A Velhice do Padre Eterno

Abílio Manuel Guerra Junqueiro · Capítulo 3 de 40

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A Velhice do Padre Eterno

Capítulo II

Dava um tal explendor ás almas, tal pureza Que nos Circos de Roma até se viu baixar Diante da nudez das virgens sem defeza Ao magro leão da Nubia o curuscante olhar.

 

II

 

Mas passado algum tempo a humanidade inteira De tal modo gostou d'esse licor sublime,

Que o extasis christão tornou-se em bebedeira, E o sonho em pezadello, e o pezadello em crime.

Nas solidões do claustro as virgens inflamadas Co'as fortes atracções da mistica ambrozia Torciam-se febris, convulsas, desvairadas, Meretrizes de Deus n'uma piedosa orgia.

É que no vinho antigo ia á noite o demonio Lançar co'a garra adunca uma infernal mistura De mandragora e opio e helleboro e stramonio, Verdenegro e viscoso extracto de loucura.

Quando uivava de noite o vento nas campinas Via-se pela sombra, obliquo, Satanaz,

Colhendo aos pés da forca ou buscando entre as ruinas

Hervas, vegetações, prenhes de essencias más.

Era o filtro subtil d'essas plantas de morte Que fazia da alma um derviche incoherente, Uma bussola doida á procura do norte

Uma céga a tatear no vacuo, anciosamente!...

E a taça do veneno estonteador e amargo