A Batalha de Maldon e O Regresso de Beorhtnoth
II. A Tradição da Versificação em Inglês Antigo [continuação]
II
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emenda seja óbvia, quer não. Em primeiro lugar, o v. 1 é defeituoso porque o 77 manuscrito está Tratarei primeiro de certos versos em que a corrupção é indubitável, quer sua
capite mutilus. No v. 109, a palavra grimme é omitida no
início (por haplogra a, devido à semelhança com grundene). A segunda metade do v. 172 está faltando devido a algum acidente (provavelmente do escriba).
Outros versos contestáveis podem ser examinados agora.
(a) Provavelmente ou certamente corrompidos
1. 75: wigan wigheardne, se wæs haten Wulfstan. Esse é um caso em que o 78 fonema dominante da aliteração está fora do lugar. Há dois outros casos aparentes dessa falta um tanto grave: 45 e 288. Mas, seja lá o que se pense desses outros dois, é difícil acreditar que o 75 tenha sido registrado exatamente como o autor o compôs. Seu defeito é remediado muito facilmente, e a corrupção é de um tipo muito banal e frequente. O autor provavelmente disse: Wulfstan haten , que ainda era uma maneira corrente de se expressar, e assim permaneceu até muito depois. Nesse caso, temos em nosso texto uma substituição por um equivalente mais verborrágico e mais prosaico. Mas, de toda forma, a ordem atestada está provavelmente incorreta (talvez devido à transcrição): a ordem mais natural, mesmo usando o pronome relativo, é se Wulfstan wæs haten . Compare: An preost wes on leoden; La ȝ amon wes ihoten, he wes Leouenaðes sone [ Brut , de Layamon]. 2. 7: he let him þa of handon leofne eogan . É defeituoso pois coloca a aliteração na palavra mais fraca ( let ) somente no primeiro hemistíquio. No falar real da linguagem mais antiga, os verbos nitos eram normalmente
conseguinte, admitido na versi cação. Não era uma regra métrica. A regra 79 métrica é que, dos dois “lifts” em um meio-verso, subordinados aos substantivos concomitantes; e esse fato era, por
o mais alto e mais
audível deve carregar a aliteração (e o outro pode se juntar a ele). Obedecia-se à regra quando a palavra mais enfática aliterava de fato — a classe gramatical podia variar em diferentes línguas ou épocas, sem que se violasse a regra métrica. É provável, tanto pela aliteração em poemas posteriores quanto pelo desenvolvimento linguístico, que a subordinação de verbos nitos tenha se tornado cada vez menos marcada em inglês, como regra geral. Assim, encontramos verbos, em vez de substantivos, que carregam a aliteração em muitos versos de Maldon. Trataremos desses depois. Mas, neste verso, temos uma forma e um uso verbais que são especialmente fracos. Um pretérito desse tipo — especialmente se usado de forma “auxiliar”, antes de um in nitivo regido — frequentemente era um mero “dip” na poesia mais antiga, indicando que a pronúncia era em tom bem baixo. Ademais, nesse uso, letan era demonstravelmente fraco pelo desenvolvimento de formas com a vogal temática reduzida em inglês médio (e outras línguas). Portanto, devemos considerar o verso 7 como defeituoso. Mas é no mínimo provável que a palavra comum e prosaica handon entrou no lugar do equivalente poético folman. Um processo semelhante é observado muitas vezes em Beowulf, por exemplo 965 (mundgripe no lugar de handgripe do manuscrito, demonstrado pela aliteração dominante em M.). Sugere-se, ademais, que foi isso o que aconteceu aqui pelos vv. 108–9: Hi leton þa of folman feolhearde speru; e 150 eogan of folman. A aliteração cruzada resultante, de acordo com a técnica de Maldon, bastaria para corrigir o fato de que o fonema dominante ainda recaía em uma sílaba fraca. Compare he gehleop þone eoh þe ahte his hlaford 189, que é um paralelo inverso. A aliteração cruzada é de nitivamente uma característica de Maldon. Ocorrências claras de sua
provavelmente 285; da forma abba, 159, 167, 189, 289. Casos mais 80 fugidios de eco aliterante são 34, 75, 130, 151, 197, 262, 318. forma normal (abab) são 24, 63, 68, 98, 170, 255, 256, 320, e
3. Também é difícil de acreditar que, no v. 224 — he wæs ægþer min mæg and
min hlaford —, temos precisamente o que foi composto. O primeiro
hemistíquio é passável; o segundo ou precisa receber uma tônica em min, o que é manifestamente contrário à ênfase natural e à oposição aqui entre mæg e hlaford, ou então nenhum deles está em conformidade na escansão ou na aliteração. Mas deve-se admitir que, embora (num poema competente, de forma geral) corrupções em um verso assim sejam altamente prováveis — em particular porque ainda é tão fácil expressar o exato sentido desejado dentro do metro e idiomaticamente que um
uma emenda satisfatória que traga consigo a explicação para a corrupção 81 não é óbvia. falante nativo de anglo-saxão mal deve ter hesitado com a métrica —,
4. A ausência completa de aliteração em 183 — Ælfnoð and Wulmær begen lagon — é geralmente reconhecida como resultado de corrupção. As 82 emendas possíveis são bewegen “mortos”, corrompido para begen por
in uência de begen no verso anterior, o que por si só torna suspeito o begen em 183. Ou a mera omissão de palavras: por exemplo begen (on wæle) lagon.
(b) Aliteração com palavras “fracas”
Permanecem alguns outros versos em que a aliteração pode ser considerada imperfeita. A aliteração recaindo em um verbo em detrimento de um substantivo já foi mencionada. Casos que provavelmente são perfeitamente genuínos são os aludidos acima: 128 Hogode to wige (contraste Yfeles hogode 133); 242; 127; 240; 189. O último, como observado, é assistido pela aliteração cruzada. Eles não podem ser analisados simplesmente como uma técnica mais livre, mas, na verdade, como estando em conformidade com as regras oriundas do aumento no acento verbal — especialmente porque em
formóni man þa he on méare rád 239, a ênfase em moni naturalmente o ergue 83 acima das outras palavras. quatro desses cinco casos o verbo precede seu sujeito. Mas em wénde þæs
A acentuação ocasional de um verbo é, na verdade, encontrada na poesia mais antiga, e exemplos também se veem nas Crônicas em verso (em metro
Confessor). 282, Sibyrhtes broðor and swiðe mænig oþer, provavelmente tem 84 aliteração o bastante. Assim interpretado, rígido): por exemplo þæs þe us Secgað bec (Brunanburh); beFæste þæt rice (E., O é passável em termos de escansão de acordo com o sistema de Maldon, com tipos alongados, como se discutiu acima. Mas temos aqui, provavelmente, o acessório da rima. Isso será discutido adiante, com referência ao verso 271.
(c) Head-stave mal posicionado
Mais graves são as violações da regra quanto à posição do head-stave, o fonema dominante da aliteração, no segundo hemistíquio. Uma regra fundamental da prática antiga (nórdica e inglesa), é a de que o fonema aliterante de um verso é o da primeira sílaba tônica (ou lift) do segundo hemistíquio. Ela não é violada na boa poesia, pois é essencial para a estrutura do verso. Desconsiderar essa regra altera completamente seu caráter. Em Maldon, contudo, encontramos (além do caso descartado acima, no v. 75):
gehyrst þu, sælida, hwæt þis folc segeð 45
raðe wearð æt hilde Offa forheawen 288
Do ponto de vista editorial, provavelmente deveríamos mantê-los, já que a forma de emendá-los não é óbvia e, para um crítico textual, Maldon é primariamente o fragmento que sobreviveu. Mas, para o historiador métrico, podem ser considerados versos corrompidos. São os únicos casos claros em que a primeira tônica no segundo hemistíquio não alitera: e isso é falta grave. Atribuí-los ao competente autor do poema é difícil — a menos que o poema fosse improvisado, e nunca revisado; isso é menos provável do que a corrupção causada pela repetição. Parecem-me casos bastante claros de dano por repetição (se não pelo escriba), de acordo com o processo considerado anteriormente. Pois em ambos os casos não há qualquer di culdade em expressar o pensamento de acordo com a métrica, até mesmo empregando palavras usadas em outros lugares do fragmento; e menos di culdade ainda se for usado o material disponível em inglês antigo de forma geral. Um anglo-saxão mal precisaria dispensar um minuto de re exão para cada verso se lhe pedíssemos para ajeitá-los.
Para o 45, o poeta tinha à disposição otan (72, 227), lidman (99, 164), leode (23, 50), para não falar de outros sinônimos de sælida ou folc; ou uma simples reorganização hwæt segeð þis folc, a qual, embora não seja tão boa, seria uma ordem natural para ele, su ciente para sua técnica. É claro que, pelos princípios editoriais comuns, naturalmente relutamos em substituir uma boa palavra poética como sælida, visto que se tornou quase uma suposição axiomática (que certamente encontra alguma sustentação em manuscritos da
substituíam por palavras prosaicas. Mas não temos de nos haver somente com 85 escribas. poesia mais antiga) que os escribas, quando substituíam alguma coisa, Aqui, provavelmente temos os recitadores contemporâneos do poeta
que conheciam sælida tão bem quanto ele.
Em 288, não podemos reorganizar bem a sequência. Colocar Offa no nal reti caria o metro, mas é muito arti cial. Se há alguma corrupção, é porque (a) “Offa” esgueirou-se involuntariamente vindo do verso 286, causando um deslocamento e, possivelmente, perda de palavras: algo muito provável na repetição oral; ou (b) porque æt hilde substituiu algumas outras palavras (como por exemplo depois de forheawen æt hilde 223) que não expressavam necessariamente a mesma ideia: novamente, algo muito provável na repetição. No primeiro caso, podemos comparar com 113–5: Se Wulfmær tivesse ido parar no verso 115, demovendo he 114 e swiðe 115, a aliteração teria sido
ou armas, foi alterada; ou que algum outro sentido adequado, começando com 86 uma vogal, foi alterado: por exemplo destruída. No segundo caso, podemos supor que alguma palavra para batalha, mid ecgum (cf. ecg 60 e mid billum 114).
(d) Irregularidades menores na aliteração
O poema que chegou até nós tem vários outros versos com irregularidades menores na aliteração. Os seguintes provavelmente contêm não tanto uma contravenção das regras antigas quanto evidências de uma leve mudança na língua.
Assim: 308 unwáclìce wæpna neotan exibe um pre xo un- átono, em contraste com, digamos, únwàclìcne (Beowulf 3138). Mas un (originalmente uma forma átona em pré-germânico) tinha uma tendência natural a perder o acento, ou a variá-lo (como ainda acontece). O uso atônico se encontra até mesmo na poesia mais antiga: cf. unMúrnlìce madmas dæleþ (Beo. 1756) contrastado com eteð angenga Únmùrnlìce 449.
Contudo, 57 é mais incomum: ùnbefóhtene nu ge þus feor hider. A aliteração somente no segundo lift está em ordem, admitindo-se que o segundo lift não seja inferior em ênfase ao primeiro. Tratar un, separado ritmicamente por uma sílaba fraca da raiz tônica, como inferior é menos comum. Compare unforcuð 51. Mas isso está provavelmente de acordo com a língua real, e deve-se à alteração da subordinação estrita da segunda de duas sílabas tônicas, o que geralmente prevalecia na linguagem mais antiga. Portanto, devem ser considerados de modo semelhante 298 þurstanes Sunu wið þas Secgas feaht; e 80 Ælfere and Maccus Modige twegen. Ainda que facilmente aperfeiçoados transpondo-se sunu e Maccus, são provavelmente genuínos. Semelhantes também são 266 he wæs on Norðhymbron heardes cynnes e 242 scyldburh tobrocen abreoðe his angin. Esse último pode facilmente ser reescrito com uma transposição (ainda que o tipo resultante não seja bom) ou uma substituição pelos sinônimos bordhaga, bordhreoða (nenhum dos quais, contudo, ocorre em Maldon ). 266 pode ser aperfeiçoado pela forma Norðanhymbrum (nesse caso, seria paralelo a 80, 298). Mas, embora nenhum deles seja estritamente regular de acordo com a língua antiga, são provavelmente genuínos: 266 como testemunha de uma pronúncia real norþhymbre (cf. Northumberland); 242 atestando uma ênfase especial em tobrocen. Nesse caso, 266a não é do tipo C (o
somente no segundo lift), mas do tipo A, com um lift suave e até mesmo 87 aliteração em qual, quando genuinamente presente, é naturalmente intolerante à aliteração he. O b de burh ajuda a suavizar 242.
(e) Rima
271 não tem nenhuma aliteração: æfre embe stunde he sealde sume wunde; st e s não aliteram. O verso também é notável por ter uma rima — que, portanto, aparece pela primeira vez em um poema no geral competente de verso aliterante, como substituta para a aliteração, e não como mero ornamento. A rima como adorno, tanto dos tipos aðalhending quanto skothending, encontra-
como em Maldon 110 (bord ord onfeng); ou no nal dos hemistíquios, como 88 em se em toda a poesia em inglês antigo, seja dentro do hemistíquio nos ecos
Byrhtnoð maþelode bord hafenode 42 (e, similarmente, em 309); ou em
wundon / sund wið sande (Beo. 212–213). No v. 282, temos um caso em que a 89 rima é quase vitoriosa. arranjos mais complexos e intencionais (mas extramétricos), como em streamas
Mas não acredito que o v. 271 provenha mesmo do autor. Ele é isolado e destacável (e débil no efeito). Parece-me que escorregou de um estilo diferente — o de textos mais populares para recitação, ou “gieddas” [canções, lais] semimetri cadas que provavelmente circulavam, ainda que tenhamos escasso registro delas em inglês antigo. No que restou — os trechos em giedd na
narrativa, não estão em verso aliterante e, em alguns casos, são marcados 90 apenas por um estilo antitético de grupos frasais semelhante ao da poesia Crônica, que, embora sejam tratados pelos escribas como distintos da “prosa” — é
notável que o agrupamento por rima seja especialmente frequente com sume. Como no ano 1036 (manuscritos C e D), Ælfred Æþeling: sume hi man wið feo sealde, sume hreowlice acwealde etc.
Mas, é claro, a rima — que desde tempos imemoriais ligava palavras como ceorl e eorl, tanto quanto a aliteração ligava outras como þeoden e þegn, e que provocava os ouvidos dos poetas, mesmo se não houvesse o exemplo dos hinos da igreja e do latim tardio conhecido dos eruditos — não pode ser excluída do conhecimento do autor de Maldon. É mesmo uma questão de estilo e adequação: e, quanto a esses, nós talvez não sejamos agora os melhores juízes. Já não é mais, no vernáculo, uma novidade que poderia induzir mesmo um poeta aliterante competente a um erro de discernimento, pelo prazer de exibir um som diferente. Em tudo o que se disse até agora não se nega o fato de que o discernimento pode vacilar ou faltar — ainda que as regras permaneçam.
(f) Defeitos menores de escansão
A presença de tipos alongados foi aludida anteriormente, quando se tratou de siðian mote, þa otan stodon gearowe e meios-versos semelhantes. E também a anacruse no segundo hemistíquio. Eles foram atribuídos a uma verdadeira diferença de regras em relação às que prevaleciam em certos tipos de composição: Maldon, embora seja um poema “bom”, no qual analisamos descon ados os defeitos quanto à fundamental aliteração, é de escansão mais livre e solta, não necessariamente (embora possivelmente) um desenvolvimento mais recente do que, digamos, o modo de escansão de Beowulf. Em geral, carrega semelhanças com o málaháttr. E certamente tem relação com o desenvolvimento do inglês médio, em que a sobrecarga, especialmente do primeiro hemistíquio, destruiu o equilíbrio original da estrutura antiga. Vemos em Maldon o aumento de peso no começo dos tipos B e C, que abrem com dips. Assim é he hæfde god geþanc 13; 50; 93; 195; 212 etc. Mas, é claro, tais
coisas se encontram em toda a poesia mais antiga: é só uma questão de 91 proporção e efeito geral. O efeito geral em Maldon é de menos compacidade e mais verbosidade. Portanto, notamos com curiosidade os exemplos que parecem não atingir o mínimo . Exemplos de versos leves demais são: folc and foldan feallan sceolon 54; 264; 299. 270 também é notável.
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Notas
76 [Para uma descrição deste texto, veja a nota introdutória da Parte Três neste volume.]
77 [O início do poema, como Tolkien observa em “A Morte de Beorhtnoth”, se perdeu.]
78 No original head-stave. Staves, como observa Tolkien no nal da sua “receita”, são os fonemas de um mesmo verso que aliteram. O head-stave é o fonema dominante, aquele que determina qual será a aliteração do verso: é tipicamente o fonema da primeira sílaba tônica no segundo hemistíquio. Ver adiante o item (c). [N.T.]
79 Em “On Translating Beowulf” (Monsters and the Critics, pp. 61–2), Tolkien explica o que são lifts e dips na poesia em inglês antigo: os lifts são os elementos fortes em um verso, por padrão uma sílaba longa e tônica. Os dips, mencionados adiante, são os elementos fracos: uma sílaba átona (longa ou breve). [N.T.]
80 A terminação um do dativo (plural ou singular) ocorre 39 vezes escrita corretamente em Maldon, incluindo handum em suas duas outras ocorrências (4, 14). Mas handon, mesmo que a alteração tenha ocorrido depois de o poema ser escrito, não corrobora muito a correção para folman, visto que um caso claro de dat. pl. com on ocorre em mid leodon 23 (além do 50). on também ocorre em hwilon, num uso adverbial reduzido em 271; e em 306, e depois de on, em on Denon 129, 218, 266. Sete vezes ao todo. Esses últimos casos, ainda que o surgimento de on seja favorecido por um contexto ortográ co, claramente indicam uma mutação fonética normalmente desconsiderada na ortogra a. Trata-se de uma mutação de um > on (o no lugar de u é consequência da alteração de m). O on regular do subjuntivo em Maldon é uma mutação primariamente gramatical, não fonética, devido à assimilação de en para on, começando nos verbos pretérito-presentes [verbos das línguas germânicas que, embora estejam no tempo presente, têm a forma de verbos no pretérito – N.T.] e modais (donde sceoldon, Maldon 19, 291, 307, moston 83, 263). en foi mantido no passado particípio e em palavras como þeoden.
81 Outro caso de glosa prosaica é concebível: por exemplo (min) hlaford substituiu um sinônimo poético começado por m, como mundbora. Ou o composto heafod mæg, equivalente poético de mæg, pode estar envolvido; mas isso provavelmente exigiria que também rearranjássemos o verso para min hlaford and min heafod mæg. Mundbora ocorre nas Crônicas poéticas do século décimo, especialmente associado a Myrcna.
82 O ponto fraco dessa atraente emenda é que bewegen só ocorre em dois outros lugares, ambos em verso e ambos com o sentido de “cobrir”. Visto que forwegen, “morto” ocorre mesmo em Maldon 228, seria provavelmente melhor usar essa palavra: nas circunstâncias especiais da passagem, seria quase igualmente provável ser corrompida para begen.
83 O primeiro hemistíquio desse verso é de um tipo mais livre ou fortuito — mas não viola as regras: a linguagem é coloquial, não formal. Man é bem fraco e subordinado; moni man é um substituto coloquial para a forma fraca ou pronominal faltante de monig e é metricamente equivalente a (/ u). O pre xo for — não é realmente um advérbio à parte — no sentido de “muito” ou “demais” (como o latim per) é acentuado, às vezes, mas geralmente não. Compare a variação com o pre xo un-, e a acentuação variável em nosso “too”: that is too many ou that is too many. Demonstra-se, por aliteração ou escansão, que for em forswið, forswiðe (Wonders of Creation 26 e Salmo 84, respectivamente) e forwel (Salmo 131) é átono.
84 Para o acento em swiðe, cf. v. 115.
85 Se a corrupção foi por parte do escriba, então ela provavelmente está em gehyrst, ou seja: uma substituição prosaica de ( ge)frigest, que é uma palavra poética: “Tu perguntas?”. A aliteração cruzada resultante seria então um paralelo próximo a 189 e à emenda proposta do verso 7.
86 Observe que raðe 288 não certi ca que a aliteração era em h. Tanto hr quanto r são provados por aliteração na poesia anglo-saxônica, e ambas as formas são etimologicamente distintas. Em Maldon, a forma registrada é apenas raðe, que ocorre também em 164, no qual não participa da aliteração.
87 A aliteração do segundo lift desconsiderando um adjetivo antecedente também se vê em ealra þæra Wynna 174; e þæt þu minum gaste 176. Mas estes têm paralelo na poesia mais antiga, e min, þin eram tratados de formas variadas.
88 Cf. também eorl to þam ceorle 132. Compare ceorlum 7 eorlum no Menológio (Abingdon Chronicle, l. 31).
89 O único paralelo que consigo apontar de uma rima usurpando a função da aliteração é um bem remoto. O tipo de meio-verso em inglês antigo que consiste em três palavras acentuadas (normalmente organizadas nos tipos D ou E) é comum. Há 70 exemplos em Beowulf no primeiro hemistíquio, e em todos os casos há dupla aliteração, salvo apenas no 1422, od blode weol, no qual a rima é claramente usada para o mesmo propósito: aliviar o peso. Cf. od blod gewod (Êxodo 463). Um exemplo tardio de rima com aliteração está no ano 1067 da Crônica Anglo-Saxã, a respeito de Margaret (versos de escansão irregular, mas todos aliterantes): mid lichomlicre heortan on þisan life sceortan.
90 Como no ano 959 (manuscritos D e E), Caráter de Eadgar.
91 Mas não encontramos — a não ser ocasionalmente e provavelmente por acidente — três fonemas aliterantes no primeiro hemistíquio, o que é quase tão destrutivo para o caráter apropriado do metro quanto duas aliterações no segundo. Wodon þa wælwulfas 96 é o único exemplo claro, e é provavelmente fortuito e mal percebido; mas é o tipo de gérmen a partir do qual poderia se desenvolver a sobrecarga e a aliteração tripla do inglês médio. Não inconscientemente! Mas por escolha dos poetas. Deve-se julgar, contudo, que eles devem ter perdido o gosto pela estrutura da antiga organização e a percepção dela.
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