Bilionário Desmascarado: Jason

J. S. Scott · Capítulo 5 de 18

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Bilionário Desmascarado: Jason

Capítulo 4

— Então, o seu namorado não a pediu em casamento? —

perguntou Jason desconfiado.

— Ele não me pediu em casamento. Ele nem existe. Eu o inventei. Usei o namorado fictício sempre que precisei me livrar dos meus irmãos ou quando sabia que ficaria ausente por algum tempo.

James não existe.

 

Hope percebeu que estava condenada no momento em que viu a expressão incrédula de Jason. Toda a energia que ele gastara para chantageá-la para que ficasse lá fora à toa. Ela não ia se casar. Nunca pretendera se casar. Talvez nenhum dos dois soubesse o que estava fazendo quando se casaram, mas Jason não era ruim. E ela tinha a sensação de que ele não tentava fazê-la ficar apenas porque queria sexo.

O suposto casamento dela certamente tivera algo a ver com a decisão dele de casar com ela, mesmo bêbado, e a recusa em deixá-la ir embora. Ela tivera dificuldade em acreditar que ele só queria sexo.

— Você também mentiu sobre ele? — rosnou Jason. Os olhos dele pareciam chamas azuis ao se afastar para encará-la.

— Sim.

— Mas que porra, não acredito! Por que arrumar um namorado falso? — Ele a tirou do colo e prendeu-a no sofá com o próprio corpo.

— Por que diabos teve que mentir sobre isso? Mas que merda. Quero conhecer você de novo, Hope, mas não consigo entendê-la.

Deixar que ele a conhecesse era algo muito perigoso. De alguma forma, Hope precisava afastá-lo, apesar de o coração não querer. — Pelo mesmo motivo. Meus irmãos estavam sempre tentando marcar

encontros para mim com qualquer pessoa que conhecessem quando viajavam para o Colorado. Eu não queria nada disso. Finalmente, inventei alguém. Apesar do fato de eu fazer muito isso, foi uma mentira muito grande. Engasguei quando perguntaram o nome dele e inventei algo nada original. Entrei em pânico quando quiseram saber o que ele fazia, para quem trabalhava. Eu sabia que iam espionar. Tive que inventar que era um desempregado.

— E o rompimento antes de você ir para a casa de Grady no feriado de fim de ano?

— Tivemos que terminar porque Grady queria que eu levasse James comigo. O que acha que ele teria dito se meu noivo desempregado não pudesse ir à festa de noivado dele?

A proximidade de Jason fez com que o corpo dela quase doesse de desejo não satisfeito, mas o cérebro protestou. A raiva dele a deixou rígida. — Saia de cima de mim, Jason — pediu ela, pois precisava de distância.

— Mas que merda! — disse ele em tom veemente. — Tudo relacionado a você é uma mentira.

— Sim. — Ela respirou fundo. Sentia-se presa pelo homem furioso, apesar de saber que ele nunca a machucaria. — Tudo.

Preciso afastá-lo. Será melhor se ele me odiar.

Hope se contorceu para sair debaixo dele. Ela precisava de ar, precisava de espaço. — Então, agora você sabe. Não havia motivo nenhum para você se casar comigo e certamente motivo nenhum para tentar me segurar aqui. — Ela empurrou o peito dele, mas o corpo forte parecia uma parede de pedra.

— Ah, há um motivo para eu querer você aqui agora. Quero trepar com você, Hope. Por algum motivo, não consigo tirá-la da cabeça. Posso não gostar muito de você agora e certamente não a entendo, mas ainda quero o seu corpo — disse Jason, não parecendo feliz com aquilo.

— Saia. De. Cima. De. Mim. — repetiu Hope, desesperada para se afastar. A voz furiosa dele e o corpo imenso a sufocavam.

— Pretendo sair — respondeu ele em tom amargo. — Depois de entrar em você.

— Não! — Hope ofegou, tentando fazer com que ele se levantasse. — Não posso. Pare, Jason. Por favor. — As palavras saíram como uma súplica desesperada.

— Mas que coisa. — Jason se sentou e passou a mão pelos cabelos exasperadamente. — Qual é o seu problema? Em um minuto, seu corpo responde ao meu como se me quisesse tanto quanto eu a quero. E, alguns segundos depois, está lutando para se afastar.

Hope se sentou rapidamente e ajeitou os cabelos com a mão trêmula. — Eu não quero você. Só preciso sair daqui, anular esse casamento desastrado e seguir a vida. Não quero que você conte aos meus irmãos, mas não posso impedi-lo.

Os olhos furiosos de Jason a encararam. Um dos músculos no maxilar se contraiu.

Hope nunca vira Jason tão enfurecido.

— Você ficará por duas semanas. Quando for embora, não contarei absolutamente nada aos seus irmãos, nunca — exigiu ele com expressão fria e calculista.

— Não posso. Estou ocupada no momento — ela tentou explicar. Agora que ele sabia que o noivo era uma farsa, por que ainda queria que ela ficasse?

— Não quero nem saber. A última coisa de que você precisa é perseguir as malditas tempestades, mesmo que não sejam tornados.

Você ficará aqui. Aceite o acordo ou contarei tudo a todos os seus irmãos. Você terá mais gente seguindo-a do que o presidente dos Estados Unidos.

Ok. Agora ele está tentando me impedir de fazer meu trabalho porque é perigoso. Apesar de ter concordado em não perseguir mais tornados, ele não quer que eu persiga nenhuma tempestade.

Hope se levantou, indignada e furiosa. Jason podia não gostar de como ela conduzia a própria vida, mas não tinha o direito de interferir.

— Não posso fazer o que faço sem anonimato — disse ela agitada. —

Mesmo que eu não esteja perseguindo tornados, ainda tenho um trabalho a fazer. Há muitos outros tipos de climas extremos.

Jason se levantou e olhou para ela, com a intenção de intimidá-la. — Então acho que temos um problema. Você será subitamente famosa. H. L. Sinclair, a fotógrafa conhecida, ficará ainda mais famosa porque é parte da família megabilionária Sinclair. A mídia adorará.

Mas que merda! A imprensa também ficaria sobre ela. Seria o fim de sua carreira. Ela não poderia fazer o que fazia com uma multidão atrás de si. A fúria com Jason explodiu e a mão dela voou em direção ao rosto dele.

Ele segurou a mão dela antes que chegasse em seu rosto. — Não tente fazer isto de novo. Nenhuma mulher conseguiu fazer isso antes e não acontecerá uma segunda vez. — A mão firme e forte continuou segurando o pulso dela perto do rosto.

— Imbecil — sibilou ela, odiando-o pelo que ele estava fazendo.

— Você finalmente acertou. — Os olhos gelados de Jason estudaram o rosto dela impassivelmente. — Temos ou não um acordo?

Hope contemplou as alternativas e... não achou nenhuma. —

Nada de sexo. — Ela puxou o braço e baixou-o ao lado do corpo. —

Eu lhe darei duas semanas, mas, durante este tempo, sua vida será um inferno. — Ele sofreria durante duas semanas inteiras, coisa que Hope poderia fazer sem esforço algum, bastava ser ela mesma. Jason estava prestes a descobrir que não poderia ter o que queria dela. Hope daria a ele as duas malditas semanas e, depois disso, Jason ficaria feliz em se livrar dela.

— Haverá sexo, sim, e muito — retrucou Jason. — Não sei exatamente qual é o seu joguinho, mas você quer tanto quanto eu —

disse ele em voz baixa e sedutora, mas com a expressão ainda gelada.

Ele ergueu um cacho dos cabelos dela. — Você ainda é virgem, Hope?

— O tom dele foi mais gentil.

Ela bufou e afastou a mão dele. — Você está brincando? Isso me foi tirado há muitos anos.

— Obviamente, alguém fez um trabalho muito ruim nesse sentido — observou ele casualmente. — Pare de lutar, Hope. Pare de lutar contra nós. Vai acontecer. E não será contra a sua vontade. Não gosto de tomar mulheres à força.

— Se me quiser, terá que fazer isso — retrucou ela em tom ríspido.

— Veremos, Pesseguinho. Duas semanas é um tempo longo.

Espero que você faça tudo o que eu quero, exceto trepar. Isso acontecerá quando você estiver pronta para admitir que me quer tanto quanto eu a quero.

Mesmo furiosa, Hope já estava pronta para admitir aquilo, mas não importava. — Quero que me prometa que me deixará ir embora depois das duas semanas, que nunca me exporá e que nunca me incomodará de novo — disse ela abruptamente.

Hope percebeu que ele se encolheu ligeiramente. Uma expressão dolorida cruzou seu rosto e desapareceu em uma fração de segundo.

Fora apenas um instante, mas ela o magoara e sentiu o coração apertado. Não importava o quanto ele estivesse sendo escroto naquele momento, aquele não era o Jason com quem ela crescera. Ele não podia ter mudado tanto assim. Em algum lugar daquele cérebro complexo, ele achava que a estava protegendo.

— Concordo — respondeu ele com voz rouca.

— Eu gostaria de algum tempo sozinha. Vou tomar um banho.

— Ela precisava relaxar, dar ao corpo e à mente uma chance de se acalmarem sem a presença de Jason. O corpo ainda estava trêmulo e ela precisava de espaço para respirar.

— Tenho uma ideia melhor. — Ele pegou a mão dela e puxou-a firmemente pelo corredor em direção ao quarto.

Hope o acompanhou com o corpo tenso, mas confiando em Jason o suficiente para que não achasse que ele a tomaria à força. Eles passaram pelo quarto em que tinham dormido, continuaram até a extremidade do longo corredor e ele a levou para dentro de outro quarto de hóspedes. Ela ficou desconfiada, mas ele a levou até uma

porta de vidro deslizante. Em seguida, saíram da casa e seguiram um caminho de pedras por alguns instantes até que ele parou.

Ela reconheceu imediatamente a piscina fumegante. — Fonte termal. — Ela suspirou. O aroma de minerais e o ar úmido e quente a relaxaram de imediato. Era uma piscina de tamanho razoável, com pedras grandes que podiam ser usadas como assentos e uma pequena cachoeira.

— Você está familiarizada com ela — comentou Jason. A raiva sumira da voz dele.

— Temos fontes termais grandes perto de Aspen. Eu sabia que Rocky Springs era uma das maiores fontes termais naturais, mas nunca estive aqui. — Ela olhou para a piscina. — E eu não sabia que eles tinham piscinas particulares aqui.

— Não cheguei a experimentar na última vez em que estive aqui

— admitiu Jason.

— Você deveria — comentou Hope. — É incrível. — Estava começando a escurecer e o calor do dia nas montanhas terminara. Era um momento fantástico para mergulhar nas fontes quentes.

Jason desabotoou a camisa. — Venha comigo — disse ele baixinho.

Hope ficou com a boca seca ao ver o peito enorme exposto. —

Não tenho roupa de banho — respondeu ela ao observá-lo enquanto ele revelava os músculos perfeitamente formados.

Os olhos azuis de Jason ficaram mais escuros na luz fraca, parecendo safiras, com uma expressão persuasiva e quente ao estudarem o corpo dela. — É uma propriedade particular. Fique nua. Até parece que nunca a vi assim — relembrou ele.

Hope hesitou, sem conseguir tirar os olhos dos dedos fortes de Jason que abriam o botão da calça jeans, revelando agonizantemente devagar um rastro sensual de pelos. Ela prendeu a respiração e esperou.

Esperou. E esperou. Finalmente, ele tirou a calça, juntamente com a cueca. Hope passou a língua nervosamente pelos lábios secos quando Jason parou à frente dela completamente nu. Não que ele precisasse ser

tímido. Jason era... absolutamente perfeito, dos olhos azuis e cabelos desgrenhados ao corpo incrível, coberto pela pele dourada.

Ai, meu Deus, eu quero tanto tocar nele.

Ele andou em direção à piscina, dando a Hope um relance do traseiro firme. Ela teve vontade de apertá-lo só para ver se era tão firme quanto parecia.

— Você vem ou não? — perguntou Jason com falsa inocência.

O imbecil estava totalmente consciente do efeito que tinha nela.

Hope observou quando ele mergulhou na água, sem esperar nem um segundo, e emergiu no outro lado, com a pele brilhando e os cabelos grudados à cabeça.

Ai. Meu. Deus.

Ele foi para o lado da piscina mais próximo a ela e apoiou os braços na superfície rochosa. — Não vou tentar forçar você a nada, Hope. Nem vou atacá-la. Venha relaxar comigo.

Ele não sorriu, mas a expressão estava mais suave. Hope estava dividida. Queria entrar na água, deixar que o calor sedutor a relaxasse.

Ela se sentia solitária, ainda abalada com a morte de David, e queria companhia. No entanto, ainda estava surpresa pelo comportamento frio de Jason mais cedo. Sim, ela mentira, mas não diretamente a ele. Eles nem mesmo ainda eram amigos. Sim, o encontro no Ano Novo fora incrível. Ainda assim, a reação dele fora bastante extrema, considerando que tinham se mantido afastados antes e depois daquilo.

Talvez os dois tivessem problemas, sem conhecer mais um ao outro. Jason descobria todas as emoções dela, coisas que Hope enterrara tão fundo que não achava que um dia subiriam à superfície novamente. Ele conseguia disparar o temperamento dela mais depressa do que qualquer outra pessoa na face do planeta, incluindo seus irmãos. Jason certamente acendera uma centelha sexual, uma intensidade que ela nunca sentira. Ele era gentil quando ela precisava de conforto, fazia com que tivesse vontade de depender de alguém pela primeira vez na vida. Conseguia fazer com que ela risse em um momento e chorasse no instante seguinte. Aquela variedade de emoções a deixava exausta e ela não sabia ao certo se queria que o relacionamento deles evoluísse. Deixar que ele chegasse ao seu coração seria um desastre. Talvez ele a quisesse agora, mas ela acabaria destruída mais tarde.

Não pense demais, Hope. Faça o que tem vontade.

Hope tinha vontade de ficar, de mergulhar na água quente e desfrutar do fato de não estar sozinha. Jason tinha razão sobre uma coisa: ele já vira o corpo dela antes. Ser tímida não fazia o menor sentido. Ela tirou as roupas rapidamente, expondo-se o mínimo possível, sentindo o corpo quente quando sentiu os olhos dele estudando-a.

— Pule. — Ele estendeu os braços para receber o corpo dela.

Ele não tem noção do que está me pedindo. Não sabe como é improvável que eu confie em alguém para me segurar.

— Onde está seu senso de aventura, Pesseguinho? — perguntou ele.

Ele a desafiou e ela percebeu. Infelizmente, ela tinha sérios problemas em ignorar provocações.

Hope pulou.

E Jason a segurou com facilidade e confiança.

Segurando-a firmemente pela cintura, ele deixou que o corpo de Hope deslizasse lentamente para baixo até que os pés dela chegaram ao fundo da piscina. Ela saiu dos braços dele e mergulhou na água quente agradável. O estresse do dia desapareceu devagar. — Isto é incrível —

disse ela ao emergir e tirar os cabelos dos olhos.

— Talvez eu deva instalar algo parecido na minha cobertura em Nova Iorque — disse Jason em tom provocador.

— Acho que o mais perto disto que conseguirá será uma banheira de hidromassagem — respondeu Hope com uma risada. O coração dela bateu mais depressa ao perceber o sorriso malicioso no rosto dele. A água escorria pelo peito e pelos ombros dele, fazendo com que ela tivesse vontade de lamber cada gota. — Não acho que você encontrará piscinas de fontes termais naturais onde mora, a não ser que saia da cidade grande.

— Já tenho uma banheira comum — respondeu Jason com um olhar petulante.

— Ai, coitadinho do bilionário. Finalmente encontrou uma coisa que não pode ter? — Ela encheu as mãos de água e jogou-a nele.

O sol já se pusera completamente e, quando Hope olhou para cima, viu as primeiras estrelas. Distraída, não viu Jason se mover. Ele passou um braço forte em volta de sua cintura e puxou-a para dentro da água, mantendo-a presa mesmo depois que ela emergiu. Cuspindo, ela tentou revidar, passando a perna em volta da dele para derrubá-lo.

Infelizmente, ele estava preparado e mal se moveu. Com uma risada baixa, ele a pegou no colo, sentando-se na beirada rochosa. Em seguida, posicionou-a de costas entre as pernas e passou os braços em volta de sua cintura. — Quando você vai aprender a não começar algo que não consegue terminar, Pesseguinho? — perguntou ele baixinho.

Sentindo-se letárgica por causa da água quente e cansada de lutar, ela recostou a cabeça no ombro dele. Hope sentiu o calor da ereção dele contra as costas, mas não era algo desconcertante. O corpo dele estava relaxado, com a cabeça recostada na pedra logo atrás.

— Conte para mim onde esteve, Hope, o que andou fazendo. —

Ele soou resignado e curioso.

A água bateu contra o peito dela. — Estive por toda parte. Índia, Japão, Filipinas, México, Havaí... em qualquer lugar onde ocorreu algum clima extremo ou eventos naturais. Durante a primavera e o verão, David e eu fomos atrás de supercélulas, principalmente na área da Alameda de Tornados. Nesta época do ano, estou me preparando para começar a rastrear furacões aqui nos Estados Unidos. Eu perseguia tempestades com David. — A voz de Hope sumiu e os braços de Jason se apertaram em volta dela de forma protetora, em um conforto silencioso.

— Quando você está em casa?

— Quase nunca — admitiu ela. — Mais no inverno.

— Para ver as avalanches e nevascas? — perguntou Jason ironicamente.

— Para esquiar — respondeu ela. — E para os jogos dos Broncos.

— Sério? — Jason soou falsamente indignado. — Você agora torce para os Broncos? O que aconteceu com os Patriots? Você é uma garota de Boston.

— Sou volúvel — respondeu ela em tom jocoso. — Os Broncos roubaram meu coração.

— Eles não ganham um Super Bowl há quinze anos —

resmungou Jason.

— Os fãs dos Broncos são leais. Algum dia, eles ganharão.

Quem sabe não será este ano?

— Não acredito que me casei com uma mulher que não é fã dos Patriots — respondeu ele em tom infeliz ao brincar com a aliança dela.

Casou.

Por um breve período, ela se esquecera disso, completamente relaxada nos braços de Jason. — Ainda bem que não é permanente —

retrucou ela. — Acho que eu também não conseguiria me casar com um fã dos Patriots.

Ele ficou em silêncio por um momento. — Eu quero saber se você chegou muito perto de alguns daqueles tornados. Quero saber sobre todas as vezes em que esteve em perigo. Eu vi as fotografias, Hope, e já sei como chegou perto de morrer com o seu amigo. Ainda bem que você tinha planos para ir para Vegas. — A voz dele estremeceu. — Você é incrivelmente talentosa, mas quero que reconsidere o que faz.

— Eu tenho lentes teleobjetivas. Posso deixar as imagens muito mais próximas do que realmente são. — Ela sorriu de leve, sentindo o corpo mole por causa da água quente. Apesar de não ser exatamente um elogio, ela gostou de ouvir Jason dizer que tinha talento. Nunca precisara de reafirmação, mas era bom ter alguém que ela conhecia, que era próximo de seus irmãos, saber sobre sua carreira. A única pessoa que lhe dera apoio fora David.

— Mas você sabe dos perigos — resmungou ele.

— A morte de David me deixou muito abalada. Sim, sei dos perigos e não vou mais perseguir tornados, Jason.

— E os furacões, ciclones, tufões?

— Tenho muito cuidado. Tento ficar em terreno alto por causa dos surtos das tempestades e uso como base algum prédio que deve aguentar a velocidade dos ventos — respondeu ela.

— Deve? — rosnou ele.

Hope deu de ombros. — Nada na vida é garantido, Jason. Tudo o que fazemos oferece riscos. Até mesmo entrar em um carro todos os dias é arriscado. Mas precisamos fazer.

— O veículo normalmente se afasta do perigo, não vai na direção dele. — A voz dele estava rouca.

— Podemos declarar uma trégua? Só hoje? Diga-me o que fez desde que terminou a escola... além de ganhar uma quantidade infinita de dinheiro e tornar-se o solteiro mais cobiçado do mundo. — Ela queria saber como fora a vida de Jason, para onde viajara. Também queria saber se houvera alguma mulher importante na vida dele, apesar de não ser da sua conta. Eles se separariam em breve, mas ela ainda estava curiosa. — Como está sua mãe? — Hope sempre gostara da mãe de Jason.

— Está bem. Ela demorou muito para superar a morte do meu pai, mas está bem agora — respondeu Jason, com a voz evidenciando a afeição que ele sentia pela mãe.

— Eu nunca lhe disse o quanto lamento por seu pai. Ele era um homem bom. — Jason perdera o pai quando terminava a universidade.

Hope não o vira durante aquele ano porque estava no primeiro ano do próprio curso. Infelizmente, ela só soubera da morte do pai dele depois do funeral. Grady contara a ela durante um dos telefonemas rotineiros.

— Ele era um homem muito bom — concordou ele. — Mas não era um bom homem de negócios. Quando assumi a empresa dele, ela estava quase quebrada.

— Como? — perguntou ela com voz chocada. A família de Jason morara perto da dela, na mesma rua, em uma mansão tão grande

quanto a sua. O pai dele fora tão rico quanto o pai dela. — Ele era rico.

— Não era — confessou Jason. — Ele estava tentando manter a fachada, mas tinha alguns investimentos ruins, enterrou muito dinheiro em empresas que não deram certo.

— Ai, meu Deus, eu sinto muito. Meus irmãos sabiam disso?

— Hope sabia que os irmãos dela teriam ajudado Jason.

— Ninguém sabia. Você é a única pessoa a quem contei isto além da administração superior da empresa. Nem mesmo minha mãe sabe. Não consegui contar a ela que meu pai não deixou muita coisa

— confessou ele relutante. — Eu apenas tentei juntar o que sobrou depois da morte dele. Fiz algumas coisas arriscadas, algumas apostas calculadas que compensaram. E continuei fazendo isso.

Hope poderia apostar que não tinham sido tão arriscadas assim.

Jason era brilhante e tinha uma excelente mente para investimentos. Se achava que uma empresa daria certo, era por motivos concretos. —

Então, você reconstruiu a empresa e ficou rico de novo. Por conta própria.

— Tive sorte em algumas áreas, mas, sim, foi isso. Depois, comecei a investir. Descobri que era muito bom em transformar um pouco de dinheiro em muito dinheiro.

— Alguma vez fez um investimento ruim? — Hope estava impressionada com o que Jason conseguira fazer. Ela achava que ele era apenas um garoto rico que se transformara em um homem ainda mais rico.

Jason deu de ombros. — Raramente — respondeu ele sem falsa arrogância. —Quando isso acontece, corto as perdas rapidamente e sigo em frente. Foi o que meu pai não fez e que quase o arruinou.

— Como você sabe se um investimento é bom?

— Em grande parte, com análise — respondeu Jason em tom direto.

Era mais do que isso e Hope sabia. Se fosse apenas com análise, muitas outras pessoas seriam ricas. Jason tinha o dom de encontrar bons investimentos, um instinto excelente combinado com aquela

análise. — Você tem um talento, Jason, eu. Acho que você é incrível.

O que conseguiu fazer é quase impossível, mas você conseguiu mesmo assim.

Ele ficou em silêncio por um momento, quase como se não soubesse como responder. Depois de alguns minutos, ele se levantou, levando-a consigo.

— Acho que já ficamos dentro da piscina por tempo demais —

resmungou ele, colocando-a gentilmente perto da beirada para que saísse. Em seguida, ele também saiu da piscina.