A Infância de Jesus
Capítulo 4
Os magos do Oriente e a fuga para o Egito
1. O QUADRO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DA NARRAÇÃO
Será difícil encontrar outra narração bíblica que tenha estim ulado tanto a im aginação, a pesquisa e a reflexão com o a narrativa dos “m agos vindos do Oriente”; um a narrativa que o evangelista Mateus coloca im ediatam ente depois da notícia do nascim ento de Jesus: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tem po do rei Herodes, eis que vieram m agos [astrólogos] do Oriente a Jerusalém , perguntando: ‘Onde está o rei dos j udeus recém -nascido? Com efeito, vim os a sua estrela no Oriente e viem os hom enageá-lo’ (2, 1-2).
A prim eira coisa que aqui se nos depara é a determ inação clara do quadro histórico com a m enção do rei Herodes e do lugar de nascim ento, Belém ; indicam -se um a pessoa histórica e um lugar geograficam ente determ inado. Entretanto, em am bas as referências, são dados tam bém elem entos de interpretação. No seu livro Die matthäischen Weihnachtsgeschichten [As narrativas de Natal segundo Mateus], Rudolf Pesch pôs fortem ente em destaque o significado teológico da figura de Herodes: “Com o no Evangelho de Natal (Lc 2, 1-21) se m enciona no início o im perador rom ano Augusto, assim a narrativa de Mateus 2 com eça de form a sem elhante com a m enção do “rei dos j udeus”, Herodes. Se lá o im perador, com a sua pretensão relativa à pacificação do m undo, estava nos antípodas do m enino recém -nascido, aqui está o rei, que reina graças ao im perador e o faz com a pretensão quase m essiânica de ser, pelo m enos para o reino j udeu, o redentor” (pp. 23-24).
Belém é o lugar de nascim ento do rei Davi. No decorrer da narração, o significado teológico daquele lugar será posto em evidência ainda m ais diretam ente através da resposta que os escribas darão à pergunta de Herodes sobre o lugar onde deveria nascer o Messias. Tam bém o fato de ter sido determ inada m ais precisam ente a posição geográfica de Belém , com o aposto “de Judá”, poderia encerrar um a intenção teológica. Na sua bênção, o patriarca Jacó diz profeticam ente a seu filho Judá: “O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de chefe de entre os seus pés, até que o tributo lhe sej a trazido e lhe obedeçam os povos” (Gn 49, 10). Num a narração que trata da chegada do Davi definitivo, do recém -nascido rei dos j udeus que salvará todos os povos, é possível no horizonte de fundo perceber, de certo m odo, essa profecia.