A virtude laureada

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Capítulo 6 de 30

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A virtude laureada

*Scena Iv.*

 

 

O Genio, e Tropa.

 

Graças, ó Numes, sucumbio a infame.

Heróes, eu vos bemdigo o Marcio fogo,

O rápido valor, que n'hum momento

A melhor das Nações salvou do estrago…[1] Mas, Deoses, soffrereis, que n'outro clima,

Talvez á infamia sua ignoto ainda,

Sobre o lenho orgulhoso aporte a Fera,

E tóxico respire, e peste exhale:

O sacri1egio pune; hum raio, ó Jove,

Hum raio a torne cinza, hum raio abysme O ligneo Torreão no equóreo centro[2]

Annuiste-me, oh Deos: He chammas todo! Lá cabe, lá se desfaz, e o Tejo o sorve.

Vai, Monstro , vai saber, desesperado,

Se he fantasma a Razão, se he sonho o Inferno,

Vai no horrendo tropel dos teus sequazes De momentanea flamma á flamma eterna;

E eu, ministro dos Ceos, submisso aos Fados, Vou por mão de hum Mortal encher seus planos.[3]

[1] Vai-se a Tropa. [2] Cahe o raio sobre o Baixel da

Libertinagem, e o abraza. [3] Vai-se.