Bilionário Desmascarado: Jason

J. S. Scott · Capítulo 13 de 18

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Bilionário Desmascarado: Jason

Capítulo 12

 

Jason não tinha mais tempo.

Ele segurou o volante do SUV com um pouco mais de força, sentindo o corpo tenso. Depois de concordarem no dia anterior em ficarem juntos, o arrependimento queimara em suas entranhas, a culpa quase o devorara vivo.

Preciso contar a ela.

Ele não pensara nem uma vez em não contar a ela que armara toda a farsa do casamento. Depois de ter começado tudo errado, ele queria endireitar a situação. O problema era que não sabia ao certo como fazer isso e não aguentava a ideia de Hope deixá-lo.

Ela merece a verdade.

Hope mentira, mas não fora nada que impactasse pessoalmente na vida dele. Pelo menos, era o que ela achava. Além do mais, ela fora honesta sobre tudo. O segredo que ele mantinha era pessoal e ela poderia acabar odiando-o por isso. Ele mesmo se odiava.

Ela vai ficar comigo. Tenho exatamente o que quero.

Mas, na verdade, não tinha. Merda! Ele passara a maior parte da vida sem ter uma única insegurança. Mesmo quando assumira a empresa do pai e descobrira que estava praticamente falida, ele acreditara que conseguiria corrigir o problema. Agora, não conseguia passar dois segundos sem pensar em Hope, em como ela reagiria ao saber que ele orquestrara o casamento, se estava feliz, se ficaria magoada ou triste.

O amor é um inferno.

Jason sabia que amava Hope. Ficara tão louco quanto Grady e ele sabia que o amigo ficara praticamente insano por causa da esposa, Emily.

Contar a ela agora ou depois? De qualquer forma, ele estava encrencado e precisava contar a ela. Eles não seriam felizes até que isso acontecesse.

Seu idiota egoísta.

Ele não queria magoá-la, não depois de tudo pelo que ela passara e de como aprendera a confiar nele. No entanto, parte da hesitação era egoísta, um desejo pessoal de não ver o olhar de dor no rosto dela quando descobrisse o que ele fizera. O coração dele se despedaçaria por tê-la magoado... de novo.

— Nunca mais vou mentir para ela — resmungou ele furioso ao entrar no caminho particular da casa de hóspedes.

Ele fora à cidade para comprar algumas coisas necessárias para o jantar e deixara Hope em casa, pois ela queria ver e organizar algumas das fotografias que tirara no dia anterior. Jason ficara fora mais tempo do que pretendera. Parara em uma floricultura para comprar algumas flores para Hope, e na joalheria, a mesma em que comprara as alianças antes de ir para Vegas. Ele acabou comprando um colar, que tinha um coração de esmeralda, que combinava com os olhos dela, rodeado de diamantes. Era a melhor forma de expressar o quanto ele a amava e era algo que Hope poderia usar o tempo inteiro. Ainda não satisfeito, ele entrara em uma loja especializada e comprara uma câmera à prova d’água para que ela a usasse nos passeios de barco.

Jason saiu do SUV, pegou as compras e andou a curta distância até a casa com o coração batendo forte e os nervos à flor da pele. Ele contaria tudo a ela agora mesmo, antes que se passasse mais um minuto. Não era da natureza dele adiar algo desagradável, algo que era preciso fazer, e era por isso que o remorso o devorava. Pelo bem dos dois, ele precisava fazer isso logo e confiar no coração generoso de Hope, na capacidade dela de perdoar.

Talvez, se ela entender que eu a amo, que estava temporariamente louco...

Jason colocou a chave na fechadura, pois trancara antes de sair.

Surpreso, encontrou a porta destrancada.

Eu sei que tranquei.

Fora uma prioridade e ele se lembrava de ter feito aquilo, pois não queria deixar Hope vulnerável, mesmo estando em uma cidade pequena.

— Hope — chamou ele ao entrar. Ela não estava na sala de estar onde estivera quando ele saíra.

Jason largou as compras sobre o balcão da cozinha e andou rapidamente à procura dela. Finalmente, voltou para a cozinha. A casa estava vazia.

Onde diabos ela está?

Ao olhar pela cozinha, torcendo para encontrar um bilhete, ele encontrou outra coisa que o fez congelar por um momento. Era o recibo das alianças, um pedaço de papel muito similar ao que recebera mais cedo ao comprar o colar na mesma loja. Como ele fora parar lá?

Não estivera lá quando ele saíra. O coração de Jason afundou. O

recibo tinha data, prova de que ele comprara as alianças antes de ir para Vegas. Devia ter caído da carteira dele, provavelmente quando guardara o cartão de crédito.

Obviamente, Hope o encontrara.

— Merda!

Correndo para fora, Jason deu a volta na casa. O medo o invadiu. — Hope — chamou ele inutilmente. Não havia sinal dela.

Ela se foi. Ela foi embora. Seu idiota. Eu deveria ter contado a ela.

Sem parar para pensar, ele tirou o celular do bolso e digitou o número de Grady.

— Você teve notícias de Hope? — perguntou Jason imediatamente, em tom urgente, quando Grady atendeu.

— Não. Tem algum tempo. Por quê? — perguntou Grady cautelosamente.

— Estávamos juntos e ela desapareceu. Estava torcendo para que ela tivesse ligado para você — admitiu Jason. A mente dele estava frenética, tentando imaginar para onde ela fora.

— Vocês estavam juntos? Por quê?

Jason respirou fundo e rapidamente explicou o que fizera e o que acontecera, sem deixar de fora nenhuma de suas ações duvidosas. Ele não contou a Grady nenhum dos segredos de Hope. Os segredos eram dela para guardar... ou não.

— Seu imbecil — gritou Grady. — Você embebedou minha irmã em uma cidade estranha e forçou-a a se casar com você?

Jason não iria se dar ao trabalho de argumentar que Hope não fora forçada. Ela estivera incapacitada. E ele era um idiota. — Eu a amo, Grady. Não queria que ela se casasse com outro homem. Hope é minha vida inteira, é minha esposa. Preciso encontrá-la. Pode me matar depois, mas ajude-me agora. Por favor.

— Ela não teria desaparecido se você não a tivesse traído —

resmungou Grady furioso. Ele ficou em silêncio por um momento. —

Vou perguntar para os meus irmãos, mas eles também vão querer castrar você.

— Está bem. — Ele não se importava com o que acontecesse consigo, desde que encontrasse Hope. — Vou procurar nas trilhas. Ela não estava de carro. Não pode ter ido longe.

O coração de Jason afundou mais um pouco quando ele viu o estojo da câmera ao lado da cadeira reclinável. Ela deveria estar chateada. Hope nunca saía de casa sem a câmera.

— É bom que a encontre. E é bom que esteja pronto para rastejar.

Jason nunca rastejara antes, mas estava disposto a fazer aquilo agora. — Estou pronto. Ligue-me para me dizer o que descobriu com seus irmãos. — Ele desligou e guardou o celular no bolso da calça.

 

Um gemido animal soou na porta e Jason olhou para baixo, vendo Daisy em volta de seus tornozelos. Ele a pegou no colo, mas a gata continuou a miar com tristeza.

— Você também está preocupada, não está? — perguntou ele a Daisy, tentando acalmar inutilmente a gata com carinhos. — Eu sei exatamente como está se sentindo, garota. Vou encontrá-la.

Colocando Daisy no chão, Jason saiu pela porta com passos determinados, sem se dar ao trabalho de trancá-la.

— Você sabia? — perguntou Hope furiosa a Tate. Estivera nas nuvens em um momento, feliz por ela e Jason estarem juntos, e no minuto seguinte ficara arrasada. Depois de encontrar no chão do banheiro o recibo das alianças, ela ficou convencida de que Jason fora a Vegas intencionalmente para procurá-la para que se casassem.

Ela andara até o chalé de Tate para confrontá-lo. Ele dissera que acompanhara os dois no voo para casa. Na época, ela não achou estranho, pois era perfeitamente razoável que Tate também tivesse negócios lá. Agora, tinha poucas dúvidas de que Tate estivera lá apenas porque Jason precisara da ajuda dele.

Tate franziu a testa. — Ele não contou a você. Achei que ele tivesse aberto o jogo.

— Por que você não me conta? Obviamente, Jason não vai dizer nada — retrucou ela ao se sentar em uma das cadeiras na cozinha de Tate.

Como sempre, Tate virou a cadeira ao contrário e sentou-se à frente dela. — O que você sabe? — Ele parecia irritado e, ao mesmo tempo, resignado.

— Achei que ele tivesse se casado comigo quando estava bêbado. Achei que ele estivesse lá a negócios e que nós nos encontramos completamente por acidente. Encontrei o recibo das alianças, que tinha data de um dia antes de ele ir para Vegas. E é de uma joalheria aqui de Rocky Springs. Por quê? — Ela cruzou os braços e encarou-o friamente.

— Planejamos tudo aqui — admitiu Tate. — Jason estava aqui para o baile de caridade e descobriu que você ia se casar. Ele ficou desesperado para separar você do cara com quem iria se casar. Fizemos um plano, que foi executado no dia seguinte.

Hope rangeu os dentes, odiando a forma fria como Tate explicara o que fizeram. — Então você não só nos acompanhou no voo de volta.

Você estava no casamento, não estava? — Ela tinha certeza daquilo.

— Fui uma das testemunhas — respondeu Tate em tom direto.

— Você teria descoberto em algum momento, pois assinei a certidão que foi para o cartório.

As lágrimas surgiram nos olhos de Hope quando ela olhou para o homem do outro lado da mesa que sempre fora um herói para ela.

Não só Jason a traíra, Tate também. — Então o plano dele era se casar comigo, estragar meu noivado e depois trepar comigo até cansar. —

Ela limpou furiosamente uma lágrima que escorreu pelo rosto. — Por quê, Tate? Por que você faria isso sabendo que ele me chutaria mais tarde?

— Em primeiro lugar, eu não sabia que era você até chegar para o casamento. Em segundo lugar, Sutherland não tinha planos de chutar você. O cara é louco por você, sempre foi. E você também era louca por ele. Talvez você estivesse bêbada, mas não foi contra sua vontade.

Você parecia... feliz. Eu ainda não tinha descoberto a história do noivo falso e também não queria que você se casasse com alguém que a faria infeliz. Você merece ser feliz.

— Você achou mesmo que eu seria feliz em um casamento de mentira com um homem que não me amava? — perguntou ela tristemente.

— Ah, ele ama você. E você também o ama. Pense, Hope.

Talvez ele tenha medo de lhe dizer, mas tudo o que aconteceu entre vocês foi uma fraude? Não conheço Sutherland tão bem, mas sei que ele passa muito tempo tentando gerenciar fundos para uma organização de caridade muito grande para mulheres que sofreram abuso. Ele estava aqui para um baile de caridade para ajudar a levantar fundos para aquela organização, disposto a bancar o tolo ao ser leiloado e acompanhar alguma mulher que tivesse os bolsos fundos. Talvez ele tenha agido errado com você. Mas tenho certeza de que ele teria contado tudo.

Acho que ele tinha medo de perder você.

— Ele nunca me disse que me ama — comentou Hope. — Só disse que queria que ficássemos juntos, que tornássemos o casamento real.

— Você contou a ele? — retrucou Tate. — Tudo o que coitado do cara fez foi porque estava desesperado. Você acha mesmo que ele teria feito o que fez por algum outro motivo? Ele não precisa embebedar uma mulher para tê-la. Mas ele queria você. E queria que você fosse esposa dele.

O coração de Hope deu um salto e ela ficou imaginando se o que Tate dissera era verdade. Mas ela estava com dificuldade para aceitar que Jason não lhe contara a verdade, que a forçara a fazer o que ele queria. — Quero ir para casa. — Ela ainda estava furiosa com Tate, mas precisava de tempo para pensar no que acontecera com Jason.

— Por quê? Para que possa continuar fugindo? — perguntou Tate furioso.

— Não estou fugindo...

— Mentira — disse Tate. — Entendo que você quisesse liberdade e talvez um pouco de adrenalina quando começou a fotografar, que queria fazer um nome para si mesma perseguindo tempestades. Também entendo por que queria voltar a fazer isso, para que o imbecil que a sequestrou e atacou-a não vencesse. Mas não acho que continue feliz fazendo isso. É sua forma de permanecer desligada.

Eu vi você tirando fotografias daqueles animais selvagens, Hope. Você estava no seu elemento. Tenho dificuldade em acreditar que não está

um pouco cansada de perseguir tempestades. Mas você não sabe como fazer outra coisa para se anestesiar além de correr o mundo atrás de tempestades. Você se desligou mentindo para seus irmãos, portanto, não pode conversar com eles. E você vai fugir de um cara que claramente a ama, apesar de ele não ser perfeito.

— O que o faz ser um especialista em relacionamentos? —

perguntou Hope na defensiva, mas começando a pensar nos dias que passara com Jason. Nem tudo fora uma mentira: a gentileza que ele demonstrara, a vontade de ajudá-la a superar os medos, o conforto que oferecera quando ela precisara dele. Até mesmo a forma como ele tratara a gata. Ele mentira, mas ela também.

— Sou especialista porque sou só um observador. Consigo ver exatamente o que está acontecendo. Talvez eu nunca tenha sentido isso por uma mulher, mas vejo claramente como vocês dois se sentem.

Pode me odiar se quiser, Hope, mas achei que estava ajudando você.

Ainda estou tentando ajudar, na verdade — informou ele, correndo a mão pelos cabelos curtos em uma atitude frustrada.

— Não odeio você — sussurrou Hope. — Posso estar chateada e furiosa, mas nunca conseguiria odiar você. Você salvou minha vida.

— Aquilo era o meu trabalho. Isto é pessoal — disse Tate devagar.

Hope sabia que Tate estava errado. Ele levara o trabalho de forma muito pessoal. Era a mesma coisa. — Não odeio você — repetiu ela.

— Ótimo. Porque eu sempre gostei de você— disse Tate com um sorriso. — Você tem colhões. Agora, use-os e fale com Jason. —

Ele hesitou por um momento e acrescentou em tom maldoso: — Mas, antes de perdoá-lo, faça-o rastejar. Ele já deveria ter contado a verdade.

Você está casada com ele.

— Tate?

— Sim?

— Você é um escroto às vezes — disse Hope.

— Isso significa que você não me perdoou? — Ele piscou os olhos cinzentos de forma persuasiva e a covinha surgiu em sua bochecha.

— Vou pensar no seu caso. — Ela se levantou e andou até a porta, sabendo que já o perdoara. Ela não tinha dúvidas de que ele agia como um sabe-tudo, achando que tinha as respostas para todos os problemas dela. Talvez tivesse. Mas ela não lhe diria aquilo. Ele já tinha um ego grande demais.

Seguindo-a de perto, Tate disse em tom arrogante: — Nenhuma mulher consegue ficar brava comigo. Nem minha mãe, nem minha irmã, Chloe. Em um minuto, Chloe está furiosa e, no seguinte, está me abraçando até que eu não consiga respirar.

Hope acreditou naquilo. Tate Colter era muito charmoso quando queria. Ao abrir a porta da frente, ela se virou para ele. — Não vou abraçar você — avisou ela.

— Vai, em algum momento — disse Tate, dando de ombros. —

Vou acompanhar você no caminho de volta.

— Não, estou bem. — Hope precisava de um tempo sozinha para organizar as ideias. Se ia confrontar Jason, precisava de tempo para pensar.

— Tem certeza? — perguntou Tate.

— Eu sei o caminho de volta e não será a primeira vez que vou andar pelas terras selvagens do Colorado. — Ela revirou os olhos.

— Você quer me abraçar — disse Tate em tom malicioso.

Estreitando os olhos para ele, Hope retrucou: — Não, não quero.

— Ela fechou a porta na cara dele com um sorriso leve.

Tate Colter conseguia enfeitiçar qualquer mulher... menos ela.

Ela gostava muito dele. Ainda assim, era um homem difícil de resistir para qualquer mulher que não estivesse apaixonada por outro homem.

Hope encontrou o caminho de volta para a casa de hóspedes e seguiu-o devagar. A mente dela voltou para Jason, outro homem que era quase impossível de ignorar.

Um homem que eu não quero ignorar.

Ela estava magoada, mas talvez Tate tivesse razão sobre algumas coisas. Ela não queria mais voltar a perseguir tempestades o tempo inteiro. Adorava tirar fotografias de animais selvagens e estava pronta para outro desafio. Anos de observar a destruição que aquelas forças da

natureza levavam à vida das pessoas tivera um preço. Ela desanimara ao voltar a campo depois do sequestro e poderia ter parado naquela época. Ela provara que conseguia. Mas não houvera nada nem ninguém na sua vida e ela continuara a fazer o que sabia. Talvez estivesse mesmo fugindo, desligando-se.

Quando estava na metade do caminho, ela pegou outra trilha que não usara antes.

Ainda não estou pronta para enfrentar Jason.

O caminho era mais difícil, com partes íngremes e rochosas que a fizeram escolher cuidadosamente onde pisar durante a descida.

Perdida em pensamentos, ela continuou andando até que o caminho a levou por algumas formações rochosas. Ela acabou em um cânion, uma área sem outra saída.

Ela procurou outra abertura nas faces rochosas verticais ao andar pelo cânion largo, mas não viu nenhuma. Ela teria que voltar pelo caminho por onde chegara.

— Merda — sussurrou ela, furiosa consigo mesma por deixar que os pensamentos a distraíssem e sair dos caminhos conhecidos.

Voltando até o outro lado do cânion, depois de não encontrar outra saída, ela escorregou em uma pedra e caiu instantaneamente com um grito de dor.

Sentando-se, ela estendeu a perna cujo tornozelo torcera ao cair, sentindo uma dor quase insuportável. Ela tentou se levantar, mas caiu novamente, sem conseguir apoiar o peso do corpo na perna machucada.

Ela saíra sem o celular. De qualquer forma, não teria sinal no fundo de um cânion. Ao rastejar para uma área sem pedras, ela mordeu o lábio inferior para conter um grito de dor. Sentando-se em uma área gramada, ela ofegou e perguntou a si mesma o que diabos faria. Ela não estava tão longe da casa de hóspedes. Estivera vagamente prestando atenção à direção em que andava enquanto a mente vagava.

— O problema será chegar lá — resmungou ela para si mesma.

Tentando se levantar novamente, ela não conseguiu andar e teve que tirar a bota por causa do inchaço no tornozelo machucado.