A Águia de Sharpe
Dedicatória
Para Judy
Todo o homem se envergonha De não ter sido soldado
Samuel Johnson
PRÓLOGO
1809
O Exército britânico estava dividido regimentos como ainda hoje, mas a maior parte deles recebia um número e não um nome; assim, por exemplo, o regimento de Bedfordshire chamava-se na realidade o 14, os Comandos de Connaught o 88 e assim sucessivamente. Os soldados preferiam os nomes, mas tiveram de esperar até 1881 para que isso fosse oficialmente aprovado. Não dei deliberadamente qualquer número ao South Essex pois trata-se de um regimento fictício.
Um regimento era uma unidade administrativa; a unidade básica de combate era o batalhão. A maior parte dos regimentos consistia, pelo menos, em dois batalhões, mas alguns, como o imaginário South Essex, eram pequenos regimentos de um único batalhão. É por isso que em Sharpe e a Águia do Império se usam indistintamente ambas as palavras em referência ao South Essex. Em teoria, um batalhão tinha mil homens, mas as doenças e as baixas, aliadas à escassez de recrutas, faziam com que os batalhões entrassem freqüentemente em batalhas com apenas quinhentos ou seiscentos homens.
Todos os batalhões estavam divididos em dez companhias. Duas delas, a Companhia Ligeira e a Companhia de Granadeiros, constituíam a elite do batalhão e, em particular as companhias ligeiras, eram tão úteis que se recrutavam ou se ampliavam regimentos completos de tropas ligeiras, como os Fuzileiros do 95º.
Um batalhão era normalmente comandado por um tenente-coronel, com dois majores, dez capitães e, abaixo destes, os tenentes e alferes. Nenhum destes oficiais tinha recebido qualquer tipo de preparação; isso estava reservado aos oficiais de engenharia e artilharia. Um em cada vinte oficiais era promovido. A promoção normal efetuava-se mais por antiguidade do que por mérito, mas um homem rico, desde que tivesse servido durante um determinado período num posto, podia comprar a promoção ao posto seguinte e, desta forma, antecipar-se. O sistema de compra podia levar a promoções muito injustas, mas vale recordar que, sem ele, o soldado britânico de grandes êxitos militares, Sir Arthur Wellesley, posteriormente duque de Wellington, não teria alcançado uma graduação suficientemente elevada no início da sua carreira, para formar o mais extraordinário exército que a Grã-Bretanha teve; o exército em que Richard Sharpe lutou contra os franceses em Portugal, Espanha e França entre 1808 e 1814.