A virtude laureada

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Capítulo 7 de 30

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A virtude laureada

*Scena V.*

 

Carcere subterraneo, onde estarão os Vicios, e os Crimes

agrilhoados, exprimindo variamente nos géstos a sua desesperação.

 

A Policia com Guardas.

 

Contra os Vicios communs, que pouco empecem,

Exercer correcções não só me he dado.

Velai, Guardas fieis, sobre os Perversos,

Que a Policia commette ao zello vosso,

Até que o raio Némesis dispare

Co'a férrea voz de Tribunal supremo.

Eu dos crimes terror, dos crimes freio,

A supplicio exemplar, que sare a Patria

D'impia contagião, reservo aquelle

De todos o mais duro, o mais funesto,

Que, instrumento servil de atroz vingança,

Tingio vendida mão no sangue alheio.

Ao cutélo de Astréa em vão furtaste

Colo rebelde ás Leis, ó tu, cruento,

Lobo nocturno, que, vibrando as garras, A mansos Cidadãos oiro, existencia

De mistura usurpavas, sem que ao menos Tremesse o coração, e as mãos tremessem.

Estes, mais que nenhuns, velar se devem, Estes nas feias, subterraneas sombras

Para o pavor da Morte a mente ensaiem. Eu, Luz do bom Luceno, eu Alma, eu Tudo,

Corro, entre-tanto, a suggerir-lhe idéas,

Com que os públicos Bens floreção, medrem.

A Sciencia, e Penuria, antigas Socias,

Em seus Lares por elle ha pouco ouvidas,

O fertil patrocinio lhe implorárão.

Em lagrimas lhes deo penhor singelo

De firme protecção: vós, Indigentes,

Seus effeitos vereis, vereis, ó Sabios,

Que a Mente, e o Coração por vós divido.[1]

 

[1] Vai-se.