A Velhice do Padre Eterno
Capítulo III
No funebre banquete ia de mão em mão, Produzindo o delirio, a syncope, o lethargo E em cada olhar sinistro uma cruel visão.
Uns viam a espectral sarabanda frenetica De esqueletos a rir e a dançar com furor
Em torno á Morte podre, impudente, epileptica, Com dois ossos em cruz rufando n'um tambor.
Outros viam chegado o pavoroso instante Em que um monstro do fogo, um dragão areolito, Dava na terra um nó c'oa cauda flammejante, Arrebatando-a, a arder, atravez do infinito.
E então para fugir ao desespero e ao panico Bebiam com mais ancia o filtro singular.
Até á epilepsia, ao turbilhão tetanico
Do sabat desgrenhado e erotico, a espumar!
E á força de beber o tragico veneno
Tombou por terra exhausta a humanidade emfim, Como em Londres, de noite, ao pé d'um antro obsceno Cáe sob a lama inerte um bebado de gim.
III
Mas n'isto despontou a esplendida manhã D'um mundo juvenil, robusto, afrodisiaco:
A Renascença foi para a embriaguez christã A excitação vital d'um frasco de amoniaco.
E na vinha de Deus ainda florescente
Começou a nascer por essa occasião
Um bicho que enterrava escandalosamente