A virtude laureada

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Capítulo 11 de 30

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A virtude laureada

*Soneto.*

 

 

Meu ser evaporei na lida insana

Do tropel de paixões, que me arrastava, Ah! cégo eu cria, ah! mísero eu sonhava

Em mim, quasi immortal, a essencia humana:

 

De que innumeros sóes a mente ufana

Existencia fallaz me não doirava!

Mas eis succumbe a Natureza escrava,

Ao mal, que a vida em sua origem damna.

 

Prazeres, socios meus, e meus tyrannos,

Esta alma, que sedenta em si não coube, No abysmo vos sumio dos Desenganos.

 

Deos… oh Deos! quando a morte a luz me roube,

Ganhe hum momento o que perdêrão annos, Saiba morrer o que viver não souve.

 

Bocage.

 

* * * * *