A Águia de Sharpe

Bernard Cornwell · Capítulo 12 de 29

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A Águia de Sharpe

Capítulo X

 

M aldito Sharpe! Vou destruí-lo. Perderá a graduação! Vai voltar para o buraco de onde provém! — O rosto de Simmerson contraía-se de raiva; até as orelhas tinham ficado vermelhas de fúria. Estava com Gibbons e Forrest, e o major tentava em vão aplacar a ira de Sir Henry. O coronel tirou o braço de Forrest de cima do seu ombro.

— Vou pedir um conselho de guerra! Vou escrever ao meu primo. Sharpe, está acabado! Acabado!

Sharpe permanecia no outro extremo da sala, com o rosto rígido pelo esforço de controlar a sua própria raiva e desprezo. Olhou pela janela. Tinha voltado a Plasência, ao palácio de Mirabel que era o quartel-general temporário de Wellesley, e olhou fixamente pela rua de Sancho Pólo para os telhados amontoados do bairro mais pobre da cidade, apertados dentro das muralhas. Por baixo passavam carruagens, trens elegantes com condutores uniformizados, que levavam damas espanholas de véu para trajetos misteriosos. O batalhão tinha regressado com dificuldade na noite anterior, os feridos transportados em carros de bois requisitados, com sólidos eixos que chiavam como aquelas fadas más irlandesas, dissera Sharpe. Misturado com o ruído interminável havia os gritos dos feridos. Muitos tinham morrido; muitos mais morreriam minados lentamente pela gangrena nos dias seguintes. Sharpe fora preso, haviam-lhe retirado o sabre, marchara junto com os seus fuzileiros incrédulos, que pensavam que o mundo tinha ficado louco e tinham jurado vingá-lo e dar a Simmerson o que este merecia.

A porta se abriu e o tenente-coronel Lawford entrou na sala. O seu rosto não refletia o ânimo que Sharpe tinha visto no reencontro que tivera havia cinco dias, olhou de frente para todos, tal como o resto do exército sentia-se humilhado e envergonhado pela perda da bandeira.

— Cavalheiros — disse com voz fria mas educada. — Sir Arthur os receberá agora. Têm dez minutos.

Simmerson dirigiu-se para a porta aberta, com Gibbons colado a ele. Simmerson parecia satisfeito. Os dedos do general tamborilaram sobre a mesa.

— Ah, o capitão Hogan. Vi-o há uma hora.

Wellesley pegou um pedaço de papel e olhou para ele. Sharpe sabia que era tudo fingimento. Wellesley sabia perfeitamente o que estava no papel mas fazia com que a tensão aumentasse. Os olhos azuis ergueram-se de novo para Simmerson, e o tom de voz ainda era suave.

— Servi com o capitão Hogan durante muitos anos, Sir Henry. Esteve na Índia. Considerei-o sempre um homem digno da maior confiança.

Levantou as sobrancelhas de modo interrogativo como se convidasse Simmerson a dar-lhe razão. Simmerson, inevitavelmente, aceitou o convite.

— Hogan, meu General, é oficial de engenharia. Não estava em situação de tomar decisões sobre o deslocamento de tropas.

Parecia satisfeito consigo mesmo, até ansioso por demonstrar a Wellesley que não guardava rancor apesar das suas diferenças políticas.

Num local qualquer do palácio um relógio zumbiu sonoramente e em seguida bateram as dez. Wellesley estava sentado, os dedos tamborilavam sobre a mesa, e então lançou um olhar a Simmerson.

— A sua solicitação está recusada, Sir Henry. Não vou submeter o tenente Sharpe a um conselho de guerra. — Fez uma pausa de um segundo, olhou para o papel e virou os olhos para Simmerson. — Temos de tomar algumas decisões a respeito do seu batalhão, Sir Henry, creio que deverá ficar.

Lawford dirigiu-se para a porta. A voz de Wellesley tinha soado forte e fria, pelo que Simmerson explodiu, erguendo a voz com indignação.

— Perdeu a minha bandeira! Desobedeceu!

O punho de Wellesley bateu sobre a mesa.

— Sir! Sei a que ordem ele desobedeceu! Eu também teria desobedecido! O senhor propôs enviar uma linha de atiradores contra a cavalaria! Não foi isso, Sir?

Simmerson não disse nada. Estava horrorizado pelo tumulto de ira que o envolvia. Wellesley continuou:

— Primeiro, Sir Henry, não tinha que fazer o seu batalhão atravessar a ponte. Era desnecessário, uma perda de tempo e uma tolice. Segundo — disse, contando pelos dedos —, só um louco lançaria uma linha de atiradores contra a cavalaria. Terceiro, o senhor desonrou este exército, que levou um ano para se reunir, frente aos nossos inimigos e frente aos nossos aliados. Quarto — disse Wellesley lancinante —, a única compensação ganha neste infeliz combate foi pela mão do tenente Sharpe. Pelo que percebi, Sir, ele recuperou uma das suas bandeiras perdidas e além disso capturou um canhão francês e utilizou-o com algum efeito contra os seus atacantes. Não foi assim?

Ninguém disse nada. Sharpe olhava fixamente para um quadro na parede junto ao general. Ouviu um ruído de papéis. Wellesley tinha pegado o papel da mesa. Baixou a voz.

— O senhor perdeu, além da sua bandeira, duzentos e quarenta e dois homens feridos ou mortos. Perdeu um comandante, três capitães, cinco tenentes, quatro alferes e dez sargentos. São exatos estes números?

Mais uma vez ninguém falou. Wellesley pôs-se de pé.

— As suas ordens, senhor, foram as de um louco! Da próxima vez, Sir Henry, sugiro que levante uma bandeira branca e poupe aos franceses o problema de terem de desembainhar as espadas. O trabalho que tinha de ser feito, senhor, podia ter sido feito por uma companhia; a diplomacia me obrigou a enviar um batalhão e enviei o seu, senhor, de modo que os seus homens pudessem ter um primeiro contato com os franceses. Enganei-me! E como resultado, uma das nossas bandeiras está agora a caminho de Paris para ser mostrada diante da população. Diga-me se o estou difamando.

Simmerson estava completamente pálido. Sharpe nunca tinha visto Wellesley tão zangado. Parecia ter se esquecido da presença dos outros e dirigia as suas palavras contra Simmerson com uma força vingativa.

— O senhor já não tem um batalhão, Sir Henry. Deixou de existir quando perdeu os seus homens e uma bandeira! O South Essex é um regimento de um único batalhão, não é assim?

Simmerson acenou afirmativamente.

— Já que não pode completar os seus efetivos com outros. Gostaria, Sir Henry, de poder mandá-lo para casa! Mas não posso. Tenho as mãos atadas pelo Parlamento, pela Guarda Real e pelos políticos intrometidos como o seu primo. Declaro o seu batalhão, Sir Henry, um batalhão de destacamentos. Incorporarei novos oficiais e recrutarei homens para as suas fileiras. O senhor servirá na divisão do general Hill.

— Mas, meu General...

Simmerson ficou aterrado com a informação. Um batalhão de destacamentos? Inacreditável! Tartamudeou um protesto. Wellesley interrompeu-o.

— Vou facultar-lhe uma lista de oficiais. Vai dizer-me que já prometeu algumas promoções?

Simmerson assentiu. Wellesley olhou para a folha de papel que tinha na mão.

— Sir Henry, a quem atribuiu o comando da Companhia Ligeira?

— Ao tenente Gibbons, General.

— Ao seu sobrinho?

Wellesley fez uma pausa para se assegurar de que Simmerson respondia. O coronel assentiu tristemente com a cabeça. Wellesley virou-se para Gibbons.

— O senhor concordou com a ordem do seu tio de fazer avançar uma linha de atiradores contra a cavalaria?

Gibbons estava encurralado. Umedeceu os lábios, encolheu os ombros e por fim assentiu. Wellesley balançou a cabeça em sinal de desacordo.

— Então o senhor não é a pessoa mais adequada para comandar uma Companhia Ligeira. Não, Sir Henry, vou entregar-lhe um dos melhores atiradores do exército britânico para que comande as suas tropas ligeiras. Promovi-o a capitão.

Simmerson não disse nada. Gibbons estava pálido de raiva. Lawford olhou sorridente para Sharpe e o fuzileiro sentiu-se estremecer de esperança. O general voltou os olhos para Simmerson.

— Não sei de muitos homens, Sir Henry, que sejam melhores no comando de tropas ligeiras em batalha do que o capitão Sharpe.

Promoviam-no, tinha conseguido, tinha escapado! Não se importava que fosse com Simmerson, era capitão! Quase não ouviu as outras palavras de Wellesley, a vitória era total! O inimigo fora derrotado! Era capitão. O que importava que fosse uma nomeação artificial e que ainda estivesse dependente do visto favorável da Guarda Real? Por hora era assim. Capitão! Capitão Richard Sharpe do Batalhão de Destacamentos.

Wellesley deu por terminada a entrevista. Simmerson fez a última tentativa.

— Vou escrever — disse Simmerson indignado, agarrando-se desesperadamente a quaisquer restos de dignidade que pudesse recuperar da torrente de desprezo de Wellesley —, vou escrever para Whitehall, senhor, e eles ficarão conhecendo a verdade!

— Pode fazer o que quiser, Sir, mas permita-me que eu continue a fazer a guerra. Bom dia.

Lawford abriu a porta. Simmerson pôs de rompante o tricórnio na cabeça e os oficiais deram a volta para saírem. Wellesley disse:

— Capitão Sharpe!

— Senhor?

Era a primeira vez que lhe chamavam de capitão.

— Quero falar com o senhor.

Lawford fechou a porta ao sair com os outros três. Wellesley olhou para Sharpe, o seu semblante continuava duro.

— O senhor desobedeceu a uma ordem.

— Sim, General.

Wellesley fechou os olhos. Parecia cansado.

— Não tenho dúvidas de que mereça ser capitão. — Voltou a abrir os olhos. — Se pode ficar com essa graduação ou não, isso é outro assunto. Não tenho poder para essas coisas e é concebível e provável que a Guarda Real cancele todas estas disposições. Está entendendo?

— Sim, senhor!

Sharpe pensou compreender. Os inimigos de Wellesley tinham conseguido colocá-lo numa comissão de investigação havia apenas um ano e esses mesmos inimigos queriam aniquilá-lo. Sir Henry estava entre eles e o coronel já estaria planejando a carta que ia enviar para Londres. A carta que lançaria a culpa em Sharpe e, como o general se tinha posto do seu lado, também seria perigosa para Wellesley.

— Obrigado, senhor.

— Não me agradeça. Provavelmente não lhe fiz nenhum favor — disse, olhando para Sharpe com algum desgosto. — Você tem o hábito, Sharpe, de merecer a gratidão através de métodos que deviam ser condenados. Faço-me entender?

— Sim, senhor.

Estava repreendendo-o? Sharpe continuou com o rosto inexpressivo. o rosto de Wellesley mostrou um toque de ira mas controlou-se e, de repente, substituiu-a por um sorriso triste.

— Alegro-me por não ter lhe acontecido nada — disse recostando-se na cadeira. — A sua carreira continua sempre interessante, Sharpe, apesar de eu recear sempre que termine de forma precipitada. Bom dia, capitão.

Voltou a pegar a pena e começou a escrever nos papéis. Havia verdadeiros problemas. Os espanhóis não tinham entregue nada da comida que tinham prometido, os pagamentos do exército não tinham chegado, a cavalaria precisava de ferraduras e cravos e faltavam carros de bois, ainda mais carros de bois. Para cúmulo, os espanhóis iam de um extremo ao outro; num dia davam tudo pela glória, no dia seguinte pregavam precaução e retirada. Sharpe foi embora.

Lawford seguiu-o até à antecâmara vazia e estendeu a mão.

— Parabéns.

— Obrigado, senhor. Um Batalhão de Destacamentos, hein?

Lawford riu.

— Isso não vai agradar a Sir Henry.

Era verdade. Em cada companhia havia pequenas unidades de homens, como Sharpe e os seus fuzileiros, que se isolavam. Eram os restos do exército e a solução mais simples, quando eram em número suficiente, o general agrupava-os como batalhão temporário de destacamentos. Também proporcionavam ao general a oportunidade de promover homens, mesmo que temporariamente, no novo batalhão, mas não era nenhuma destas a razão que desagradava a Simmerson. Ao converter o maltratado South Essex num batalhão de destacamentos, Wellesley estava literalmente apagando o nome “South Essex” da sua lista do exército; era um castigo dirigido contra o orgulho de Simmerson, ainda que Sharpe duvidasse que o homem que aparentemente tomava a perda da bandeira real com tão assinalável simplicidade se sentisse muito desanimado pelo rebaixamento do seu batalhão. O seu rosto refletia estes pensamentos e Lawford interrompeu-o.

— Está preocupado com Simmerson?

— Sim.

Não havia necessidade de negar.

— Deve estar. Sir Arthur fez o que podia por você, promoveu-o, deve acreditar em mim quando lhe digo que escreveu para Inglaterra a seu respeito nos termos mais elogiosos

Sharpe assentiu.

— Mas...

Lawford encolheu os ombros. Encaminhou-se para a janela e olhou fixamente através das grossas cortinas de veludo para a planície que se estendia para além das muralhas; todo o cenário adormecia debaixo do sol implacável. Voltou-se.

— Sim. Há um mas.

— Continue.

Lawford parecia perturbado.

— Simmerson é muito poderoso. Tem amigos influentes — disse, encolhendo de novo os ombros. — Richard, temo que lhe causem dano. O senhor é um peão na batalha dos políticos. Ele é um tolo, concordo, mas os seus amigos de Londres não vão querer que o pareça! Exigirão um bode expiatório. É como se fosse a voz deles, compreende?

Sharpe concordou.

— Quando escrever da Espanha e disser que a guerra está mal comandada, eles escutarão a carta lida no Parlamento! Não importa que o homem esteja completamente louco! É a voz deles na guerra e se o perdem, perdem a credibilidade!

Sharpe balançou a cabeça angustiado.

— O que quer dizer que vão pressionar a mim e vão me sacrificar para que Simmerson sobreviva?

Lawford assentiu.

— Receio que sim. E a defesa que Sir Arthur faça só será vista como uma questão entre partidos.

— Pelo amor de Deus! Eu não fui minimamente responsável!

— Eu sei, eu sei — disse Lawford para acalmá-lo. — Não interessa. Ele escolheu você para bode expiatório.

Sharpe sabia que o que ele dizia estava certo. Durante algumas semanas estaria a salvo, a salvo enquanto Wellesley avançasse pela Espanha e combatesse os franceses, mas, depois disso, chegaria uma carta da Guarda Real, uma carta simples e breve que significaria o fim da sua carreira no exército. Sabia que se ocupariam de si. O próprio Wellesley talvez precisasse de um administrador ou o recomendasse a alguém que precisasse dele. Mas continuava a ganhar a vida penosamente, sob a suspeita de ser oficialmente o responsável por ter perdido a bandeira de Simmerson. Pensou na sua última conversa com Lennox. Teria o escocês previsto tudo?

— Há outro caminho — disse em voz baixa. Lawford olhou para ele.

— Como?

— Quando vi a bandeira perdida tomei uma decisão. Também fiz uma promessa a um moribundo.

Soava desesperadamente melodramático mas era verdade.

— Prometi capturar aquela bandeira com uma águia.

Houve um momento de silêncio. Lawford assobiou suavemente.

— Isso nunca foi feito.

— Não há qualquer diferença entre isso e eles nos tomarem uma bandeira. — Aquilo era fácil de dizer mas sabia que os franceses não lhe tornariam o trabalho tão fácil como Simmerson o tornara para os franceses. Durante os últimos seis anos os franceses tinham aparecido no campo de batalha com novos estandartes. Em lugar das velhas bandeiras agora traziam águias douradas montadas sobre estacas. Dizia-se que cada asa era apresentada pessoalmente ao regimento pelo imperador e os estandartes eram portanto mais que um mero símbolo do regimento, eram o símbolo de todo o orgulho de França na sua nova ordem. Capturar uma águia era fazer com que Bonaparte em pessoa fizesse papel de tolo.

Sharpe sentiu que a raiva lhe voltava.

— Não me importo de substituir a bandeira de Simmerson por uma águia. Mas estou furioso por ter que cavar o meu caminho através de uma companhia de granadeiros franceses simplesmente para permanecer no exército.

Lawford nada disse. Sabia que Sharpe dizia a verdade; a única coisa que podia impedir que os oficiais de Whitehall escolhessem Sharpe como vítima era o fuzileiro realizar um ato de tão indubitável mérito que lhes pudesse parecer uma idiotice convertê-lo em bode expiatório. Pessoalmente, Lawford acreditava que Sharpe tinha feito mais do que o suficiente, tinha recuperado uma bandeira, capturado um canhão, mas o expediente das suas proezas seria manchado em Londres com o que Simmerson contasse. Não, tinha de fazer mais, ir mais longe, arriscar a vida para tentar conservar o seu emprego.

Sharpe riu ironicamente. Deu uma palmada na bainha vazia.

— Uma vez alguém disse que nesta profissão o nosso valor é aquele que mostramos na última batalha. — Fez uma pausa. — A menos que se tenha dinheiro ou influências.

— Sim, Richard, a menos que se tenha dinheiro ou influências.

Sharpe sorriu zombeteiramente.

— Obrigado. Vou reunir-me à alegre multidão. Os meus fuzileiros continuam comigo?

Lawford assentiu.

— Boa sorte.

Viu Sharpe partir. Se havia um homem que pudesse roubar uma águia dos franceses, esse homem era o recém-promovido Richard Sharpe. Lawford ficou junto à janela e olhou para a rua. Viu Sharpe caminhar para a luz do Sol e pôr a barretina na cabeça; um enorme sargento esperava na sombra, o tipo de homem em que Lawford apostaria uma centena de guinéus numa luta de socos, e reparou que o sargento se dirigia a Sharpe. Os dois homens falaram durante um minuto e então o enorme sargento deu umas palmadas nas costas de Sharpe e articulou um grito de alegria que Lawford ouviu dois andares mais acima.

— Lawford!

— General?

Lawford passou para a outra sala e recebeu o expediente das mãos de Wellesley. O general agitou a pena no tinteiro.

— Explicou-lhe?

— Sim, General.

Wellesley balançou a cabeça.

— Pobre diabo. Que disse?

— Disse que aproveitaria a oportunidade, senhor.

Wellesley grunhiu.

— Todos temos de fazer isso.

Pegou outro pedaço de papel.

— Meu Deus! Enviaram-nos quatro caixas de borracha amoniacal, três de sais de Glauber, e duzentas peças variadas para cotos! Pensam que dirijo um maldito hospital em vez de um exército!