A Batalha de Maldon e O Regresso de Beorhtnoth

J. R. R. Tolkien · Capítulo 8 de 17

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A Batalha de Maldon e O Regresso de Beorhtnoth

PARTE DOIS: A Batalha de Maldon

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A Batalha de Maldon

 

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[A nota a seguir é oriunda dos abrangentes comentários introdutórios de Tolkien sobre o poema (Biblioteca Bodleiana MS. Tolkien A 30/2, ff. 74–83). Ela foi editada de modo a fornecer, nas palavras do próprio Tolkien, uma breve indicação da história textual e relevância literária de Maldon. O material aqui data da segunda metade dos anos de 1920, quando Tolkien ministrou palestras primeiro sobre “A Poesia do Anglo-Saxon Reader [Antologia de Anglo-Saxão], de Sweet” (Michaelmas 1926) e, depois, sobre Maldon (1928 e 1930).]

O manuscrito (Cotton Otho A XII) foi quase completamente destruído pelo fogo em 23 de out. de 1731. Ele era, na verdade, um compósito de manuscritos de natureza e períodos bem diferentes. O conteúdo dele está descrito no Catálogo de Wanley […]. Ele acrescenta excertos da Historia Eliensis sobre a vida de Byrhtnoth.

E isso é tudo o que saberíamos do poema, não fosse por um afortunado acaso: omas Hearne, um eminente antiquário do século XVIII o publicou em 1726 (na miscelânea de um apêndice contendo materiais estranhamente variados e frequentemente de pouca importância para o assunto do livro): Johannis Confratris & Monachi Glastoniensis Chronica. Tenho aqui um exemplar se alguém quiser ver.

Esse é o caso ao longo de toda a literatura em inglês antigo: quase tudo o que sobrevive é de extrema importância. O Lamento de Deor — Estró co! Waldere — abrangente ciclo de lendas gmc. [germânicas], vigorosamente acalorado! Líricas, Adivinhas. Maldon. Repassar 2 opiniões 1) a prática de poesia aliterante não era do S.O. [saxão ocidental] 2) ela já estava irremediavelmente decrépita no século X.

Já se pensou nesse texto como a obra de um poeta compondo versos vigorosos no calor dos acontecimentos — e, por acaso, escrevendo dois versos lembrados como sendo a melhor e mais concisa a rmação do espírito heroico do Norte.

Não sabemos nada sobre quem escreveu esse poema — chegou até nós na forma comum ao cancioneiro em inglês antigo: em saxão ocidental, com formas fortuitas não ocidentais — aqui também com sinais claros de que foi composto tardiamente […] e, ademais, di cultado por erros cometidos por um antiquário do século XVIII cujo conhecimento de inglês antigo era bem escasso. Talvez tenha sido um homem de Essex, ou mesmo da casa de Byrhtnoth. Beorhtnoth, ou, na forma tardia, Byrhtnoth, era Ealdormano de Essex.

O idioma dos antigos lais foi usado, mas deve-se lembrar que, de muitas formas, a vida ainda era el a esse idioma. Beorhtnoth era um homem de alta posição, com seu próprio séquito e comitiva, atados por laços pessoais a ele e sua casa, bem como um “duque” enérgico, um imediato do rei cuja fama e bravura lhe conquistaram respeito por todo o reino. Mortes como as de Byrhtnoth são de maior monta do que todas as vitórias de exércitos imperiais desde que o mundo começou. É delas que nasce a verdadeira literatura — a literatura animada pelo verdadeiro sentimento humano (tão semelhante e tão completamente diferente dos seus arremedos).

Se for isolado das palavras afoitas — mas tocantes e fervorosas — desse fragmento fortuito, seu último discurso soa comoventemente verdadeiro, mesmo nesta época (descon ada, mesmo que crédula, de declarações ditas em voz baixa). Ele morreu defendendo seu senhor, a Inglaterra e a Cristandade, agradecendo a Deus por todos os júbilos da vida. E essa coisa que foi preservada (por acidente?!) sobrevive para subverter as estimativas nos livros didáticos sobre a Inglaterra de Æthelred e joga mais luz do que qualquer outro documento nas penosas contendas, e nos desastres, e no heroísmo dos ingleses. Uns 300 anos de tormento foram necessários para apaziguá-los. O que Byrhtnoth fez que não foi cantado — Que canções sobre Byrhtnoth foram perdidas! Que devastação de grandes terras, coisas boas da Inglaterra, vidas soberbas — e o ganho de uns poucos versos comoventes que ainda são capazes de revolver as raízes nos corações daqueles que se dão ao trabalho de aprender a língua. O coração pode se comover com muitas outras coisas, mas talvez não haja arrebatamento mais salutar do que aquele que chega ao se captar com ouvidos receptivos preleções nas vozes do próprio povo, vindas de anos longínquos desde a Inglaterra que foi e (talvez) ainda seja.

Maldon não é apenas algo de interesse intrínseco; hoje em dia, desperta também um interesse acidental por trazer à tona os sentimentos, o código de conduta e as lutas desesperadas dos homens na Inglaterra há muito tempo. Ele nos dá um vislumbre perturbador, o bastante para provar que sabemos pouquíssimo da história e do destino das [?formas] nativas da poesia na Inglaterra antes de 1100.

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