A Águia de Sharpe

Bernard Cornwell · Capítulo 17 de 29

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A Águia de Sharpe

Capítulo XV

 

U m em cada dez homens devia ser açoitado. Sessenta homens do batalhão, seis de cada companhia, e o capitão de cada uma das companhias tinha de entregar seis homens, nus da cintura para cima, prontos para serem atados aos triângulos de açoite que Simmerson mandara fazer. O coronel tinha dado as suas ordens e olhava à volta, furioso, com os pequenos olhos sanguinolentos, para os oficiais reunidos.

— Algum comentário?

Sharpe respirou fundo. Dizer qualquer coisa era inútil, não dizer nada era covardia.

— Creio que não é boa idéia, Coronel.

— O capitão Sharpe crê que não é boa idéia — disse Simmerson despejando acidez em cada palavra. — O capitão Sharpe, cavalheiros, está nos dizendo como dirigir os homens. Porque não é boa idéia, capitão Sharpe?

— Fuzilar dois homens de manhã e açoitar sessenta de tarde parece-me que é fazer o trabalho dos franceses, Coronel.

— Ah, sim. Bem, maldito seja, Sharpe, e malditas as suas idéias. Se a disciplina deste batalhão fosse aplicada tão rigorosamente pelos capitães como eu exijo, este castigo não seria necessário. Vou açoitá-los! E isso inclui os seus valorosos fuzileiros, Sharpe! Espero que haja três deles entre os seus homens! Aqui não há favoritismos!

Não havia nada que fazer nem a dizer. Os capitães explicaram-no às suas companhias e, tal como fez Sharpe, cortaram palhas e tiraram à sorte para determinar quem seriam as vítimas de Simmerson. Três dúzias de açoites vezes sessenta homens. Eram duas horas, as vítimas iam emborcando bebidas alcoólicas que pudessem debilitar-lhes a mente e os companheiros mal-humorados começaram a tarde limpando e pedindo o equipamento para a revista de Simmerson. Sharpe deixou-os trabalhando e voltou à casa que desempenhava as funções de quartel-general do batalhão. Os problemas pairavam no ar, um humor que evocava o tempo carregado que antecede uma tempestade, a alegria que Sharpe sentira de manhã fora substituída pelo receio do que poderia acontecer antes de voltar à casa onde Josefina estava à espera dele, sonhando com Madrid.

Passou a tarde preenchendo laboriosamente os livros da companhia.

Todos os meses, o diário tinha de ser copiado para o diário maior, e este tinha de ser entregue a Simmerson ao fim de uma semana para que o analisasse. Encontrou tinta, afiou a pena, e com a língua entre os dentes começou a anotar os detalhes. Podia ter delegado o trabalho ao sargento encarregado dos livros, mas preferia fazê-lo pois assim ninguém poderia acusar o sargento de favoritismos. Lançou na conta do soldado Thomas Cresacre uma escova de calçado nova. Cinco pence. Sharpe suspirou; cada entrada para as colunas escondia uma pequena tragédia. Cresacre tinha atirado a escova na mulher e a madeira tinha se partido contra uma parede de pedra. O sargento McGivern vira e o denunciara de modo que, além dos problemas conjugais, Thomas Cresacre perderia cinco pence dos doze diários que tinha como prêmio. A segunda entrada do pequeno diário que andava no bolso de Sharpe era um par de sapatos para Jedediah Horrell. Sharpe teve dúvidas. Horrell garantia que tinham lhe roubado os sapatos e Sharpe inclinava-se a acreditar nele. Horrell era um bom homem, um robusto camponês da região central de Inglaterra, e Sharpe encontrava sempre o seu mosquete limpo e o equipamento em ordem. E Horrell já tinha sido castigado. Tinha marchado durante dois dias com botas emprestadas e tinha os pés feridos e inflamados. Sharpe riscou a entrada no seu diário e escreveu no diário maior “perdidas em ação”. Tinha poupado seis xelins e seis pence ao soldado Horrell. Puxou para si o livro de equipamentos e copiou laboriosamente a informação do diário maior. Divertiu-o ver que Lennox já tinha apontado que cada homem tinha perdido um colarinho “em ação”, então oficialmente os colarinhos, tal como as botas de Horrell, ficavam por conta do governo, em vez de ficarem a cargo do indivíduo que as tinha perdido. Permaneceu durante uma hora copiando do diário para o diário maior e deste para o livro de contas as bagatelas de cada dia. Quando acabou foi para o livro da tropa. Este era mais simples. O sargento Read, o encarregado dos livros, já tinha registrado o nome dos homens que tinham morrido em Valdelacasa e inscrevera os novos nomes, os dos fuzileiros de Sharpe. Em frente a cada um dos nomes de Sharpe anotou a quantia de três xelins e seis pence, a soma lançada, todas as semanas, pelo custo da comida. Não era justo, sabia, já que os homens só recebiam meias rações e a questão era que a situação do aprovisionamento estava piorando. Os comissários percorriam o vale do Tejo, havia freqüentes refregas entre patrulhas inglesas e francesas para decidirem que bando podia revistar uma terra em busca de alimentos escondidos. Até se travaram batalhas entre os ingleses e os seus aliados espanhóis que não tinham entregado nem uma centésima parte dos víveres prometidos e, no entanto, entravam todos os dias rebanhos de ovelhas, vacas, cabras e porcos para os seus homens. Mas ele não tinha poder para reduzir a quantia que os homens pagavam se as rações não eram entregues completas. No entanto no final da página anotou que a quantia era o dobro do que correspondia à comida e tinha esperança que mais tarde se mandaria corrigir a injustiça. Na coluna seguinte registrou quatro pence em cada linha, o que tinha custado para as mulheres lavarem a roupa. Lavar a roupa de um homem custava dezesseis xelins e quatro pence por ano, o rancho mais de oito libras. Cada soldado ganhava um xelim por dia, dezessete libras e sessenta xelins por ano, mas uma vez deduzidas a comida, a lavagem de roupa, as meias solas e as capas, e o dinheiro de um dia que se perdia para ir aos hospitais militares de Chelsea e Kilmainham, sobravam a cada homem os três setes: sete libras, sete xelins e sete pence, e Sharpe sabia, pela sua própria e amarga experiência, que podiam se considerar afortunados se conseguissem isso. Muitos homens perdiam mais dinheiro ao terem de substituir o equipamento perdido e a verdade era que se pagava a cada soldado quatro pence e meio por dia para lutar contra os franceses.

Como capitão, Sharpe recebia dez xelins e seis pence por dia. Parecia uma fortuna, mas mais de metade ia se na comida e além disso a messe dos oficiais cobrava um extra de dois xelins e oito pence por dia para pagar o vinho, a comida de luxo e o rancho dos criados. Pagava mais pela limpeza e pelos hospitais e conhecia a soma de cor. Simplesmente não somava. E agora Josefina custava-lhe dinheiro. Hogan tinha lhe emprestado e, somado ao conteúdo da sua bolsa de couro, tinha o suficiente para os próximos quinze dias, mas o que aconteceria depois? A sua única esperança era encontrar o cadáver de um homem rico no campo de batalha. O cadáver de um homem muito rico.

Sharpe terminou os livros, fechou-os, deixou a pena em cima da mesa e bocejou ao mesmo tempo que o relógio da cidade batia as quatro. Voltou a abrir o livro de tropa semanal e deu uma vista de olhos aos nomes, perguntando-se com morbidez quantos deles estariam ainda ali ao fim de uma semana e em quantos deles apareceria na coluna à frente a palavra “falecido”. Registrariam o seu nome? Outro oficial olharia para o livro maior e perguntaria quem tinha escrito “cinco pence, uma escova de calçado” em frente ao nome de Thomas Cresacre? Voltou a fechar os livros. Era tudo pura especulação. Havia um mês que não pagavam ao exército, e mesmo que o fizessem nem assim os pagamentos estariam em dia. Entregaria os livros ao sargento Read, que os guardaria na mula da companhia e quando chegasse o pagamento, então efetuava-o, Read faria as deduções registradas nos livros e pagaria aos homens um punhado de moedas. Alguém bateu à porta.

— Quem é?

— Sou eu, senhor. — Era a voz de Harper.

— Entre.

A cara de Harper estava triste, o seu comportamento era muito formal.

— E então, sargento?

— Temos problemas, senhor, e grandes. Os homens negam-se a formar.

Sharpe recordou-se do seu receio.

— Que homens?

— Todo o maldito batalhão, Capitão. Incluindo os nossos rapazes. Quando Patrick Harper falava nos “nossos rapazes” queria dizer os fuzileiros.

Sharpe pôs-se de pé e embainhou o grande sabre.

— Quem mais sabe?

— O coronel, Capitão. Os homens enviaram-lhe uma carta.

Sharpe soltou uma maldição em voz baixa.

— Enviaram-lhe uma carta? E quem a assinou?

Harper balançou a cabeça.

— Ninguém a assinou, senhor. Diz simplesmente que não vão formar e que se ele se aproximar farão voar a maldita cabeça dele.

Sharpe pegou a espingarda. Havia uma palavra que descrevia o que estava acontecendo e essa palavra era “motim”. A ordem de Simmerson de açoitar um em cada dez podia converter-se facilmente na ordem de os dizimar, e em vez de açoitá-los, os homens seriam colocados contra árvores e a seguir fuzilados. Olhou para Harper.

— O que está acontecendo?

— Falam muito, Capitão. Estão se entrincheirando no depósito de madeira.

— Todos?

Harper negou com a cabeça.

— Não, senhor. Ainda há uns duzentos na horta. A sua companhia está lá, senhor, mas os rapazes do depósito estão tentando convencê-los a unirem-se a eles.

Sharpe balançou a cabeça. O batalhão estava acampado num olival a que os homens chamavam horta, simplesmente porque as árvores estavam dispostas em filas. O olival ficava por trás do depósito de madeira, um pátio murado com uma única entrada.

— Quem entregou a carta?

— Não sei, Capitão. Puseram-na por baixo da porta da casa de Simmerson.

Sharpe apressou-se em sair. O pátio da casa estava sombrio e em silêncio, a maior parte dos oficiais tinha ido conhecer a cidade antes de marchar na manhã seguinte ao encontro dos franceses.

— Há algum oficial no depósito?

— Não, senhor.

— E os sargentos?

O rosto de Harper era inexpressivo. Sharpe supôs que muitos dos sargentos secundariam o protesto, mas tal como o enorme irlandês, conheciam melhor que os seus homens qual seria o resultado se o batalhão se negasse a formar.

— Espere aqui.

Sharpe voltou correndo para a casa. As divisões estavam frescas e vazias. Uma mulher olhou-o da cozinha, com uma réstia de pimentões na mão, e fechou a porta rapidamente quando viu o rosto dele. Sharpe subiu os degraus dois a dois e abriu de par em par a porta do quarto em que estavam alojados os oficiais mais jovens da Companhia Ligeira. Estavam ali apenas o alferes Denny, o jovem de dezesseis anos, dormindo sobre um colchão de palha.

— Denny!

O rapaz acordou, assustado.

— Senhor!

— Onde está Knowles?

— Não sei, Capitão, creio que na cidade.

Sharpe deteve-se por um momento para pensar. O rapaz olhava-o fixamente, do colchão, com os olhos bem abertos. Sharpe agarrava uma e outra vez o punho da espada.

— Encontre-se comigo no pátio assim que estiver vestido. Depressa.

Harper esperava na rua onde o calor do sol aquecia as pedras de tal maneira que Sharpe sentia o ardor mesmo através das solas das botas.

— Sargento, quero a companhia formada dentro de cinco minutos no caminho por trás do olival. Com toda o equipamento.

O sargento abriu a boca para fazer uma pergunta, mas viu a expressão no rosto de Sharpe e preferiu fazer continência. Denny saiu do pátio afivelando o sabre que arrastava pelas pedras a seu lado. Parecia receoso quando Sharpe se virou para lhe falar.

— Ouça com atenção. Tem de descobrir onde está o coronel Simmerson e o que ele está fazendo. Entendido?

O rapaz confirmou.

— E não deixe que ele descubra o que o senhor está fazendo. Tente no castelo. A seguir venha me buscar. Estarei no caminho atrás do olival ou na praça em frente ao depósito de madeira. Se não estiver em nenhum desses lugares procure o sargento Harper e espere com ele. Entendido?

Denny voltou a confirmar com a cabeça.

— Repita.

O rapaz repetiu as instruções. Queria desesperadamente perguntar a Sharpe a que se devia tanta excitação mas não se atreveu. Sharpe confirmou quando o rapaz acabou.

— Mais uma coisa, Christopher — disse utilizando deliberadamente o nome de batismo do rapaz para lhe dar segurança. — Não deve entrar no depósito de madeira, sob qualquer pretexto. Agora, vá. Se vir o tenente Knowles, o comandante Forrest ou o capitão Leroy, diga-lhes que se puderem venham me procurar! Rápido!

Denny apertou a espada à cintura e abalou a correr. Sharpe gostava dele. Um dia seria um bom oficial se antes não fosse trespassado pela baioneta de um granadeiro francês. Sharpe rodeou a colina até ao depósito de madeira e aos alojamentos dos homens. Só havia uma maneira de impedir o desastre, e era fazer o batalhão formar o mais rapidamente possível, antes de Simmerson ter tempo de reagir ante a ameaça de motim.

Atrás dele ressoaram os cascos de um cavalo e virou-se para ver um cavaleiro que lhe fazia sinais com a mão. Era o capitão Sterritt, o oficial de dia, que parecia compreensivelmente nervoso.

— Sharpe!

— Sterritt?

Sterritt deteve o cavalo.

— Há uma convocação para que todos os oficiais se apresentem no castelo.

— O que aconteceu?

Sterritt olhou freneticamente à volta para as ruas desertas, como se alguém pudesse ouvir o novo desastre que tinha caído sobre o batalhão de Simmerson. Sharpe quase não voltara a ver Sterritt desde a batalha da ponte. O homem tinha um medo evidente de Simmerson, dos homens, de Sharpe, de toda as pessoas, e procurava passar despercebido. Resumiu-lhe os acontecimentos do depósito de madeira. Sharpe interrompeu-o.

— Eu já sei disso. O que está acontecendo no castelo?

— O coronel pediu para falar com o general Hill.

Ainda havia tempo. Levantou os olhos para o assustado capitão.

— Escute. Você não me viu. Entendido, Sterritt? Não me viu.

— Mas...

— Não há mas nem meio mas. Quer que fuzilem esses sessenta homens?

Sterritt abriu a boca. Voltou a olhar para as ruas em redor e dirigiu-se a Sharpe.

— As ordens do coronel são para que ninguém se aproxime do depósito de madeira.

— Você não me viu, assim, como posso ter conhecimento as ordens?

— Oh — respondeu Sterritt, sem saber como reagir.

Viu que Sharpe se afastava rua abaixo e desejou, uma vez mais, ter nascido quatro anos mais cedo; então teria sido o herdeiro e agora seria um latifundiário. Assim sentia-se um boneco arrastado pela corrente. Voltou-se tristemente para o castelo perguntando-se em que acabaria tudo aquilo.

Em frente do depósito de madeira havia um enorme espaço aberto como o terreno comunitário de uma aldeia inglesa, só que a erva aqui era amarelada e crescia humildemente sobre a terra escassa. Aquele terreno era usado para o mercado semanal, mas agora servia de terreno de jogos para os soldados de uma dúzia de batalhões. Sharpe viu tropas do 48 e do 29, e uma companhia dos Fuzileiros Reais Americanos cujas casacas verdes lhe trouxeram à lembrança dias mais felizes. Os homens aplaudiam e animavam os jogadores; Sharpe pensou que em breve teriam um espetáculo mais interessante para assistir.

Virou à esquerda, junto a um muro do depósito de madeira, e desceu na direção do olival. Não havia ninguém pelo caminho, tal como ele previra, mas ao aproximar-se chamou por Harper e como resposta ouviu uma torrente de ordens; eram os sargentos da Companhia Ligeira que conduziam os homens pelo caminho. Supunha que estariam renitentes em formar mas duvidava que se atrevessem a resistir-lhe; deteve-se e viu como Harper formava a companhia em quatro filas.

— Companhia formada, meu senhor.

— Obrigado, sargento.

Sharpe encaminhou-se para a primeira linha da companhia, de costas para as árvores e a multidão de espectadores constituídos pelas mulheres do batalhão misturadas com homens de outras companhias que tinham pulado o muro do depósito.

— Vamos formar imediatamente.

Não se mexeram. Olhavam fixamente em frente.

— Os seis homens destacados para o castigo dêem um passo em frente. — A hesitação foi momentânea. Os seis homens, três fuzileiros e três da Companhia Ligeira original, olharam para a direita e para a esquerda, mas deram um passo em frente. Gerou-se um murmúrio na tropa.

— Silêncio!

Os homens calaram-se mas de atrás, do olival, um grupo de mulheres começou a gritar insultos e a dizer aos seus homens que não fossem covardes. Sharpe deu a volta.

— Calem a boca! As mulheres também podem ser açoitadas!

Mandou a companhia marchar para a praça do mercado e fez sair da fina erva os ociosos renitentes. Os seis homens que tinham de ser açoitados permaneciam na primeira fila, vestidos apenas com as calças e a camisa. Foi fácil convencê-los. Sharpe adivinhava pela fisionomia deles que se sentiam aliviados por tê-los obrigado a formar. Quaisquer que fossem as palavras inflamadas que tivessem sido pronunciadas na ardente tarde espanhola, Sharpe sabia que nenhum homem queria realmente passar pela inutilidade de enfrentar a máxima autoridade do exército. Isso parecia simples, pensava, e agora tinha de persuadir as outras nove companhias, encaminhou-se para os seis homens da primeira fila e olhou-os com severidade.

— Sei que é injusto — falava baixo. — Vocês não provocaram o ruído desta manhã.

Deteve-se. Não estava seguro do que queria dizer e se continuasse poderia parecer que partilhava em demasia os protestos deles. Gataker, um dos infelizes fuzileiros, sorriu alegremente.

— De acordo, senhor. Não é culpa sua. Subornamos os rapazes dos tambores.

Sharpe também sorriu. O suborno não serviria de nada, Simmerson se asseguraria disso, mas agradecia as palavras de Gataker. Deu cinco passos atrás e ergueu a voz.

— Esperem aqui! Se algum homem se mexer substituirá um dos seis.

Caminhou pela erva até à porta de dois batentes do depósito de madeira.

Na realidade nunca tinha estado preocupado pelos seus homens, sabia que o seguiriam, mas enquanto caminhava para as portas fechadas interrogava-se sobre o que se cozinhava no interior, e, ainda mais, que problema estava se fomando atrás das muralhas de lousa do castelo. Tocou no punho da espada e continuou a andar.