A Infância de Jesus

Joseph Ratzinger · Capítulo 7 de 18

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A Infância de Jesus

4. Concepção e nascimento de Jesus, segundo Mateus

Penso que sej a im portante ouvir tam bém a últim a frase da narração lucana da Anunciação: “E o anj o a deixou” (Lc 1, 38). A grande hora do encontro com o m ensageiro de Deus, na qual toda a vida m uda, passa; e Maria fica sozinha com a tarefa que verdadeiram ente supera toda a capacidade hum ana. Não há anj os ao seu redor; ela deve prosseguir pelo seu cam inho, que passará através de m uitas obscuridades, a com eçar pelo espanto de José perante a sua gravidez até o m om ento em que se diz de Jesus que está “fora de si” (Mc 3, 21; cf. Jo 10, 20), antes, até a noite da Cruz.

Quantas vezes, em tais situações, Maria terá interiorm ente voltado à hora em que o anj o de Deus lhe falara, terá escutado de novo e m editado a saudação “alegra-te, cheia de graça”, e as palavras de conforto “não tem as!”. O anj o parte, a m issão perm anece e, j untam ente com esta, m atura a proxim idade interior a Deus, o íntim o ver e tocar a sua proxim idade.

4. CONCEPÇÃO E NASCIMENTO DE JESUS, SEGUNDO MATEUS

Depois da reflexão sobre a narração da anunciação em Lucas, tem os agora de ouvir a tradição do Evangelho de Mateus relativa ao m esm o acontecim ento. Ao contrário de Lucas, Mateus se refere a esse fato exclusivam ente a partir da perspectiva de São José, que, enquanto descendente de Davi, faz a ligação da figura de Jesus à prom essa feita a Davi.

Mateus faz-nos saber, em prim eiro lugar, que Maria era noiva de José. Segundo o direito j udaico então em vigor, o noivado representava j á um vínculo j urídico entre os dois com prom etidos, pelo que Maria podia ser cham ada esposa de José, em bora não se tivesse ainda verificado o ato do seu acolhim ento em casa, que fundava a com unhão m atrim onial. Com o noiva, “a m ulher vivia ainda na casa dos pais e continuava sob a patria potestas. Passado um ano, realizava-se então o acolhim ento em casa, ou sej a, a celebração do m atrim ônio” (Gnilka, Das Matthäusevangelium I/1, p. 17). José teve de constatar, então, que Maria “achou-se grávida pelo poder do Espírito Santo” (Mt 1, 18).

Porém , aquilo que Mateus antecipa aqui sobre a origem do m enino, José ainda não o sabe. Supõe que Maria rom peu o noivado e – de acordo com a lei – deve abandoná-la; nessa situação, pode decidir entre um ato j urídico público e um a form a privada: pode levar Maria diante de um tribunal ou passar-lhe um a carta privada de repúdio. José escolhe a segunda via, para não a “difam ar” (v. 19). Nessa decisão, Mateus vê um sinal de que José era “hom em j usto”.

A designação de José com o hom em j usto (zaddik) vai m uito além da decisão tom ada naquele m om ento: oferece um retrato com pleto de São José e, ao m esm o tem po, insere-o entre as grandes figuras da Antiga Aliança, a com eçar por Abraão, o j usto. Pode-se dizer que a form a de religiosidade presente no Novo Testam ento se resum e na palavra “fiel”, enquanto, no Antigo Testam ento, o conj unto de um a vida se sintetiza segundo a Escritura no term o “j usto”.

O Salm o 1 apresenta a im agem clássica do “j usto”. Por conseguinte podem os considerá-lo quase com o um retrato da figura espiritual de São José. O j usto, segundo esse Salm o, é um hom em que vive em intenso contato com a Palavra de Deus, que “encontra o prazer na lei do Senhor” (v. 2). É com o um a árvore que, plantada à beira das águas correntes, produz continuam ente o seu fruto. Com a im agem das águas correntes, das quais se nutre a árvore, entende-se naturalm ente a Palavra viva de Deus, onde o j usto faz penetrar as raízes de sua existência. Para ele, a vontade de Deus não é um a lei im posta a partir de fora, m as “alegria”; para ele, a lei torna-se espontaneam ente “evangelho”, boa nova, porque ele interpreta-a num a atitude de abertura pessoal e cheia de am or para com Deus, e assim aprende a com preendê-la e vivê-la a partir de dentro.

Se o Salm o 1 considera, com o característica do “hom em feliz”, o seu habitar na Torah, na Palavra de Deus, o texto paralelo de Jerem ias 17, 7 cham a “bendito” aquele que “se fia no Senhor, cuj a confiança é o Senhor”. Aqui evidencia-se, com m ais força do que no Salm o, o caráter pessoal da j ustiça: o confiar em Deus, um a atitude que dá esperança ao hom em . Em bora nenhum dos dois textos fale diretam ente do j usto, m as do hom em feliz ou abençoado, podem os, j untam ente com Hans-Joachim Kraus, considerá-los com o a im agem autêntica do j usto veterotestam entário e assim , a partir daqui, aprender tam bém o que Mateus nos quer dizer quando apresenta São José com o “hom em j usto”.

Essa im agem – do hom em que tem as suas raízes nas águas vivas da Palavra de Deus, não cessa j am ais de dialogar com Deus e, por isso, sem pre produz fruto – torna-se realidade concreta no acontecim ento narrado, bem com o em tudo o m ais que se conta de José de Nazaré. Depois da descoberta feita por José, trata-se de interpretar e aplicar a lei de m aneira j usta; e o faz com am or: não quer expor publicam ente Maria à ignom ínia. Am a-a, m esm o no m om ento da grande desilusão. Não encarna aquela form a de legalidade exterior que Jesus denuncia em Mateus 23 e contra a qual luta São Paulo; José vive a lei com o evangelho, procura o cam inho da unidade entre direito e am or. E assim está preparado interiorm ente para a m ensagem nova, inesperada e hum anam ente inacreditável, que lhe virá de Deus.

O anj o “entra na casa” de Maria (Lc 1, 28), ao passo que a José aparece só em sonho, m as em um sonho que é realidade e revela realidade. Mais um a vez nos é apresentado um traço essencial da figura de São José: a sua percepção do divino e capacidade de discernim ento. Só a um a pessoa intim am ente atenta ao divino e dotada de um a peculiar sensibilidade a Deus e aos seus cam inhos é que a m ensagem de Deus pode vir ao encontro dessa m aneira; e a capacidade de discernim ento é necessária para se reconhecer se tratara apenas de um sonho ou, então, se o m ensageiro de Deus tinha verdadeiram ente vindo ter com ele e lhe falara.

A m ensagem que lhe é com unicada é desconcertante e requer um a fé excepcionalm ente coraj osa. É possível que Deus tenha verdadeiram ente falado? Que José tenha recebido a verdade no sonho, um a verdade que ultrapassa tudo aquilo que se possa esperar? É possível que Deus tenha agido dessa form a em um ser hum ano? É possível que Deus tenha realizado dessa m aneira o início de um a nova história com os hom ens? Antes, Mateus dissera que José estava “considerando interiorm ente” (enthymēthèntos) a questão da j usta reação à gravidez de Maria. Podem os, pois, im aginar com o ele terá então lutado, no seu íntim o, com esta m ensagem inaudita do sonho: “José, filho de Davi, não tem as receber Maria, tua m ulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo” (Mt 1, 20).

José é interpelado explicitam ente com o filho de Davi e desse m odo indica-se, ao m esm o tem po, a tarefa que lhe cabe nesse acontecim ento: enquanto herdeiro da prom essa feita a Davi, deve fazer-se garante da fidelidade de Deus. “Não tem as” aceitar essa tarefa, que pode verdadeiram ente suscitar tem or. “Não tem as”: isso dissera o anj o da Anunciação tam bém a Maria. Com a m esm a exortação do anj o, José vê-se agora envolvido no m istério da Encarnação de Deus.

Depois da inform ação sobre a concepção do m enino por virtude do Espírito Santo, é confiado a José um encargo: Maria “dará à luz um filho e tu o cham arás com o nom e de Jesus, pois Ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1, 21). Juntam ente com o convite a tom ar consigo Maria com o sua esposa, José recebe a ordem de dar um nom e ao m enino e, desse m odo, assum i-lo j uridicam ente com o seu filho. O nom e é o m esm o que o anj o indicara a Maria para o m enino: Jesus. O nom e Jesus (Jeshua) significa “o Senhor (YHWH) é salvação”. O m ensageiro de Deus, que em sonhos fala a José, esclarece em que consiste essa salvação: “Ele salvará o seu povo dos seus pecados”.

Desse m odo, por um lado, lhe é confiada um a alta m issão teológica, um a vez que só o próprio Deus pode perdoar os pecados. Assim o m enino é colocado em relação im ediata com Deus, está ligado diretam ente com o poder sagrado e salvador de Deus. Mas, por outro lado, essa definição da m issão do Messias poderia parecer tam bém decepcionante; é que a expectativa com um da salvação estava orientada sobretudo para a penosa situação concreta de Israel: para a restauração do reino davídico, para a liberdade e a independência de Israel e, desse m odo, naturalm ente tam bém para o bem -estar m aterial de um povo, em grande parte em pobrecido. A prom essa do perdão dos pecados oferece ora m uito, ora dem asiado pouco: m uito, porque se invade a esfera reservada ao próprio Deus; dem asiado pouco, porque parece que não são levados em consideração o sofrim ento concreto de Israel e a sua real necessidade de salvação.

Basicam ente, nessas palavras, encontra-se j á antecipada toda a controvérsia sobre o m essianism o de Jesus: Ele redim iu verdadeiram ente Israel ou não terá porventura deixado tudo com o antes? A m issão, tal com o Ele a viveu, é a resposta à prom essa ou não? Seguram ente não corresponde à expectativa im ediata da salvação m essiânica por parte dos hom ens, que se sentiam oprim idos não tanto pelos seus pecados m as, sobretudo, pelos seus sofrim entos, a sua falta de liberdade, a sua existência m iserável.

O próprio Jesus levantou drasticam ente a questão sobre a prioridade da necessidade hum ana de redenção, quando quatro hom ens, não podendo fazer entrar o paralítico pela porta por causa da m ultidão, o fizeram descer do teto para colocá-lo aos pés de Jesus. A própria existência do paralítico era um a oração, um grito que pedia salvação, um grito ao qual Jesus, em contraste total com a expectativa dos portadores e do próprio doente, responde com estas palavras: “Filho, os teus pecados estão perdoados” (Mc 2, 5). Isso não era precisam ente aquilo que o povo esperava, não era bem isso que entrava nos interesses do povo: o paralítico devia não ser liberto dos pecados, m as poder cam inhar. Os escribas contestavam a presunção teológica das palavras de Jesus; o doente e as pessoas ao redor estavam desiludidos, porque Jesus parecia ignorar a verdadeira necessidade desse hom em .

Toda a cena m e parece m uito significativa para a questão sobre a m issão de Jesus, tal com o é descrita pela prim eira vez nas palavras do anj o a José. Nela, se dá resposta tanto à crítica dos escribas com o à silenciosa expectativa do povo: Jesus, ordenando ao doente que tom e a sua m aca e vá em bora curado, dem onstra que é capaz de perdoar os pecados; e assim fica salvaguardada a prioridade do perdão dos pecados com o fundam ento de toda verdadeira cura do hom em .

O hom em é um ser relacional; se fica perturbada a prim eira relação fundam ental do hom em – a relação com Deus –, então nada m ais pode estar verdadeiram ente em ordem . É dessa prioridade que se trata a m ensagem e atividade de Jesus: Ele quer, em prim eiro lugar, cham ar a atenção do hom em para o cerne do seu m al, fazendo-lhe ver: se não estiveres curado nisso, então, apesar de todas as coisas boas que possas encontrar, verdadeiram ente não estarás curado.

Assim , na explicação do nom e de Jesus dada a José no sonho, j á está presente um esclarecim ento fundam ental sobre o m odo com o se deve conceber a salvação do hom em e, consequentem ente, qual é a tarefa essencial do portador da salvação.

O anúncio do anj o a José relativo à concepção e ao nascim ento virginais de Jesus é seguido, em Mateus, ainda por duas afirm ações com plem entares.

Antes de qualquer coisa, o evangelista m ostra que desse m odo se cum pre aquilo que estava predito na Escritura. Isso faz parte da estrutura fundam ental do seu Evangelho: fornecer um a “prova da Escritura” para todos os acontecim entos essenciais, a fim de deixar claro que as palavras da Escritura aguardavam por tais eventos e os prepararam em seu significado íntim o. Assim , Mateus m ostra que as palavras antigas se tornam realidade na história de Jesus; e, sim ultaneam ente, m ostra que a história de Jesus é verdadeira, isto é, provém da Palavra de Deus, é sustentada e perm eada por ela.

Depois da citação bíblica, Mateus com pleta a narração, referindo que José se levantou do sono e fez o que lhe fora m andado pelo anj o do Senhor. Tom ou consigo Maria, sua esposa, e, sem que antes a “tivesse conhecido”, ela deu à luz o Filho. Sublinha-se assim , um a vez m ais, que o Filho não é gerado dele, m as do Espírito Santo. Por fim , o evangelista acrescenta: ao m enino, “ele o cham ou com o nom e de Jesus” (Mt 1, 25).

Mais um a vez e de m aneira m uito concreta, José nos é apresentado aqui com o “hom em j usto”: o seu perm anecer interiorm ente alerta para Deus – um a atitude que lhe perm ite acolher e com preender a m ensagem – torna-se espontaneam ente obediência. Se antes procurara adivinhar com as próprias capacidades, agora sabe a coisa j usta que deve fazer. Sendo hom em j usto, segue a ordem de Deus, com o diz o Salm o 1.

Mas devem os, agora, ouvir a prova da Escritura apresentada por Mateus, que se tornou – e com o podia ser de outra m aneira? – obj eto de longas discussões exegéticas. O versículo soa assim : “Tudo isso aconteceu para que se cum prisse o que o Senhor havia dito pelo profeta: ‘Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e o cham arão com o nom e de Em anuel, que traduzido significa dizer Deus está conosco’ (Mt 1, 22-23; cf. Is 7, 14). Procurem os com preender, antes de m ais nada, no seu contexto histórico originário, essa frase do profeta, que através de Mateus se tornou um texto cristológico im portante e fundam ental, para verm os depois com o nela se reflete o m istério de Jesus Cristo.

Excepcionalm ente podem os fixar, de form a m uito precisa, a data desse versículo de Isaías: situa-se no ano de 733 a.C. Com um a repentina cam panha m ilitar, o rei assírio Teglat-Falasar III repeliu logo no início um a insurreição dos Estados siro-palestinenses. Então os reis Resin, de Dam asco (Síria), e Faceia, de Israel, uniram -se num a coligação contra a grande potência assíria; m as, não tendo conseguido persuadir o rei Acaz, de Judá, a aderir à sua aliança, decidiram entrar em luta contra o rei de Jerusalém para incluir o seu país na referida coligação.

Muito com preensivelm ente, Acaz e o seu povo ficam apavorados diante da aliança inim iga; o coração do rei e o do povo agitam -se “com o se agitam as árvores do bosque im pelidas pelo vento” (Is 7, 2). Apesar disso, Acaz – evidentem ente um político que calculava com prudência e frieza – m antém -se na linha j á tom ada: não quer aderir a um a aliança anti assíria que claram ente, diante da enorm e prevalência da grande potência, não tem qualquer possibilidade de sucesso. Em vez disso, conclui com a Assíria um pacto de proteção, fato este que, por um lado, lhe garante a segurança e salva o seu país da destruição, m as, por outro, exige com o preço a adoração das divindades estatais da potência protetora.

Na verdade, foi depois da conclusão do pacto, celebrado por Acaz com a Assíria não obstante a advertência do profeta Isaías, que se chegou à construção de um altar segundo o m odelo assírio no Tem plo de Jerusalém (cf. 2 Rs 16, 11ss; ver Kaiser, Der Prophet Jesaja, p. 73). Mas, no m om ento contem plado pela citação de Isaías (agora tom ada por Mateus), ainda não se tinha chegado a este ponto. Um a coisa, porém , era clara: se Acaz concluísse o pacto com o grande rei assírio, isso significaria que ele, com o hom em político, confiava m ais no poder do rei que na força de Deus, a qual, evidentem ente, não lhe parecia suficientem ente real. Em últim a análise, portanto, tratava-se aqui não de um problem a político, m as de um a questão de fé.

Nesse contexto, Isaías diz ao rei que não deve ter m edo diante daquelas “duas achas fum egantes” – a Síria e Israel (Efraim ) – e, consequentem ente, não havia m otivo algum para o pacto de proteção com a Assíria: deve apostar na fé e não num cálculo político. E indo totalm ente contra o costum e, o Profeta convida Acaz a pedir um sinal de Deus, quer nas profundezas dos abism os quer no alto dos céus. A resposta do rei de Judá parece devota: não quer tentar a Deus nem quer pedir qualquer sinal (cf. Is 7, 10-12). O profeta, que fala por ordem de Deus, não se deixa enredar; sabe que a renúncia do rei a um sinal não é – com o parece – um a expressão de fé, m as, pelo contrário, um indício do fato de não querer ser perturbado na sua “realpolitik”.

Então o profeta anuncia que o próprio Senhor lhe dará um sinal: “Eis que a virgem concebeu e dará à luz um filho e por-lhe-á o nom e de Em anuel (porque Deus está conosco)” (Is 7, 14).

Mas, com essas palavras, qual é o sinal prom etido a Acaz? Mateus, e toda a tradição cristã com ele, vê aí um anúncio do nascim ento de Jesus da Virgem Maria; Jesus que, verdadeiram ente, não tem o nom e de Em anuel, m as é o Em anuel, com o procura ilustrar a narração inteira dos Evangelhos. Esse hom em – m ostram -nos os Evangelhos – é Ele próprio a perm anência de Deus com os hom ens. É verdadeiro hom em e, sim ultaneam ente, Deus; é verdadeiro Filho de Deus.

Mas foi assim que Isaías entendeu o sinal anunciado? A isto se obj eta antes de tudo – e com razão – que, na verdade, é anunciado a Acaz um sinal, que lhe seria dado naquele momento para trazê-lo à fé no Deus de Israel com o verdadeiro senhor do m undo; por conseguinte, o sinal deveria ser procurado e identificado no contexto histórico do tem po em que foi anunciado pelo profeta. Assim a exegese, com grande sutileza e lançando m ão de todas as possibilidades da erudição histórica, pôs-se à procura de um a explicação histórica contem porânea do desenrolar dos fatos… m as sem êxito.

No seu com entário a Isaías, Rudolf Kilian descreveu brevem ente as tentativas essenciais desse gênero, e apresentou quatro tipos principais. O prim eiro diz: com o term o “Em anuel”, refere-se ao Messias. Mas a ideia do Messias só se desenvolveu plenam ente no período do exílio e sucessivam ente; quando m uito, poder-se-ia encontrar aqui um a antecipação dessa figura; não é possível individuar um a correspondência histórica de então. A segunda hipótese supõe que o “Deus conosco” sej a um filho do rei Acaz, talvez Ezequias; é um a tese que não encontra apoio em parte nenhum a. A terceira teoria im agina que se trate de um dos filhos do profeta Isaías, am bos com nom es proféticos: Sear-Iasub “um resto voltará” e Maer-Salal-Has-Baz “pronto-para--o-saque-veloz-para-a-pilhagem ” (cf. Is 7, 3; 8, 3); m as tam bém essa tentativa não convence. Um a quarta tese aposta num a interpretação coletiva: Em anuel seria o novo Israel e a ‘almah (“virgem ”) seria “nada m ais e nada m enos que a figura sim bólica de Sião”. Mas o contexto do profeta não apresenta qualquer indício para tal concepção, até porque nem este poderia ser um sinal histórico contem porâneo. Kilian conclui essa sua análise dos vários tipos de interpretação, dizendo: “Com o resultado dessa visão de conj unto, vem os que nenhum a das tentativas de interpretação consegue verdadeiram ente convencer. Em relação à m ãe e ao filho, perm anece o m istério, pelo m enos para o leitor atual, m as presum ivelm ente tam bém para o ouvinte de então e talvez m esm o para o próprio profeta” (Jesaj a, p. 62).