscando a extinta cham a do passado

Nas cinzas frias avivar do olvido.

Vá que o faça, e que o faça por perdido

De am or ... Creio que o faz por despeitado:

Porque o am or, um a vez abandonado,