Vozes indígenas na saúde: trajetórias, memórias e protagonismos
Sobre as autoras e os autores
Ailton Krenak
Ailton Alves Lacerda Krenak, nascido em 29 de setembro de 1953, em Itabirinha, Minas Gerais
Liderança indígena do povo Krenak (médio rio Doce, Minas Gerais), esteve ativamente envolvido na criação da União das Nações Indígenas (UNI), primeira organização indígena de abrangência nacional, no início da década de 1980. Participou da articulação e relatoria da 1ª Conferência Nacional de Proteção à Saúde do Índio, em 1986. Em 1987, discursou na tribuna do Congresso Federal defendendo a Emenda Popular da UNI, fato histórico que marcou a conquista dos direitos dos povos indígenas na Constituição Federal de 1988. Fundou também o Núcleo de Cultura Indígena, atuando no Programa de Índio, veiculado pela Rádio USP entre 1985 e 1990, em função do qual recebeu diversos prêmios. É doutor honoris causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora e escritor.
Álvaro Tukano
Álvaro Fernandes Sampaio, nascido em 3 de novembro de 1953, na aldeia Itãtitha/São Francisco, distrito de Pari Cachoeira, município de São Gabriel da Cachoeira, Amazonas
Liderança Tukano, foi um dos fundadores da União das Nações Indígenas (UNI), na década de 1980, e da Federação de Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), tendo contribuído diretamente para a demarcação da Terra Indígena Alto Rio Negro, no Noroeste amazônico. Participou dos debates da Constituinte que culminaram posteriormente na formulação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena. Trabalhou no atendimento de saúde à população indígena de São Gabriel da Cachoeira. É escritor.
Ana Lúcia de Moura Pontes (organizadora) Médica sanitarista, doutora em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca/ Fiocruz, onde é pesquisadora. Atualmente coordena o Grupo Temático (GT) de Saúde Indígena da ABRASCO.
Carmem Pankararu
Maria do Carmo Andrade Filha, nascida em 1969, no município de Tacaratu, Terra Indígena Pankararu, Pernambuco Liderança Pankararu do sertão de Pernambuco, é formada em administração. Participou das discussões e da implementação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena. Coordenou o polo base de sua comunidade, ascendendo a chefe de gabinete e secretária interina da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). Atuou como conselheira do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) do Distrito Sanitário Especial Indígena Pernambuco (DSEI PE). Atualmente assessora o controle social na área da saúde e é presidente e fundadora do Sindicato dos Profissionais e Trabalhadores da Saúde Indígena.
Célia Xakriabá
Célia Nunes Correa, nascida em 10 de maio de 1989, na Terra Indígena Xakriabá, em Minas Gerais
Liderança indígena do povo Xakriabá, é professora, assessora parlamentar e pesquisadora, com mestrado em desenvolvimento sustentável pela Universidade de Brasília. Cursa atualmente o doutorado em Antropologia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Com importante atuação na área da educação, integrou a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, de 2015 a 2017. Definindo-se como uma mulher da “Lutalitura” e atuante na Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), ressalta o papel das mulheres no processo de luta pelos direitos dos povos indígenas.
Chico Apurinã
Francisco Avelino Batista, nascido em 18 de julho de 1958, na cidade de Pauini, Sul do Amazonas
Liderança Apurinã, iniciou seu envolvimento com o movimento indígena em 1987, acompanhando processos demarcatórios. Participou ativamente das discussões envolvendo os direitos indígenas na Constituição de 1988, aliando-se também às demais lideranças responsáveis pela criação da União das Nações Indígenas do Acre e Sul do Amazonas (UNI-Acre). No âmbito da saúde, participou da 2ª Conferência Nacional de Saúde para os Povos Indígenas (1993), integrando posteriormente a Comissão Intersetorial de Saúde Indígena (Cisi). Engajou-se ativamente nos debates políticos que resultaram na criação de um Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, ocupando eventualmente a vaga de conselheiro distrital de saúde indígena. Junto à UNI-Acre, acompanhou as ações da ONG Saúde sem Limites, voltadas para o atendimento a comunidades indígenas no Acre. Atuou na implementação do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) do Alto Rio Purus, do qual atualmente é assessor indígena.
Clóvis Ambrósio Wapichana
Clóvis Ambrósio, nascido em 25 de janeiro de 1946, na Terra Indígena Tabalascada, Roraima
Liderança Wapichana, atua no movimento indígena desde 1974, tendo participado da criação da União das Nações Indígenas (UNI) e do Conselho Indígena de Roraima (CIR). Participou de discussões seminais em torno da saúde indígena e esteve presente em diversas Conferências Nacionais de Saúde Indígena, acompanhando nacionalmente a implementação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena. Em Roraima, participou da implantação do Distrito Sanitário Especial Indígena Leste de Roraima (DSEI Leste RR), tendo sido, por dez anos, presidente do seu Conselho Distrital. Foi membro da Comissão Intersetorial de Saúde Indígena (Cisi) por muitos anos. Segue atuante em ações locais de saúde na Terra Indígena Malacacheta, em Roraima, bem como em discussões nacionais relativas à saúde indígena.
Davi Kopenawa Yanomami
Davi Kopenawa, nascido em 18 de fevereiro de 1956, no Alto Rio Toototobi, Amazonas
Liderança Yanomami, é reconhecido internacionalmente pela sua luta em favor dos direitos dos povos indígenas e da proteção à natureza. Teve papel fundamental por denunciar, tanto nacional como internacionalmente, as epidemias e outros impactos sobre a saúde decorrentes das invasões dos territórios Yanomami desde a década de 1980. Acompanhou, desde a sua criação em 1991, a implantação do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (DSY), articulando diversas ações de saúde. Foi um dos responsáveis pela demarcação da Terra Indígena Yanomami (nos estados Amazonas e Roraima), em 1992. Trabalhou na Funai como intérprete e posteriormente como coordenador de Frente de Proteção Etnoambiental. Recebeu, em 1988, o prêmio Global 500 Award, das Nações Unidas e, em 2015, a Ordem do Mérito Cultural por seu trabalho. Atualmente preside a Hutukara Associação Yanomami, organização esta que ajudou a fundar e construir. É xamã e escritor.
Gustavo Caboco
Gustavo Caboco, nascido em Curitiba, Roraima em 1989. Artista visual Wapichana, trabalha na rede Paraná-Roraima e nos caminhos de retorno à terra. Sua produção com desenho-documento, pintura, texto, bordado, animação e performance propõe maneiras de refletir sobre os deslocamentos dos corpos indígenas e as retomadas de memória. Sua pesquisa autônoma em acervos museológicos também busca contribuir na luta dos povos indígenas.
Iolanda Pereira Macuxi
Iolanda Pereira da Silva, nascida em 3 de setembro de 1975, na comunidade de Uiramutã, Terra Indígena Raposa Serra do Sol, município de Uiramutã, Roraima
Liderança Macuxi, acompanhou o processo de implementação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, desde 1993. Atuou como parteira, agente indígena de saúde, presidente do Conselho Local de Saúde Indígena, coordenadora de polo base, e coordenadora de medicina tradicional indígena no Distrito Sanitário Especial Indígena Leste de Roraima (DSEI Leste RR). Trabalhou, ainda, no Serviço de Edificações e Saneamento Ambiental Indígena (Sesani), subunidade administrativa do DSEI Leste RR, por dois anos.
Ivani Gomes Pankararu
Ivani Gomes da Silva, nascida em 8 de dezembro de 1963, em Santo André, São Paulo
Enfermeira indígena Pankararu do estado de Pernambuco, pós-graduada em Saúde Pública, atuante na Casa do Índio (Casai) do Distrito Sanitário Especial Indígena Pernambuco (DSEI PE). Participou da implementação do Distrito Sanitário Yanomami (DSY) e do DSEI Leste de Roraima como trabalhadora da saúde, e apresentou a experiência do DSY para as comunidades indígenas de Pernambuco, no processo de implementação do DSEI daquele estado. Foi secretária-executiva do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) do DSEI Leste de Roraima por quatro anos.
Jacir de Souza Macuxi
Jacir José de Souza, nascido em 7 de setembro de 1947, na comunidade indígena do Lilás, Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Roraima Liderança Macuxi, atua no movimento indígena desde a década de 1970, com destaque para a criação do Conselho Indígena de Roraima (CIR), do qual foi coordenador. Integrou também a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Com notória atuação na luta pela demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, também participou das discussões para a criação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena e contribuiu para a implantação do Distrito Sanitário Especial Indígena Leste de Roraima (DSEI Leste RR) por meio de convênios entre o CIR e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
Letícia Yawanawá
Letícia Luiza Yawanawá, nascida em 10 de março de 1968, na Aldeia Sagrada, Terra Indígena Rio Gregório, Acre
Liderança Yawanawá, ligada à União das Nações Indígenas do Acre e Sul do Amazonas (UNI-Acre), no âmbito da qual contribuiu para a criação do Grupo Mulheres Indígenas (GMI), uma das primeiras articulações de mulheres indígenas do país. Foi a primeira conselheira indígena no Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), representando a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Em 2005 criou, junto a outras mulheres indígenas, a Organização de Mulheres Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia (Sitoakore), em um processo de luta e busca por espaços de representação feminina na política indígena. Envolvida com ações de valorização das parteiras e pajés, revitalização do uso de plantas medicinais, segurança alimentar e sustentabilidade, vem difundindo seu trabalho junto a outros grupos indígenas.
Lourenço Krikatí
Lourenço Borges Milhomem, nascido em 30 de novembro de 1968, na aldeia Jerusalém, Terra Indígena Krikatí, município de Sítio Novo, Maranhão
Liderança indígena Krikatí atuante no movimento indígena desde 1991. Envolveu-se na criação de organizações indígenas de base, articulando a política indígena regionalmente. Integrou o Conselho Nacional de Saúde de 2012 a 2015 como representante da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Foi candidato a Deputado Estadual em 2018 pelo partido PODEMOS. Atualmente é funcionário da Casa do Índio (Maranhão) e cursa graduação em Ciências Econômicas.
Luiz Eloy Terena (organizador)
Luiz Henrique Eloy Amado, nascido em 2 de fevereiro de 1988, na Terra Indígena Taunay/Ipegue, Mato Grosso do Sul Advogado indígena do povo Terena, é doutor em Antropologia pelo Museu Nacional (UFRJ) e pós-doutor em Antropologia na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), Paris. Atua presentemente como Coordenador do Departamento Jurídico da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). À frente da Apib, propôs e sustentou oralmente junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 2020, a Arguição de Descumprimento de Preceito Constitucional (ADPF) 709, garantindo medidas de proteção aos povos indígenas frente à Covid-19 e fazendo história como o primeiro advogado indígena a vencer uma ação de jurisdição constitucional no STF.
Megaron Txucarramãe Mebêngôkre
Megaron Txucarramãe, nascido em 9 de setembro de 1950, na aldeia Kapotnhinore, município de Luciana, Mato Grosso Liderança Mebêngôkre com longa trajetória na luta pelos direitos dos povos indígenas, colaborou diretamente para a demarcação do Parque Indígena do Xingu, localizado na porção Nordeste do estado do Mato Grosso. Sobrinho do cacique Raoni, Megaron ingressou na Fundação Nacional do Índio (Funai) em 1971, a partir do contato e formação com os irmãos Villas-Bôas, chegando ao cargo de diretor do Parque Indígena do Xingu e, posteriormente, coordenador regional da Funai de Colíder (MT). Foi o primeiro administrador indígena em uma administração regional da Funai. Atualmente, tem forte atuação no movimento indígena contra a construção de barragens de usinas hidrelétricas na região amazônica, denunciando a violação de direitos dos povos indígenas causada por esses empreendimentos.
Ricardo Ventura Santos (organizador)
Mestre e doutor em antropologia pela Indiana University/EUA. É pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fiocruz e professor do Departamento de Antropologia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É membro do GT de Saúde Indígena da ABRASCO.
Vanessa Hacon (organizadora)
Professora e pesquisadora, doutora em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Atualmente encontra-se em estágio pós-doutoral no Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília.
Zezinho Kaxarari
José Souza da Silva Kaxarari, nascido em 15 de outubro de 1965, na aldeia Páxiuba, Terra Indígena Kaxarari, Amazonas/Rondônia iderança Kaxarari, desde o início dos anos 1980 esteve envolvido nas lutas pela demarcação das Terras Indígenas no Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia. Iniciou sua atuação política junto à Comissão Pró-Índio, no Acre, tornando-se agente de saúde na sequência. Participou da criação do Núcleo de Cultura Indígena do Acre, que veio a se tornar, a partir de 1988, a União das Nações Indígenas do Acre e Sul do Amazonas (UNI-Acre), cuja finalidade era organizar o movimento indígena na região e representar a população indígena regional e nacionalmente. Participou da organização da 2ª Conferência Nacional de Saúde para os Povos Indígenas (1993). Colaborou para a inclusão de representações dos povos indígenas em instâncias de participação como a Comissão Intersetorial de Saúde Indígena (Cisi) e o Conselho Nacional de Saúde (CNS), para o qual foi indicado como o primeiro conselheiro indígena. Participou ativamente da implantação dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) do Alto Rio Juruá e Alto Rio Purus, sendo ainda coordenador do polo base de Extrema, associado a este último DSEI.