A virtude laureada

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Capítulo 15 de 30

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A virtude laureada

*Soneto.*

 

Il n'est de malheureux que les coeurs détrompés.

Voltaire. Merop. Trag.

 

Em vão, para tecer-me hum ledo engano, Filosofo ostentoso industrias cança;

Diz-me em vão, que exhalando-se a esperança, Repousa na apathía o peito humano.

 

O nauta a soçobrar no Pégo insano

Vê rir ao longe a cérula bonança;

A mente esperançosa enfreia, amansa

Os roncos, e as bravezas do Oceâno.

 

Se nos míseros cahe da mão dos Fados

O negro desengano, eillos anciosos,

E á desesperação, e á furia dados.

 

Doirai-nos o por-vir, oh Ceos piedosos!

Justos Ceos! dêm sequer jardins sonhados

As flores da ventura aos desditosos.

 

Bocage.

 

* * * * *

 

Ao Senhor Manoel Maria Barbosa du Bocage, por occasião de se

ter dito, que recebêra o Sagrado Viatico.