A virtude laureada

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Capítulo 13 de 30

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A virtude laureada

*Soneto.*

Mas alta Lei dos Penetraes Sagrados

Baixou, que o fatal impeto reporte:

Fervendo em raios no Oceano a morte,

Te obedece, ó Britania, ao mando, aos Fados.

 

No Continente o Gallo he Deus da guerra; O Anglo audaz sobre o pelago iracundo

Da victoria os pendões, troando, afferra…

 

Ah! nutrão sempre assim rancor profundo. Hum triunfa no mar, outro na terra:

Se as mãos se derem, que será do Mundo!

 

Bocage.

 

* * * * *

 

*SONETO.*

 

C'hum Diadema de luz no Elysio entrava

Envolto Nelson em sanguineo manto!

Lavrou nos Manes desusado espanto,

E a turba dos Heróes o rodeava.

 

Grita Alexandre (e nelle os olhos crava)

Quem hes, que entre immortaes fulguras tanto?

Sou (lhes diz) quem remio de vil quebranto Europa curva, oppressa, e quasi escrava.

 

Deixei de sangue o pégo rubicundo;

Troféos em meu sepulcro a Patria arvora;

Raio ardi sobre o Gallo furibundo…

 

Nisto de novo o Macedonio chora:

O que immensa extensão venceo do Mundo, Quem vencêra hum só povo inveja agora.

 

Bocage.

 

* * * * *

 

Á Memoria de Ulmia.