A Velhice do Padre Eterno

Abílio Manuel Guerra Junqueiro · Capítulo 28 de 40

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A Velhice do Padre Eterno

Nota

Mais eternos que o bronze e que o granito, Onde aos prophetas Deus falava d'antes

Entre raios e nuvens trovejantes

Lá dos confins siderios do infinito;

Esse colosso enorme, em dois instantes

Viu-o tremer, fender-se e desabar

N'uma ruina espantosa,

Só de tocar-lhe a aza vaporosa

D'uma avesinha tremula, a expirar!...

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E, arremessando a biblia, o velho abade

Murmurou:

«Ha mais fé e ha mais verdade

Ha mais Deus com certeza

Nos cardos secos d'um rochedo nú

Que n'essa biblia antiga... Ó Natureza,

A unica biblia verdadeira és tu!...»

 

Nota

 

O facto em que se baseia este poemeto, com quanto pouco conhecido, é absolutamente verdadeiro.

Os melros e algumas outras aves, como os pintasilgos e os rouxinoes, quando lhes encarceram os filhos, envenenam-n'os. Muitas vezes, (sarcasmo tragico, crueldade sublime!) deixando-os vivos, arrancam-lhes a lingua!

Ora nem todos os melros, pintasilgos e rouxinoes assassinam os filhos, quando lh'os prendem. Só o fazem os mais extraordinarios, os mais heroicos. O que nos demonstra que a acção é livre e responsavel, e não um simples producto d'uma fatalidade organica.

É pena que Michelet ignorasse este facto. Que paginas divinas que elle não teria escripto! L'Oiseau ficou incompleto.