A Infância de Jesus

Joseph Ratzinger · Capítulo 6 de 18

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A Infância de Jesus

3. A anunciação a Maria

Porém , na narrativa da aparição do arcanj o Gabriel à hora da oblação da tarde, pode-se certam ente ver um a referência a Daniel, à prom essa da j ustiça eterna, que entra no tem po. E desse m odo ser-nos-ia dito: cum priu-se o tem po. Na realidade, o evento oculto, que ocorreu durante a oblação da tarde de Zacarias e que não foi notado pelo público em geral do m undo, indica a hora escatológica: a hora da salvação.

3. A ANUNCIAÇÃO A MARIA

“No sexto m ês, o anj o Gabriel foi enviado por Deus a um a cidade da Galileia cham ada Nazaré, a um a virgem desposada com um varão cham ado José, da casa de Davi; e o nom e da virgem era Maria” (Lc 1, 26-27). O anúncio do nascim ento de Jesus está ligado à história de João Batista, antes de tudo, cronologicam ente por m eio da indicação do tem po decorrido depois da m ensagem do arcanj o Gabriel a Zacarias, isto é, “no sexto m ês” da gravidez de Isabel. Mas, nessa passagem , os dois acontecim entos e am bas as m issões estão ligados tam bém pela inform ação de que Maria e Isabel – e, consequentem ente, os seus filhos – são parentes.

A visita de Maria a Isabel, que deriva com o consequência do diálogo entre Gabriel e Maria (cf. Lc 1, 36), leva – ainda antes do nascim ento – a um encontro, no Espírito Santo, entre Jesus e João, e nesse encontro torna-se evidente, ao m esm o tem po, a correlação das suas m issões: Jesus é o m ais j ovem , Aquele que vem depois; m as é a proxim idade d’Ele que faz João saltar de alegria no ventre m aterno e cum ula Isabel do Espírito Santo (cf. Lc 1, 41). Assim , aparece obj etivam ente, j á nas narrativas de São Lucas sobre o anúncio e o nascim ento, aquilo que João Batista dirá, segundo o Evangelho de João: “É aquele de quem eu disse: ‘Depois de m im , vem um hom em que passou adiante de m im , porque existia antes de m im ’ ” (1, 30).

Antes de m ais nada, porém , convém considerar, de form a m ais detalhada, a narração do anúncio do nascim ento de Jesus a Maria. Vej am os prim eiro a m ensagem do anj o, e depois a resposta de Maria.

Na saudação do anj o, im pressiona o fato de não dirigir a Maria a habitual saudação j udaica shalom – a paz estej a contigo –, m as a fórm ula grega khaire, que se pode tranquilam ente traduzir por “Ave”, com o sucede na oração m ariana da Igrej a, form ada com palavras tiradas da narração da anunciação (cf. Lc 1, 28.42). Mas é j usto individuar, neste ponto, o verdadeiro significado da palavra khaire: alegra-te! Com esse voto do anj o – podem os dizer –, com eça propriam ente o Novo Testam ento.

A palavra volta a aparecer na Noite Santa, nos lábios do anj o que diz aos pastores: “Eis que vos anuncio um a grande alegria” (2, 10). Aparece, em João, por ocasião do encontro com o Ressuscitado: “Os discípulos, então, ficaram cheios de alegria por verem o Senhor” (20, 20). Nos discursos de despedida, em João, aparece um a teologia da alegria, que esclarece, por assim dizer, as profundezas dessa palavra: “Eu vos verei de novo e o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria” (16, 22).

Nesses textos, a alegria aparece com o o dom próprio do Espírito Santo, com o o verdadeiro dom do Redentor. Assim , com a saudação do anj o, sente-se ecoar o acorde que continuará depois a ressoar através de todo o tem po da Igrej a e que pode ser tam bém percebido, no que diz respeito ao seu conteúdo, na palavra fundam ental com que se designa a totalidade do anúncio cristão: o Evangelho – a Boa Nova.

Com o vim os, “alegra-te” é, prim eiram ente, um a saudação em grego, e assim , nessa palavra do anj o, abre-se im ediatam ente tam bém a porta para os povos do m undo; tem -se um a alusão à universalidade da m ensagem cristã. Ao m esm o tem po, porém , ela é tam bém um a palavra extraída do Antigo Testam ento, isto é, que se situa plenam ente na continuidade da história bíblica da salvação. Sobretudo Stanislas Ly onnet e René Laurentin m ostraram que, na saudação de Gabriel a Maria, é retom ada e atualizada a profecia de Sofonias 3, 14-17, que soa assim : “Rej ubila, filha de Sião, solta gritos de alegria, Israel! (...) O Senhor, o teu Deus, está no m eio de ti”.

Não é necessário entrar aqui nos detalhes de um a com paração textual entre a saudação do anj o a Maria e a palavra de prom essa do profeta. O m otivo essencial pelo qual a filha de Sião pode exultar está expresso na afirm ação “o Senhor está no m eio de ti” (Sf 3, 15.17), que traduzida literalm ente diz: “está no teu seio”. Desse m odo, Sofonias retom a palavras do Livro do Êxodo, que descrevem a habitação de Deus na arca da aliança com o um habitar “no seio de Israel” (cf. Ex 33, 3; 34, 9; ver Laurentin, Structure et Théologie de Luc I-II, pp. 64-71). É precisam ente essa palavra que aparece na m ensagem de Gabriel a Maria: “Eis que conceberás no teu seio” (Lc 1, 31).

Qualquer que sej a o m odo com que se avaliem os detalhes desses paralelism os, torna-se evidente um a proxim idade íntim a das duas m ensagens. Maria aparece com o a filha de Sião em pessoa. As prom essas que dizem respeito a Sião cum prem -se de m odo inesperado n’Ela. Maria torna-se a arca da aliança, o lugar de um a verdadeira habitação do Senhor.

“Alegra-te, cheia de graça”. Essa ligação entre alegria e graça é outro aspecto digno de consideração, na saudação khaire; em grego, as duas palavras – alegria e graça (khara e kharis) – são form adas da m esm a raiz. Alegria e graça andam j untas.

Debrucem o-nos agora sobre o conteúdo da prom essa. Maria dará à luz um filho, a quem o anj o atribui os títulos de “Filho do Altíssim o” e “Filho de Deus”. Além disso, é prom etido que Deus, o Senhor, lhe dará o trono de seu pai Davi; reinará para sem pre na casa de Jacó e o seu reino (o seu dom ínio) não terá fim . Depois se acrescenta um a série de prom essas relativas ao m odo “com o” se dará a concepção: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssim o vai te cobrir com a sua som bra; por isso, o Santo que nascer será cham ado Filho de Deus” (Lc 1, 35).

Com ecem os pela últim a prom essa; considerando a sua linguagem , pertence à teologia do Tem plo e da presença de Deus no santuário. A nuvem sagrada – a shekinà – é sinal visível da presença de Deus; sim ultaneam ente esconde e m anifesta o Deus que habita na sua casa. A nuvem , que estende a sua som bra sobre os hom ens, reaparece m ais tarde na narrativa da Transfiguração do Senhor (cf. Lc 9, 34; Mc 9, 7); e de novo é sinal da presença de Deus, da m anifestação de Deus escondido. Assim , através da afirm ação sobre a som bra que desce com o Espírito Santo, é retom ada a teologia relativa a Sião, j á presente na saudação inicial. Mais um a vez, Maria aparece com o a tenda viva de Deus, na qual Ele quer habitar, de um m odo novo, no m eio dos hom ens.

Ao m esm o tem po vislum bra-se, no conj unto dessas palavras da anunciação, um a alusão ao m istério do Deus trinitário. Age Deus Pai, que prom etera estabilidade ao trono de Davi e agora institui o herdeiro cuj o reino não terá fim , o herdeiro definitivo de Davi, predito pelo profeta Natã com estas palavras: “Eu serei para ele um pai e ele será para m im um filho” (2 Sm 7, 14). O Salm o 2 repete o m esm o: “Tu és m eu filho. Eu hoj e te gerei” (v. 7).

As palavras do anj o perm anecem totalm ente na concepção da piedade do Antigo Testam ento, e todavia superam -na. A partir da nova situação, recebem um novo realism o, um a densidade e um a força que antes não se podia im aginar. O m istério trinitário ainda não foi obj eto de reflexão, ainda não se desenvolveu até chegar à doutrina definitiva: surge espontaneam ente do m odo de agir de Deus, prefigurado no Antigo Testam ento; aparece no acontecim ento, antes de se tornar doutrina. De igual form a, o conceito de ser Filho, próprio do Menino, tam bém não está aprofundado nem desenvolvido até a dim ensão m etafísica. E assim tudo perm anece no âm bito da concepção da piedade j udaica. Mas as próprias palavras antigas, por causa do acontecim ento novo que exprim em e interpretam , estão novam ente a cam inho, vão além de si m esm as. Precisam ente na sua sim plicidade, recebem um a nova grandeza, quase desconcertante, que, entretanto, só ao longo do cam inho de Jesus e do cam inho dos crentes se deverá desenvolver.

Nesse contexto, situa-se tam bém o nom e “Jesus”, que o anj o – tanto em Lucas (1, 31) com o em Mateus (1, 21) – atribui ao m enino. No nom e de Jesus, esconde-se o tetragram a [YHWH], o m isterioso nom e recebido no Horeb, que agora é am pliado até a afirm ação: Deus salva. O nom e do Sinai, que ficou por assim dizer incom pleto, é agora pronunciado na sua totalidade. O Deus que é, é o Deus presente e salvador. A revelação do nom e de Deus, que com eçou na sarça ardente, é com pletada em Jesus (cf. Jo 17, 26).

A salvação, que o m enino prom etido traz, m anifesta-se na instauração definitiva do reino de Davi. Na verdade, fora prom etida ao reino de Davi um a duração perpétua: “A tua casa e a tua realeza subsistirão para sem pre diante de m im , e o teu trono se estabelecerá para sem pre” (2 Sm 7, 16) – anunciara Natã, por incum bência do próprio Deus.

No Salm o 89, reflete-se de form a dram ática a contradição entre o caráter definitivo da prom essa e o colapso efetivo do reino davídico: “Vou estabelecer sua descendência para sem pre, e o seu trono com o os dias dos céus. Se seus filhos abandonarem a m inha lei (...), Eu punirei a sua transgressão com vara (...), m as sem deles retirar o m eu am or, sem desm entir a m inha verdade” (vv. 30-34). Por isso o salm ista, de form a com ovente e com insistência, repete diante de Deus a prom essa, bate à porta do seu coração e reclam a a sua fidelidade. Com efeito, a realidade por ele vivida é totalm ente diferente: “Tu, porém , o rej eitaste e desprezaste, ficaste indignado com o teu ungido, renegaste a aliança do teu servo, até o chão profanaste a sua coroa. (...) Todos que passavam no cam inho o pilharam , tornou-se um opróbrio para seus vizinhos. (...) Lem bra-te, Senhor, do opróbrio do teu servo” (vv. 39-42.51).

Esse lam ento de Israel estava diante de Deus tam bém no m om ento em que Gabriel preanunciava à Virgem Maria o novo rei no trono de Davi. Herodes era rei, por graça de Rom a; era idum eu, não um filho de Davi; m as, sobretudo pela sua crueldade inaudita, era um a caricatura da realeza que fora prom etida a Davi. O anj o anuncia que Deus não esqueceu a sua prom essa; agora, no m enino que Maria conceberá por obra do Espírito Santo, a prom essa tornar-se-á realidade: “o seu reinado não terá fim ” – diz Gabriel a Maria.

Essa frase foi assum ida no Credo Niceno-Constantinopolitano, no século IV, quando o reinado de Jesus de Nazaré j á abraçava todo o m undo da bacia do Mediterrâneo. Nós, cristãos, sabem os e professam os com gratidão: Sim ! Deus realizou a sua prom essa. O reino do Filho de Davi, Jesus, estende-se “de m ar a m ar”, de continente a continente, de um século ao outro.

Naturalm ente perm anece sem pre verdadeira tam bém a frase que Jesus disse a Pilatos: “O m eu reino não é daqui” (Jo 18, 36). Às vezes, no curso da história, os poderosos deste m undo colocam -no sob a sua alçada, m as é j ustam ente então que o Reino corre perigo: querem ligar o seu poder com o poder de Jesus, e precisam ente assim deform am o seu reino, tornando-se um a am eaça para ele. Ou então este está suj eito a um a persistente perseguição pelos dom inadores que não toleram nenhum outro reino e desej am elim inar o rei sem poder, m as cuj o poder m isterioso tem em .

Mas “o seu reinado não terá fim ”: esse reino diverso não está construído sobre um poder m undano, m as funda-se apenas na fé e no am or. É a grande força da esperança, no m eio de um m undo que parece, com m uita frequência, estar abandonado por Deus. O reinado do Filho de Davi, Jesus, não conhece fim , porque nele reina o próprio Deus, nele o Reino de Deus entra neste m undo. A prom essa que Gabriel transm itiu à Virgem Maria é verdadeira; e realiza-se sem cessar.

A resposta de Maria – sobre a qual nos detem os agora – desenvolve-se em três etapas. A prim eira reação à saudação do anj o é feita de perturbação e ponderação. A sua reação é diferente da de Zacarias; dele é referido que ficou perturbado e “o tem or apoderou-se dele” (Lc 1, 12). No caso de Maria, no início usa-se a m esm a palavra (ela perturbou-se), m as o que se segue depois não é o tem or, m as um a reflexão íntim a sobre a saudação do anj o. Maria reflete (entra em diálogo consigo m esm a) sobre o que possa significar a saudação do m ensageiro de Deus. Assim vem os surgir j á aqui um traço característico da figura da Mãe de Jesus, um traço que encontram os no Evangelho outras duas vezes em situações análogas: o confronto íntim o com a Palavra (cf. Lc 2, 19.51).

Não se detém no prim eiro sentim ento que a assalta, ou sej a, a perturbação pela proxim idade de Deus através do seu anj o, m as procura entender. Por isso, Maria aparece com o um a m ulher coraj osa, que conserva o autocontrole m esm o diante do inaudito. Ao m esm o tem po, é apresentada com o m ulher de grande interioridade, que conj uga o coração e a m ente, e procura entender o contexto, o todo da m ensagem de Deus. Assim torna-se im agem da Igrej a, que reflete sobre a Palavra de Deus, procura com preendê-la na sua totalidade e guarda o dom dela na sua m em ória.

A segunda reação de Maria nos é enigm ática. Depois da hesitação receosa com que Ela acolhe a saudação do m ensageiro de Deus, o anj o lhe com unica a sua eleição para ser a m ãe do Messias. Maria, agora, form ula um a breve e incisiva pergunta: “Com o é que vai ser isso, se eu não conheço hom em algum ?” (Lc 1, 34).

Considerem os novam ente a diferença em relação à resposta de Zacarias, que reagiu com um a dúvida perante a incum bência que lhe fora atribuída. Ele, com o Isabel, possuía um a idade avançada; não podia m ais esperar por um filho. Maria, ao contrário, não duvida. Não levanta questões sobre o “que”, m as sobre “com o” a prom essa poderia ser realizada, um a vez que isso não era perceptível para Ela: “Com o é que vai ser isso, se eu não conheço hom em algum ?” (1, 34). Essa pergunta parece incom preensível, pois Maria estava noiva e, de acordo com o direito j udaico, era j á considerada equivalente a um a esposa, m esm o que ainda não coabitasse com o m arido e não tivesse com eçado a com unhão m atrim onial.

Desde Agostinho, a questão foi explicada no sentido de que Maria teria feito um voto de virgindade e teria buscado o noivado só para ter um protetor de sua virgindade. Mas essa reconstrução escapa com pletam ente ao m undo do j udaísm o dos tem pos de Jesus e parece im pensável nesse contexto. Mas o que significa, então, essa palavra? Um a resposta convincente não foi encontrada pela exegese m oderna. Diz-se que Maria, ainda não introduzida na casa de José e que naquele m om ento ainda não tivera nenhum contato com um hom em , consideraria aquela incum bência com o im ediatam ente urgente. Isso, contudo, não é convincente, porque o tem po de convivência não poderia estar m uito longe. Outros exegetas tendem a considerar a frase com o um a construção puram ente literária, em vista do desenvolvim ento do diálogo entre Maria e o anj o. Essa tam pouco é um a verdadeira explicação para a frase. Poder-se-ia tam bém trazer à m ente que, de acordo com o costum e j udaico, o noivado era assum ido de form a unilateral pelo hom em , e não se pedia o consentim ento à m ulher. Mas m esm o essa indicação não resolve o problem a.

Perm anece, portanto, o enigm a – ou talvez seria m elhor dizer: o m istério – dessa frase. Maria, por razões que não nos são acessíveis, não vê nenhum m odo de se tornar m ãe do Messias por m eio da relação conj ugal. O anj o lhe dá a confirm ação de que Ela não será m ãe pelo m odo norm al, depois de ser recebida por José, m as por m eio “da som bra do poder do Altíssim o” com a vinda do Espírito Santo, e declara com força: “Para Deus, nada é im possível” (Lc 1, 37).

Depois disso, segue-se a terceira reação, a resposta essencial de Maria: um sim ples “sim ” daquela que se declara serva do Senhor. “Faça-se em m im segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).

Bernardo de Claraval, num a hom ilia de Advento, ilustrou de form a dram ática o aspecto em ocionante desse m om ento. Depois do fracasso dos prim eiros pais, o m undo inteiro está às escuras sob o dom ínio da m orte. Agora Deus procura entrar de novo no m undo; bate à porta de Maria. Tem necessidade do concurso da liberdade hum ana: não pode redim ir o hom em , criado livre, sem um “sim ” livre à sua vontade. Ao criar a liberdade, de certo m odo, Deus se tornou dependente do hom em ; o seu poder está ligado ao “sim ” não forçado de um a pessoa hum ana. Ora, Bernardo afirm a que, no m om ento do pedido a Maria, o céu e a terra com o que suspendem a respiração. Dirá “sim ”?! Ela dem ora... Porventura lhe será obstáculo a sua hum ildade? Só por esta vez – diz-lhe Bernardo – não sej as hum ilde, m as m agnânim a! Dá-nos o teu “sim ”! Esse é o m om ento decisivo, em que dos seus lábios, do seu coração, surge a resposta: “Faça-se em m im segundo a tua palavra”. É o m om ento da obediência livre, hum ilde e sim ultaneam ente m agnânim a, na qual se realiza a decisão m ais sublim e da liberdade hum ana.

Maria torna-se m ãe, através do seu “sim ”. Várias vezes os Padres da Igrej a exprim iram tudo isso, dizendo que Maria teria concebido pelo ouvido, ou sej a, através da sua escuta: através da sua obediência, a Palavra entrou nela, e nela se tornou fecunda. Nesse contexto, os Padres desenvolveram a ideia do nascim ento de Deus em nós através da fé e do Batism o, por m eio dos quais o Logos vem a nós sem cessar, tornando-nos filhos de Deus. Pensem os, por exem plo, nas palavras de Santo Irineu: “Com o poderá o hom em tornar-se Deus, se Deus não se torna hom em ? Com o deixarão o nascim ento para a m orte, se não forem regenerados em um novo nascim ento, que nos foi dado, pela fé, de m odo m aravilhoso e inesperado por Deus, no nascim ento de um a Virgem , com o sinal da salvação?” (Adversus haereses, IV, 33, 4; cf. H. Rahner, Symbole der Kirche, p. 23).