A Velhice do Padre Eterno

Abílio Manuel Guerra Junqueiro · Capítulo 4 de 40

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A Velhice do Padre Eterno

Capítulo III

No funebre banquete ia de mão em mão, Produzindo o delirio, a syncope, o lethargo E em cada olhar sinistro uma cruel visão.

Uns viam a espectral sarabanda frenetica De esqueletos a rir e a dançar com furor

Em torno á Morte podre, impudente, epileptica, Com dois ossos em cruz rufando n'um tambor.

Outros viam chegado o pavoroso instante Em que um monstro do fogo, um dragão areolito, Dava na terra um nó c'oa cauda flammejante, Arrebatando-a, a arder, atravez do infinito.

E então para fugir ao desespero e ao panico Bebiam com mais ancia o filtro singular.

Até á epilepsia, ao turbilhão tetanico

Do sabat desgrenhado e erotico, a espumar!

E á força de beber o tragico veneno

Tombou por terra exhausta a humanidade emfim, Como em Londres, de noite, ao pé d'um antro obsceno Cáe sob a lama inerte um bebado de gim.

 

III

 

Mas n'isto despontou a esplendida manhã D'um mundo juvenil, robusto, afrodisiaco:

A Renascença foi para a embriaguez christã A excitação vital d'um frasco de amoniaco.

E na vinha de Deus ainda florescente

Começou a nascer por essa occasião

Um bicho que enterrava escandalosamente