Bilionário Desmascarado: Jason
Bilionário Desmascarado
R ocky Springs, Colorado – Presente — Ela ainda está lá? —
perguntou Tate Colter curioso quando Jason voltou à sala de estar de uma das casas de hóspedes na propriedade de Tate em Rocky Springs, Colorado.
Jason conhecera o absurdamente rico Tate Colter em um evento de caridade em Rocky Springs. E fora naquele evento de caridade que ele ouvira dizer que Hope se casaria. Fora Tate quem inventara aquele plano maluco e ajudara a coordenar tudo. Como ex-integrante das Forças Especiais, Colter era mais preciso em executar um plano e mais calculista do que Jason em se tratando de enganar alguém.
Jason olhou para Tate. Ele franziu a testa ao perceber que Tate estava sentado à frente do computador de Hope. — O que você está fazendo?
— Pegando toda a sujeira sobre a sua mulher — respondeu Tate sem remorso. — É incrível o que uma pessoa consegue descobrir sobre outra só de vasculhar o computador dela.
Jason ergueu as sobrancelhas. — Você invadiu o computador dela?
Tate deu de ombros. — Não foi difícil. Ela precisa de mais segurança. Mas isso ainda não teria me impedido de entrar. — Ele abriu um sorriso desavergonhado para Jason.
Jason sentiu uma pontada de culpa, mas ignorou-a. — Não chegue perto das coisas pessoais dela — resmungou ele para Tate, sentindo-se irritado com a ideia de Tate ver algo pessoal sobre Hope.
— Nada é pessoal se está no computador. Você precisa ver algumas dessas coisas. — O olhar de Tate voltou para a tela do computador. — Você sabia que ela é fotógrafa? E não uma fotógrafa qualquer. Ela faz coisas bem radicais. — A voz dele tinha um tom ligeiro de admiração. — Talvez ela seja mais louca que eu.
Jason duvidava daquilo, apesar de ter quase certeza de que ele mesmo precisaria fazer exames mentais por causa do que acontecera nas vinte e quatro horas anteriores.
Quando Grady lhe dissera que Hope iria se casar e estava em Vegas para uma despedida de solteira, Jason fora para lá para intencionalmente procurá-la, como um perseguidor maluco. Não fora difícil encontrá-la e, depois que conseguira o número do quarto do hotel em que ela estava hospedada, ele a seguira, fingindo estar lá a negócios. Mas o encontro não tivera nada de acidental. Ele rangera os dentes ao parabenizá-la pelo casamento, quase engasgando ao dizer aquelas palavras, e arrastara-a para comemorar com drinques. Ela caíra direitinho no plano dele, ficara embriagada muito depressa e deixara o cuidado de lado depois de alguns drinques. Com cada novo drinque, ela ficara mais e mais bêbada. Obviamente, Hope não tinha muita tolerância ao álcool. Ela desmaiara em algum lugar acima do Colorado no voo de volta e Jason a carregara para o quarto da casa de hóspedes em Rocky Springs. Era a mesma casa de hóspedes que ele ocupara ao partir para Vegas. Fora ideia de Colter levá-la para lá, o que faria com que ela tivesse dificuldade em ir embora. Era uma viagem de cinco horas de carro até Aspen e ela estava a pé. Era improvável que encontrassem outras pessoas, pois estavam na propriedade particular de Colter e a cidade de Rocky Springs ficava a vários quilômetros.
O assovio de admiração de Tate tirou Jason dos próprios pensamentos.
— Deixe-me ver. — Jason pegou o notebook que Tate segurava e sentou-se em outra poltrona, determinado a ver o que deixara Colter tão impressionado. Sem falar que queria impedir que Colter continuasse bisbilhotando na vida privada de Hope.
Ele percorreu a galeria de fotos, vendo algumas das imagens que deixaram Tate impressionado, e ficou atônito com o que viu. As fotografias eram belas de uma forma meio assustadora. Várias delas eram de tornados grandes, tiradas de perto. As demais eram todas de forças extremas da natureza, algumas provavelmente de furacões que quase dobravam as árvores. — Não podem ser dela — negou Jason.
Ele estremeceu ao pensar em Hope estando perto o suficiente de algo tão perigoso para tirar fotografias.
— São dela, sim — retrucou Tate. — Se você verificar o e-mail dela, verá que há confirmações de viagens que coincidem com as imagens. E ela tem um portfólio grande na mala que pegamos no hotel. As fotos têm a marca dela no canto inferior direito. Suponho que ela seja H. L. Sinclair. Pesquisei o nome. Ela é idolatrada no mundo da fotografia como fotógrafa de climas extremos. Na verdade, ela parece uma mulher mais adequada para mim do que para você. — Tate sorriu para Jason. — Ela deve ter muito colhão para viajar para todos os cantos do mundo para este tipo de coisa.
— Ela não tem colhão — resmungou Jason ao continuar olhando as fotografias que, pelo jeito, Hope tirara. — Meu Deus. O
que diabos ela anda fazendo?
— Ao que tudo indica, tirando fotografias. Ela tem diploma em arte com ênfase em fotografia. Vi isso na biografia dela.
Jason fez uma careta para a tela do computador. Ele sabia que ela tinha diploma em arte, mas não sabia que era fotógrafa. E, agora, estava furioso por Tate saber mais sobre Hope do que ele. Por que não soubera disso antes? Talvez porque passara anos tentando se controlar perto dela, usando toda a força de vontade que tinha para não jogá-la sobre o ombro e levá-la para algum lugar, qualquer lugar, desde que
fosse com ele. — Garanto que os irmãos dela não sabem. Eles a teriam trancado e jogado a chave fora se soubessem que ela estava fazendo este tipo de merda.
— Provavelmente foi por isso que ela nunca contou a eles — ponderou Tate filosoficamente. — Ela é adulta, cara. Pode fazer o que quiser.
— Isto não — respondeu Jason furioso. — Ela não pode sair pelo mundo colocando-se em perigo. — Todos os pelos do corpo dele se arrepiaram em alarme quando ele viu algumas fotografias do que parecia ser um ciclone. Era difícil dizer onde as fotografias tinham sido tiradas. Só o que Jason sabia era que Hope estivera lá durante a maldita tempestade. Ela capturara a imagem no momento em que o telhado foi arrancado de um prédio. A fotografia era uma prova aterrorizante da violência da tempestade em que ela se jogara.
— É claro que pode. Ela é adulta — argumentou Tate de forma racional.
Jason não se sentia nem um pouco racional. — Agora ela é minha — retrucou ele a Tate.
— Hope não era sua quando tirou as fotografias e você a raptou de Vegas sem saber quem ela é agora. Você a viu o quê... meia dúzia de vezes depois que ela chegou à idade adulta? Não pode esperar que ela pare a vida só porque ficou bêbada e seguiu você até aqui só porque não estava consciente o suficiente.
De forma egoísta, era exatamente o que Jason queria. Ele a levara com a intenção de se saciar com ela antes de deixá-la ir embora em algum momento do futuro. Furioso e magoado por ela não ter lhe contado que pretendia se casar, só o que ele queria era Hope em sua cama, impedindo-a de se casar com aquele idiota. Agora, ele não tinha mais tanta certeza de que a deixaria novamente longe de seus olhos.
Não que ele estivesse furioso com ela, mas seus instintos protetores eram maiores do que a raiva. Ela tinha algum desejo de morrer para estar perseguindo aquele tipo de tempestade?
Você não me conhece mais.
Hope lhe dissera aquilo quando estiveram juntos em Amesport.
O fato era que... ela estivera certa. — Ela tem uma vida secreta inteira que ninguém conhece — especulou Jason em voz alta, irritado e perturbado. Onde diabos estava a garota tímida que ele conhecera? A jovem quieta e doce que ele vira logo antes de ela ir para a universidade? Em todas as vezes que ele a vira depois daquele dia, ela fora quieta, sem nada que indicasse que... mudara.
— Todos nós temos segredos — disse Tate em tom solene. —
Ela conseguiu muito para uma mulher da idade dela. Vende muitas das fotografias para publicações importantes e já é muito respeitada em sua área.
— É perigoso, porra — respondeu Jason irritado. — Como você se sentiria se gostasse de alguém que se mete em situações perigosas o tempo todo? E se fosse Chloe, sua irmã?
Tate franziu a testa. — Eu a trancaria e jogaria a chave fora.
Jason ergueu as sobrancelhas, olhando para Tate com uma expressão de “ foi o que eu disse”.
— Ela é minha irmãzinha — continuou Tate na defensiva.
— Exatamente. Alguém de quem você gosta, alguém que quer proteger.
— Ela é da família — resmungou Tate. — Nunca me senti assim em relação a nenhuma mulher. Não podia. Eu fiz muitas loucuras. Em qualquer missão, sempre havia uma chance muito grande de eu não voltar.
Jason observou o rosto de Tate, a expressão assombrada que surgiu nos olhos dele. Tate não era mais das Forças Especiais, mas algumas das coisas que fizera durante o tempo em que servira obviamente ainda estavam presentes na mente. — Você é rico, Colter.
Tem uma boa família. Por que fez isso? — Jason se perguntou por que alguém tão privilegiado quanto Tate entraria para as Forças Especiais.
Na verdade, Tate era o único bilionário que ele conhecia que se alistara no exército.
Tate deu de ombros. — Porque eu podia. Era um excelente piloto e vivi para a adrenalina durante muito tempo. Fizemos algumas
coisas boas, salvamos várias vidas. Valeu a pena.
Tate podia ser um filho da puta irritantemente arrogante, mas Jason o respeitava. Sem dúvida, ele salvara vidas. — Você não está mais nas Forças Especiais. Qual é a desculpa agora para não ter uma mulher?
— Qual foi a sua, Jason? — retrucou Tate.
— Eu estava obcecado por Hope — admitiu Jason prontamente.
A fixação por Hope estivera no fundo de sua mente sempre que ele estava com outra mulher. Ele torceu para que conseguisse se livrar daquela fascinação agora que a tinha. Provavelmente estariam fartos um do outro depois de um ou dois dias juntos.
Tate abriu um sorriso. — É, bom, acho que não encontrei ainda uma mulher que valha a pena minha obsessão. Ainda bem —
resmungou ele em voz baixa.
Jason passou a mão pelos cabelos. — Talvez não seja algo tão ruim assim. — A mente dele estava meio enevoada devido à falta de sono. Além disso, ele estava atordoado por ter descoberto tanta coisa nova sobre Hope. Talvez fosse bom ter descoberto tudo agora. Talvez o fato de Hope obviamente ser uma mentirosa compulsiva, e não a mulher doce que ele achava que conhecia, ajudaria a curá-lo da compulsão que sentia em trepar com ela, fazer com que fosse dele.
Infelizmente, apesar de estar furioso, os instintos protetores ainda estavam presentes e ainda mais fortes, agora que ele sabia que ela procurava o perigo o tempo inteiro. Entretanto, ele também sabia que a Hope que conhecera ainda estava lá. Ele vira a doçura dela na noite que passaram juntos, o que deixara um desejo agonizante de ter mais.
Não sei quem ela é agora.
— Vá descansar um pouco. — Tate se levantou. — Precisa de mais alguma coisa?
— Preciso achar um jeito de buscar a gata de Hope — respondeu Jason com uma careta. — Hope só pretendia ficar alguns dias fora. Não sei se há alguém cuidando da gata dela.
— Eu cuidarei disso — retrucou Tate. — Buscarei a gata mais tarde. É uma viagem curta de helicóptero. — Ele foi até a porta e
abriu-a.
— Tate? — Jason ergueu a voz para que Tate o ouvisse do outro lado da sala.
— Sim?
— Não quer o endereço dela?
Tate sorriu. — Eu invadi o computador dela. Tenho o endereço.
— E a chave do apartamento dela?
— Nunca encontrei uma fechadura que eu não conseguisse abrir
— respondeu Tate em tom arrogante. — Até mais tarde. — Ele fechou a porta atrás de si.
— Idiota metido — resmungou Jason ao ir até a porta por onde Tate acabara de sair e trancá-la, apesar de estar mais furioso consigo mesmo do que com ele. Colter o ajudara a atingir um objetivo: impedir que Hope se casasse com outro homem, alguém que provavelmente nem se importava com ela e que com certeza vivera às custas de Hope durante anos, pois nunca conseguira um emprego. Os outros motivos estavam conectados ao objetivo principal de Jason e eram muito urgentes, mas puramente egoístas.
Jason tentou acalmar a culpa dizendo a si mesmo que Hope seria mais feliz em longo prazo, mas isso não ajudou naquele momento.
Aquela voz irritante dentro de sua cabeça voltara e ele não conseguiu fechar a porta inteiramente para as emoções. A voz não era alta o suficiente para impedi-lo de fazer o que era preciso, mas era irritante ter certo arrependimento sobre basicamente ter sequestrado Hope. Sim, ela o acompanhara por vontade própria, mas estivera completamente bêbada.
Ele se sentou novamente com o computador dela, sem conseguir se impedir de vasculhar todos os dados que conseguiu encontrar. Tate deixara o computador aberto e procurar informações sobre Hope era uma tentação grande demais. Ele queria muito entender a vida dela e tentou reunir todos os dados. Alguns deles faziam sentido, mas a maioria não.
Ela tinha muitos e-mails de um homem chamado David. Era o noivo misterioso? Eu nem sei o nome do cara! Entretanto, a maior
parte dos e-mails trocados não falavam de nada além de locais de encontro e planos de viagem. Não havia nada romântico e foram trocadas muito poucas informações pessoais. Pelo que Jason conseguiu entender, David estava em Oklahoma.
Curioso, ele procurou H. L. Sinclair no Google, como Tate fizera. E chegou à mesma conclusão que Tate: ela era uma fotógrafa muito respeitada, especializada em fotografias de climas extremos.
Hope tinha até mesmo um site, mas não havia nenhuma fotografia dela mesma. Todas as fotografias eram de tempestades violentas ou do resultado delas.
Meu Deus, como Hope aguenta esse tipo de sofrimento e dor?
Hope era o tipo de mulher que daria abrigo a uma gata surda porque não aguentava ver o animal sofrer. Como lidava com a tragédia humana naquela escala?
Em algumas das fotografias, ele viu o mesmo homem, um jovem moreno e alto, provavelmente mais ou menos da mesma idade de Hope. Ele normalmente estava no meio daqueles desastres, como a mulher que tirou as fotografias.
— O noivo dela? — perguntou ele a si mesmo em voz desgostosa. Ora, ele nem sabia o nome do noivo dela e aquilo o deixou irritado. Ele deveria pelo menos saber o nome do cara, não?
Irritado, Jason pegou o celular e digitou o número de Grady.
— Qual é o nome do noivo de Hope? — perguntou Jason depois que Grady disse alô, sem dar espaço para as conversas leves normais que tinham.
— Ela sempre falou nele apenas como James. Perguntei o sobrenome dele uma vez e ela disse que era Smith — resmungou Grady. — Se quer investigá-lo, pode esquecer. Já tentei. Você sabe como esse nome é comum no Colorado? Sem uma ocupação ou qualquer outra informação de identificação, não sei ao certo exatamente qual é o James Smith que está se aproveitando da minha irmã —
admitiu Grady.
— Merda — disse Jason furioso. — Eles moram juntos? Ele está em Aspen?
— Não sei. Hope sempre diz que não é da minha conta. Ela nunca fala dele. A única coisa que disse quando conversei com ela foi que estavam resolvendo os problemas e que iriam se casar. Depois, ela me disse que iria para Vegas por alguns dias com amigas para uma despedida de solteira. Além de mandar alguém segui-la, não consigo tirar informação nenhum dela. E, acredite, já pensei em colocar um investigador particular atrás dela. Mas, se ela descobrisse, ficaria muito magoada. Ela tem uma vida quieta em Aspen e nunca quis estar na mídia nem chamar atenção para si mesma. — Grady suspirou. —
Todos nós ameaçamos ir até lá para conhecer o cara, mas Hope prometeu que o traria para Amesport ou que nós o encontraríamos antes do casamento. Ela nem decidiu ainda a data, portanto, não a pressionei. Ela parecia esgotada no dia em que conversamos. Disse que estava cansada.
Jason chegou muito perto de se entregar e contar a Grady exatamente o que fizera, mas mudou de ideia. Se Grady soubesse que ele encontrara a irmã dele em Vegas, deixando-a tão bêbada que ela não sabia o que estava fazendo, Jason levaria uma surra. Ele não estava preocupado em pagar pelo que fizera. Na verdade, esperava que isso acontecesse. Só não queria contar tão cedo. Ele precisava primeiro de um tempo com Hope. — Eu pensei em investigá-lo depois que você me disse que eles iam se casar. Estou preocupado com o fato de ela estar se casando com um cara que ninguém conhece — admitiu Jason, ainda mais preocupado do que antes. Hope não tinha uma vida quieta em Aspen, como Grady achava. Não chegava nem perto disso.
— Eu não sabia que vocês dois mantinham contato —
comentou Grady pensativo.
— Não conversamos com tanta frequência quanto eu gostaria —
confessou Jason. — Desde a sua festa de noivado no Ano Novo, trocamos e-mails, mas eu sempre a considerei uma amiga. — Jason quase engasgou ao dizer a palavra “ amiga”. E “ trocamos e-mails” era um exagero. Ele enviava uma frase curta toda semana e ela respondia com as mesmas duas palavras.
Estou bem.
— Que bom que você se importa com ela o suficiente para se preocupar — disse Grady em voz baixa.
Jason começou a se sentir sufocado por causa da culpa. Ele só se importava porque era um idiota egoísta, não porque tinha um coração bom. — Eu me importo — respondeu ele com voz rouca. Pelo menos, aquilo era verdade, não importavam os motivos. — E como está Emily? — perguntou Jason curioso.
Grady imediatamente começou a falar sobre a esposa. Jason sorriu quando o amigo continuou falando sobre como Emily mudara a vida dele. Obviamente, não havia problema algum naquele casamento.
Grady adorava Emily e preocupava-se com ela de forma obsessiva.
Apesar de Jason nunca ter desejado aquele tipo de ligação a uma mulher, quase sentiu inveja de Grady. O amigo estava feliz e mudara para melhor desde que Emily entrara em sua vida. Antes, ele era um recluso solitário. Agora, Grady era praticamente adorado por toda a cidade de Amesport, no Maine. Não havia dúvida na mente de Jason de que Emily amava Grady tanto quanto ele a amava. Jason vira aquilo nos olhos dela quando os vira juntos durante as festas de fim de ano.
Infelizmente, ele não conseguira comparecer ao casamento deles.
Fora em um momento em que ele precisara estar em Londres a negócios e Grady preparara o casamento com Emily com muito pouco planejamento, como se tivesse medo de que ela mudasse de ideia. Na época, Jason não tivera certeza se aquele compromisso anterior em Londres fora uma bênção ou uma maldição. Ele quisera muito ver Hope, mas não tinha certeza se conseguiria esconder o fato de que queria trepar com ela se a visse de novo. Sinceramente, ele não sabia se não a teria jogado sobre o ombro para levá-la ao jatinho particular e arrastá-la para qualquer lugar onde pudessem ficar sozinhos.
Ele conversou com o amigo por mais trinta minutos, principalmente sobre Emily e os irmãos de Grady. Quando desligou, Jason estava com a visão meio embaçada e o corpo implorava por um pouco de sono.
Ele foi para o quarto e imediatamente ficou de pau duro ao ver Hope na cama, com os cabelos vermelhos espalhados sobre o
travesseiro branco. Obviamente, o pênis era a única parte dele que não estava completamente exausta. E, claramente, aquela parte da anatomia dele não estava nem um pouco furiosa com Hope. Mesmo desmaiada na cama, Hope estava linda. Ele tirou as sandálias dela, mas deixou-a com a bermuda e a camiseta.
Há um limite para a tortura que um cara pode aguentar!
Ele não encostaria em Hope enquanto ela estivesse inconsciente.
Ele a queria acordada e ciente de tudo o que estava acontecendo quando a penetrasse pela primeira vez. E era o que faria em um futuro muito próximo.
Minha.
Jason lutou com a honra e a dignidade novamente, imaginando se todos os homens passavam por um momento na vida em que faria qualquer coisa para conseguir alguém ou algo que queria. Aquilo era uma novidade para ele. Ele já se arriscara nos negócios, mas somente depois de ter calculado cuidadosamente os riscos e os benefícios de uma ação em particular e quando tinha certeza razoável de conseguir o resultado esperado. As vinte e quatro horas anteriores tinham sido fruto exclusivamente da emoção e do desejo, sem que ele nem se preocupasse com as consequências.
Sou ridículo deste jeito e estou desesperado para tê-la na minha cama.
O que diabos estava acontecendo com ele? Poderia discutir consigo mesmo para sempre, racionalizar os motivos pelos quais fizera aquilo, mas tudo se resumia a egoísmo. Ele queria Hope.
E o que importa? Não vou mantê-la aqui para sempre.
Faremos sexo todos os dias, todas as horas, até estarmos satisfeitos e cansados um do outro. Quando eu souber que ela não se casará com o idiota e estiver cansado dela, poderemos terminar essas férias não planejadas.
Jason fez uma careta. O corpo e a mente se rebelaram contra aquela ideia. Os instintos possessivos invadiram seu corpo enquanto ele olhava para ela, tão inocente e vulnerável durante o sono.
Minha.
Agora que ele conhecia alguns dos segredos dela e sabia como ela mentira para todos, Jason se sentia ainda mais protetor. A necessidade de mantê-la segura era enorme, apesar de estar tão furioso que ele queria acordá-la e sacudi-la até que lhe contasse toda a verdade.
E o motivo pelo qual mentira.
Ele se forçou a parar de olhar para Hope, tirou a calça e a camiseta e fechou as cortinas para reduzir a luminosidade. Era final de tarde, mas o quarto ainda estava muito claro.
Ele se deitou na cama ao lado dela e sorriu ao imaginar se ela fazia aquele som delicado de ronco quando não estava embriagada. Na verdade, era um tanto... sexy.
Ela gemeu e mudou de posição, ficando deitada de lado. Suas mãos imediatamente o procuraram e enroscou o corpo no dele. —
Jason — sussurrou ela com uma voz baixa e sonolenta, cheia de desejo.
Ela não estava acordada e ele ficou imaginando como sabia que era ele, e não o noivo.
Ela está me procurando na cama dela.
O fato de ela buscá-lo inconscientemente o atingiu como um soco no estômago. Ele passou os braços em volta dela de forma protetora.
— Você tem muitas respostas a dar, mulher — sussurrou ele.
Com os olhos fechados, ele sentiu que Hope estava finalmente onde deveria estar. Ele estava com o pênis rígido, mas ficou satisfeito em não fazer nada. No momento, era suficiente saber que Hope estava lá e que talvez ele finalmente conseguisse se livrar daquela preocupação intensa com ela.
Sem querer pensar no depois e com o corpo quente de Hope cobrindo o seu, ele fechou os olhos e dormiu.
Hope acordou lentamente. A cabeça latejava como se alguém estivesse batendo nela com um martelo. Ela sentiu uma certa náusea. A luz feriu os olhos e ela os fechou novamente. Uma mão subiu para a cabeça que doía e a outra apertou a barriga.
O que diabos aconteceu?
Desesperada para usar o banheiro, pois parecia que a bexiga estava prestes a explodir, ela abriu os olhos cuidadosamente para se acostumar com a luz de forma gradual.
Ai, merda.
Quando os olhos se acostumaram à luz difusa, ela percebeu um corpo muito grande e muito quente perto do seu. Ela virou a cabeça depressa em direção à pessoa deitada ao seu lado e gemeu com a dor de se mexer. Gemeu também ao perceber a identidade da massa de músculos ao seu lado.
Jason?
Onde diabos estou?
Hope saiu da cama bem devagar, determinada a encontrar o banheiro, mas não precisou ir longe. Havia um banheiro anexo ao quarto, tão perto que ela conseguiu vê-lo. Ao se sentar na beirada da
cama, com a cabeça latejando, a distância curta até o vaso sanitário pareceu quilômetros na condição em que ela estava.
Levante-se. Vá logo antes que passe vergonha.
— Precisa de ajuda?
Hope se encolheu ao ouvir o tom barítono baixo e suave. Apesar de ser gentil, no momento, para a dor que sentia na cabeça, pareceu que Jason gritara. — Não — respondeu ela constrangida quando os olhos focalizaram no abdômen musculoso logo à sua frente. Ele saíra da cama e parara em frente a ela sem que notasse. Jason usava apenas uma cueca. Mortificada, ela não conseguiu encará-lo.
Sem uma palavra, Jason a pegou no colo e carregou-a para o banheiro, colocou-a de pé gentilmente no chão, saiu e fechou a porta.
Graças a Deus!
Hope cuidou das necessidades urgentes do corpo e andou até a pia, que usou para lavar as mãos. A cabeça ainda girava. Ao ficar de pé novamente, o banheiro oscilou.
Um braço largo passou pela fresta da porta aberta e largou uma camisola modesta. Hope olhou para a roupa empilhada no chão.
Trêmula, ela se sentou no vaso sanitário e pegou a camisola. Tirando tudo, exceto as roupas íntimas, ela a vestiu.
Com a boca tão seca como o deserto, ela voltou à pia, pegou um dos copos emborcados e encheu-o com água, sem se importar se o copo estava limpo ou não. Como estava emborcado, ela imaginou que não fora usado. Lentamente, ela bebeu a água enquanto observava um recipiente cheio de escovas de dente novas ainda na embalagem e o tubo de pasta de dente ao lado da pia. Ela escovou os dentes e bebeu mais água. Ela ficara doente? No momento, nada fazia sentido para o cérebro atordoado, exceto que ela se sentia horrível.
Jason abriu a porta devagar, pegou-a no colo silenciosamente e levou-a de volta para a cama. Em seguida, entregou a ela alguns comprimidos que pareciam ser analgésicos e uma garrafa de Gatorade.
— Tome os comprimidos e coma alguma coisa. Você se sentirá melhor — disse ele baixinho.
Ela pegou os comprimidos e engoliu-os com a bebida, observando a bandeja à sua frente com olhar duvidoso. Havia apenas algumas fatias de torradas, mas seu estômago se revoltou com a ideia de comer. — Acho que não vou conseguir comer — gemeu ela. —
Onde estamos?
Jason pegou uma torrada, quebrou um pedaço e colocou-o perto da boca de Hope. — Você precisa colocar alguma coisa no estômago.
Não se lembra de Vegas?
Vegas.
O encontro acidental com Jason.
Pânico.
Bebidas.
Mais pânico.
Mais bebidas.
Obedientemente, ela abriu a boca e comeu a torrada que Jason ofereceu, tentando organizar os pensamentos enquanto mastigava. As lembranças estavam enevoadas, mas ela se lembrou de como ficara nervosa, com medo de que Jason descobrisse a verdade. Ela usara o álcool como coragem líquida, algo que nunca fizera antes. Ela bebia muito pouco e com muito cuidado porque o pai fora alcoólatra.
Ridiculamente, Jason a alimentou e ela aceitou outro pedaço de torrada com ar distraído.
Depois que engoliu, ela perguntou hesitantemente: — Estou doente?
— Ressaca — respondeu Jason. — Você estava bem ruim.
Ela nunca tivera uma ressaca, nunca bebera o suficiente para isso.
Ela jurou, naquele momento, que nunca teria ressaca novamente. A sensação era de que fora devorada e cuspida por um moedor de carne gigante. — Não costumo beber tanto assim — sussurrou ela.
— Bem-vinda ao mundo das festas em excesso — respondeu Jason. — Você precisa dormir de novo. É a melhor coisa que pode fazer agora. — Ele colocou outro pedaço de pão em sua boca.
Hope ergueu a mão para indicar que não queria mais torrada.
Jason tirou a bandeja. — Termine o Gatorade. Você provavelmente está
desidratada. — Ele saiu do quarto para levar a bandeja embora.
Hope bebeu lentamente. A dor de cabeça começou a diminuir.
Ao olhar em volta pelo quarto imenso, ela ficou imaginando em que hotel ele se hospedara em Vegas. Era um lugar muito grande e não parecia um hotel muito sofisticado.
O relógio ao lado da cama mostrava sete horas da manhã. —
Meu voo — murmurou ela alarmada. Ela tinha um voo cedo para ir embora de Vegas.
— Cancelado — disse Jason ao voltar para o quarto, parecendo completamente à vontade com a falta de roupas.
Um cara como ele não precisa se preocupar com isso.
Jason era um Adônis na terra e tão incrivelmente belo como a figura mitológica era retratada.
— Você cancelou meu voo? — perguntou ela atônita.
Jason respondeu em tom irônico: — Certamente não parecia que você conseguiria estar nele. Eles não deixam pessoas excessivamente bêbadas entrar em aviões comerciais. Durma, Hope.
Ela tomou todo o Gatorade e colocou a garrafa sobre a mesinha de cabeceira, querendo ter certeza de que conseguiria chegar à cozinha para jogá-la no lixo, mas sem saber se aguentaria andar até lá. Ela estava com os olhos pesados e a cabeça ainda doía. — Estou me sentindo horrível. Lamento que tenha que cuidar de mim. — Ela detestou a ideia de ter ficado tão fora de controle que Jason precisara bancar a babá. Pelo jeito, ela estava no hotel dele e Jason até mesmo dormira na mesma cama para cuidar dela. Evidentemente, ele não se preocupou em vestir um pijama. Talvez até mesmo dormisse nu, normalmente, e estava usando cueca por consideração a ela. Hope engoliu em seco nervosa ao pensar naquilo, tentando não imaginar o belo corpo nu deliciosamente enrolado nos lençóis enquanto dormia.
Jason se deitou na cama e puxou-a contra si, puxando a cabeça dela para que recostasse em seu ombro. — Você se sentirá melhor quando acordar. — Ele fez uma pausa antes de acrescentar em tom jocoso: — Talvez, desta vez, você não ronque.
— Eu ronquei? — perguntou Hope mortificada.
— Sim. Mas foi um tanto erótico — respondeu ele. — Como se fosse uma gata ronronando.
— Eu estava bêbada — respondeu ela constrangida. Em seguida, seus olhos se fecharam.
A risada suave de Jason foi a última coisa que ela ouviu antes de adormecer.
Hope acordou mais consciente dos arredores. A dor de cabeça estava fraca, a náusea acalmara e ela estava com sede.
O lado de Jason na cama estava vazio. O travesseiro amassado era a única indicação de que ela não tivera algum sonho maluco sobre a presença dele.
Três horas da tarde.
O relógio na mesinha de cabeceira indicava que ela dormira o dia inteiro. — Puta merda — sussurrou ela ainda desorientada. Devia estar completamente bêbada, apesar de não se lembrar do quanto bebera.
Obviamente, fora demais! Ela saiu da cama e colocou os pés sobre o carpete grosso, suspirando baixinho. Como conseguira chegar naquele estado? Ela foi até o banheiro e bebeu um pouco de água. Ao entrar novamente no quarto, percebeu as malas empilhadas em um canto.
Como elas chegaram aqui? Jason fechara a conta do quarto dela, levando-a com as malas para onde ele estava hospedado?
Ela fez uma careta ao ver o portfólio grande ao lado da mala.
Uma prova evidente. Seria possível que ele não tivesse notado?
Hope deu um salto ao ter uma sensação familiar. A gata se esfregou em suas pernas nuas quando Daisy se moveu em volta de
Hope em um círculo de carinhos. — Daisy? — Ela pegou a gata no colo de forma automática.
Mas. Que. Diabos?
Ela abriu a porta do quarto e olhou em volta, percebendo que não estava na suíte de um hotel. Acariciando Daisy nervosamente, ela andou pelo corredor até uma sala de estar espaçosa com uma lareira e vigas de madeira que criavam um teto alto estilo catedral à esquerda. À
direita, havia uma cozinha bonita, com panelas de cobre penduradas e balcões de granito.
— Incrível — murmurou ela. Como Jason conseguira um lugar como aquele em Las Vegas, mesmo sendo bilionário? Certamente, era fora da cidade.
— Você está bem? — perguntou Jason, que estava sentado em uma poltrona reclinável na sala de estar.
Hope não o vira. Estivera ocupada demais olhando para o teto.
— Sim. Acho que sim. — Ele estava delicioso com a calça jeans e uma camisa de botões que combinava com os belos olhos azuis. — O
que você está fazendo? Onde estamos?
Jason se levantou. — Eu estava esperando você acordar. — Ele deixou de lado o notebook que estivera usando.
— Sinto muito por isso ter acontecido. Eu nunca fico bêbada.
Lamento que precisou cuidar de mim na noite passada. Vou tomar um banho e sair do seu caminho. Pegarei o primeiro voo para Aspen.
— Não foi só a noite passada — informou Jason em tom direto.
— Hope, nós nos encontramos há dois dias, mais ou menos a esta mesma hora.
— D-dois dias? — gaguejou ela. Impossível. — Ai, meu Deus.
Eu preciso voltar para o Colorado. — Trêmula, ela colocou Daisy no chão.
— Você já voltou. — Jason atravessou a sala e parou à frente dela.
— Para Aspen?
— Rocky Springs — respondeu ele abruptamente.
Rocky Springs? Hope ouvira falar do resort de luxo decadente, mas nunca estivera lá. — Por que estou aqui? Por que Daisy está aqui?
Jason deu de ombros. — Terminei meu negócio em Las Vegas.
E a gata foi trazida para cá porque eu não sabia se havia alguém tomando conta dela, já que você estava atrasada. Os Colters, a família que é dona desta propriedade, são amigos. Eu tinha alguns negócios a resolver com Tate Colter e trouxe você comigo.
Ela ouvira falar dos Colters. Todos no Colorado conheciam a família obscenamente rica que era dona de praticamente tudo naquela área. — Ok. — Hope soltou um suspiro pensativo. — Acho que assim será mais fácil. Pelo menos, estou de volta. Imagino que devo agradecer a você por me trazer de volta para o Colorado. —
Obviamente, ele a levara no jatinho particular. Ela lhe dera trabalho suficiente. Seria fácil voltar para Aspen. — Se você não se importa, vou tomar um banho e dar o fora. Posso alugar um carro na cidade, mas talvez precise de uma carona até lá. — Ela se virou, sentindo-se mortificada por ter perdido o controle a ponto de não se lembrar de dois dias inteiros.
Mas ela não foi longe. Jason a segurou pelo braço e virou-a para si. — Você vai ficar aqui por um tempo — informou ele com expressão impassível.
— Não posso ficar. Tenho alguns compromissos — disse ela, irritada com o tom autoritário da voz dele.
— Você vai ficar — repetiu ele. — E vamos ter uma conversa séria. Depois, vou levar você para a cama e vamos trepar até que não consiga pensar em nada além de mim. Acho que ignoramos a atração que sentimos um pelo outro por tempo demais.
Hope o encarou atônita. — Eu vou embora e não vou fazer sexo com você. — Ela bufou. — Estou... noiva.
— É outra coisa sobre a qual precisamos conversar. Em breve —
disse Jason em tom ameaçador.
— Não há nada sobre o que conversar — respondeu ela na defensiva.
Preciso me afastar dele. Agora.
Ele a segurou pelos ombros. — Exatamente quanto do tempo que passamos juntos em Vegas você se lembra?
O que isso importava agora? Obviamente, ela ficara bêbada o suficiente para não se lembrar da viagem de volta ao Colorado e da recuperação da ressaca. — Eu me lembro de ver você. Lembro que saímos para tomar alguns drinques. Mas não lembro de muita coisa depois disso — admitiu ela exasperada.
— Então você se esqueceu de muita coisa — informou Jason. —
Não haverá outros homens. Você não está noiva de ninguém. Você já está casada. Comigo — terminou ele em tom feroz. Jason pegou a mão esquerda de Hope, entrelaçando os dedos nos dela, e colocou-a contra o peito.
Hope soltou uma exclamação quando seu olhar pousou sobre as mãos entrelaçadas. O brilho do diamante em seu dedo parecia zombeteiro. Jason tinha uma aliança de ouro na mão esquerda e ela tinha um anel de diamante exótico. Obviamente, estivera muito mal para não tê-lo percebido antes. — Não. — Ela balançou a cabeça horrorizada.
— Sim — retrucou Jason. — Estamos casados, Hope.
— Não posso estar casada com você. Eu não teria esquecido do meu próprio casamento. — Impossível!
Ele soltou a mão dela. Sem dizer uma palavra, colocou a mão no bolso e tirou uma folha de papel, entregando-a a ela.
Hope a desdobrou freneticamente, olhando para a certidão de casamento como se fosse uma sentença de morte. Ela leu o documento e parou na assinatura na parte inferior. Estava trêmula, mas o nome assinado era o dela, que optara por usar o sobrenome de Jason como nome de casada. — Ai, meu Deus. Isto não pode ser real —
resmungou ela.
— É muito real. Aconteceu, Hope. O casamento está registrado no cartório em Vegas — respondeu Jason friamente.
— Nós trocamos votos?
— Pelo jeito, sim — resmungou ele.
A cabeça de Hope girou, com o corpo praticamente imóvel por causa do choque, ao olhar para a expressão fria de Jason. Os olhos dele encontraram os seus. — Você também estava bêbado? — Era a única explicação. Os dois estavam fora de controle. — É tudo um grande erro. Podemos anular o casamento. Podemos dizer que nenhum dos dois estava sóbrio o suficiente — disse ela, com a respiração acelerada.
— Vou negar — respondeu Jason. — Agora que você está aqui, temos alguns negócios inacabados para resolver.
Hope afastou os olhos de Jason e foi até a cozinha. Ela largou a certidão de casamento sobre o balcão e usou a superfície de pedra sólida para se apoiar. Precisava entender o que estava acontecendo e colocar uma certa distância entre ela e Jason.
Como diabos eu me deixei virar Hope Sutherland? Não importa o quanto bebi.
— Por que você negaria? — Ela o encarou novamente. — Isso obviamente foi algo que aconteceu por engano. Precisamos corrigir.
Ele avançou na direção dela com uma graça selvagem que a lembrou de um leão. Ele colocou as mãos sobre o balcão, prendendo-a com os braços fortes. — Você sabe que quero trepar com você, Hope.
Acho que deixei isso bem claro na última vez em que estivemos juntos. Mas, acima de tudo, não quero que você se case com um homem que a deixará infeliz. Podemos trepar até estarmos satisfeitos e, só depois disso, anularemos este casamento.
— Tudo isto, um casamento falso, só para dar uma trepada? —
Hope olhou para ele, atônita e magoada com o comportamento atípico dele. Ela não conseguiu ver nada nos olhos dele além de uma determinação calculada, o que a deixou enfurecida... mas também quente por dentro. Aquele não era o Jason que ela conhecia. Era uma parte dele inteiramente diferente que nunca vira. Prazer em conhecer você, seu escroto. Agora, onde está o verdadeiro Jason Sutherland?
— Você não pode me obrigar a ficar.
— Acha que não? — perguntou ele. — E se eu contar aos seus irmãos que você mentiu para todos nós por um longo tempo? Como acha que eles se sentirão?
Jason sabia. — Você não faria isso. Eles ficariam magoados — exclamou Hope. Ela ficou imaginando o quanto ele descobrira.
Obviamente, descobrira sobre a carreira dela depois de ver o portfólio.
Merda!
— Então, por que fez isso, Hope? Por quê? Como acha que sua família se sentiria se alguma coisa tivesse acontecido com você, sem que eles nem soubessem de sua carreira? E se você simplesmente desaparecesse em algum desastre natural e eles ficassem sem saber o que aconteceu? Isso os mataria — respondeu Jason com voz furiosa.
— Eu sei, com certeza, que isso me assombraria para o resto da vida.
— Não entendo por que isso afetaria você. Nem por que isso é da sua conta. Não somos mais amigos. Tivemos um... encontro no fim do ano passado, mas foi só isso. Eu cresci há muito tempo. Não preciso de sua proteção — bufou ela, empurrando o peito dele com força. Ele podia estar com raiva, mas ela não gostou da tentativa de chantagem.
Entretanto, não podia deixar que ele contasse aos seus irmãos.
Eles ficariam arrasados por ela não ter dividido sua vida real, mas era impossível fazer isso. Eles a seguiriam constantemente se achassem que estava em perigo, colocariam a segurança dela à frente da raiva. Ela não conseguiria trabalhar daquele jeito. Infelizmente, também descobririam que ela mentira. E Hope amava os irmãos acima de qualquer outra coisa. Mentir para eles colocara uma distância entre ela e os irmãos que fazia com que seu coração doesse. Mas ela não vira outra forma. Depois da infância difícil, ela precisara ser livre para perseguir a própria carreira, como Dante fizera ao se tornar um investigador de homicídios. No entanto, sendo a mais nova e a única mulher, os irmãos tinham aperfeiçoado a rotina de proteção em relação a ela. Todos tinham dinheiro suficiente para vigiá-la constantemente e ela nunca conseguira aceitar isso.
— Agora é da minha conta, Pesseguinho — retrucou ele, envolvendo o rosto dela com as mãos ao aproximar a boca.
Pesseguinho? Ele não a chamava daquele jeito desde que ela era criança, quando dissera que o brilho alaranjado de seus cabelos
lembravam pêssegos maduros. Ela não se importara muito quando era mais jovem e precisara do incentivo ao ego. Ele lhe dissera que pêssegos maduros eram uma coisa boa e que seus cabelos eram muito diferentes. Agora, o apelido de infância era uma zombaria, em vez do conforto que fora anteriormente.
— Não me chame assim... — As palavras dela foram interrompidas quando a boca de Jason tomou a sua. O abraço foi exigente e furioso, quase fazendo com que ela capitulasse. Hope sentiu o perfume masculino, já familiar. Ele tinha gosto de menta, café e desejo carnal. A língua invadiu sua boca, exigindo que o aceitasse.
Não ceda. Ele está sendo agressivo. Não ceda.
Os mamilos traiçoeiros enrijeceram contra o peito dele e o desejo que Hope sentiu subitamente foi mais forte do que a vontade de resistir. Ela enterrou os dedos nos cabelos dele e puxou-o com mais força. As bocas se fundiram e ele a invadiu com cada movimento da língua, encontrando uma resposta similar.
O desejo de Hope aumentou e ela gemeu, querendo o máximo que pudesse conseguir. Ela o queria, queria aquilo havia muito tempo.
Mas não poderia dar a Jason o que ele queria, mesmo se o deixasse ser um grosseirão dominador, o que não pretendia. Ainda assim, o corpo dela o queria, mas o que realmente necessitava era uma impossibilidade frustrante.
Eles interromperam o beijo, respirando pesadamente. — Deixe para lá, Jason — disse ela firmemente, empurrando-o pelos ombros. —
Deixe para lá.
Ela se contorceu para sair do abraço dele e jurou tê-lo ouvido sussurrar “ nunca”. — Vou tomar um banho e depois vou embora.
— Tome um banho — resmungou ele. — Depois, vamos comer enquanto me explica exatamente por que achou que era necessário mentir para todos que se importam com você. Minha ameaça não foi vazia, Hope — advertiu ele.
— Vou odiar você para sempre por causa disso — retrucou ela, furiosa consigo mesma por ainda se sentir tão incontrolavelmente atraída por ele, mesmo agindo como um escroto. — Qual é o seu
problema? O que aconteceu com o Jason que me salvava dos escrotos, em vez de ser um deles?
— Ele cresceu e virou um escroto — respondeu ele devagar com uma expressão glacial nos olhos azuis. — Pode me odiar, se isso faz com que se sinta melhor, mas não vou deixar que saia daqui até que eu consiga o que quero.
Imbecil!
Odiar Jason ficava mais fácil a cada palavra que ele proferia. Ela andou até ele e ergueu a mão, sem pensar em mais nada além de arrancar aquele olhar do rosto dele.
Paf!
A satisfação que sentiu quando a mão bateu na expressão gelada dele foi maior do que a dor na palma da mão. Como ele ousava extorqui-la só para conseguir uma trepada?
A expressão de choque no rosto dele foi incrível. A raiva de Hope continuou crescendo quando ele agarrou seu pulso para evitar levar outro tapa.
Na verdade, ela não estava só furiosa. Estava desgostosa e ficou imaginando o que acontecera com o Jason de quem gostava. Aquele era um homem inteiramente diferente e seu coração ficou apertado ao perceber que perdera o homem que sempre mantivera seus segredos sem pedir nada em troca.
— Acho que isso significa que você decidiu me desprezar. —
Ele ergueu a mão para o rosto vermelho. — Mas não importa.
Por um momento, Hope achou ter visto um olhar triste e magoado nos olhos gelados... mas, em um instante, aquilo desapareceu.
— Não sei como espera que eu sinta alguma outra coisa. —
Hope puxou o braço que ele segurava. — Admito que fiquei bêbada, o que normalmente não deixo acontecer. Admito... que não fui exatamente honesta sobre a carreira que escolhi. Mas isso é problema meu. Sou adulta. O que decido contar ou não às pessoas não é da sua conta. Não sou nada para você. E você é só um velho amigo de infância para mim. — Mentirosa! O coração acelerado de Hope estava
cheio de pesar e doía pelo homem que ela queria tanto, aquele que era tão diferente do Jason que via naquele momento.
— Você está muito longe de ser nada para mim. E pode negar o quanto quiser, mas seu corpo me deseja, apesar de você me odiar —
retrucou ele. — Você está casada comigo. Evidentemente, eu não a forcei a isso. Também tenho um anel do meu dedo e ninguém me forçou a nada. Só estou pedindo algum tempo.
— Você está me pedindo para ser sua puta para que não conte a verdade aos meus irmãos. Você não está pedindo tempo, Jason. Está pedindo uma prostituta que foi chantageada — respondeu ela furiosa.
— Estou pedindo tempo. O sexo é só uma consequência. Minha nossa, você não consegue sentir a tensão sexual entre nós? —
Frustrado, ele passou a mão pelos cabelos. — E. Você. Não. É.
Minha. Puta. — A voz dele estava cheia de fúria quando ele disse as palavras pausadamente. — Você é minha esposa.
— Não por muito tempo — jurou ela ainda chateada, mas também confusa. Jason parecia afrontado pela descrição que ela fizera do arranjo e aquilo não fazia sentido. Não era exatamente o que ele estava pedindo? — E o sexo não é uma consequência. É impossível.
Incapaz de ouvir mais uma palavra sem que o coração fosse arrancado do peito, ela saiu da cozinha, praticamente correndo na direção do quarto. Ela trancou a porta e pegou algumas roupas da mala, surpresa ao encontrar mais calças jeans, bermudas e outras roupas em um saco grande, coisas que estavam anteriormente em seu apartamento. Alguém tinha entrado em sua casa, o que lhe deixou assustada. Quem levara Daisy para lá também levara mais roupas.
Hope estremeceu de indignação. Ela pegou uma calça jeans limpa e uma camiseta, foi para o banheiro e fechou a porta rapidamente, trancando-a antes que as lágrimas começassem a escorrer.
Jason pegou a chave do carro alugado, sentindo o coração pesado.
Hope acabaria odiando-o. Com isso, seriam duas pessoas na casa que o odiavam, pois ele também se odiava no momento.
Ele não mentira, exatamente. Apenas deixara que ela pensasse que ele não estivera coerente quando se casaram, concordando com as suposições de Hope. Ela ficara furiosa o suficiente por ele tê-la forçado a ficar. Ele não conseguia imaginar a fúria dela quando descobrisse que, além de estar totalmente sóbrio, orquestrara tudo desde o início e fizera com que o casamento acontecesse.
Jason precisara lembrar a si mesmo que ela mentira, que não era a mulher que ele achava que era. Além disso, se ele não fizesse algo agora, ela seria infeliz com um idiota para o resto da vida. Isso fizera com que ele conseguisse ser um escroto sem coração.
Ainda assim, por baixo da raiva, Jason viu o quanto ela ficara desapontada, o que fora horrível.
Ele colocou a mão no rosto vermelho, que ainda ardia, e sorriu.
A dor o lembrou de que Hope podia se cuidar sozinha quando estava furiosa. Ele podia lidar com isso. Era muito melhor do que o olhar desiludido que ela lhe lançara, uma expressão que dizia que não confiava mais nele.
Jason tentou não deixar que aquele olhar o assombrasse ao sair pela porta e trancá-la atrás de si.
N ão posso me esconder no banheiro para sempre.
Sentindo-se muito melhor depois do banho, Hope não se preocupou em aplicar maquiagem nem em secar os cabelos. Ainda se sentia um pouco letárgica por causa da ressaca e não queria enfrentar Jason novamente no momento.
Preciso achar uma forma de impedi-lo de falar com os meus irmãos. No passado, ele conseguia manter segredo. E agora?
Ela não gostou de ceder às exigências dele, mas já sabia que não fariam sexo. Ainda poderia confiar nele se desse a Jason um tempo sem que ele conseguisse o que queria? Tinha fé suficiente para acreditar que ele não a entregaria para os irmãos ou para outra pessoa? O problema era que aquele era um Jason diferente do jovem que ela conhecera quando criança. Ele não era parecido nem mesmo com o homem que virara seu mundo de cabeça para baixo alguns meses antes com uma intimidade da qual ela sentia muita falta.
Então quem diabos é o verdadeiro Jason Sutherland? E como acabei casada com ele?
Como ela deixara aquilo acontecer? Sua burra, o que tinha na cabeça? O problema era que, obviamente, não tivera nada na cabeça.
Estivera gravemente prejudicada pelo excesso de álcool. O encontro acidental com Jason em Las Vegas a deixara desequilibrada. Ela não se lembrava de muitas coisas depois que ele a levara para o bar do hotel para tomar um drinque, mas lembrava-se do medo de que Jason descobrisse seus segredos. Fora por isso que bebera mais de um copo, muitos deles, para relaxar.
Por algum motivo, era difícil imaginar Jason tão bêbado a ponto de se casar com ela, mas obviamente isso acontecera. Ele era um homem que gostava de controle e era difícil imaginá-lo desistindo disso e casando-se com ela.
Ela olhou para o diamante brilhante na mão esquerda. A pedra grande tinha um brilho zombeteiro. O anel era lindo pela simplicidade, com um único diamante e nós célticos delicados gravados em toda a volta, mas ela sabia que fora uma joia cara. — Preciso acabar com isso
— sussurrou ela para si mesma, abaixando a mão. Não importava como aquele casamento acontecera. O que importava era a velocidade com que ela conseguiria dissolvê-lo e fazer com que Jason não revelasse suas mentiras aos irmãos. Ela precisava voltar a cuidar da própria vida, mesmo que Jason não aprovasse.
Por que Jason se importava? Obviamente, queria dormir com ela. Mas que homem, especialmente um bilionário que podia ter qualquer mulher que quisesse, se casaria com uma mulher como ela, mesmo se estivesse com o cérebro temporariamente incapacitado?
Sinceramente, ela não conseguia entender por que ele a ameaçava só para que passassem um tempo juntos. Jason tinha praticamente todas as mulheres a seus pés. Por que queria continuar com aquele erro só para tentar fazer sexo com ela? Não adiantaria, pois ela não deixaria que acontecesse.
Mas que homem arrogante e metido!
Talvez ele estivesse magoado e com raiva porque descobrira que ela era uma mentirosa, apesar de Hope não saber bem o motivo. As mentiras dela não tinham afetado a vida dele em nada, apesar de Jason ser amigo de seus irmãos. Talvez ele estivesse irritado porque ela mentira para os irmãos e, se estivesse defendendo os amigos, era algo
justificado. Sinceramente, ela provavelmente sempre soubera que um dia ficaria em apuros por causa das mentiras. Ela só não soubera que isso aconteceria daquele jeito. Se havia uma pessoa para quem não queria dever nada, era Jason.
Ele nunca entenderá.
Era ainda menos provável que o homem inflexível com quem discutira mais cedo conseguisse compreender exatamente por que ela precisara fazer o que fizera. Algumas vezes, nem ela mesma tinha certeza de que conseguia compreender.
— Acabe com isso, Hope — disse ela em tom firme. Em seguida, abriu a porta do banheiro e forçou-se a voltar para a sala de estar.
Jason acabara de entrar pela porta com os braços cheios de sacos de papel branco. — Jantar — comentou ele casualmente. — Não sei cozinhar direito.
Hope pegou alguns dos sacos e colocou-os sobre a mesa da cozinha. — Está com fome? — Ela olhou para a quantidade imensa de comida, esquecendo-se momentaneamente da raiva.
— Faminto — admitiu ele com um sorriso. — Acho que pedi comida demais.
O sorriso dele a desarmou. A expressão foi tão parecida com o antigo Jason que o coração dela deu um salto. Ela mordeu o lábio inferior em concentração ao tentar entendê-lo, julgar se conseguiriam ou não conversar sobre o assunto sem que ficassem com raiva.
Em relação à quantidade de comida que ele comprara, ela tinha que admitir que fora um exagero. Hope pegou os pratos no armário e desembalou hambúrgueres imensos, batatas fritas, cogumelos fritos e ostras.
Logo depois, os dois se sentaram e comeram em silêncio, concentrados na comida. Agora que o estômago assentara, Hope estava com muita fome e não queria dizer nada para não trazer de volta o Jason gelado com quem discutira mais cedo. Ele parecia mais relaxado e acessível. Ela pegou uma ostra e colocou-a na boca, quase gemendo
enquanto mastigava. Depois de tomar um gole do refrigerante, ela disse: — Fantástica.
Depois que terminou de comer o segundo hambúrguer, Jason pegou uma das ostras. — O dono do lugar me disse que elas são uma especialidade do restaurante. — Ele comeu a ostra e pegou uma segunda. — Estão deliciosas. Sei que não são ostras de verdade. O
gosto é parecido com o de frango. O que é? — Ele colocou a segunda na boca e lançou um olhar questionador a ela.
Maldosamente, Hope esperou até que ele estivesse mastigando antes de responder. — Testículos de boi. São muito gostosos quando preparados da forma adequada. Não há nada melhor do que mastigar testículos fritos frescos — disse ela em tom zombeteiro ao pegar outra ostra e colocá-la na boca com um olhar inocente.
Vitória!
Hope reprimiu um sorriso quando Jason quase engasgou. Ele tomou vários goles do refrigerante para empurrar a ostra para dentro, estreitando os olhos com aversão. — Que nojo — resmungou ele. —
Por que você não me avisou?
Ela deu de ombros, sem se abalar, mas tivera certeza de que ele teria aquela reação. Qualquer um dos irmãos dela teria reagido exatamente da mesma forma. — Você é um homem bem viajado. Não experimenta a cozinha local quando viaja? Ou só está com pena do boi?
O olhar de nojo no rosto dele foi impagável e Hope ficou com pena de não estar com a câmera nas mãos. Obviamente, apesar de ele estar disposto a comer praticamente qualquer coisa, ela imaginou que testículos de boi estavam fora da lista. Ela morara no Colorado por tempo suficiente para se acostumar com a especialidade incomum do lugar. Ela não mentira quando lhe dissera que era um prato muito bom quando preparado adequadamente. E as ostras que ele escolhera eram incrivelmente gostosas... para quem gostava de testículos de boi.
— Eu comi todo tipo de cozinha local, mas há algo muito errado em comer... — Ele fez uma careta para as ostras. — Isso.
Hope caiu na gargalhada, quase engasgando ao ver um lado engraçado de Jason que nunca vira. Ele parecia um garotinho que não queria comer as ervilhas, o que a fez muito querer buscar a câmera. Ela não sabia se veria aquela expressão novamente e queria capturá-la.
Jason Sutherland, o bilionário belo e confiante, parecia uma criança rebelde.
Ele empurrou o que sobrara na direção dela. — Não tem graça.
Algumas coisas são pessoais demais para comer.
Hope riu. — Aposto como eram pessoais para o boi também.
Você está realmente com pena dele. Imagino que não venha para o Colorado com frequência.
— Raramente. E nunca me ofereceram... isso.
Ele nem mesmo conseguia dizer o nome da comida, o que deixou Hope extremamente divertida. — Por que tenho a sensação de que meus irmãos reagiriam da mesma forma? — Hope sorriu.
Obviamente, homens com excesso de testosterona tinham um problema sério para comer testículos.
— Com certeza — concordou Jason com uma careta. — Tenho vontade de mandar um pouco para Grady sem dizer exatamente o que é.
— Admita, se você não soubesse o que estava comendo, teria gostado. É um prato muito gostoso. — Hope o pressionou a confessar que a especialidade local era realmente gostosa. — Fica ainda melhor com um molho picante, mas eles não lhe deram o molho.
— Mas eu sei o que é. E não acredito que você tenha coragem de comê-los com molho. — Jason lançou a ela um olhar infeliz. — E
você não me avisou de propósito — terminou ele em tom acusador.
Ela esperara intencionalmente que ele comesse um pouco, quisera ver a reação dele. Isso dera a ela um prazer maior do que esperara. — Talvez eu estivesse querendo dar o troco por você ter me ameaçado e por ter sido um idiota mais cedo. Ficarmos casados por mais tempo do que o necessário só prolonga um erro idiota.
A expressão dele ficou sombria. — Você queria o casamento, Hope. Eu certamente não a forcei a nada.
Claro que não. Obviamente, ela aceitara a ideia muito bem. Não existiam mais casamentos sob a mira de uma arma e ela certamente estivera disposta a se casar, provavelmente porque sempre quisera Jason desesperadamente. Com certeza, todas suas inibições tinham desaparecido e ela concordara prontamente. — Fico imaginando se fui eu quem pedi a você que se casasse comigo. — Ela queria muito saber exatamente o que acontecera.
— Talvez tenha sido uma decisão mútua — disse Jason casualmente ao se levantar e jogar as caixas de papel no lixo. Em seguida, ele pegou uma barra de chocolate, tirou a embalagem e consumiu metade dela em uma mordida.
Não era algo muito romântico, mas era bem possível que ela o tivesse pedido em casamento. Sem as defesas normais, talvez até mesmo tivesse implorado. A ideia fez com que corasse, deixando o rosto vermelho e quente.
Ela tentou não pensar no tempo que passaram juntos em Vegas e levantou-se para ajudar Jason a limpar a mesa. — E como você acha que conseguimos as alianças?
— Imagino que nós as compramos como qualquer outro casal — respondeu ele. A embalagem do chocolate foi para lixo, pois ele acabara de comer o doce inteiro. — Gostou do que compramos? — A voz dele foi casual, mas ela percebeu uma nota de indecisão, uma ligeira hesitação.
Hope suspirou. — São lindas. Pena que não vamos usá-las por muito tempo. — Ela girou o anel no dedo e começou a tirá-lo.
— Deixe — exigiu Jason ao se virar. — Por enquanto —
acrescentou ele baixinho.
Hope deixou a aliança no dedo. Que diferença fazia? Em algum momento, ela a tiraria, apesar de achar estranho que Jason ainda estivesse usando a dele, sem querer que Hope tirasse a dela.
— O que tínhamos na cabeça? — Ela continuou brincando com a aliança nervosamente. Não estava acostumada a fazer loucuras por impulso e tinha certeza de que Jason também não. Ele era o tipo de
homem que pesava tudo, considerava todos os prós e contras. Ele não se tornara bilionário sem saber usar a cabeça.
Ele a encurralou em frente à mesa da cozinha, colocou as mãos nos dois lados dela e encarou-a com olhos azuis turbulentos que fizeram com que Hope estremecesse.
— Tenho certeza de que a cabeça acima do pescoço não estava pensando. Meu pênis provavelmente contemplou feliz as consequências e assumiu o controle. — Ele se inclinou para a frente até que ela sentisse o hálito quente contra os lábios. — Talvez eu não quisesse ver você casada com outro homem.
Ele capturou os lábios dela de forma tão ardente que Hope sentiu as entranhas se contraírem. O beijo foi possessivo. Selvagem.
Devorador. Ela não teve forças para resistir ao abraço dele. Colocando os braços em volta do pescoço de Jason, ela soltou um gritinho quando ele colocou as mãos em suas nádegas e puxou-a para que ficasse sobre a mesa, sem afastar os lábios por um segundo. O gosto dele era do chocolate decadente que acabara de consumir. Segurando-a pelos quadris, ele a puxou contra o pênis rígido, fazendo com que sentisse como o deixava excitado.
Por um momento, o coração de Hope deu um salto em satisfação. Ela imediatamente passou as pernas em volta da cintura dele para senti-lo ainda mais perto.
Jason.
Ela suspirou e o corpo ficou em chamas quando Jason a beijou de forma muito intensa, como se precisasse de sua boca mais do que qualquer outra coisa.
Jason.
Ela apertou as pernas em volta dele, precisando dele com tanto desespero que sentiu o sexo cheio de um calor líquido e os mamilos rígidos.
Jason.
Ela afastou a boca, inclinou a cabeça para trás e gemeu. Lágrimas de frustração escorreram pelo seu rosto.
Não consigo fazer isto.
— Hope? — Jason colocou a mão na nuca dela e forçou-a a encará-lo. — Qual é o problema? Por que está chorando?
Hope olhou para os olhos dele, cheios de paixão, e sentiu-se incapaz de explicar. O Jason escroto desaparecera e o homem doce que ela conhecia lentamente voltou. Infelizmente, as várias personalidades dele deixavam as coisas ainda mais confusas. Ela queria confessar tudo para o velho amigo, o homem que lhe dera um prazer tão exótico no começo do ano. O homem que tentara chantageá-la para que ficasse com ele... Hope não queria nada com aquele homem. O problema era que, bem no fundo, ela sabia que aquele não era o verdadeiro Jason.
Talvez fosse parte dele, mas não tudo.
— Tudo está errado — murmurou ela. Parecia que o mundo inteiro subitamente desabara à sua volta. Ela empurrou o peito dele. —
Isto está errado. Nunca deveríamos ter nos casado, Jason. Não consigo imaginar nenhum de nós dois agindo daquele jeito, mas aconteceu. —
Não era culpa totalmente de Jason. Certamente, ele estava se aproveitando da situação agora, mas ela ficara bêbada e, pelo jeito, agarrara com unhas e dentes a chance de ter o homem que desejara por um tempo tão incrivelmente longo. Mas as próprias mentiras a alcançaram com vingança. — Não acredito que você tenha feito isto apenas por motivos egoístas. Não se estivesse preocupado por eu me casar com o homem errado. Talvez uma parte racional de você estivesse tentando me salvar.
Jason ergueu a sobrancelha. — Não tente me transformar em um herói, Hope. Tenho certeza de que foi algo totalmente egoísta. E minha exigência para que você ficasse é certamente hedonística.
— Então, foi uma perda de tempo — retrucou Hope duramente.
Ela foi para a sala de estar com Jason logo atrás.
— Não acho que você entenda como eu a quero — disse Jason.
Ele passou um braço em volta da cintura dela e puxou-a para o sofá. —
Vamos ouvir sobre seus motivos para mentir, para começo de conversa. Fale comigo.
Hope caiu sobre o colo dele, mas afastou-se rapidamente e sentou-se na outra ponta do sofá. Ela não podia ficar perto dele naquele
momento. Precisava falar um pouco sobre sua vida e arriscar com Jason, mesmo que ainda estivesse furiosa com as táticas dele para tentar fazer com que ficasse lá. Ela limpou as lágrimas do rosto. —
Você sabe sobre minha carreira de fotógrafa?
— Obviamente — retrucou Jason. — É difícil não ver um portfólio cheio de fotografias. Também ficou claro que você não queria que ninguém a associasse com a família bilionária Sinclair, motivo pelo qual usou suas iniciais. O que não entendo é por que nunca contou nada para ninguém.
Hope viu uma sombra de mágoa nos olhos de Jason. — Acha que meus irmãos teriam me dado apoio? — Ela fez uma careta. —
Amo meus irmãos, com todo o coração, mas eles teriam feito todo o possível para me impedir de fazer algo que eu queria fazer. Você sabe disso. Pelo amor de Deus, eles queriam que eu tivesse um segurança o tempo inteiro enquanto estava na universidade. A única forma de convencê-los a desistir da ideia foi dizendo a eles que ninguém me associava com os Sinclairs de Boston e que eu nunca contaria a ninguém. Depois da universidade, tive que fazer com que pensassem que eu tinha uma vida muito quieta e anônima. Caso contrário, teriam colocado vários seguranças à minha volta, quisesse eu ou não.
— Por que precisa ser climas extremos? — resmungou Jason.
Ele não podia discordar do que ela dissera sobre os irmãos.
Hope deu de ombros. — Começou como uma paixão. Sempre adorei tempestades: os trovões, os raios e o poder da mãe Natureza. As tempestades são brutalmente belas e fascinantes porque ainda há muito que não entendemos sobre o clima extremo. Talvez tenha sido o mistério que me intrigou no início. Comecei logo depois da faculdade como freelancer. A maioria das fotos era de raios e tempestades. Os jornais e outras empresas começaram a comprá-las, querendo mais. Eu me envolvi gradualmente, percebendo que fotografava o que era mais desejado. Depois de algum tempo, não esperei mais que as tempestades viessem até mim. Comecei a ir atrás delas.
— Então, quando a maioria das pessoas sãs estava fugindo, você estava correndo em direção às tempestades? — resmungou Jason,
ainda parecendo chateado.
Hope assentiu. — Sim. Sempre tomei o maior cuidado possível. Os tornados são imprevisíveis, mas David e eu sempre fomos cuidadosos. No começo, eu não tinha tanto cuidado. Era ingênua demais e estava empolgada demais com a liberdade. Depois de crescer sob o punho de ferro de um alcoólatra descontrolado e deixada sob o jugo de uma mãe que me culpava por não poder ir embora para se esquecer do passado, aprendi a apreciar a liberdade.
— Sua mãe culpou você? — perguntou Jason com raiva.
— Todos os dias. Minha mãe me dizia constantemente que, se eu não existisse, ela seria livre. O dia mais feliz a minha vida foi quando terminei o segundo grau. Finalmente pude parar de me sentir culpada simplesmente por existir. — Ela acariciou Daisy, que saltara para o seu colo.
Jason acenou com a cabeça na direção da gata. — O mesmo dia em que você ganhou uma gata surda como presente de formatura.
— Eu nunca me arrependi de ter ficado com ela — disse Hope com sinceridade. — Ela me dá um amor incondicional. É uma excelente companhia, Jason. Ela vai comigo sempre que posso levá-la e adapta-se a qualquer ambiente, o que é estranho para um gato. —
Hope não quis dizer a Jason que adorava Daisy ainda mais porque ele lhe dera a gata.
— Como nenhum de nós descobriu isso? Por que nenhum de nós sabia que você era fotógrafa? Como seus irmãos nunca descobriram? — perguntou Jason desgostoso.
— Porque eu não queria que ninguém soubesse. Eu queria a liberdade. Eles acreditaram que eu tinha uma vida pacata em Aspen, viajando de vez em quando com amigos. Era nisso que eu queria que eles acreditassem.
— Você sabe que o que está fazendo é loucura, não sabe? Está arriscando sua vida para tirar fotografias.
— A vida é minha para arriscar — retrucou Hope. — E não acho que seja loucura. É o meu trabalho.
— Eu vi as fotografias, Hope. A destruição e a perda de vidas deve ter algum efeito em você. — Ele a encarou de forma penetrante.
Aquela era a parte mais difícil, a parte do trabalho que devorava sua alma. — É horrível — admitiu ela. — Ajudo quando posso. Fiz treinamento de primeiros socorros e resgatista. Mas sim... é difícil. —
Ela engoliu em seco, sentindo um nó na garganta. — Climas extremos acontecerão, esteja eu lá ou não, e as vítimas sofrerão horrivelmente.
Tive que aceitar e tentar ajudar.
— O que você estava fazendo em Vegas? Para mim está claro agora que você não estava lá para uma despedida de solteira, como me disse quando nos encontramos. Você teria se preocupado em falar com quem estava lá. Não havia nada nem ninguém em seu quarto, exceto as suas coisas. — Jason a encarou como se estivesse convencendo-a mentalmente a dizer a verdade.
— Eu estava lá para uma conferência. Fui convidada a dar uma palestra sobre fotografia de clima extremo. Era por isso que meu portfólio estava comigo. — Ela sentiu um peso no peito ao revelar mais algumas mentiras. — A festa pareceu uma boa desculpa quando eu disse a Grady que iria para Vegas. Eu estava cansada naquele dia, tinha acabado de voltar de Oklahoma Estava exausta e não estava pensando claramente.
Jason ergueu as sobrancelhas. — Ah, sim. O cara em algumas de suas fotografias. Onde ele entra?
— David — disse ela com voz embargada. — Ele era meteorologista de climas extremos. Frequentamos a universidade juntos. Ele morava em Oklahoma e perseguíamos tornados juntos.
Aprendi muito com ele. — Hope não conseguiu acreditar que estava contando tudo aquilo a Jason. Mas percebeu, pela expressão teimosa no rosto dele, que ele não pararia até que ouvisse toda a verdade.
— Ele é um amigo íntimo? — perguntou Jason com voz rouca.
— Provavelmente era meu melhor amigo. — Hope observou o rosto de Jason.
— Amigo com benefícios? — perguntou ele em tom rabugento.
Hope soltou uma exclamação de surpresa. Ele estava mesmo com... ciúmes? — Não. David não gostava de mulheres desse jeito.
— Ele é gay? — Jason pareceu aliviado.
Hope assentiu ao responder: — Ele era gay. Ele... morreu. —
Ela odiou aquelas palavras, odiou se referir a David no passado. Ainda não conseguira aceitar o fato de que seu melhor amigo, seu único amigo, se fora.
— Quando? Como? — perguntou Jason em tom gentil.
— Há quase duas semanas. Eu estava voltando do funeral dele e visitando sua família quando Grady me telefonou. Eu estava ao lado dos pais dele. Estava física e emocionalmente exausta, Jason, eu. Não fazia ideia do que estava dizendo a Grady.
— Lamento que tenha perdido seu amigo, Pesseguinho — disse ele com sinceridade. — O que aconteceu?
O coração de Hope ainda doía com a perda de David, mas ela respondeu com voz trêmula: — Não sabemos de todos os detalhes. Ele perseguia um tornado grande, relativamente perto de sua cidade natal.
Testemunhas dizem que o tornado subitamente mudou de direção, colocando David diretamente em seu caminho. Eu estava aqui no Colorado, tentando preparar a palestra de Vegas, e ele estava sozinho.
Ele não tinha para onde ir, não tinha onde se esconder. A caminhonete dele foi jogada longe. Não sobrou muita coisa. — As lágrimas escorreram pelo rosto dela. — Ainda não consigo acreditar que ele morreu.
— Nossa, Hope. Você poderia ter estado naquela caminhonete.
— A voz de Jason tremeu de medo. — Eu ouvi falar do incidente. Não tinha ideia de que era alguém que você conhecia. É um dos motivos pelos quais eu morro de medo de saber que você persegue tornados.
Pessoas com décadas de experiência e muito conhecimento ainda podem morrer.
Hope assentiu. Não tinha como discutir aquilo. Os tornados eram as tempestades mais imprevisíveis. Mesmo com precauções, não havia garantias, pois não era possível prever completamente seu caminho. — Eu sei. David era bom, muito cuidadoso, e ainda assim
morreu. Ele era apaixonado pela pesquisa sobre tornados. Não fazia isso pela adrenalina. Estava tentando salvar vidas, dar às pessoas no caminho de um tornado um aviso com mais antecedência. — David fora um dos homens com mais compaixão que ela conhecera.
Jason se aproximou e puxou-a para o colo, acariciando-lhe as costas e os cabelos enquanto ela chorava. — Eu sei, querida. Eu sinto muito. Prometa que não vai mais perseguir tornados — disse ele ao enterrar o rosto nos cabelos dela. — Por favor.
O tom de súplica na voz dele a deixou abalada. Ela soluçou e agarrou-se a Jason, passando os braços em volta do pescoço dele. —
Não posso mais fazer isso. Não sem David. Éramos uma equipe e era ele quem tinha todo o conhecimento. Quando conseguia alguma fotografia que achava que podia ser estudada, eu a copiava e doava para pesquisa.
— Você nunca mais vai fazer isso com ninguém. Prometa, Hope, antes que eu enlouqueça — sussurrou ele, estremecendo. — Você poderia estar com ele.
— Mas eu não estava — respondeu ela com voz trêmula. — E
prometo. — Ela não aguentou ouvir o medo da voz de Jason e jurou nunca mais perseguir outro tornado. Perder David a deixara arrasada e era algo que nunca mais faria sem o amigo.
— Graças a Deus — respondeu Jason ao apertá-la com mais força.
— Eu sinto falta dele — confessou ela. — Ele me conhecia. Era o único que realmente me conhecia. — O amigo soubera de todos os seus segredos, mas falecera. O vazio em sua alma era tão profundo que ela mal conseguira pensar desde a morte dele.
— Deixe-me conhecer você de novo, Hope. Por favor —
implorou Jason com a voz cheia de emoção.
— E se você não gostar de quem sou agora? — perguntou ela hesitante. Hope estava muito tentada a confiar em Jason, a deixar que ele removesse uma parte da dor.
— Eu vou gostar. E juro que nunca vou contar nenhum dos seus segredos. Converse comigo. — Ele beijou a testa dela.
— Temos que resolver a situação deste casamento, Jason, antes que possamos ser amigos de novo — disse ela em tom suave.
— Nós vamos resolver — respondeu ele vagamente. — E não sei se conseguiremos ser apenas amigos de novo. Eu sei que não posso. Quero ser seu amante também, Hope. Quero você. E sei que você também me quer.
— O problema não é que eu não sinta desejo físico por você —
disse Hope com um suspiro. Por que negar? Por que discordar quando ele conseguia sentir sua resposta sempre que a tocava? O corpo traidor a denunciava todas as vezes. — Só não consigo fazer isso, nem física nem emocionalmente.
— O seu suposto noivo? Mentira. Você não o ama e sabe disso.
Se amasse, o seu corpo nunca responderia a mim. Eu a conheço o suficiente para saber disso, Hope.
— O problema não é James. Sou eu. Você entende agora por que eu estava fora de mim quando falei com Grady. Eu queria que ele parasse de me perturbar para ir a um evento de caridade bilionário no Colorado em que você estaria. Ele queria que eu conhece alguns caras decentes. Como se todo bilionário fosse uma maravilha — disse ela, revirando os olhos. — Por causa da minha frustração, eu disse a ele que me casaria com James e que estaria ocupada com a despedida de solteira em Vegas. Eu não deveria ter dito isso, mas estava disposta a dizer qualquer coisa para que ele me deixasse em paz. Eu só queria que ele parasse de me dar sermão e desligasse o telefone.