Baía de Todos os Santos: aspectos humanos

Carlos Caroso · Capítulo 12 de 23

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Baía de Todos os Santos: aspectos humanos

A ambiguidade dos meios: ensaio ergológico sobre canoas de vinhático no Baixo Sul da Bahia

A ambiguidade dos meios: ensaio

 

ergológico sobre canoas de vinhático

 

no Baixo Sul da Bahia1

 

João de Pina Cabral

 

Benjamim Enes Pereira in honorem

 

A escola etnológica portuguesa que floresceu entre as décadas de

1940 e 1970 dedicou grandes esforços ao estudo atento de "coisas":

objectos que, na sua densidade, permitiam situar o mundo que à

volta desses objectos se enquadrava. 2 Isso mesmo me proponho

fazer no presente ensaio sobre as canoas feitas com madeira de

"vinhático" que são o principal instrumento de circulação no

manguezal do Baixo Sul do Estado da Bahia.3 Este é, pois, um

ensaio de ergologia, essa velha metodologia de análise etnográfica

segundo a qual, em vez de começarmos pelas pessoas – pelo que

elas fazem e pelo que elas dizem – optamos por começar pelos

objectos que as pessoas fazem e que as fazem a elas, situando as

pessoas no mundo.

 

Apesar de adoptarmos hoje novas perspectivas e novos olhares,

portanto, temos o mesmo engajamento que tinham os nossos

antecessores etnológicos com os objectos do quotidiano que, na

sua densidade física, nos encantam tanto pelo que significam como

pelo que são na sua materialidade. Urge ainda enfatizar que esse

lado estético da apreciação antropológica que os modernistas

dedicavam à "cultura popular" não desapareceu na antropologia

contemporânea. Numa época em que "popular" deixou de ser algo

de claramente isolável, porém, e em que a consciência sobre o

design é cada vez mais aguda, esse interesse ergológico difundiu-

se, abrangendo áreas que até há pouco estariam fechadas à

etnografia.

Figura 1 – Canoa no manguezal, Cajaíba.

 

Foto: Mônica Chan.

 

Figura 2 – "Deixa falar", Cacha Pregos, Itaparica.

 

Foto: Mônica Chan.

 

As canoas monóxilas4 que aqui discuto não são, pois,

apresentadas no pressuposto de que se extinguirão ou perderão a

sua essência face à modernidade. A antropologia dos nossos dias

rejeita o primitivismo metodológico que caracterizou a disciplina durante o século XX. (Cf. PINA-CABRAL 2009, 2010) O uso de

canoas monóxilas, está claro, é uma tradição com raízes

multisseculares (por um lado, na cultura ameríndia da costa e, por

outro lado, nas técnicas de construção de barcos de madeira que os

europeus consigo trouxeram); mas constitui também um nexo de

relacionamentos entre pessoas, objectos e relações económicas

que urge conceber como sendo perfeitamente coevo (ver FABIAN

1983).

 

O interesse que os etnólogos portugueses dedicavam a objectos

parecidos com estas canoas (palheiros, teares, arados, carros de

bois) era justificado por eles, segundo o argumento historicista de

que estes cedo desapareceriam face ao impacto da modernidade.

Ora, a modernidade entretanto universalizou-se e, no entanto,

continuamos ainda hoje a ocupar-nos com este género de objectos.

 

Figura 3 – "Falou demais", Cacha Pregos, Itaparica.

 

Foto: Mônica Chan.

 

Não significa isto também que eu creia que haverá canoas de

vinhático a boiar nas águas do manguezal da Bahia para todo o

sempre – até porque os bosques de vinhático do "cerrado" bahiano

estão rapidamente a esgotar-se. Começam já a ver-se em muitos

recantos do manguezal canoas de fibra de vidro feitas sobretudo nos ateliers de Salinas da Margarida. Significa, outrossim, que o

modelo primitivizante dos etnólogos não era, afinal, suficiente para

explicar o fascínio que eles próprios tinham por estes objectos e

pela forma como as coisas atam e unem o mundo dos humanos.

Figura 4 – Canoa de fibra de vidro, Salinas da Margarida.

 

Foto: Mônica Chan.

Um manguezal é um meio ambiente profundamente agreste à

ocupação humana: os fundos lodosos são perigosos e irregulares,

as raízes das árvores estão cobertas de lâminas cortantes de

ostras; o meio salinoso e a densa fauna são agrestes ao corpo

humano. Contudo, com uma canoa feita de certos tipos de madeira

– leve, rápida, resistente aos troncos e pedras escondidos na água

turva, fácil de manipular, sempre boiando à superfície mesmo

quando cheia de água ou até furada – a floresta marinha torna-se

num território encantado, onde todo o género de alimentação é

abundante, variado e nutritivo e onde se podem recolher todo o

género de materiais de construção. Com a ajuda de uma pequena

vela, pode-se mesmo fazer a canoa mexer-se por si mesma.

Figura 5 – Vela morcegueira, Torrinha, Cairu.

 

Foto: Mônica Chan.

 

A proposta que lança o presente ensaio é que as canoas de

vinhático estão centralmente situadas nos mundos ecológico, social,

cultural e económico que constituem os manguezais costeiros da

Bahia. As canoas atam e unem o manguezal pela mão do homem e

para seu sustento. (Cf. OLIVEIRA; PEREIRA, 1982)

Figura 6 – Zona do manguezal do Baixo Sul da Bahia.

Fonte: Google Maps.

 

O ecossistema

 

Há quem estime que a área de manguezal da Bahia seja de cerca

de 1.000 km2, distribuídos ao longo de 1.181km de costa. Os

maiores bosques estão entre os municípios de Valença e Maraú no

Baixo Sul da Bahia; o estuário do rio Paraguaçu forma também

importantes bosques de mangue no interior da Baía de Todos os

Santos. O manguezal é um ecossistema tropical de regiões quentes

com pluviometria superior a 1200mm por ano, quase sempre

abrigado e, nas zonas entre marés, com água salobra. (ALVES;

SAMAIN, 2004) O fundo lodoso é muito rico em matérias orgânicas,

tem baixo teor de oxigénio e é inundado frequentemente pelas

marés. Os manguezais são verdadeiros berçários: locais de

protecção, alimentação e reprodução para diversas espécies.

Segundo os especialistas na matéria, muitos dos peixes que são

economicamente explorados na região dependem desse

ecossistema, que é responsável pelo equilíbrio da cadeia nutricional

e manutenção de recursos naturais das zonas costeiras. A grande

quantidade de matéria orgânica produzida no manguezal constitui

um alimento energético indispensável para diversos componentes

da fauna estuarina e marinha da região, uma vez que durante o

processo de decomposição estas zonas são colonizadas por

microrganismos formando a base para diversas cadeias alimentares

e parte dessa produção é levada pela maré até às águas costeiras

adjacentes.

Figura 7 – Criação artesanal de ostras, Torrinha, Cairu.

 

Foto: Mônica Chan.

 

Este ecossistema costeiro é riquíssimo em todo o género de

agricultura tropical – mandioca, dendê, coco, piassaba, caju, manga,

cacau, jaca etc. Para além de abundante pesca e mariscagem

artesanais, criam-se também artesanalmente ostras e peixes em

viveiro – sobretudo a tilápia, uma espécie vinda dos grandes lagos

de África que se dá aqui muito bem.

 

Durante vários séculos, o manguezal foi marginal à agricultura

mercantil que tanto peso teve na história do Brasil e da Bahia. Por

isso até, manteve-se como uma zona relativamente marginalizada

onde não teve lugar uma ocupação violenta por parte de

terratenentes, como ocorreu nas zonas costeiras da terra seca. Na

última década, porém, a produção industrial de camarão tem vindo a

ser incentivada activamente por agências governamentais e

interesses económicos de vulto. Hoje ela ocupa partes importantes

do manguezal produzindo profundas alterações no ecossistema,

tanto em torno a Valença (Guaibim) como nas antigas Salinas da

Margarida.

Há mais de 4.000 hectares ocupados no Baixo Sul, dos quais pelo

menos 1.200 hectares de tanques gigantescos. A principal empresa

assegura que "[...] a qualidade da água devolvida ao mar é

controlada, isenta de poluentes, valorizando a vida de mariscos e

crustáceos importantes para a região".5 Mas só num dia, em 2006,

todos os caranguejos do manguezal morreram sem aparente

explicação! Muita gente que dependia da apanha artesanal de

caranguejo sofreu muito nas suas economias domésticas; ninguém

foi compensado por nada.

 

Mais ainda, têm ocorrido várias violações dos direitos destas

populações, o que tem gerado

 

[...] conflitos que se expandiram com intensidade pelo litoral

brasileiro, a partir da década de 1990, com a implantação de

fazendas de camarão (carcinicultura) sobre áreas de

preservação permanente e sobre territórios das populações

tradicionais, como pescadores, indígenas e quilombolas. Os

conflitos [têm levado a] agressões, ameaças, crimes ambientais

e, até mesmo, assassinato de pescadores tradicionais, como o

ocorrido em 2005, em Salinas da Margarida.6

Figura 8 – Dendezeiros, piaçaba e canoas, Torrinha, Cairu.

 

Foto: Mônica Chan.

 

O vinhático

 

Na opinião geral dos carpinteiros e negociantes de canoas com

quem tenho feito amizade desde 2006, o vinhático é a madeira certa

para fazer canoas: mole por dentro, rija por fora; muito densa mas

muito leve, a árvore dispõe-se à perfeição para ser escavada (dug-

out). Existem outras madeiras localmente, mas nenhuma delas se

adequa tão bem à função. O vinhático é comum nas velhas

plantações de cacau, que tinham poupado as árvores de copa para

criar sombra que protegesse os arbustos do cacau. Com o colapso

da economia cacaueira, muitos dos latifundiários da região estão a

desmatar as terras e deixam cortar os velhos e gigantescos troncos

de vinhático.

Figura 9 – A madeira fresca do vinhático e a mão do torneador,

Cajaíba.

 

Foto: Mônica Chan.

 

Um tronco de cerca de 20 metros dá para fazer três canoas, porque

as popas são encaixadas com as proas através de um corte oblíquo.

A proa da canoa é mais larga que a popa (para dar o formato

aerodinâmico que as caracteriza), por isso fica para baixo no tronco.

As canoas mais comuns têm entre 6 metros e 12 metros de

comprimento. O primeiro corte, no qual se retira o interior mole do

tronco e se dá forma geral à canoa, é feito ainda na mata com

grandes motoserras que são usadas pelos madeireiros com imensa

mestria e muito risco como se fossem instrumentos de esculpir. O

"xaboque" (assim se chama a peça na sua versão mais crua) é

depois "torneado" com machado e enxó já no interior do maguezal.

Mais uma vez, a mestria dos "torneadores" trabalhando com

instrumentos tão singelos é digna da maior admiração e muito

fascínio.

Figura 10 – Sr. Romão e os seus instrumentos, Cajaíba.

 

Foto: Mônica Chan.

 

Por ser menos pesada, mais dura e de mais alta resistência ao

ataque de organismos xilófagos, tudo indica que a Plathymenia

reticulata Benth. (FabaceaeMimosoideae, "vinhático-do-campo", "amarelinho", "pau-amarelo" ou "pau-de-canela") é uma espécie

distinta da Plathymenia foliolosa Benth. que ocorre entre o litoral do

Rio de Janeiro e o sul do Estado da Bahia e que também recebe o

nome de vinhático ("vinhático-da-mata", "vinhático-rajado"). 7 Não se

trata também do "vinhático" ou "mogno da Madeira" que se

encontrava nessa ilha atlântica e que era exportado para a

Inglaterra e Portugal (Persea indica Spern), onde se podem apreciar

ainda móveis antigos ditos "de vinhático." Esse último é uma planta

da família do louro, o que curiosamente faz eco com o uso de uma

subespécie de louro para reparar canoas de vinhático na Bahia.

 

A Plathymenia reticulosa pertence à família das mimosas. Encontra-

se desde o baixo Amazonas até São Paulo, dispersa em bosques

com uma incidência média de mais ou menos três árvores por acre,

sendo "[...] característica de formações abertas de cerrado e de sua

transição para as florestas". (BRAGA et al., 2007, p. 258) A mais

antiga área de ocorrência da espécie é na zona centro-norte do

Estado de Minas Gerais. A sua zona de maior presença hoje,

contudo, é no "cerrado" (savana seca) do sul da Bahia e Espírito

Santo. As folhas são reticuladas e as flores brancas em cacho

surgem entre novembro e dezembro e dão lugar a uma vagem com

sementes castanhas escuras com películas transparentes.

 

A altura média é entre 6 e 12 metros, mas encontram-se

frequentemente troncos muito mais altos e esguios quando cresce

em bosque. Com a casca faz-se um corante amarelo e da

entrecasca do caule faz-se uma infusão em água fria que se usa

para tratamento de processos inflamatórios. A madeira exterior do

tronco é usada para muitas outras coisas, por ser extremamente

leve, densa e muito resistente. Um carpinteiro de Ituberá, por

exemplo, especializou-se em fazer barris para envelhecer cachaça.

 

Nos últimos seis anos, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e

Recursos Naturais (Ibama) tem vindo a preocupar-se com o

desmatamento do cerrado, resultante da transformação em pasto

para gado das velhas plantações de cacau. Identificaram-se pelo

menos 50 pontos de desmatamento grave em 14 municípios da Bahia. A Delegacia da Polícia Ambiental de Ilhéus, à pala da Lei de

Crimes Ambientais (Lei 9.605/98), tem apanhado nos últimos anos

alguns carregamentos oriundos dos distritos de Santa Luzia,

Canavieiras, Arataca, Camacã e Una que estavam a ser

transportados para serem trabalhados em locais costeiros onde há

serrarias.

 

Em 2005-2006, a Polícia Federal realizou operações com a

finalidade de reprimir as serrarias ilegais de vinhático que atuam no

município de Camacã, no sul da Bahia. Foram presos proprietários

das serrarias clandestinas, inclusive um político da região, acusados

de devastar o remanescente da Mata Atlântica. Também foram

realizados em 2007-2008 raids policiais em Jequié, imediatamente

para o interior de Valença onde, ao que tudo indica, se continuam a

fazer os "xaboques" das canoas de vinhático. Segundo a polícia, o

material apreendido durante as rusgas é entregue a instituições de

assistência. Contudo, comentadores em vários blogs têm alertado

para o facto de que também esse material confiscado acaba por se

juntar ao que vai parar às serrarias e estaleiros...8

 

Em abril 2009, o Ibama de Vitória da Conquista voltou a realizar

uma operação chamada "Top de Morro" em que apreendeu 31.571

metros cúbicos de madeira em pranchas e toras, entre estas

consideráveis quantidades de vinhático. Em setembro 2009, o

escritório regional autuou uma serraria que comercializava madeira

ilegal no bairro Sarinha, em Itabuna.9 O cerco vai-se fechando em

torno aos xaboqueiros e transportadores que, a meio da noite,

deixam nas margens da BA 001 as toras que servem para fazer

canoas.

 

Uma fidelidade servomecânica

 

As canoas são instrumentos de mediação com o mundo; são

extensões da mão do homem, potenciações do corpo humano. A

relação entre o canoeiro e a canoa é de enorme proximidade física –

nesse aspecto, a relação é muito semelhante à que um bom cavaleiro tem com o seu cavalo, um condutor de moto com a sua

potente máquina ou um carpinteiro com a sua enxó. O corpo do

canoeiro adapta-se ao instrumento numa continuidade indissolúvel.

Quem aprende em criança a andar em pé nos lados de uma canoa

de fundo redondo nunca mais esquece como é que se faz (ver

Figura 11). Só mesmo de muito jovem se aprendem tais coisas.

 

Figura 11 – Andar a pé nos bordos da canoa, Cajaíba.

 

Foto: Mônica Chan.

 

A canoa, aliás, já é feita tendo em conta essa continuidade. Por

exemplo, note-se a "seta" na frente (a ponta da proa, ver Figura 12).

Trata-se de um instrumento essencial, porque é a partir dele que o

canoeiro se guia para saber como dirigir a canoa, tanto quando vai à

vela (e o remo é usado como leme), como quando é dirigida através

de leves movimentos do remo. Presumindo que se está a remar do

lado direito e na popa, como é hábito, quando queremos que a

canoa vire para a esquerda, faz-se o movimento dito "chamar água"

(ou "chamar"), que significa mover o remo na direcção da canoa;

quando queremos que a canoa vá para a direita, "encosta o remo à

canoa", que significa encostar o remo e puxar para fora e para trás.

O eixo de rotação da canoa é mais à frente do que o lugar do canoeiro que se senta na popa, que é erguida da água. Por isso, o

movimento da proa tem um efeito diferido com o do remo. O

segredo é saber julgar desse desfasamento temporal e espacial por

relação às ondas, ao vento e ao carregamento da canoa, sem

sequer pensar nisso.

 

Figura 12 – A seta, Torrinha, Cairu.

 

Foto: Mônica Chan.

 

A canoa tem que ser servida – o homem está preso a ela por uma

espécie de fidelidade servomecânica. Quem não servir os seus

instrumentos será ferido por eles. A canoa é tanto uma porta para a

vida como para a morte. Conheci um pescador em Torrinha, perto

de Cairu, que tendo carregado a sua canoa com pedra para o chão

da casa que estava a construir, foi apanhado por uma tormenta ao

fim do dia no meio do Canal de Tinharé. A canoa afundou e ele ficou

perdido, certo de que iria morrer. Mas pouco depois, como se lhe

perdoasse, a canoa voltou à tona por ter largado a pedra no fundo.

Já não conseguiu virá-la, mas agarrou-se a ela a noite toda e no dia seguinte alguém o foi procurar. Só por isso está aqui para contar a

história.

 

Essa fidelidade impõe limites, para o bem e para o mal, que há que

respeitar. Um outro pescador, que conheci em Ponta Grossa, tem

por apelido (port. alcunha) Mero Peixe, porque uma vez vieram à

sua rede tantos meros (que é um peixe valioso) que a canoa teria

afundado se os trouxesse todos. Felizmente soube controlar-se e

trouxe o que pode. Com essa carga, diz ele, pagou logo ali tudo o

que devia aos credores e foi viver para Salvador.

 

A canoa como medium

 

Hannah Arendt 10 distingue três aspectos na acção humana: a) um

aspecto poético – isto é, a nossa capacidade para sermos livres,

para agir, para fazer; b) um aspecto formal – que é a nossa

sujeição a coisas e forças que nos são externas; e, finalmente, c)

um aspecto medial – quer dizer, os meios que procuramos para

agir sobre o mundo, para mediar a contradição última entre

liberdade e necessidade.

 

Não tem sido fácil às ciências sociais do século XX gerir essa aporia

entre livre arbítrio e determinação. Neste ensaio gostaria de alertar o

leitor para a forma como a libertação e potencialização para a acção

que o canoeiro obtém com a sua canoa no interior do manguezal (a

sua disposição poiética, no sentido grego da expressão) é sempre

limitada por factores de natureza formal que o constrangem (tanto

coisas, tais como a disponibilidade ou esgotamento do vinhático;

como forças, tais como armas de fogo, documentos, instituições).

Nesse aspecto, a canoa é um medium (bras. "mídia") – isto é, é uma

potencialização da nossa capacidade de intervenção sobre o

mundo.

 

O que a canoa enquanto medium nos permite ver é como o aspecto

medial liga o aspecto poético de criação e liberdade com o aspecto

formal de sujeição e constrangimento, sem os negar mutuamente.

Assim, talvez possamos voltar a falar do livre arbítrio dos sujeitos cujas acções descrevemos nos nossos ensaios etnográficos sem

temer estar a negar a sua determinação. O que caracteriza os

media é que o gesto de mediação, uma vez iniciado, ficará para

sempre irreversível, ambíguo e imprevisível – para o bem e para o

mal. Quando eu ajo sobre o mundo, eu sei onde começa a minha

acção, mas nunca sei onde vai parar o nexo causal que ela integra.

 

Há uma enorme ambiguidade nos media porque eles têm um poder

expansivo. Somos incapazes de determinar plenamente não só as

causas das nossas ações como todos os impactos que estas terão

no mundo. Como dizia Hannah Arendt (1958, p. 233),

 

[...] a força do processo de acção nunca é exaurida num único

acto mas, pelo contrário, pode crescer enquanto as suas

consequências se multiplicam; estes processos são o que dura

no reino dos assuntos humanos e a sua durabilidade é tão

ilimitada, tão independente da perecibilidade do material e da

mortalidade dos humanos quanto a própria durabilidade da

humanidade. A razão porque nunca somos capazes de prever

com certeza o resultado e fim de uma qualquer acção [que

empreendemos] é simplesmente que a acção não tem fim. O

processo de um simples gesto pode literalmente perdurar no

tempo até que a própria humanidade termine.

 

A centralidade da canoa para quem vive no e do manguezal

significa que os gestos de mediação que com ela são empreendidos

difundem-se onde poderia parecer que eles já não iriam chegar. Por

exemplo, uma professora de quem me fiz amigo contou-me como,

em criança, os pais tinham sido muito pobres. O pai tinha uma

canoa em Taperoá e ia à pesca. Morreu cedo e a família dissolveu-

se quando a mãe se voltou a casar. Ainda miúda, ela foi levada para

criar em casa de parentes distantes numa cidade. Mas quis explicar-

me do carinho com que sempre se lembra do pai – do qual, aliás,

nem sequer lhe foi dado o sobrenome quando a mãe, muito mais

tarde, a levou ao registo civil. A sua profissão de professora obriga-a

frequentemente a andar por longe de casa e, às vezes, assegurou-

me, quando se sente sozinha, chora pensando no pai.

Uma imagem lhe vem sempre à mente. Em criança, ficava o dia

inteiro a brincar na rua com os irmãozitos, perto de casa, porque

não havia comer. Os dias esticavam-se prevendo a alegria que os

invadiria quando vissem o vulto do pai atravessar o terreiro ao

fundo, com o peixe pendurado num pau (ver Figura 13).

 

Figura 13 – Pescador leva pescado para casa, Baiacu, Itaparica.

 

Foto: Mônica Chan.

 

A canoa tem a ambiguidade dos meios – particularmente dos que

mediam o sustento humano – porque abre caminhos cujo fim nunca

se pode saber. A canoa liga as pessoas ao mundo, por isso também

liga pessoas. A mediação reflecte-se sem fim, não só nas coisas

como nas pessoas. E, na mesma medida em que o resultado da

acção sobre o mundo não é previsível, também não é quando se

reflecte sobre pessoas.

 

Canoas e relações familiares Ora, as diferenças entre os seres humanos, tais como as suas

interdependências, são inscritas no mundo através dos meios

(media). O mundo devolve às pessoas os parâmetros das suas

identidades por virtude da própria ambiguidade deles. Um dos

exemplos de como tal ocorre mais importantes para a humanidade é

seguramente através da assimetria de género. (PINA-CABRAL,

2003, p. 53-88)

 

Como vimos no exemplo anterior, o género estrutura a apropriação

do mundo por relação à fertilidade humana. Tal foi-nos explícita e

repetidamente lembrado pelas pessoas com quem falamos sobre

canoas no manguezal. Tanto homens como mulheres usam canoas,

mas o cuidar de canoas é "coisa de homens". Um homem tem honra

na sua canoa; trabalha no melhoramento da sua canoa; investe o

seu salário eventual na compra de uma canoa através de um

negociante a quem paga um tanto de início para obter o seu uso e

vai posteriormente pagando juros. Pelo contrário, as mulheres usam

as canoas às quais conseguem ter acesso sem grande empenho no

objecto em si; ajudam os homens no trabalho de cuidar das redes

ou das armadilhas, na medida em que tal não conflitue com as suas

actividades domésticas; vendem o peixe que os homens pescam

por forma poderem a depois beneficiar dos rendimentos. De facto,

como diziam as pessoas: "Eles são pescadores; elas são

marisqueiras". Até porque normalmente se desenvolvem mais perto

de casa, as actividades produtivas das mulheres são, nessa medida,

menos mediadas por canoas e, por isso, menos marcadas por elas.

Figura 14 – Mulher limpa ostras que acabou de trazer do seu

viveiro, Ponta Grossa, Itaparica.

 

Foto: Mônica Chan.

 

A relação entre canoa, sustento e relações humanas é

profundamente diferente no caso de uma mulher, que tem filhos, e

no caso de um homem que, num contexto cultural como este em

que a família é fortemente matrifocal, assegura a sua relação com a

família predominantemente através do sustento. Com uma canoa,

um homem pode dar de comer a outras pessoas e, dessa forma,

assegurar-se da continuidade da relação de amor que tem com elas.

Ter uma canoa permite ter uma mulher, filhos e netos – pessoas que

me ouvem, me respeitam, me confortam. A sociabilidade diurna dos

amigos e vizinhos tem por pano de fundo a incompletude de todos

precisarem de um lugar para onde ir ao fim do dia.

Figura 15 – Homens tratam das canoas ao fim da tarde, Cajaíba.

 

Foto: Mônica Chan.

 

Assim, para um homem, a canoa é a esperança de transformar em

coisas e pessoas a liberdade de fazer; coisas e pessoas que,

passando a não ser eu, se reflectem, porém, sobre mim: comida que

dá vida a outros; casa que nos protege; uma televisão; uma viagem

de ónibus para levar uma criança a um hospital; o relógio do avô

que a miudita tantas vezes pede para usar (Figura 16).

Figura 16 – O pai, o filho, a neta e o relógio, Cajaíba.

 

Foto: Mônica Chan.

 

No manguezal, com uma canoa, um facão e pouco mais, eu posso

montar armadilhas para peixe que os outros saberão serem meus e

respeitarão; posso cultivar pequenos terrenos alagadiços, que os

outros respeitarão como meus; posso montar viveiros; posso até

fazer uma casa de supapo – sabendo bem que estarei sujeito um

dia a que uma tormenta maior a leve. O próprio manguezal

responde ao meu gesto poético, ao meu poder criativo na medida

em que eu souber utilizá-lo bem. Por isso, até, o amor que um

homem tem à sua canoa ou a companhia constante que mantém

com o seu facão, são mais do que simples actos produtivos. São

disposições que reflectem, inopinadamente, os sentimentos de amor

e dependência que estes meios possibilitam.

 

A canoa prolonga-se nas armadilhas de verga que o meu filho faz;

no marisco que a minha mulher pega na maré baixa; no dinheiro

resultante da venda do produto; na secagem do camarão; no

cozinhar da comida; no dar à luz filhos que virão a ser meus na

medida em que, com a canoa, eu lhes possa dar de comer.

 

O preço da canoa Mas tenho que pagar a canoa. A evolução dos preços das canoas

acompanha a evolução dos outros preços todos, num nexo local

segundo o qual, sendo o capital escasso, o trabalho nunca chega

para pagar o que é devido. Assim, por exemplo, quando pedia aos

pescadores para me venderem o seu peixe, explicavam-me que não

era possível; já estava apalavrado. Ainda antes de ser pescado, o

peixe já pertence ao credor. Não estou a falar de capitalistas e

banqueiros, note-se, mas sim de pequenos negociantes locais,

vizinhos que tiveram melhor sorte na cidade, patronos em lojas em

mercado próximo.

 

Em Baiacu, o comerciante local era o dono da maior parte das

canoas. E, para que não se enganasse, acabou por decidir pintá-las

todas da mesma cor de abóbora – um rosa alaranjado que também

coloria as portas dos barracões onde mantinha as alfaias de pesca

que também possuía por virtude de emprestar bens alimentares e

pequenos objectos de consumo a quem, nesse momento, já não

tinha dinheiro com que pagar os juros. A partir desse dia, a pessoa

em causa ficaria obrigada a verter para ele a parte principal da sua

produção – depois de retirado o quinhão para alimentar a família.

 

Figura 17 – Canoa do comerciante, Baiacu.

 

Foto: Mônica Chan.

 

Por isso, apesar da sua vida activa ser em média superior à de um

homem, as canoas são efémeras, fugidias, ambíguas: estão constantemente a mudar de mão e muito raramente chegam a ser

totalmente pagas. Num momento, elas oferecem liberdade ao

pescador mas, porque urge pagá-las, logo a seguir também a

coarctam. Mais cedo ou mais tarde, um homem jovem desespera e

acaba por ver-se compelido a entregar a canoa ao comerciante em

paga do que ainda deve e ir para a cidade à procura de emprego

assalariado. Pior que tudo é deixar de pagar os juros, porque aí os

homens do comerciante vêm buscar-lhe a canoa e ele perde tudo o

que por ela já pagou.

 

Figura 18 – Canoas à espera de revenda, Cajaíba.

 

Foto: Mônica Chan.

 

O que nos fascina nas canoas é o "elemento poético" – isto é, os

dotes artísticos e técnicos dos homens; mas finalmente o que se

impõe quando começamos a entender melhor é o rigor do "elemento

formal" – isto é, o dinheiro e as coisas que com ele se compram não

são dispensáveis para ninguém e acabam por ser perigosas… Nas

cidades, a subsistência depende do acesso ao dinheiro – por pouco

que seja – e isso depende do acesso ao trabalho remunerado. No manguezal, parte da subsistência está assegurada. Isso constitui

uma margem de liberdade; uma forma de respirar fundo para quem,

de outra forma, se vê obrigado a depender do cativeiro que é o

trabalho assalariado não qualificado.

 

Contudo, perguntemo-nos: o que é a "subsistência"? E logo

respondemos: os meios que permitem a vida. E onde estão os

limites desses meios? E logo respondemos: como todas as

mediações, esta é vaga e alastra-se. Mas será que é possível

subsistir sem qualquer acesso a bens de consumo mediados por

dinheiro? Resposta: não, é impossível!

 

Num muro de uma casa de supapo, construída como quase todas

as casas de Graciosa ou Baiacu entre a sebe do senhor da terra e a

BA 001 ou entre a BA 001 e a linha de água da maré alta no

manguezal, podemos ver os objectos que alguém necessita para

viver: um bilhete de ónibus, um relógio, uma máquina de barbear,

um copo de alumínio… (Figura 19). Por mais sóbrio que se seja,

quem pode hoje em dia escapar ao consumo?

Figura 19 – Muro de casa de supapo, Graciosa, Taperoá.

 

Foto: Mônica Chan.

 

Mais cedo ou mais tarde o dinheiro impõe-se por via do desejo de

melhorar as condições de vida. A sujeição ao poder formal do

capitalismo está inscrita tanto nas emoções e desejos das pessoas

como nas qualidades intrínsecas dos bens tecnicamente produzidos

– aspirinas, redes, motores, desinfectantes, programas de televisão,

tomates… etc. A modernidade é inescapável e irreversível – pelo

que a entrada no mundo capitalista é também irreversível.

 

Conclusão: subsistência, consumo e liberdade

 

Em que sentido, portanto, é isto tudo uma economia informal? Num

certo sentido burocrático há, de facto, uma ténue fuga ao controle

do aparelho administrativo estatal por parte de quem obtém o seu

principal sustento por meio de uma canoa no manguezal. Mas se nos perguntarmos que é que permite essa fuga, logo veremos que é

o facto do manguesal ser um bem público.

 

O conceito legal de "terra devoluta" é uma ficção perigosa de um

ponto de vista humano. Há muitos e muitos milénios que nenhuma

terra da costa brasileira esteve longe de olho de gente. Na costa do

Baixo Sul, o manguezal é um bem público e é essa disponibilidade

que permite ao pescador encontrar uma janela de liberdade para

fugir momentaneamente ao poder formal avassalador do capital – as

canoas são os meios para captar essa liberdade, esse acto poético,

no sentido que dá Hannah Arendt à expressão.

 

Em conclusão, por estranho que pareça, é o Estado brasileiro que

abre a porta de fuga por onde passam as canoas de vinhático; que

permitem uma margem de negociação perante o poder do capital ao

pescador e à marisqueira; o que garante alguma liberdade face ao

"cativeiro" da fome. A sociedade e a economia brasileira estão a

alterar-se vertiginosamente; o Estado brasileiro tem vindo a

conseguir mediar algumas soluções de redução da opressão dos

descapitalizados – a polícia, o Ibama, os mass media, as ONGs vão

fazendo o seu trabalho de pacificação face à violência dos

poderosos.

 

Sem dúvida que as novas dinâmicas sociais que surgirão no futuro

conterão em si sempre uma abertura à liberdade do aspecto poético

tanto quanto uma submissão ao aspecto formal da acção humana.

Para quem aprendeu a apreciar o valor, a destreza e a inteligência

do canoeiro, só resta esperar que os factores de liberdade possam

impor-se numa sociedade onde, até hoje, os factores de

constrangimento (o "cativeiro", como dizem as pessoas locais) têm

sido tão violentos.

 

Num passado, poetas houve que cantaram as jangadas – hoje, é

difícil vê-las, se bem que ainda se vislumbrem aqui e ali numa

qualquer praia distante; novelistas houve que souberam cantar

maravilhosamente os saveiros bahianos – hoje não mais que

veículos para turistas. Com certeza que as belíssimas canoas de

vinhático, feitas dessa madeira misteriosamente (quase contraditoriamente) leve e dura, com as suas formas aerodinâmicas

produzidas sem copyright por um designer colectivo multissecular,

virão a dar lugar a outras embarcações.

 

Algumas das presentes portas de liberdade fecharão; mas outras,

sem dúvida, se abrirão. A própria contraditoriedade intrínseca às

instituições – neste caso, o Estado brasileiro que tanto apoia o

gigantismo da carcinicultura como protege quem protege o pescador

dos abusos dos poderosos – permitirá que essas portas se abram.

 

Referências

 

ALVES, André; SAMAIN, Etienne. Os argonautas do mangue

precedido de Balinese character (re)visitado. Campinas: Unicamp;

São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2004.

 

ARCHENAVE. Comissão de Arqueologia, História e Etnografia

Naval. SPHAN, Pró-Memória. Património cultural naval do Brasil.

Brasília: Banco Central do Brasil, 1990.

 

ARENDT, Hannah. The human condition. Chicago: University

Chicago, 1958.

 

BOYER, Dominic. Understanding media: as popular philosophy.

Chicago: Prickly Paradigm, 2007.

 

BRAGA, L. Lima et al. Germinação de Sementes de Plathymenia

reticulata Benth. (Fabaceae-Mimosoideae) sob Influência do Tempo

de Armazenamento. Revista Brasileira de Biociências, Porto Alegre,

v. 5 , p. 258-260, jul. 2007. Suplemento 2. Disponível em:

<http://www6.ufrgs.br/seerbio/ojs/index.php/rbb/article/viewFile/237/

230>.

 

FABIAN, Johannes. Time and the other: how anthropology makes its

object. New York: Columbia University, 1983.

OLIVEIRA, E. Veiga de; PEREIRA, Benjamim E. Trás-os-montes: a

mão do Homem. Vila Real: UTAD: Museu de Etnologia, 1982.

 

OLIVEIRA, E. Veiga de; PEREIRA, Benjamim E.; GALHANO,

Fernando. Moinhos de vento: Açores e Porto Santo. Lisboa: IAC,

1965.

 

. Os arados portugueses. In: CENTRO DE ESTUDOS

GEOGRÁFICOS. Livro de Homenagem a Orlando Ribeiro. Lisboa,

1988. v. 2, p. 259-280.

 

PEREIRA, Benjamim E. Máscaras portuguesas. Lisboa: JIU, Museu

de Etnologia do Ultramar, 1973.

 

_____. Traje popular. Lisboa: Catálogo exposição Museu Nacional

do Traje, 1977.

 

PINA-CABRAL, João de. The door in the middle: six conditions for

anthropology. In: JAMES, Deborah; PLAICE, Evie; TOREN, Christina

(Ed.). Culture, context and anthropologists' accounts. New York;

Oxford: Berghahn, 2010.

 

_____. O homem na família: cinco ensaios de antropologia. Lisboa:

Imprensa de Ciências Sociais, 2003.

 

_____. "Larger truths and deeper understandings" debate with Jean

Lydell. Social Anthropology, v. 16, n. 3, p. 346-354, 2009.

 

ROBBEN, Antonius C.G. Sons of the Seas Goddess: economic

practice and discursive conflict in Brazil. New York: Columbia

University, 1989.

 

SEMINÁRIO DE PATRIMÓNIO NAVAL BRASILEIRO, 1., 2005, São

Francisco do Sul. [Anais...] São Francisco do Sul, SC: Museu

Nacional do Mar: Fundação Biblioteca Nacional, 2005.

 

1 Estou profundamente agradecido a Mónica Chan, pela maioria das

fotos e a partilha do olhar; Manuel Ribeiro do Rosário e Minnie Freudenthal, por algumas das fotos e algo do olhar; Edilson Teixeira,

Cecilia McCallum, Clarisse Teixeira e Guido Magalhães, pela

companhia e o compadrio; Carlos Caroso e Pedro Agostinho da

Silva, pelo apoio entusiasta; Sr. Romão (Cajaíba) e Sr. Otávio

(Baiacu), pela inspiração das suas mãos e a candura da sua

presença.

 

2 Entre muitas outras referências possíveis, por exemplo: Oliveira e

Pereira (1982), Oliveira, Pereira e Galhano (1965, 1988) e Pereira

(1973, 1977).

 

3 A bibliografia existente sobre o tema é rara e dispersa. Chamo a

atenção para as obras Archenave (1990) e Seminário de Património

Naval Brasileiro (2005) onde se reúne alguma informação sobre

embarcações artesanais no Brasil. O mais valioso estudo

antropológico sobre canoas e pescadores e suas formas de vida no

Nordeste brasileiro continua a ser Robben (1989), uma obra que

merecia maior destaque do que tem recebido.

 

4 Em Portugal dizemos "piroga", palavra originária do caribe insular

que nos chega através da influência espanhola. Em inglês diz-se

dug-out canoe, o que é um termo em muitos aspectos mais

descritivo.

 

5 Valença da Bahia Maricultura, parte do gigantesco grupo MPE S.A.

Disponível em: <http://www.grupompe.com/valencamaricultura.htm>.

 

6 Disponível em: <

http://www.terramar.org.br/oktiva.net/1320/nota/108933>.

 

7 Disponível em :

<http://forum.cifraclub.terra.com.br/forum/3/69361/p3>.

 

8 Disponível em :

<http://www.dpf.gov.br/DCS/noticias/2006/Agosto/28082006_opera%

E7aoBA.htm>.

9 Disponível em :

<http://www.nucleodenoticias.com.br/2009/04/04/operacao-topo-de-

morro-acao-conjunta-do-ibama-policia-civil-de-itapetinga-e-

macarani-ba>.

 

10 Inspiro-me aqui na leitura feita por Dominique Boyer (2007), no

seu ensaio Understanding Media: a popular philosophy, cuja

sugestão agradeço.