Via Láctea
Capítulo VIII
Penso apenas que te am o com o um louco!
VIII
Em que céus m ais azuis, m ais puros ares,
Voa pom ba m ais pura? Em que som bria
Moita m ais nívea flor acaricia,
À noite, a luz dos lím pidos luares?
Vives assim , com o a corrente fria,
Que, intem erata, aos trêm ulos olhares
Das estrelas e à som bra dos palm ares,
Corta o seio das m atas, erradia.
E envolvida de tua virgindade,
De teu pudor na cândida arm adura,
Foges o am or, guardando a castidade,
- Com o as m ontanhas, nos espaços francos
Erguendo os altos píncaros, a alvura
Guardam da neve que lhes cobre os flancos.
IX
De outras sei que se m ostram m enos frias,
Am ando m enos do que am ar pareces.
Usam todas de lágrim as e preces:
Tu de acerbas risadas e ironias.
De m odo tal m inha atenção desvias,
Com tal perícia m eu engano teces,
Que, se gelado o coração tivesses,
Certo, querida, m ais ardor terias.
Olho-te: cega ao m eu olhar te fazes...