A Infância de Jesus

Joseph Ratzinger · Capítulo 2 de 18

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A Infância de Jesus

Prefácio

 

Finalm ente posso entregar nas m ãos do leitor o pequeno livro, há m uito prom etido, sobre as narrativas da infância de Jesus. Não se trata de um terceiro volum e, m as de um a espécie de pequena “antecâm ara” aos dois volum es anteriores sobre a figura e a m ensagem de Jesus de Nazaré. Nele procurei interpretar, em diálogo com exegetas do passado e do presente, aquilo que Mateus e Lucas narram sobre a infância de Jesus, no início dos seus Evangelhos.

É m inha convicção que um a interpretação correta requer dois passos. Por um lado, é preciso interrogar-se sobre o que pretendiam dizer com o seu texto os respectivos autores, na sua época histórica: é a com ponente histórica da exegese. Mas não basta deixar o texto no passado, arquivando-o, assim , entre as coisas outrora sucedidas; a segunda pergunta que o exegeta autêntico deve fazer-se é: O que foi dito é verdade? Tem a ver com igo? Se for assim , de que m odo m e diz respeito? No caso de um texto com o o da Bíblia, cuj o autor últim o e m ais profundo – segundo a nossa fé – é o próprio Deus, a questão sobre a relação do passado com o presente faz parte, inevitavelm ente, da própria interpretação. Com isso, a seriedade da pesquisa histórica não dim inui, m as aum enta.

Preocupei-m e em dialogar, nesse sentido, com os textos. Entretanto, estou bem ciente de que esse diálogo, na ligação entre passado, presente e futuro, não poderá j am ais dar-se por com pleto e de que toda interpretação fica aquém da grandeza do texto bíblico. Espero que este pequeno livro, apesar dos seus lim ites, possa aj udar m uitas pessoas no seu cam inho para Jesus e com Jesus.

Castel Gandolfo, na solenidade da Assunção ao Céu da Virgem Santa Maria, 15 de agosto de 2012.

Joseph Ratzinger – Bento XVI