Baía de Todos os Santos: aspectos humanos

Carlos Caroso · Capítulo 6 de 23

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Baía de Todos os Santos: aspectos humanos

No entorno de Todos os Santos: tráfico ilegal e revoltas escravas no Recôncavo (Bahia: 1831-1850)

No entorno de Todos os Santos:

 

tráfico ilegal e revoltas escravas

 

no Recôncavo (Bahia: 1831-1850)

 

Wellington Castellucci Junior

 

Introdução

 

A Revolta dos Malês, levante escravo ocorrido em Salvador no ano

de 1835, pela sua dimensão política e caráter espetacularmente

desafiador, adquiriu status de episódio histórico dos mais

importantes da resistência escrava nas Américas, enfatizado pela

historiografia da escravidão baiana. Não é sem razão que o

excelente livro do historiador João José Reis foi reeditado, com

atualização do cenário político, econômico e social baiano, palco do

acontecimento que aterrorizou as elites soteropolitanas na primeira

metade do século XIX. (REIS, 2003) As elites brasileiras e,

particularmente a baiana, já estavam amedrontadas desde a

chegada de notícias do levante escravo no Haiti, liderado pelo

liberto letrado Toussaint L'Ouverture e, depois, pelo escravo

analfabeto Jean Jaques Dessalines. 1

 

Os senhores escravocratas sabiam que, onde havia concentração

de africanos, ou mesmo crioulos subjugados, o risco de sublevação

era iminente. Na Bahia, as últimas décadas de tráfico de cativos

também contribuíram, decisivamente, para criar essa explosiva

situação, uma vez que, prevendo o inevitável fim do comércio

transatlântico, negociantes e senhores trataram de adquirir, ao

máximo, novos cativos, elevando os estoques de braços disponíveis

para os diversos serviços, fossem no campo ou nas cidades. Como

é sabido, o trato de escravos para o Brasil não cessou após a Lei de

7 de novembro de 1831, continuando até meados dos anos 1858/62, quiçá um pouco mais. Tal comércio ilícito colaborou, dessa

maneira, para o incremento de uma quantidade significativa de

escravos no mercado baiano, concentrando-os principalmente em

algumas áreas de atividades econômicas mais valorizadas.

(TAVARES, 1988, p. 26)

 

Neste artigo, destacarei possíveis repercussões do levante Malê em

1835, na área de maior importância econômica da Bahia no século

XIX, o Recôncavo baiano. Não abordarei toda a região dessa parte

do território baiano, mas tão somente as vilas e distritos litorâneos e

ribeirinhos que compuseram nos oitocentos a Comarca de Nazaré

das Farinhas. Desse modo, reduzi a minha escala de observação e

análise aos seguintes locais pertencentes àquela comarca: a ilha de

Itaparica, a vila de Jaguaripe, as povoações de Aratuípe, da Estiva e

Maragogipinho, além da própria localidade e cabeça de comarca, a

vila de Nazaré das Farinhas. Eventualmente, notícias de outras

paragens interioranas aparecerão no texto como evidências dos

fortes contatos mantidos pelos negros de Salvador com o

Recôncavo baiano, por meio das vias fluviais e marítimas.

Figura 1 – Mapa da região metropolitana de Salvador, Recôncavo e

Ilha de Itaparica.

 

Fonte: IBGE – pasta dos municípios.

 

O recorte dessa região deveu-se a dois critérios básicos: o primeiros

deles foi em razão de já vir estudando essa área há algum tempo e,

por isso, tendo acumulado e me familiarizado com um volume

expressivo de fontes históricas relativas à Comarca de Nazaré. O

outro fator considerado é pela justa razão de ser essa parte do

Recôncavo, denominada também de Baixo Sul, ainda bastante

carente de estudos acerca do período e mesmo sobre a

problemática da intensificação do tráfico, após a proibição, e as

suas repercussões na região. Portanto, esse estudo se impõe, ainda

que de modo preliminar, em um estudo inédito acerca dos

desdobramentos do fim do tráfico e das repercussões da Revolta

Malê no sul do Recôncavo baiano, no contexto da intensificação de

entrada de escravos de modo "ilegal" na Bahia, após 1831.

Já sabemos como se encontrava a parte clássica do Recôncavo

canavieiro, antes e após a Revolta Malê, por meio do criterioso

inventário das revoltas escravas ocorridas na região, realizado pelo

historiador João José Reis e outros estudiosos. Aquela parte do

Recôncavo concentrou, até a véspera da abolição, o maior número

de cativos da província baiana. (BARICKMAN, 1998-1999)

Interessa-me aqui descrever o alcance da Rebelião de 1835 na

parte do sul do Recôncavo, onde o perfil da escravaria e das

propriedades rurais se diferenciava bastante da região canavieira.

De que modo escravos e libertos, que ali viviam, reagiram no curso

dos acontecimentos na Cidade do Salvador?

 

A região do Baixo Sul é uma área privilegiada em sua geografia e,

no século XIX, havia uma densa mata atlântica e um extenso

manguezal margeando os grandes cursos d'águas navegáveis,

destacando-se os rios Jaguaripe, o da Dona e o Jiquiriçá, todos eles

desaguando no fundo da Baía de Todos os Santos, exceto o

Jiquiriçá, que tem a sua barra de frente para o Oceano Atlântico.

Isso favoreceu, desde a época colonial, um intenso tráfego de

embarcações de variados quilates e calados, as quais

transportavam homens e mercadorias procedentes das mais

distantes regiões interioranas, ligando, através dos rios e do mar, a

capital com o interior em questão de horas, às vezes dias.

 

Foram essas características que também favoreceram a circulação

de libertos e escravos foragidos, os quais procuravam se

estabelecer em áreas de difícil acesso, para fincar quilombos e

ranchos e assim construírem uma alternativa de vida longe do

cativeiro, mas não tão distante da cidade e vilas circunvizinhas.

Figura 2 – Província da Bahia: casa de escravo.

 

Fonte: Biblioteca Nacional: OD:icon852439.

 

No período de intensificação do combate ao tráfico "ilegal", da

revolta escrava, ocorrida na capital, e em decorrência das sedições

dos livres, repercussões desses acontecimentos fizeram-se sentir

na Comarca de Nazaré das Farinhas. Uma delas foi a alteração do

perfil da escravaria existente nas fazendas da região. A outra foram

as reações escravas simultaneamente ao que ocorria na cidade do

Salvador. As fontes insinuam que os escravos daquela região

souberam rapidamente das ocorrências na capital e também

articularam levantes em várias paróquias e distritos pertencentes à

comarca. Se eles fracassaram, assim como aconteceu em Salvador,

foi devido a diversas razões, as quais explicarei no decorrer do

texto.

 

Começo fazendo um pequeno balanço a respeito do tráfico

clandestino de cativos na região e o perfil da escravaria nas propriedades rurais de Nazaré. Em seguida, avalio as ações

escravas em várias partes da comarca durante a Revolta dos Malês

em Salvador.

 

No entorno de Todos os Santos

 

Na primeira metade do século XIX, a área abrangente da Comarca

de Nazaré das Farinhas girava em torno de, aproximadamente,

1.841,86 km2. Nazaré havia deixado de ser um distrito da histórica

vila de Jaguaripe e assumira, em 1831, a condição de sede jurídica

regional, justificada, dentre outras coisas, pela imponente urbe e

pelo seu porto que ligava parte do Recôncavo com Salvador e com

o mundo. Uma vila portadora de um cais tão movimentado, de

extrema importância econômica regional, também se tornava local

apropriado para a circulação e contatos entre negros escravos e

libertos, os quais trabalhavam em diferentes ofícios, que iam desde

carregadores e embarcadiços a marinheiros e mestres de lancha.

Essa quantidade de sujeitos escravizados iria ser incrementada pela

chegada de novos conterrâneos nas últimas décadas de comércio

de seres humanos.

Figura 3 – Cais de Nazaré das Farinhas: 1864.

 

Foto de Camilo Verdini (C. 1860) – Coleção Gilberto

Ferreza/Instituto Moreira Salles.

 

Entre os anos de 1831 e 1850, ainda que leis contra o tráfico de

cativos oriundos da África tivessem sido aprovadas, especula-se

que uma quantidade surpreendente de africanos fora trazida para a

Bahia, sob forte demanda de senhores proprietários rurais e

urbanos, pleiteando repor e/ou aumentar os seus estoques de

cativos. Mas esse não foi só um período de ingresso de novos

escravos. Quando escrutinamos a documentação disponível, não

nos surpreende o fato de terem sido os anos de 1831 e 1835

momentos de maior intensidade das fugas escravas na região,

algumas das quais através do porto de Nazaré. Isso está

relacionado, muito provavelmente, às interpretações que os próprios

cativos fizeram da lei de 1831 e o impacto da Revolta dos Malês na

região.

 

Por sua vez, com um litoral bastante extenso, pouco habitado e uma

geografia assaz favorável, repleta de enseadas, rios e paragens

tranquilas, a área do entorno da Baía de Todos os Santos tornava-se local adequado para a ação dos traficantes. Naquela região, eles

construíram depósitos provisórios de escravos, para um rápido

tratamento regenerativo da viagem, e a sua venda posteriormente.

Da mesma maneira, esse ambiente havia se tornado um dos

principais aliados dos foragidos, pois era embrenhando-se nas

matas e nos mangues da região que muitos deles desapareciam da

vista de seus preocupados senhores e ali passavam a viver em

acampamentos e ranchos provisórios.

 

Notícias esparsas, colhidas com acuidade numa documentação

inédita, guardada no Arquivo Municipal de Jaguaripe, dão conta de

que a ilha do Medo, uma pequena área insular, situada à frente da

ilha de Itaparica, e próxima a Caboto – no continente, era local de

acomodação de cativos clandestinos por volta de 1834. Mais tarde,

em 1846, o Cônsul britânico afirmou que na verdejante ilha de

Itaparica, do outro lado da Baía de Todos os Santos, haviam sido

construídos locais de desembarque, de onde os recém-chegados

eram levados para os depósitos de escravos da cidade e vendidos

sem qualquer interferência. (CONRAD, 1985, p. 135)

 

Isso veio a se confirmar alguns anos depois, no auge da repressão

britânica antitráfico, quando, em 1851, um navio, por nome

Relâmpago, desembarcou, às pressas, centenas de africanos na

costa de Itaparica, tendo a sua tripulação conseguido o perdão

imperial e a comutação das penas em 1853. Ao desembarcarem

para averiguar os africanos que para ali haviam sido levados, as

autoridades, membros do navio da armada de guerra brasileira,

constataram que 14 deles vieram a morrer afogados no ato do

desembarque. Ao chegarem à terra firme para buscar os demais

africanos, as autoridades depararam-se com a casa de uma figura

baiana bastante conhecida: Higino Pires Gomes, político liberal que

havia participado do movimento da Sabinada em 1837 e que

atormentou, durante algum tempo, a paz política da Província.2 No

interior da residência, "encontraram em completo abandono e com

as portas abertas", e mais "[...] víveres consistentes de carne,

farinha, arroz e bolacha sendo considerados como destinados para sustento dos africanos desembarcados apreendidos".

(RODRIGUES, 2000, p. 140)

 

Naquela ocasião, conforme correspondência encaminhada por uma

autoridade da vila de Jaguaripe, mais de cem africanos boçais,

procedentes da ilha, haviam sido capturados, quando eram

conduzidos, através de comboio, em direção ao interior do

Recôncavo. Logo no momento do alarde da notícia do cortejo de

africanos caminhando na direção das matas de Jaguaripe,

autoridades locais armaram uma milícia e conseguiram interceptar

os cativos clandestinos enviando-os imediatamente para a capital.3

Neste episódio, as autoridades haviam logrado sucesso, mas em

outras oportunidades não foi exatamente isso que ocorrera naquela

parte do Recôncavo. Maximiliano de Habsburgo ainda noticiava, no

ano de 1860, uma prática muito comum usada pelos proprietários

locais, após a proibição do tráfico negreiro, para despistar os

poderes locais, responsáveis pela repressão do tráfico clandestino.

 

Segundo ele, alguns anos antes, após um navio tumbeiro atirar, nas

águas da Baía de Todos os Santos, algumas centenas de africanos

e fugir da perseguição da nau guarda-costas, os senhores

proprietários de Itaparica operaram rapidamente em benefício

próprio. Após busca e apreensão, o Governo Provincial capturou

"300 escravos jovens, fortes e belos, de ambos os sexos". Pela

legislação da época, eram considerados "africanos livres", devendo

ser alocados em repartições públicas ou em mãos de particulares

para prestarem serviços durante quatorze anos. (Cf. FLORENCE,

1989, 1996) "Algumas semanas depois, porém, o bando tinha sido

transformado em anciões, aleijados e alquebrados, um milagre,

portanto, no sentido negativo". (HABSBURGO, 1982, p. 153)

Prosseguiu explicando o viajante oitocentista:

 

A coisa aconteceu simplesmente assim: os senhores da

redondeza trocaram todos os seus refugos de escravos pela

carne fresca da ferrovia. O número por cabeça permaneceu o

mesmo nas listas do Governo, e os criadores de escravos

renovaram admiravelmente seu material. Renovações

clandestinas de tal natureza do elemento escravo não devem

acontecer raramente. (HABSBURGO, 1982, p. 153-154)

 

Obviamente que os senhores contavam com a complacência de

membros dos poderes municipais, em sua maioria compostos pelos

próprios proprietários escravistas, ou a eles ligados, além de

homens corruptos, atrelados aos interesses dos traficantes de

cativos. A bibliografia e a documentação pertinentes ao tema têm

enfatizado bastante isso quando se referem ao envolvimento de

funcionários públicos, no mínimo cúmplices da compra e entrada na

região de cativos, após a proibição do tráfico de escravos africanos.

Alguns membros dos poderes locais, no entanto, mais fiéis à

aplicação das leis, buscavam remediar a situação estimulando os

próprios escravos a denunciarem os seus senhores em troca da

alforria como recompensa, caso estes adquirissem cativos

contrabandeados. A "delação premiada", embora parecesse uma

situação esdrúxula, em vista do peso do depoimento de escravos

perante o tribunal de justiça, revela que os cativos já estavam

entretidos nos meandros da justiça bem mais cedo do que

imaginamos. Aliás, embora por outras razões, desde o século XVIII,

pelo menos um enorme número de escravos recorreu à justiça

contra seus senhores e muitos deles lograram êxito. Isso foi muito

comum nas Minas Gerais, no Rio de Janeiro e na Bahia também.4

Infelizmente não encontrei, até o presente momento, provas cabais

de que algum cativo tivesse sido beneficiado por esse dispositivo

jurídico, ou seja, pela "delação premiada".

 

Fato é que aquela região continuou sendo ponto de receptação de

cativos após lei proibitiva. Não é de se admirar o caso de Itaparica

ser sempre citada, pelas autoridades provinciais, como local de

desembarque e ponto de tráfico clandestino de cativos procedentes

da África. Naquela parte insular do Recôncavo, atuava, além de

Higino Pires Gomes, um dos grandes traficantes de escravos de

então, o Sr. Antonio Pedroso de Albuquerque, possuidor de

propriedade rural, onde, inclusive, estava localizado um dos poucos

engenhos de melaço e fabrico de cachaça da ilha. Pedroso de

Albuquerque, grande fortuna da Bahia, foi processado e morreu frustrado por não ter adquirido título de nobreza, concedido pelo

Imperador, justamente pelo suposto envolvimento com fabricação de

moeda falsa e tráfico ilegal de escravos. (MATTOSO , 1978, p. 275)

 

Assim como acontecera em Itaparica, em outras localidades

litorâneas da Comarca de Nazaré avolumavam-se queixas,

denúncias e acusações de "desova" de africanos clandestinos após

a sua proibição, sob a cumplicidade de autoridades locais. A

facilidade de navegação pelos grandes rios da região, como o

Jaguaripe, o rio da Dona, o Jiquiriçá e o Paraguaçu, este último

subindo na direção de Cachoeira e São Félix, proporcionava aos

traficantes e negociantes de cativos uma movimentação estratégica

e acesso a locais de difícil patrulhamento. Os traficantes também

possuíam redes de intermediários e contatos com indivíduos ligados

ao comércio de escravos espalhados pelos povoados da região. Era

uma espécie de efeito cascata, até chegar à ponta do negócio, regia

uma ampla teia de conluios, tecida e posta em prática desde a sua

origem.

 

Quando as embarcações adentravam naqueles grandes rios, seus

asseclas logo apareciam remando canoas e barcos de pequena

cabotagem para melhor e mais rapidamente transportar a

mercadoria de "seres humanos" até terra firme. Em outras ocasiões,

faziam o desembarque nas praias do litoral, nas proximidades da

vila de Jaguaripe, nas imediações da barra do rio Jiquiriçá, em

locais conhecidos até hoje por Camaçandi e ilha D'Ajuda, ambos

pertencentes ao distrito da Estiva. Em 5 de maio de 1843, a Câmara

Municipal de Jaguaripe enviou uma correspondência alertando as

autoridades provinciais para o fato de que, além do tráfico ilegal:

 

O distrº da Estiva tem em si alguns elementos de desordem, e

ali apparecem não só alguns crimes de ferimentos, como de

furto de escrºs, o q attribui a ser o mmº. Distrº. q limitta plº lado

do Este com o Ociano, lugar mtº próprio pª o desembarque dos

escºs. furtados, e sua condução pª o sul, e matas.5 Mas, além do aparecimento de cativos furtados em outras

paróquias, no decorrer das décadas em estudo, pedidos de

empenho por parte do governo provincial no combate ao tráfico de

escravos, respostas de juízes afirmando a efetiva aplicação da lei e

relatos de supostos desembarques clandestinos naquele litoral

formam um mosaico documental acenando para o fato de que ali o

tráfico também havia estabelecido seus tentáculos.

 

Como resultado dessa prática e posteriormente pela intensificação

do tráfico intraprovincial, o Recôncavo canavieiro baiano continuou a

concentrar o maior número de cativos da Bahia.

 

Diferentemente da parte clássica canavieira, na região da Comarca

de Nazaré, dificilmente houve uma concentração maciça de cativos

trabalhando em algumas poucas fazendas. Como área

predominantemente ocupada por pequenos proprietários e

destinada à produção de gêneros de primeira necessidade e

algumas poucas indústrias, a maioria da escravaria dos senhores

rurais não alcançava mais do que duas dúzias de cativos. E quando

chegavam a esse topo, pode-se dizer que eram senhores mais

afortunados da região. Após o escrutínio de uma centena de

inventários de proprietários da região, encontrei apenas o de uma

senhora, datado de 1845, que possuía uma formidável quantidade

de escravos em seus domínios. Após o falecimento de Escolástica

Prates, foram contabilizados 169 cativos, sendo 85 africanos e 72

crioulos. Caso bastante singular para o conjunto de proprietários da

região.6

 

Esse pode ser um sinal de que os traficantes apenas despejavam

africanos naquelas áreas da Comarca de Nazaré, para logo em

seguida providenciarem o traslado, senão de todos, mas da maioria

dos boçais na direção dos canaviais. É provável que alguns

senhores mais abonados da região, como Escolástica Prates e os

proprietários de armação de caça de baleia na ilha de Itaparica,

também granjeassem alguns africanos, pois os seus inventários

sugerem essa inclinação. Como os censos da primeira metade do

século XIX são escassos a respeito daquele território, é difícil mensurar quantos escravos viviam trabalhando nas diversas

ocupações, nas zonas rurais e na urbe, em cada distrito e vilas

adjacentes a Nazaré das Farinhas.

 

Existem registros que apenas dão pistas, mas não podem ser

tomados como dados confiáveis, pois são levantamentos sem

sistematização e rigores exigidos para recenseamentos mais

severos. Por exemplo, conforme uma contabilidade feita por um

chefe de polícia, no ano de 1848, a cidade de Nazaré das Farinhas,

as vilas de Jaguaripe e Itaparica, juntas, tinham uma população total

de 30.244 almas livres. Desse total, apenas 9.425 eram brancos

(31,16%), enquanto 5.275 eram pretos e 15.544 eram pardos.

Somados os considerados não brancos, essa população de libertos

compunha um percentual nada desprezível de mais de dois terços

do total de habitantes (68,83%).7 Infelizmente, além das imprecisões

dos dados relativos aos livres, não há detalhes dos números de

cativos da Comarca para o período. Aliás, os dados sobre a

população escrava do Recôncavo para essa época são muito

genéricos em todas as fontes disponíveis. Tudo o que se sabe a

respeito do número de escravos em Nazaré é fornecido pelo

Recenseamento de 1779, quando se registrou uma população

cativa em torno de 1.498 indivíduos, além de 379 agregados

residindo em casas de famílias. 8

 

Outra fonte recorrente, pouco precisa, são as narrativas dos

viajantes. O Príncipe Maximiliano Wied Neuwied (1820), por

exemplo, quando da sua passagem pela região, entre os anos 1815-

1817, além de observar a regularidade das ruas e a existência de

alguns prédios notáveis, estimou a população, vivendo na vila de

Nazaré e em habitações adjacentes, em aproximadamente oito mil

almas. O problema é que ele não distinguiu os livres dos cativos.9

 

Nas vilas de Jaguaripe e Maragogipe, por sua vez, fora registrado,

já em 1816-17, um total de 11.521 escravos. No final do século

anterior, no entanto, em 1781, Jaguaripe havia acusado uma

população escrava em torno de 725 indivíduos, enquanto em 1846,

a Freguesia da Aldeia, pertencente a Nazaré, computou 278 cativos. (BARICKMAN, 2003) Esses números servem apenas para se fazer

uma estimativa em torno da população escrava da região, mas não

resolvem o problema.

 

Sobre a ilha de Itaparica, as fontes principais são notícias esparsas

em documentos avulsos da Câmara Municipal, os quais fazem

algumas referências à população de algum distrito. Um deles,

datado de nove de abril de 1838, acusava uma população residindo

em Mar Grande em torno de quatro mil almas, não distinguindo os

livres dos cativos e brancos de negros.10

 

O levantamento sistematizado de cem inventários também revelou

números apenas parciais da escravaria, mas é baseado neles e na

bibliografia existente que pauto minhas investigações. Conforme o

rigoroso estudo de Barickman, muito provavelmente, nas roças de

mandioca em Nazaré, Jaguaripe e adjacências, o número de

escravos não passaria de um ou dois indivíduos trabalhando lado a

lado com seus senhores no cultivo de mandioca. O escrutínio dos

inventários de Itaparica revelou uma sensível aproximação desse

perfil, mas algumas singularidades foram detectadas, coisa

analisada adiante. No geral, a feição da escravaria daquela parte do

Recôncavo diferenciava-se bastante da existente na parte clássica,

da área canavieira.

 

A maior parte dos cativos ali residentes tinha alguma experiência

com a navegação, eram embarcadiços, marinheiros. Os seus

senhores, além de explorá-los no trato das roças, no ganho na urbe,

alugá-los a terceiros para o trabalho na pesca e roçado, também os

mandavam transportar mercadorias nos seus barcos para as

diversas regiões, carentes de gêneros de primeira necessidade,

além das louças, tijolos, carne e óleo de baleia. Isso facultava aos

escravos e libertos jornaleiros, certa mobilidade e contatos com

pessoas de outras localidades, o que não deveria ocorrer,

frequentemente, com a maioria dos cativos ligados ao eito.11

 

Pelas próprias características geográficas e hidrográficas da região,

o principal meio de comunicação entre o vasto interior e a capital era mesmo o marítimo e o fluvial. Sob o comando desses negros

escravos e libertos, navegavam pelos rios Paraguaçu, Jaguaripe, da

Dona e Jiquiriçá sumacas, canoas, saveiros, lanchas rápidas, todas

elas carregando gente e produtos extraídos das roças da região. Ao

retornarem da capital para o interior essas embarcações traziam

produtos importados como cerveja, queijos, carne-seca, vinho,

calabresa etc.

 

Figura 4 – Cidade do Salvador a partir da Baía de Todos os Santos.

 

Fonte: Biblioteca Nacional. OD: Icon:1018501, 1860.

 

Mas, além de produtos, o movimento de embarcações transformou-

se, no decorrer dos anos, no importante meio de comunicação entre

as comunidades de escravos e libertos que habitavam o Recôncavo

e a capital. Deveria ser muito difícil manter a ordem das coisas

numa comarca, cuja distância entre as paróquias era impossível de

percorrer a pé ou a cavalo, para socorrer patrulhas locais, caso se

tratasse de situações emergenciais.

 

Durante toda a primeira metade do século XIX, os documentos

judiciais falam de furtos de escravos, os quais eram acomodados naquela parte do Recôncavo e depois vendidos para o extremo sul

da província. Além disso, cativos e libertos embarcadiços, mestres

de lanchas de seus amos costumavam raptar ou dar guarida a

escravos desejosos de fugirem da capital e do jugo senhorial,

acomodando-os nos toldos das embarcações para depois pô-los a

trabalhar em alguma paróquia ou vila do interior. Por vezes, alguns

deles eram apreendidos e recambiados para a capital ou para suas

respectivas localidades, onde os senhores estavam ansiosos em os

reencontrarem, às vezes para castigá-los exemplarmente. Em 19 de

outubro de 1838, apanharam, por descuido, um escravo furtado e o

prenderam, junto com um liberto, em Itaparica, quando eles

trabalhavam juntos, tranquilamente, em ofícios avulsos naquela

localidade.12

 

Os caminhos marítimos e fluviais, amplamente percorridos e

conhecidos pela gente de cor, eram assim dois excelentes meios de

comunicação, conspiração e propagação de ideias, pontos de

partida para os movimentos liderados por escravos e libertos contra

a ordem escravista, além de facilitadores da liberdade. Era assim,

através das viagens feitas de saveiros, canoas e sumacas, entre as

diversas vilas do interior e capital, que as notícias e combinações

para as revoltas funcionavam. Isso ficou provado quando eclodiu a

Revolta dos Malês em 1835.

 

"Os vivas aos reis e rainhas"

 

Em meados da primeira metade do século XIX, na década de 1830,

o perfil da escravaria de parte das propriedades rurais da comarca

estava em processo de mutação. De 175 escravos contabilizados

em um levantamento parcial de cem inventários, 97 deles eram

africanos e 78 crioulos, desconsiderando-se aqui as crianças de

ambos os sexos. Embora os primeiros continuassem maioria, a

contagem revelou um aparente e significativo equilíbrio, já na

década de aprovação da lei de proibição do tráfico, surpreendendo

pelo rápido aumento de crioulos e redução de africanos, efetivada

de modo acelerado.

Também, baseado nas informações dessa contagem, é perceptível

o crescimento do número de mulheres crioulas, que na apuração

geral já suplantavam os homens. Esse fenômeno foi comum em

outras regiões do Brasil, desde o século XVIII, sobretudo nas áreas

de retaguarda agrícola, como nas Minas Gerais, Rio de Janeiro,

Recife, São Paulo e na Bahia. Mas aqui é preciso apontar algumas

diferenças e explicar a natureza da mudança do perfil da escravaria.

 

Exceto em Nazaré das Farinhas, tanto em Jaguaripe quanto em

Itaparica as mulheres já eram maioria. E essa tendência exacerbaria

muito em Itaparica no decorrer da segunda metade do século XIX.

Entretanto, o extraordinário nessa análise quantitativa é também a

grande concentração de africanos homens em uma área específica

da comarca, a ilha de Itaparica. Ali, dos sessenta e cinco cativos

contabilizados, nada menos que cinquenta e quatro eram de nações

africanas, enquanto apenas onze eram crioulos.

 

Duas questões importantes depreendem-se desse resultado. A

primeira explicação geral é que, por ser uma região de retaguarda

agrícola, provavelmente os senhores foram priorizando a aquisição

de mulheres crioulas para o desenvolvimento de certas atividades

produtivas, em vez de homens, cada vez mais caros no disputado

mercado regional de escravos. Esse foi o caso de Itaparica, onde a

coleta de piaçava, a mariscagem e o plantio de gêneros alimentícios

poderiam ser executados por mulheres. As escravas também

podem ter sido uma opção dos senhores de Jaguaripe, pela razão

de ser ali um grande e tradicional centro de produção artesanal da

cerâmica. O trato com o barro, na fabricação de louças, telhas e

tijolos, era tarefa plenamente executada por mulheres oleiras,

especialistas na lida com a argila. Já a concentração de africanos

em Itaparica justificava-se por ser aquela área insular, além de

celeiro de produtos agrícolas, uma importante base produtora de

óleo de baleia, inclusive voltada para a exportação. Até o final da

primeira metade dos oitocentos, as armações de caça e desmancho

do cetáceo exigiram boa quantidade de mão de obra escrava, de

ambos os sexos. Apesar da preferência pelos homens, as mulheres

também cumpriam funções estratégicas nos afazeres internos das armações, no trato dos derivados e na comercialização dos

produtos daquele animal.

 

Não são sem propósito, então, as denúncias feitas por Maximiliano

de Habsburgo de que na ilha de Itaparica o desembarque de cativos

fora uma rotina em plena época de proibição. As próprias

autoridades da época estavam atentas, pois sabiam ser ali lugar

privilegiado para o desembarque clandestino de africanos. Esses

desembarques tinham por objetivo atender, principalmente, aos

senhores donos das armações de desmancho de baleias e é isso

que explica a maior concentração de cativos naquela parte da

Comarca de Nazaré. Possivelmente foi essa concentração de

africanos na ilha que criou o clima explosivo, quando estourou a

rebelião de 1835 em Salvador, como veremos adiante.

 

Observando as "origens étnicas", discriminadas nos inventários, os

Nagôs apareceram como o grupo numericamente maior. Somaram

19; os Calabar vieram em seguida, com 08; Angola com 06 e Gêge

com 04. Outras etnias apareceram com apenas um indivíduo, foram

elas: Tapa, Sam Tomé, Benguela, Badio, Cambida, Bornou,

Moçambique, Congo, Monjolo, Mina e Cotocori. O mais

surpreendente é que houve uma preocupação maior entre os

senhores e autoridades de Itaparica em registrar os locais de

batismo e embarque dos africanos, enquanto em Nazaré e

Jaguaripe, os responsáveis pelos registros negligenciaram esse

aspecto. Da soma total da escravaria da ilha, apenas três africanos

não tiveram sua nacionalidade citada. Mas, em Jaguaripe, foram

seis; em Nazaré corresponderam a 11 indivíduos. Em termos

percentuais isso foi bastante significativo, mas o importante seria

entender o por quê dessa preocupação dos avaliadores itaparicanos

em registrarem a etnia dos africanos? Parece que a maior presença

dos nagôs inquietava de alguma maneira as autoridades locais.

 

A intensificação do tráfico em seus últimos anos contribuiu para

concentrar, em algumas áreas da comarca, africanos e esse foi o

aspecto decisivo para os levantes localizados, como repercussão do

que acontecia na capital. Na conjuntura do tráfico, a documentação criminal faz referência a episódios, nos quais, líderes africanos

foram identificados e reverenciados pelos seus conterrâneos, assim

que desembarcavam na região. Muitos foram homenageados e

condecorados pelos seus súditos da terra natal.

 

Como em diferentes partes das Américas e outras regiões

brasileiras, no Recôncavo, espalharam-se notícias de "reis e

rainhas" reunindo escravos ao seu redor para dar-lhes conselhos,

executarem rituais religiosos, quando ocorriam toques

ensurdecedores de tambores e cânticos, realizavam festas após as

jornadas de labuta, arrecadavam contribuições para diversas

finalidades, formavam quilombos além de chefiarem revoltas

escravas no decurso do século XIX.13 Eles desempenharam uma

importância tão grande no seio da comunidade escrava que, ao

tomarem conhecimento da presença desses "monarcas", as

autoridades locais tentavam dar-lhes lições públicas, tentando

desmoralizá-los perante seus adeptos.

 

É bem conhecida a história de um africano, residente na povoação

de Santana da Aldeia, localizada nas imediações da vila de Nazaré,

que costumava reunir escravos da região, ao cair da tarde, para

realizar cultos e festejos em devoção aos seus ancestrais, quando

aquele tinha o seu poder referendado pelos conterrâneos. De

acordo com a denúncia do Inspetor do terceiro quarteirão, expedida

em primeiro de novembro de 1845:

 

O negro cativo Bernardo de Tal, cujo negro não tendo

obediência alguma a sua senhora por ela dar-lhe licença para

tudo, e viver este absoluto, intitula-se Príncipe dos Nagôs, e

tem no meu quarteirão uma casa própria que a fez de sapé, e

nela mora como é público, e ali faz suas reuniões; que com os

escravos desta Freguesia, como muitos da vila de Nazaré, que

nos domingos, e mesmo dias de serviço se reuni ali, e ferve

batuques, gritos, assuadas, e outras mais coisas que bem

indicam o que pretendem á levante [...]14

Como se não bastassem tais "infrações", Bernardo fora acusado de

portar arma de fogo e ter bastante munição em seu poder, além de

reincidente na liderança de levantes escravos ocorridos na região.

Após proceder à investigação, o Subdelegado apresentou relatório

ao Chefe de Polícia da Província da Bahia, afirmando ter encontrado

armas de fogo, munição e um preto africano liberto, bem como uma

preta forra. Como recomendação para o "bem público", aquele

subdelegado solicitou autorização para proceder com rigor, e

requintes de crueldade, embora procurasse abrandar sua ira:

 

Eu julgava conveniente que ele fosse todavia castigado, ainda

que modicamente; com açoites públicos, não só para exemplo

dos outros, que certamente desanimarão, e isto policialmente;

mas nada a fiz ainda, porque aguardo autorização de Vossa

Senhoria a quem tomo a liberdade de lembrar, que esse castigo

caso Vossa Senhoria julgue-o necessário como muito me

parece seja nesta povoação pois que sendo na vila não se

obterão por certo os resultados, que se desejam.15

 

Bem antes da atuação desse príncipe africano em Nazaré, reis e

rainhas haviam se estabelecido em diferentes pontos do Recôncavo

e coordenaram muitas revoltas escravas ocorridas na região até os

anos de 1830. Em seu estudo sobre as revoltas escravas na Bahia,

precedentes ao grande levante dos malês, João José Reis fez uma

minuciosa cronologia das revoltas escravas na Colônia e na

província baiana. No Recôncavo, ele conseguiu identificar cerca de

nove delas. A começar por uma ocorrida, em pleno processo de

independência, na ilha de Itaparica, onde cerca de 250 cativos, do

engenho Boa Vista, recusaram-se a aceitar a nomeação de um novo

feitor escolhido pelo senhor. Como consequência da persistência

senhorial, os escravos assassinaram o feitor e se puseram em

estado de guerra.

 

Nesse episódio, não apareceram monarcas como líderes do

movimento, mas, já em setembro do mesmo ano, uma revolta,

ocorrida na vila de São Mateus, apresentou um africano líder do

levante considerado "rei" pelos seus seguidores. Uma das mais notáveis rebeliões do período, e a que talvez mais nos interesse, foi

aquela ocorrida em Cachoeira, em 25 de agosto de 1826. Ali, as

autoridades mataram a tiros uma brava "rainha" e recambiaram

acorrentado, para a capital, o "rei" dos revoltosos, com todas as

suas indumentárias e coroa.

 

Em 1827, novos levantes ocorreram em Cachoeira e em São

Francisco do Conde, sem, no entanto, aparecerem reis e/ou rainhas.

Em 22 de março de 1827, sublevaram-se os escravos do engenho

Vitória, localizado às margens do Rio Paraguaçu. No ano seguinte,

novas rebeliões ocorreram em Cachoeira e, no segundo semestre,

um audacioso levante teve como palco o coração da zona

canavieira, o Iguape, lugar de grande concentração escrava. Para

fechar a onda de revoltas escravas no Recôncavo, Reis ainda

apontou o aprisionamento de um tal Silvestre, na ilha de Itaparica,

por estar alarmando falsamente notícias de que os escravos

daquele lugar estavam se preparando para um grande assalto e

tomar a ilha. (REIS, 2003, p. 115) 16

 

Pode ser que aquelas notícias fossem mesmo falsas naquela

ocasião, mas anos antes da revolta de 1835, os escravos de

Itaparica ainda formulariam planos para uma sublevação em massa

com objetivos claros de acabar com os seus senhores e, pôr fim ao

escravismo, ao menos em termos locais. Em vinte de novembro de

1830, nas imediações da vila de Itaparica, escravos de um engenho

organizaram-se e montaram um audacioso plano para, unidos aos

cativos de outras fazendas, fazerem uma grande revolta. De acordo

com a denúncia, ao tomar conhecimento da insurreição, o

administrador da fazenda tratou de prender imediatamente o

escravo considerado líder da rebelião.

 

Sua atitude não ficou impune e, ao tomarem conhecimento da

prisão de seu chefe, os cativos protestaram, tendo um deles se

apossado de uma foice e feito um pequeno estrago no feitor, antes

de também ser preso. O aprisionamento de dois envolvidos teria

posto fim aos projetos de rebelião naquele momento, mas, após

aquele acontecimento, as autoridades locais de Itaparica trataram de aproveitar o clima de tensão para salientar que, numa ilha onde a

quantidade de escravos era tão grande, haveria de se tomarem

sérias providências no sentido de evitar surpresas futuras. Uma das

medidas importantes seria dotar Itaparica de um maior contingente

de efetivo policial e mais armas de fogo, de modo que as

autoridades pudessem patrulhar o seu litoral despovoado e extenso:

 

Sendo a povoação de Itaparica assaz populosa, e sempre

freqüentada de navegantes de diversos portos do Recôncavo,

que nela aportam por diferentes circunstâncias e além disso

circundada de fazendas, que contem avultado número de

escravatura, e não havendo nela um corpo de guarda militar.17

 

Denunciava um juiz de paz, dois anos antes daquela tentativa de

sublevação, o quanto era perigoso uma região desprovida de corpo

policial com as características de Itaparica. Além da concentração

escrava nas fazendas, o juiz de paz chamou a atenção para outro

fator: a constante presença de embarcações procedentes de várias

partes do Recôncavo.

Figura 5 – Saveiro navegando pelas águas de Todos os Santos.

 

Fonte:

http://www.unb.br/isc/sol/itinerancias/urbanidades/index_clip_image0

06jpg

 

Depois de 1830, quando os escravos passaram a concentrar forças

na capital – com exceção de alguns episódios esporádicos,

repercussões das suas atitudes rebeldes chegavam, com

demasiada rapidez e frequência, ao Recôncavo, e isso era graças

aos embarcadiços que traziam, além de mercadorias para o porto,

escravos fugidos e informações a respeito do comportamento da

comunidade negra em Salvador. Como ocorrera no período colonial,

leis e decretos tentaram inibir esse tipo de prática, apertando o

cerco no tocante à circulação de gente suspeita entre as vilas do

Recôncavo e a capital. Uma delas, aprovada por unanimidade, em

22 de novembro de 1831, pelos representantes da futura Comarca

de Nazaré, quando Jaguaripe ainda era o centro político regional,

incluía, dentre outras coisas, severa fiscalização nas áreas

portuárias, toques de recolher, passaportes para escravos

circularem e proibições de aluguéis de quartos a cativos e libertos,

sem carta do senhor e atestado de boa procedência. Os saveiros e

outros tipos de embarcações, vindos de outras paragens, caso chegassem à noite aos portos das vilas, seus tripulantes deveriam

permanecer nas mesmas embarcações até o amanhecer, quando

uma autoridade faria vistoria e daria possível liberação da gente e

das mercadorias.18

 

Essas medidas locais seguiam as deliberações da Presidência da

Província, a qual buscava conter as rebeliões dos negros no interior,

mas agora as autoridades teriam que virar suas atenções para a

capital. Entretanto, as pretensas medidas fiscalizadoras não

surtiram os efeitos desejados e a capital não estava dissociada do

interior. A dependência dos produtos essenciais, procedentes das

diversas áreas do Recôncavo, forçava a presença de escravos e

libertos circulando nas imediações portuárias e pela cidade. E eles

estavam atentos, observando todos os acontecimentos.

 

Por ocasião do levante dos malês em 1835, imediatamente a notícia

correu a ilha de Itaparica como um furacão revolucionário.

Murmurinhos de escravos foram escutados em várias fazendas, e

os senhores e as autoridades pressentiram as inquietações e

assanhamentos nas senzalas, nos casebres, situados nas roças e

nas áreas urbanas. Em 27 de janeiro, dois dias após aquele

acontecimento, o juiz de paz do 1º distrito da ilha, temendo o pior,

oficiava uma denúncia a respeito do comportamento dos cativos na

sua jurisdição. De acordo com a sua revelação, os africanos

daquele lugar estavam sobressaltados e eufóricos, queriam logo

resolver a situação deles. E ainda, segundo seu comunicado,

cantavam e dançavam em tom comemorativo, e em sinal de adesão

à sublevação da capital. 19 (Em vista disso) "[...] passei a tomar uma

medida extraordinária, chamando alguns cidadãos armados, para

coadjuvarem com patrulhas, e manter a tranquilidade neste Distrito"

– 20 disse ele de modo preventivo e intimidativo.

Figura 6 - Uma das ruas da vila de Itaparica em 1884. Agora

bastante calma, mas outrora esse lugar fora palco de levantes

escravos e festejos em homenagem ao malês da capital.

 

Fonte: Coleção Gilberto Ferrez. 007. Marc Ferrez/Instituto Moreira

Salles.

 

Mas, dias antes desse acontecimento, em primeiro de janeiro, como

que ensaiando o que viria mais tarde, negros foragidos e

aquilombados, por entre os manguezais estendidos nas margens do

rio Jaguaripe, atracaram canoas na praia de um povoado na contra-

costa de Itaparica, denominado Santo Amaro do Catu, praticaram

roubos e assassinaram um escravo; acontecimentos narrados pelo

vigário da paróquia local:

 

Pela informação daquele vigário, que os malfeitores constantes

da lista junta, e seus consórcios, vivem nos pequenos

povoados, de São Gonçalo e Pitombo a margem do rio, de

onde saem armado em canoas, a roubar esta ou aquela

embarcação, e recolhem-se depois o que é muito provável não

pratiquem a vista da barca, pelo que entendo ser de pouco

proveito a demora dela ali, se a mesma autoridade local, senão

aproveita de auxílio, que a força da mesma barca até pode

prestar.21

 

Esses acontecimentos revelaram que a mobilização e a articulação

dos negros eram intensas e que eles possuíam amplo conhecimento

da região. A inquietação dos escravos de Itaparica, por sua vez, não

pararia naquele dia 27 de janeiro, e os africanos de algumas

fazendas já estavam se aprontando, em seis de fevereiro daquele

mesmo ano, apenas 13 dias após o levante na capital, para fazer

uma grande revolta em Itaparica. Pelo caráter da denúncia, é

notável o nível de organização dos cativos e as suas conexões com

negros libertos e escravos de outras localidades. Ou então as

autoridades estavam supervalorizando os indícios para justificar a

repressão sobre os cativos. Segundo informações obtidas pelos

poderes locais, escravos africanos da fazenda de Antonio Pedroso

de Albuquerque, juntamente com os residentes em um forte

quilombo, situado nas matas da lagoa Grande da ilha, e mais os das

fazendas do Coronel Manoel da S. Daltro e do Coronel José Ricardo

da S. Horta:

 

[...] pretendião insurgir-se em o dia de domingo de entrudo, e

que para esse fim esperavão reforço de outros pretos, que tinha

de chegar da Villa de Itaparica, digo da Villa de Cachoeira,

d'onde se acha o rei, e rainha d'elles [...]22

 

Não é surpresa a referência à existência de quilombos na ilha, e de

reis e rainhas que viriam da vila de Cachoeira para ajudá-los. Eles

seriam, talvez, os principais articuladores das revoltas escravas no

Recôncavo baiano. Mas uma coisa nos chama a atenção: as

ocorrências anteriores na localidade de Cachoeira. Anos antes

desse episódio, recordemos que, em 26 de agosto de 1826, um rei e

uma rainha lideraram uma grande revolta na vila de Cachoeira e

foram sacrificados de modos diferentes. Ora, se agora os reis

procedentes de Cachoeira retomavam as suas ações nas

imediações de Itaparica, era um sinal de que, além de instituírem os

seus monarcas, os cativos também tiveram a capacidade de identificar ou forjar novos líderes, quando os antigos eram presos ou

mortos, conduzindo-os ao trono e lhes prestando deferência e

obediência.

 

Um dos fatores que deve ter contribuído para o surgimento de novos

reis e rainhas foi a contínua chegada de africanos na região, por

meio do tráfico clandestino. Paradoxalmente, o tráfico alimentou a

esperança e a expectativa entre os negros no Brasil de que os

navios procedentes da África lhes trariam boas notícias, a principal

delas era a vinda de novos soberanos para chefiar futuros

movimentos, como também para fortalecer os vínculos com seus

ancestrais. Como bem disse Elizabeth Kiddy, esses reis reafirmaram

noções de poder, identidade e comunidade africanas, e, mais

especificamente, centro-africanas no Brasil. (KIDDY, 2008, p. 171) 23

 

Sua presença, no entanto, não impediu fissuras no seio da própria

comunidade escravizada, forma pela qual os movimentos foram,

muitas vezes, descobertos antecipadamente. Naquela ocasião, no

seis de fevereiro de 1835, por exemplo, a denúncia de um pardo

liberto alertou as autoridades dos planos dos africanos. Segundo

ele, aquela rebelião contaria também com a participação de alguns

pardos, pois havia dois deles que se achavam ocultos numa das

senzalas dos pretos daquele engenho. As suspeitas confirmaram-se

dois dias antes do planejado, quando o administrador de uma das

fazendas, onde moravam os rebelados, descreveu, para o juiz de

paz, o que havia ocorrido na noite de três de fevereiro:

 

Que encontrando-se no dia 4 do corrente mez com Salvador

Gonsalves de Andrade administrador do engenho do mesmo

coronel, lhe participara que os pescadores: d'uma canoa do

porto da Misericordia, chegada da pescaria na noite do dia 3 do

mesmo corrente mez, lhe havião ditto, que estando elle no mar,

virão aproximar-se uma lanxa com bastantes pretos, do

engenho de Antonio Pedroso de Albuquerque pelo que

perguntarão quem ali vinha, e por que não respondessem,

dispararão um tiro de fuzil, ao qual, tomando a lanxa outra

direção perguntarão os de dentro se assim os querião Mattar.

Outras canoas do mesmo porto, que tão bem se achavão nesta

noite a pescaria (disse o mesmo Salvador Gonsalves e Pedro

Chavier) virão igualmente a essa lanxa com pretos.24

 

Essa denúncia revela que estavam bastante evidentes as conexões

de escravos africanos de Itaparica com cativos de Cachoeira, os

quais haviam descido de canoa o rio Paraguaçu, aproveitando-se da

escuridão noturna, para se aliarem aos africanos da ilha e fazerem a

revolta triunfar no dia festivo do entrudo, como fizeram outros

cativos em diversas oportunidades na Bahia oitocentista. Mas a

rebelião não contaria com a adesão de todos os escravos, pois os

tapas, da fazenda do Coronel Pedroso, permaneceram reticentes e

dispostos a delatar aquela sedição. Não bastasse isso, o relato

daquele pardo liberto fora respaldado nas denúncias da preta

Esperança, ironicamente uma escrava da região, que havia se

dirigido à fazenda de Pedroso de Albuquerque com a finalidade de

visitar seu filho, que ali era cativo, e, ao tomar conhecimento dos

planos, delatou os revoltosos.

 

As atitudes de alguns libertos e até mesmo de escravos, crioulos e

africanos, nesse episódio, demonstraram que nem sempre as

conspirações dos "pretos" cativos contavam com a esperada

adesão de todos os africanos e afrodescendentes. A multiplicidade

de etnias, de religião e variações linguísticas às vezes provocavam

divergências entre a própria comunidade dos escravos e também

dos libertos. E a classe senhorial valorizou muito esse tipo de

comportamento, realçando em seus registros o papel decisivo dos

delatores como uma das formas de desmoralizar a luta escrava.

 

Após o levante de 1835 e as sublevações parciais na ilha de

Itaparica, alguns escravos aproveitaram-se da desordem temporária

e da hesitação policial do lugar e partiram para a fuga sem se saber

o paradeiro de muitos deles. É provável que alguns tenham tomado

o destino do sertão, pois lá haveriam de erigir seus quilombos, em

locais protegidos de ataques de expedições. De resvalo, essas

informações vão aparecendo sutilmente na documentação

escrutinada. Inventariantes de senhores de Jaguaripe, por exemplo, foram obrigados a reconhecer sua impotência frente a essa

situação, ao fazerem as seguintes declarações nos inventários do

período:

 

Porque os ditos escravos de que trata a notação nunca

estiveram em poder do embargado porque todos esses

escravos estavam fugidos, ainda em vida do senhor seu feitor e

vindo dois presos, que foram Manoel Crioulo, e Felipa Cabra,

os quais foram ambos entregues, ao mesmo seu feitor e do

poder deste, logo tornaram a fugir, e até o presente não ouvi

deles mais notícias.25

 

Quando conseguiam capturar alguns desses foragidos, também

anunciavam suas andanças, descreviam suas idades e outros

detalhes, de modo que hoje sabemos quem eram esses indivíduos.

No mesmo inventário citado, encontra-se descrito outro trecho

bastante curioso. Ele mostra que a pouca idade não impedia a fuga

em direção a lugares distantes; isto porque os mais velhos

carregavam consigo os menores, a despeito de serem seus filhos ou

não:

 

[...] tem o suplicante em seu poder um cabrinha de oito para

nove anos ainda sem ser batizado intitulado Cassiano que o

que por preso que dele fizeram no sertão a dois meses e quero

fazer avaliar [...] 26

 

Do mesmo modo que ocorrera em Jaguaripe, senhores de Nazaré

também lamentavam o comportamento de alguns dos seus cativos

quando se viram obrigados a formalizar os inventários de seus entes

queridos. Um deles relatou, de modo enfático, o comportamento

renitente de um dos seus jovens cativos: "Victorino crioulo com 12

anos 320$000 (fujão incorrigível)".27

 

Foi assim que muitos deles desapareceram da vista de seus

senhores para nunca mais voltarem à condição de submissos.

Impotentes, diante da falta de condições de persegui-los e encontrá-

los para lhes aplicar castigos corporais, seus senhores procuravam divulgar detalhes, de seus aspectos físicos, e profissão exercida por

alguns deles, em boletins feitos nas tipografias baianas:

 

Desapareceu no dia 12 de dezembro passado, á Antonio

Joaquim de Abreu, uma preta, de nome Joaquina, estatura

ordinária, ainda moça, crioula, cabelo corrido, e puxa de uma

perna. Quem levar á seu senhor, á rua do Caquende, casa nº

75, será bem recompensado.28

 

Nem todos, porém, conseguiram fugir do cerco policial estabelecido

pela repressão, diante do risco de generalização do levante, o qual

poderia vir a se espalhar por todo o Recôncavo. Nas cadeias da

região, insalubres e mal-estruturadas, ficaram detidos,

provavelmente, alguns dos participantes da adesão à Revolta

ocorrida em Salvador no janeiro de 1835, embora os documentos

avulsos das câmaras municipais não sejam explícitos em relação a

isso. Presumimos ter sido uma estratégia das autoridades em não

divulgar tal questão por se tratar de um tema de "segurança

nacional". É muita coincidência estarem presos na cadeia da vila de

Itaparica, nos primeiros dias de março, alguns libertos, um

português e um escravo; todos aguardando julgamento. O que eles

fizeram? Qual o crime que haviam cometido?

 

Ao chegar no dia 21 de março de 1835, para proceder ao

julgamento dos réus encarcerados na vila de Itaparica, o juiz

municipal recebeu um ofício expedido pelo juiz de paz local

informando-lhe que os respectivos réus que seriam julgados haviam

se evadido da cadeia. Na relação dos foragidos estavam:

 

Francisco da Silva e Sousa, natural da Freguesia de S.

Domingos da Saubara, filho legítimo de Zacarias da Silva e

Anna Maria com 25 anos de idade pouco mais ou menos, pardo

claro com cabelos corridos, cara redonda, olhos pardos, nariz

afilado, boca pequena, e barba meia fechada, vive de pescar.

 

João da Silva Freire natural desta vila pardo trigueiro com 26

anos de idade pouco mais ou menos, cabelos amelados, boa

altura, olhos grandes e abogalhados, boca pequena, narriz

afilado, orelhas pequenas e cheio de corpo.

 

Antonio David, português alto, cara chata, cabelos corridos e

pretos, olhos pardos e nariz pequeno, boca rasgada e magro.

 

Antonio, por antonomásia Coruja, baixo, meio alcatruzado,

pardo claro, com trinta anos pouco mais ou menos, cabelos

pretos e pregados, olhos pretos, nariz grosso, orelhas

pequenas, pés largos.

 

Frutuoso, cabra, sapateiro, e escravo de boa altura.29

 

Teriam eles participado do movimento de seis de fevereiro ocorrido

na fazenda de Antonio Pedroso de Albuquerque? Infelizmente, a

documentação trabalhada não possui maiores detalhes a esse

respeito. Mas lembremos: naquela ocasião, conforme as denúncias,

a organização do levante contou não somente com a participação

de africanos, mas também de alguns pardos que se encontravam

ocultos nas senzalas daquela propriedade rural. Será que os pardos

evadidos naquele mês não teriam sido alguns dos participantes do

movimento de fevereiro de 1835? Não sabemos. Mas uma coisa é

certa: ao tomarem conhecimento do levante dos malês, muitos

cativos da Comarca de Nazaré pronunciaram-se favoravelmente de

alguma maneira. Em algumas situações, agrediram os feitores, em

outras saíram das senzalas na direção dos terreiros e alguns

espaços da zona urbana para cantar e dançar em homenagem ao

levante que ocorria na capital. Também demonstraram uma incrível

capacidade de comunicação, superando a distância, as proibições

legais e a fiscalização cotidiana de senhores e feitores. Eles tinham

um grande aliado naqueles tempos: o mar da Baía de Todos os

Santos e os rios caudalosos, os quais penetram no vasto e

desabitado interior do Recôncavo.

 

No decorrer do ano de 1835, a despeito do possível aumento da

repressão, os escravos e libertos daquela região continuaram a

incomodar e aterrorizar, demasiadamente, senhores e autoridades

municipais. Assassinatos de senhores, fugas, resistência ao labor, furtos de dinheiro e objetos alheios foram algumas das práticas dos

escravos. Suas atitudes revelaram, dentre outras coisas, que a

estratégia utilizada pelos senhores, de tentar segregá-los e de não

permitir a sua circulação, não impediu a formação de conexões e o

fortalecimento das múltiplas formas de se pensar a liberdade, a

subversão da ordem escravocrata, incluindo-se aí os vivas a seus

reis e rainhas.

 

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Brasiliana Grande Formato, v. 1; Série 5ª).

 

1 Sobre esse assunto é imperioso citar um dos mais importantes

estudos acerca da revolução haitiana. Trata-se da obra de James

(2007). Ver também, Wasserman (2000).

 

2 Sobre a participação política de Higino Pires Gomes no movimento

da Sabinada e a sua vida pós-revolta, ver Araújo (2009, cap. 2).

 

3 Arquivo Público do Estado da Bahia (APB). Seção Judiciária,

Presidência da Província – Juízes. Jaguaripe, 1851-1863. Maço:

2443 APB – Seção Colonial/Provincial, correspondência da Câmara

Municipal de Nazaré, 23 de novembro de 1851. Juízes - Nazaré.

1849-1857. Judiciária, maço 2505.

 

4 Entre outros trabalhos que destacam essa questão, ver Paiva

(1995).

 

5 APB – Seção Colonial/Provincial. Série Presidência da Província.

Correspondência da Câmara Municipal de Jaguaripe ao Presidente

da Província da Bahia. Jaguaripe, 1843. (1848-1850). Maço 2442.

 

6 APB – Seção Judiciária, Inventário de Escolástica Prates. Nazaré,

1845. Doc. 8/3500/13/64.

 

7 Quadro Numérico da População Livre de 14 Municípios d'esta

Província da Bahia. Secretaria da Polícia da Bahia, 16 de fevereiro

de 1848. Chefe de Polícia João Joaquim da Silva.

 

8 APB – Governo Geral/Governo da Capitania, Série:

Recenseamentos/1773-1805/Seção Colonial/Provincial, maço 596.

 

9 Não confundir com o outro viajante europeu, o príncipe

Maximiliano de Habsburgo, que esteve na Bahia em 1860.

10 APB – Seção Colonial/Provincial. Juízes – Itaparica. 1837-1844.

Itaparica, nove de abril de 1838.

 

11 Ver, entre outros importantes estudos: Schwartz (1995).

 

12 APB – Seção Colonial/Provincial. Juízes. Itaparica. 3º Distrito do

Jaburu. Itaparica, 19 de outubro de 1838.

 

13 Ver, entre outros, Souza (2006).

 

14 APB – Seção Colonial/Provincial. Polícia, escravos, pedidos de

passaporte, 1844/1845. Maço 6309.

 

15 APB – Seção Colonial/Provincial. Polícia, escravos, pedidos de

passaporte, 1844/1845. Maço 6309.

 

16 APB – Seção Colonial/Provincial, Série Presidência da Província.

Judiciário. Correspondência da Câmara Municipal de Itaparica,

maço 2420, Itaparica, 1829.

 

17 APB – Seção Judiciária, Presidência da Província. Série Juízes.

Freguesia do Santíssimo Sacramento de Itaparica, 28 de agosto de

1828. Maço 2420.

 

18 APB – Seção Judiciária. Fuga. Nossa Senhora da Ajuda de

Jaguaripe, 22 de novembro de 1831. Doc. 40/1437/10.

 

19 APB – Seção Colonial/Provincial. Juízes de Itaparica, 1828-1836.

Itaparica, 1835. Maço 2419.

 

20 APB – Seção Colonial/Provincial. Juízes de Itaparica, 1828-1836.

Itaparica, 27 de janeiro de 1835. Maço 2419.

 

21 APB – Seção Colonial/Provincial. Juízes de Itaparica. Vila de

Itaparica, 30 de janeiro de 1835. Maço 2419.

22 APB – Seção Colonial/Provincial, Juízes, 1828-1836. Itaparica, 06

de fevereiro de 1835. Maço 2419.

 

23 Ver também, Soares (2000) e Thornton (2004).

 

24 APB – Seção Colonial/Provincial, Juízes, 1828-1836. Itaparica, 6

de fevereiro de 1835. Maço 2419.

 

25 APB – Seção Judiciária. Inventário de Francisco das Chagas

Barreto. Jaguaripe, 1831-1835. Doc. 03/1292/1761/09.

 

26 APB – Seção Judiciária. Inventário de Francisco das Chagas

Barreto. Jaguaripe, 1831-1835. Doc. 03/1292/1761/09.

 

27 APB – Seção Judiciária. Inventário de João Pereira de Mesquita.

Nazaré, 1835. Doc. 04/1412/1881/05.

 

28 APB – Seção Colonial/Provincial. 1828-1836. Maço 2419. Juízes

de Itaparica. Bahia na Tipografia do Diário, 1835.

 

29 APB – Seção Colonial/Provincial. 1828-1836. Maço 2419. Juízes

de Itaparica. Vila de Itaparica, 27 de março de 1835.