A Infância de Jesus
5. A adoração dos magos diante de Jesus
Chegam os assim à segunda alteração: à palavra do profeta, Mateus acrescentou a afirm ação, j á m encionada, do segundo livro de Sam uel (cf. 5, 2), que lá se refere ao novo rei Davi e agora atinge o pleno cum prim ento em Jesus. O futuro príncipe é designado com o Pastor de Israel; assim se alude à solicitude am orosa e à ternura, que caracterizam o verdadeiro soberano enquanto representante da realeza de Deus.
A resposta dos sum os sacerdotes e dos escribas à pergunta dos m agos contém certam ente um a indicação geográfica concreta, que é útil para os m agos. Mas não é apenas um a indicação geográfica; dá tam bém um a interpretação teológica do lugar e do acontecim ento. Que Herodes tire daí as devidas consequências, é com preensível; surpreendente é o fato de os entendidos na Sagrada Escritura não se sentirem im pelidos a decisões práticas. Porventura se deve vislum brar nisto a im agem de um a teologia que se esgota na m era disputa acadêm ica?
5. A ADORAÇÃO DOS MAGOS DIANTE DE JESUS
Em Jerusalém , a estrela tinha desaparecido por com pleto. Depois do encontro dos m agos com a Palavra da Escritura, a estrela resplandece de novo para eles. A criação, interpretada pela Escritura, volta a falar ao hom em . Para descrever a reação dos m agos, Mateus lança m ão dos superlativos: “Revendo a estrela, alegraram -se” (2, 10). É a alegria do hom em , que é atingido no coração pela luz de Deus e pode ver realizada a sua esperança: a alegria daquele que encontrou e que foi encontrado.
“Ao entrar na casa, viram o m enino com Maria, sua m ãe, e prostrando-se, adoraram -no” (Mt 2, 11). Nessa frase, surpreende o fato de faltar São José, de cuj o ponto de vista Mateus escreveu a narrativa da infância; durante a adoração, encontram os j unto de Jesus só “Maria, sua m ãe”. Até agora não encontrei um a explicação plenam ente convincente para isso. Há algum as passagens veterotestam entárias, onde se atribui um a im portância particular à m ãe do rei (por exem plo, Jr 13, 18); m as isso talvez não sej a suficiente. Provavelm ente tem razão Gnilka, quando afirm a que desse m odo Mateus nos traz à m em ória o nascim ento de Jesus da Virgem e designa Jesus com o Filho de Deus (Das Matthäusevangelium I/1, p. 40).
Na presença do Menino real, os m agos fazem a proskynesis, isto é, prostram -se diante d’Ele; esta é a hom enagem que se presta a um Rei-Deus. A partir disso, explicam -se tam bém os presentes que os m agos oferecem . Não são presentes práticos, que pudessem talvez revelar-se úteis naquele m om ento para a Sagrada Fam ília; os dons exprim em o m esm o que a proskynesis: são um reconhecim ento da dignidade real d’Aquele a quem são oferecidos; ouro e incenso aparecem m encionados tam bém em Isaías 60, 6 com o presentes de hom enagem , que devem ser oferecidos pelos povos ao Deus de Israel.