A virtude laureada

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Capítulo 19 de 30

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A virtude laureada

*Soneto.*

 

Pungido pela dor, banhado em pranto,

Desato, Elmano, minha voz truncada,

Que de gemer, de suspirar cançada,

Acha o rouquejo no lugar do canto.

 

Debalde em pragas mil a voz levanto

Contra o Cypreste, lúgubre morada,

Que de funereas Aves carregada,

Te condensa o pavor, o susto, o espanto.

 

Para baldar o agoiro, em vão tentára

Loiros dispôs em mimo esperançoso,

Que na aridez não vinga a ténue vara.

 

Rouba-me embora, ó Fado rigoroso,

Esse que Lysia, o Mundo assoberbára,

Que o pranto he meu, prantearei saudoso.

 

Do mesmo.

 

* * * * *

Ao Senhor Manoel Maria Barbosa du Bocage.