A Velhice do Padre Eterno
O Papão
As creanças têm medo á noite, ás horas mortas Do papão que as espera, hediondo, atraz das portas, Para as levar no bolso ou no capuz d'um frade. Não te rias da infancia, ó velha humanidade, Que tu tambem tens medo ao barbaro papão, Que ruge pela boca enorme do trovão,
Que abençôa os punhaes sangrentos dos tyranos, Um papão que não faz a barba ha seis mil annos, E que mora, segundo os bonzos têm escripto, Lá em cima, de traz da porta do Infinito.