Via Láctea

Olavo Bilac · Capítulo 4 de 19

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Via Láctea

Capítulo VIII

Penso apenas que te am o com o um louco!

 

VIII

 

Em que céus m ais azuis, m ais puros ares,

Voa pom ba m ais pura? Em que som bria

Moita m ais nívea flor acaricia,

À noite, a luz dos lím pidos luares?

Vives assim , com o a corrente fria,

Que, intem erata, aos trêm ulos olhares

Das estrelas e à som bra dos palm ares,

Corta o seio das m atas, erradia.

E envolvida de tua virgindade,

De teu pudor na cândida arm adura,

Foges o am or, guardando a castidade,

- Com o as m ontanhas, nos espaços francos

Erguendo os altos píncaros, a alvura

Guardam da neve que lhes cobre os flancos.

 

IX

 

De outras sei que se m ostram m enos frias,

Am ando m enos do que am ar pareces.

Usam todas de lágrim as e preces:

Tu de acerbas risadas e ironias.

De m odo tal m inha atenção desvias,

Com tal perícia m eu engano teces,

Que, se gelado o coração tivesses,

Certo, querida, m ais ardor terias.

Olho-te: cega ao m eu olhar te fazes...