A Velhice do Padre Eterno
Nota
Mais eternos que o bronze e que o granito, Onde aos prophetas Deus falava d'antes
Entre raios e nuvens trovejantes
Lá dos confins siderios do infinito;
Esse colosso enorme, em dois instantes
Viu-o tremer, fender-se e desabar
N'uma ruina espantosa,
Só de tocar-lhe a aza vaporosa
D'uma avesinha tremula, a expirar!...
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E, arremessando a biblia, o velho abade
Murmurou:
«Ha mais fé e ha mais verdade
Ha mais Deus com certeza
Nos cardos secos d'um rochedo nú
Que n'essa biblia antiga... Ó Natureza,
A unica biblia verdadeira és tu!...»
Nota
O facto em que se baseia este poemeto, com quanto pouco conhecido, é absolutamente verdadeiro.
Os melros e algumas outras aves, como os pintasilgos e os rouxinoes, quando lhes encarceram os filhos, envenenam-n'os. Muitas vezes, (sarcasmo tragico, crueldade sublime!) deixando-os vivos, arrancam-lhes a lingua!
Ora nem todos os melros, pintasilgos e rouxinoes assassinam os filhos, quando lh'os prendem. Só o fazem os mais extraordinarios, os mais heroicos. O que nos demonstra que a acção é livre e responsavel, e não um simples producto d'uma fatalidade organica.
É pena que Michelet ignorasse este facto. Que paginas divinas que elle não teria escripto! L'Oiseau ficou incompleto.