A virtude laureada

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Capítulo 14 de 30

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A virtude laureada

*Soneto.*

 

Quando meu coração de Amor vivia,

Ufana a liberdade em ver-se escrava,

E quando para mim se variava

O Ceo n'um riso, o Ceu n'um ai de Ulmia!

 

Das escuras Irmans a mais sombria,

E que mais com seu pêzo o Mundo aggrava,

Na vista divinal, que me encantava,

Roubou luz á minha alma, e luz ao dia.

 

Não mais, Dor, Fado meu, Dor, meu costume,

Cedo a paz gozarei, que o peito anhéla, Nos olhos do meu Bem, do Ceo já lume;

 

Junto á Nynfa immortal, na Estancia bella,

Os dias perennaes, que vive hum Nume, Irei (Nume em ser seu) viver com Ella.

 

Bocage.

 

* * * * *