A virtude laureada

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Capítulo 20 de 30

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A virtude laureada

*Soneto.*

 

Embebido na sólida Verdade,

Zombas dos Impios, que sem pejo ou mêdo, Decifrão de Mysterios o segrêdo;

Trévas a nós, e Luz á Eternidade:

 

Adoras a Suprema Divindade,

(Teu futuro Juiz ou tarde ou cêdo)

Na fé se adóça teu remórso azedo,

Esp'rando a divinal Tranquillidade.

 

Loucas Paixões, que fomentaste outr'hora,

(Feiticeiro Manjar dos flóreos annos,

Que o Juizo maduro não vigóra)

 

Esses gostos fataes, gostos mundanos,

Expiando na dor, que te devora,

Ganhas hum Deos, e choras os Profanos.

 

Joaquim Antonio Soares de Carvalho.

 

* * * * *