Bilionário Desmascarado: Jason

J. S. Scott · Capítulo 6 de 18

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Bilionário Desmascarado: Jason

Capítulo 5

— Preciso de um banho — murmurou ela. — Se não, os minerais vão deixar minha pele irritada. — Ela se levantou e rapidamente abriu as portas de um armário pequeno ao lado da piscina, jogando uma toalha para Jason e usando a outra para secar os cabelos.

Ela enrolou a toalha em volta do corpo e pegou uma garrafa de água de uma das prateleiras. Depois de beber a metade, entregou a garrafa a ele.

— Não está gelada, mas hidrata mesmo assim.

Jason bebeu rapidamente o restante da água da garrafa e jogou-a na lixeira. Em seguida, passou a toalha pelo corpo e enrolou-a em volta da cintura.

— Um banho é uma ótima ideia — disse Jason abruptamente.

Ele pegou a mão dela e puxou-a na direção da porta. — Vamos.

Hope quase perdeu a toalha ao ser arrastada por Jason.

 

Jason sempre se considerara um pensador, um homem que considerava calmamente as opções antes de tomar uma decisão. Raramente ele perdia o controle ou deixava a mente ficar enevoada. No entanto, Hope Sinclair... quer dizer, Hope Sutherland... fazia com que ele perdesse a cabeça, de forma lenta e completa.

Devagar, a percepção dela entrou em sua mente, mas o pênis se sentia da mesma forma como sempre: estava pronto, totalmente disposto e tão ansioso para estar dentro dela que Jason estava prestes a se descontrolar.

Ele tinha agora muitos motivos para estar furioso com ela: Hope mentira para todos? Sim!

Era uma pessoa completamente diferente do que ele imaginara?

Sim!

Era independente e teimosa? Sim e sim!

O problema era que ela ainda era Hope. Ainda era a mulher divertida, doce e generosa que sempre fora. Também era talentosa e determinada, o que admirava. Sinceramente, tinha que admitir que, se olhasse para a situação apenas passivamente, provavelmente conseguiria entender por que ela queria perseguir a carreira

anonimamente e não contar nada aos irmãos. Ela tinha razão. Eles iam querer protegê-la e certamente teriam dificultado a carreira dela por causa dos instintos protetores. O problema era que ele não via a situação toda de forma indiferente e queria impedi-la fisicamente de fazer alguma coisa arriscada de novo.

Além do mais, aquela atitude paradoxal dela sobre sexo o deixava completamente maluco.

Ela o queria.

Respondia a ele.

Olhava para ele com fogo nos olhos.

Ele conseguia fazê-la gozar de forma incrível com a boca.

Ainda assim, ele não podia trepar com ela. Mas. Que. Diabos?

Alguma coisa estava acontecendo com Hope e ele não conseguia entender exatamente o que a impedia de se livrar das inibições. Ela não era virgem, portanto, a hesitação não era causada por falta de experiência.

Dependeria dele mostrar a ela como as coisas poderiam ser incríveis entre os dois. Possivelmente, em breve, antes que o pênis explodisse por estar rígido o tempo inteiro.

Pior ainda, ele conseguia sentir a tensão dela, as necessidades que tinha e isso o deixava quase louco para fazê-la gozar, ouvi-la gemer seu nome.

Jason queria ligar o chuveiro no jato frio mais forte, mas não fez isso por estar arrastando Hope consigo. Ele deixou a toalha cair e tirou a dela, entrando sob a água quente e puxando-a.

Minha nossa! Se ele não tocasse nela em breve, perderia o juízo.

Jason observou quando ela pegou o sabão líquido e ensaboou o corpo.

Tirando o pote da mão dela, ele derramou uma quantidade generosa nas mãos e ajudou-a.

— Jason — disse ela com voz trêmula, olhando para ele assustada quando os dedos dele passaram sobre seus seios.

— Não estou tentando trepar com você, Hope. Só estou cuidando de você — disse ele. — Deixe-me fazer isso.

Hope gemeu de leve quando ele afastou as mãos dela para os lados e puxou-a de costas para um abraço. Agora ele tinha acesso completo aos belos seios. Ele os segurou, circulando os mamilos com os polegares, e ficou feliz quando eles enrijeceram sob seu toque. Em seguida, ele os beliscou de leve.

— Jason — gemeu Hope, recostando a cabeça no ombro dele.

Havia algo melhor do que ouvi-la gemer seu nome? Talvez estar dentro dela enquanto Hope gritasse seu nome ao gozar, mas ele estava satisfeito no momento.

Com o corpo dela escorregadio por causa do sabão, a mão de Jason desceu pelo abdômen suavemente. Em seguida, abriu as dobras entre as pernas dela para acariciar o clitóris. Ela gemeu no segundo em que ele encostou o dedo no feixe de nervos sensível. O corpo dela estremeceu quando ele molhou os dedos nela e voltou a acariciar o clitóris. — Você está tão molhada, tão gostosa — disse ele em seu ouvido com voz rouca. A respiração dele ficou pesada quando Jason percebeu que ela estava pronta para ele.

— Eu preciso... — A frase foi interrompida por um gemido torturado.

Naquele momento, a única coisa que Jason queria era satisfazê-la. Ela queria. Ela precisava. E ele seria o homem que lhe daria aquele prazer.

Com uma das mãos, ele continuou a acariciar os mamilos. Com a outra, ele aumentou a velocidade e a força das carícias no clitóris. Ela estremeceu. — Goze para mim, Hope.

— Não acho que eu conseguiria parar — gritou ela desesperadamente.

— Não é para parar. — Jason atormentou o corpo dela sem misericórdia. Ele estava pronto para senti-la explodir.

— Isso. Ai, meu Deus, Jason. — Ela estava ofegante. O corpo estremeceu novamente e ela desabou nos braços dele.

Minha. Ela é minha.

Enquanto ela gozava, os instintos possessivos de Jason assumiram o controle. Ele tirou a mãos dos seios dela e penetrou-a

com dois dedos, sentindo os músculos contraindo-se de forma incontrolável.

O grito horrorizado dela o levou de volta à realidade.

— Não! Pare! Não! — Hope se debateu contra ele, tentando escapar de seus braços.

Jason afastou as mãos e virou-a, segurando-a contra o peito. —

Hope. Pare. Está tudo bem, querida. O que aconteceu?

O coração dele batia com força e ele segurou-a firmemente contra si, sem conseguir soltá-la.

O que diabos estava acontecendo? Era quase como se ela estivesse possuída. Hope enterrou as unhas no peito dele e os gritos ecoaram pelo banheiro. Eram uivos de dor e terror que ele sabia que nunca esqueceria. — Hope! — chamou ele entre um grito e outro. —

Fale comigo.

Lentamente, ela se acalmou, como se estivesse saindo de um transe. — Jason? — soluçou ela.

— Sou eu, querida. Sou eu.

— Ai, meu Deus. Eu sinto muito. — Ela encostou o rosto no peito dele e chorou.

Ele continuou segurando-a, perdendo a noção do tempo. Ele correu a mão pelos cabelos molhados dela até que ela parasse de chorar.

Em seguida, ele desligou o chuveiro e saiu do cubículo. Ela ficou parada, sem dizer uma palavra, enquanto ele a secava com uma toalha.

Antes de jogar a toalha longe, ele a passou brevemente pelo próprio corpo. Em seguida, pegou Hope no colo e carregou-a para a cama.

Ela estremeceu quando ele se deitou ao seu lado. Rapidamente, Jason a puxou para perto. — Quer que eu ligue a luz? — perguntou ele, sem saber o que poderia fazer para ajudá-la. O quarto estava escuro e as cortinas estavam fechadas. Somente a luz do corredor iluminava de leve o quarto.

— Não. — Ela passou a perna sobre a dele e quase subiu nele.

— Não me deixe, Jason.

Ele soltou um suspiro tenso e segurou-a com mais força. — Não vou a lugar nenhum. Prometo.

A decisão de Jason foi tomada naquele segundo. Ele nunca iria a lugar algum se Hope precisasse dele.

Os instintos protetores tinham explodido no momento em que ele a ouvira gritar, quase fazendo com que tivesse um ataque do coração. Ele não sabia o que acontecera, mas pretendia descobrir. No momento, a única coisa que importava era a mulher que tinha nos braços. Ele precisava que ela se sentisse segura novamente.

Ele ficou acordado por muito tempo depois que ela adormeceu, tentando afastar os demônios que a assombravam. Depois que ele teve certeza de que ela dormia pacificamente em seus braços, Jason dormiu.

Hope acordou cedo na manhã seguinte. Os braços e as pernas ainda estavam entrelaçados com os de Jason. Os braços dele a seguravam como se ele a estivesse protegendo.

Ela saiu silenciosamente da cama e vestiu uma bermuda jeans e uma camiseta verde de mangas curtas. Depois de pentear os cabelos desgrenhados, ela vasculhou a maleta de maquiagem até encontrar uma presilha para conter os cachos rebeldes. Pegando um par de tênis, a Nikon e o estojo, ela saiu do quarto no momento em que o sol começava a surgir.

Jason continuou dormindo pacificamente e ela não teve que se preocupar com um confronto de manhã cedo. A noite anterior fora humilhante e ela não sabia ao certo como se explicar. Hope achara que se livrara das reações extremas, finalmente em paz com o terror que a devorara desde o incidente que acontecera mais de três anos antes.

Eu não tentei fazer sexo, exceto por aquela noite com Jason.

Talvez ela não devesse estar tentando agora. Jason conseguiria fazer com que seu corpo alçasse voo... mas somente até certo ponto.

Depois de finalmente encontrar um pouco de paz, ela não tinha certeza de que deveria fazer alguma coisa que a fizesse reviver a experiência que destruíra sua vida.

Ela calçou os tênis, mas sem meias, pois não pretendia voltar ao quarto para procurá-las, e foi para a cozinha.

Fazer ou não café?

Ela era inútil sem cafeína, mas não queria se estender. Portanto, pegou uma lata de refrigerante com cafeína na geladeira e, com um sorriso, pegou uma barra de chocolate que estava sobre o balcão.

Ele ainda é viciado em chocolate.

Ela raramente vira Jason sem algo coberto de chocolate nas mãos quando era jovem e, obviamente, aquele hábito não mudara. Por algum motivo, ela achou aquilo reconfortante. Hope sorriu ao imaginar se ele perceberia que ela roubara uma das barras. Ele sempre dividira as barras de chocolate com ela quando era mais jovem, mas era muito possessivo em relação a elas.

Ela abriu a porta silenciosamente, saiu e fechou-a devagar. Com a câmera fora do estojo, ela passou a tira em volta do pescoço e rapidamente ajustou a lente para que estivesse pronta caso encontrasse algum animal selvagem. Ao observar a área, ela decidiu seguir o que parecia um caminho bastante usado pelo bosque. Enquanto andava, ela abriu a lata de refrigerante e a barra de chocolate. A tira do estojo da câmera estava na diagonal sobre o peito para que não ficasse no caminho. Ela continuou a andar para que não sentisse frio nas pernas.

Esfriara consideravelmente durante a noite, como sempre acontecia em grandes altitudes, mas esquentaria assim que o sol subisse mais um pouco.

Não demorou para que ela terminasse de comer o chocolate e beber o refrigerante. À medida que o açúcar e a cafeína começavam a fazer efeito, ela despertou completamente.

Hope parou algumas vezes para tirar fotografias das montanhas.

O caminho estreito se abriu em um campo de vegetação baixa. Ela

ficou imóvel ao notar o riacho que atravessava o campo. O maior alce que ela já vira se alimentava preguiçosamente ao lado da água.

Movendo-se devagar, ela procurou sinais de agressão ao tirar fotografias do animal majestoso. Ela sabia que o alce a vira, mas o animal imenso a ignorou. Seu único predador natural era o lobo e o alce não pareceu muito preocupado com ela. Mesmo assim, Hope manteve distância, tirando inúmeras fotografias da criatura incrível enquanto ajustava as lentes e a câmera para diferentes ângulos.

As fotografias de paisagem e animais selvagens que tirava tinham uma demanda crescente, apesar de ela ser conhecida por fotografar climas extremos. Enquanto tirava cada fotografia com uma sensação relaxada de admiração, Hope desfrutou cada momento que passou com a criatura gloriosa até que o alce fosse embora, voltando para o bosque.

— Também há ursos por aqui algumas vezes — disse uma voz profunda atrás dela. — É um lugar popular onde a vida selvagem vem beber água.

Hope se virou rapidamente. O coração quase saiu pela boca quando ela viu um homem a poucos metros de distância. Colocando a mão no peito, ela disse ofegante: — Você me assustou.

— Desculpe. Eu não queria espantar o alce — respondeu ele com as mãos nos bolsos da calça.

Hope o encarou. O homem tinha aproximadamente a mesma idade que Jason, com cabelos loiros curtos. Ele vestia calças jeans e um pulôver de mangas compridas e, nos pés, tinha botas muito bonitas. Ele estava olhando para o chão, mas, quando ergueu o rosto, Hope ficou chocada. Ela reconheceu aquele rosto, aquele par de olhos cinzentos emoldurados por cílios grossos belos. — C-Colt?

— Olá, H. L. Sinclair — respondeu ele com um sorriso fraco.

— E nós nos encontramos novamente.

Hope estava sem voz, atônita ao encontrar o homem que só encontrara brevemente, mas que tivera um papel muito importante em sua vida. Ela não conseguia acreditar que ele estava à sua frente. Ela fechou os olhos e abriu-os novamente, mas Colt ainda estava lá.

— Como você está? — A expressão dele ficou sombria.

— Estou bem. Não consigo acreditar que você esteja aqui —

respondeu ela lentamente.

— Meu nome de verdade é Tate Colter. Eu meio que sou daqui

— respondeu ele em tom brincalhão.

— Você é Tate Colter?

— Na última vez que olhei, sim — respondeu ele. Ele estendeu os braços ao abrir outro sorriso leve que revelou uma covinha atraente na bochecha. — Venha me abraçar. Você sabe que quer fazer isso.

— Ai, meu Deus. — Hope avançou e jogou-se nos braços estendidos. — Eu nunca consegui lhe agradecer. Não vi mais você. —

As lágrimas escorreram quando ela abraçou o homem que salvara sua vida, apertando os braços em volta do pescoço dele. — Obrigada, Colt. Obrigada por tudo o que fez por mim.

Ele retribuiu o abraço, balançando-a gentilmente. — Eu só estava fazendo o meu trabalho, Hope. Nem sabia se você me reconheceria. Certamente não me reconheceu há poucos dias.

Como ela poderia não reconhecer Colt? Ele fora o salvador dela e aqueles belos olhos cinzentos eram inesquecíveis. — Eu estava muito bêbada quando chegamos — admitiu ela. — Eu o encontrei aqui? — perguntou ela confusa.

— Vim com você e Jason de volta para Rocky Springs. Eu estava com ele em Vegas. Você desmaiou antes de pousarmos e não nos encontramos antes que estivesse completamente bêbada.

— Não foi um dos meus melhores momentos — respondeu ela desgostosa. Ela se afastou para olhar para ele. — Estou tão feliz em ver você.

— A maioria das mulheres fica — respondeu ele em tom malicioso.

Hope sorriu de volta. Não conseguiu evitar. Colt... ou era Tate?... fora muito arrogante, mas ela precisara daquela segurança três anos antes, agarrara-se com todas as forças a ela na época. — Diga-me como um Colter bilionário acabou nas Forças Especiais — pediu ela curiosa.

— Sou um rebelde — respondeu ele em tom direto. —

Provavelmente aconteceu mais ou menos do mesmo jeito que uma Sinclair rica se tornou uma fotógrafa de climas extremos — brincou ele. — Meu chalé fica logo ali adiante. Quer um pouco de café?

— Com certeza — concordou ela, seguindo-o quando ele a soltou para liderar o caminho. Um silêncio confortável se fez entre eles por alguns instantes. — Acho que sou tão curioso quanto você —

comentou Tate. — Estou me perguntando como uma Sinclair muito rica acabou viajando sozinha para um país estranho sem proteção. Eu nunca a liguei aos Sinclairs. É um sobrenome um tanto comum. E eu não sabia o seu nome.

— Eu não queria que ninguém soubesse. — Ela andou com cuidado pelo caminho que subia a colina.

— Jason sabe do que aconteceu? — perguntou Tate em tom solene. — Eu a reconheci quando a vi em Vegas, mas não disse nada a ele.

Ela encarou as costas largas à sua frente. — Obrigada por não dizer nada.

No topo da colina, ele se virou e pegou-a pela mão para ajudá-la a descer algumas pedras. — Eu invadi o seu computador quando voltamos para Rocky Springs — confessou ele sem o menor remorso.

— Por quê? — Ela o encarou confusa ao parar ao lado dele.

— Porque eu podia — respondeu ele. — Você precisa comprar uma proteção melhor para o seu computador. Eu queria ver o que andou fazendo, caso não me reconhecesse. Você voltou a perseguir tempestades.

Ela sabia que deveria estar furiosa por Colt ter invadido o computador, mas não conseguiu. Hope assentiu lentamente. — Eu precisava voltar.

Tate assentiu. — Eu entendo. Mas acho que você precisa contar a Jason. Ele está totalmente perdido, Hope. O cara se casou com você.

Ele se importa o suficiente para saber. Eu só a entreguei em relação à sua carreira. Ele acabaria descobrindo, de qualquer forma. Mas não é da

minha conta dizer mais nada a ele. Nem mesmo que nós nos conhecemos no passado. É a sua história e você deve contá-la.

Ela o seguiu enquanto ele andava na direção de uma casa grande no topo da colina. — Ele estava bêbado quando se casou comigo e só quer trepar — disse ela a Colt, arrependendo-se assim que as palavras saíram de sua boca. Ela mal conhecia Colt, apesar de ele ter sido uma pessoa importante em sua vida por um tempo muito breve.

Tate riu. — Eis uma novidade para você, Hope: é o que a maioria dos homens quer. E eles não precisam casar com uma mulher para isso. Não é só isso que Sutherland quer.

— Colt, ele disse...

— Ele fala muita merda — disse Tate em tom confiante. — E

pode me chamar de Tate. Colt era meu codinome.

Hope parou abruptamente e observou a casa para onde Tate se encaminhava. — Este é o seu chalé?

Ele deu de ombros. — Ora, ele é feito de troncos.

Hope tentou absorver o tamanho imenso da casa de Tate. Ela era feita de troncos de cedro e pedras, com pilares grandes na parte da frente. Janelas imensas adornavam a frente, provavelmente oferecendo uma vista incrível do pôr do sol. Tinha dois andares, apesar de ela ter certeza de que uma das escadas levava a um terceiro andar mais abaixo.

Havia uma garagem com várias portas, uma seção da casa que provavelmente tinha espaço para meia dúzia de carros. Estranhamente, a casa fora projetada para se encaixar na paisagem da montanha e, apesar de ser imensa, ainda era acolhedora sem ostentação. — É linda

— disse Hope sem fôlego. — Posso fotografar?

Tate acenou com a mão e, supondo que fora uma permissão, Hope tirou várias fotografias antes de segui-lo ao longo do caminho de pedra até a porta.

A parte de dentro da casa era tão deslumbrante quanto a externa.

O primeiro andar, aberto e espaçoso, tinha o mesmo teto em formato de catedral que a casa de hóspedes. Ao passar pela sala de estar, ela notou vários equipamentos antigos e fotografias de bombeiros. — Você é colecionador de antiguidades?

— Só coisas de bombeiros. Um dos meus ancestrais fundou a Colter Equipment, uma grande fabricante de equipamentos para bombeiros. Ela ainda é uma das maiores fabricantes hoje em dia. Eu gosto de colecionar peças e propagandas antigas da empresa. É um hobby. Sou bombeiro voluntário.

Hope sorriu ao segui-lo até a cozinha, nem um pouco surpresa ao saber que Tate ajudava a comunidade de forma ativa. — A casa é maravilhosa.

— A cozinha é um desperdício — resmungou Tate ao fazer uma xícara de café para ela. Em seguida, começou a fazer uma segunda para si mesmo. — Eu não a uso muito, exceto o micro-ondas e a cafeteira.

Hope se sentou à mesa ao olhar de forma apreciadora a cozinha espaçosa, que tinha todas as conveniências modernas e era muito bem decorada com balcões de granito e armários de cedro. Ela pegou a xícara que ele lhe entregou. — Que pena. É o sonho de qualquer pessoa que gosta de cozinhar.

Tate colocou creme e açúcar sobre a mesa e pegou a segunda xícara de café. Ele virou a cadeira de madeira e sentou-se nela ao contrário, apoiando os braços sobre a mesa. — Então, você está mesmo bem?

Hope deu de ombros. — Na maior parte... sim. Acho que ainda tenho algumas coisas que nunca desaparecerão.

— Não acho que seja possível passar por algo assim e não ter algumas marcas — observou Tate com voz baixa e reconfortante. — O

que você vai fazer em relação a Jason? Você precisa contar a ele, Hope.

Ele sabe sobre a sua carreira.

Ela estreitou os olhos. — Graças a você — retrucou ela em tom de censura.

— Ele teria descoberto de qualquer forma. Seu portfólio estava lá. Ele não é burro. Teria descoberto, mesmo se eu não tivesse ajudado. Você está casada com ele, Hope. Precisa contar tudo a ele. O

cara é louco por você.

— Não é, não — negou Hope. — Ele só queria me impedir de me casar com um homem que nem existia.

Tate sorriu. — O namorado falso?

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— Como você sabia? — Hope colocou creme e açúcar no café e tomou um gole longo, apreciando o sabor forte.

— Porque não sou Jason. O cara não está pensando direito no momento. Não foi difícil descobrir, mas demorei um pouco. Acho que finalmente descobri quando não encontrei nenhum e-mail nem informações sobre ele no seu computador.

— Então, você não achou que precisava contar isso a ele? — Ela o encarou com expressão irritada.

— Não. Achei que você acabaria confessando.

— Eu contei quase tudo a ele. Mas há algumas coisas sobre as quais não quero falar. Ainda tenho alguns... problemas. — Hope suspirou. — Não posso ficar casada com ele.

— Todos nós temos problemas — resmungou Tate. — A única forma de resolver isso com Jason é conversando com ele. Acredite, ele quer mais do que apenas sexo — disse ele em tom direto. — Se ele quisesse só isso, teria conseguido com outra mulher sem todo aquele esforço.

Hope sabia disso e ainda não entendia completamente a motivação de Jason. Ela tinha quase certeza de que o único motivo era impedi-la de fazer alguma coisa perigosa. — Então, por que ele não fez isso? — perguntou ela em tom desesperado. — Por que não procurou outra mulher? Por que não se afastou de mim em Vegas?

Tate cruzou os braços sobre o encosto da cadeira e encarou-a. —

Acho que é algo que você terá que descobrir por conta própria.

Hope soltou um suspiro exasperado. — Eu sei que deveria contar a ele. Ele está confuso por causa de alguns dos meus medos. Ele sabe de todo o resto. Só tenho dificuldades em... reviver o que aconteceu.

— Apesar de eu saber que será difícil, quero que você consiga seguir a vida de forma completa. Isso significa confrontar Jason, contar toda a verdade a ele — disse Tate em tom solene, pegando a xícara de café.

— Eu também. Eu quero seguir a vida. — Ela desejou ter a confiança de Tate para que voltasse a ser inteira. Achara que estava indo bem... até que encontrara Jason. Ele a fizera desejar coisas das quais nunca sentira falta. A noite anterior e a experiência que tivera com Jason no Ano Novo eram indicação disso. Ainda havia alguns fantasmas que ela não conseguira exorcizar.

— Por quanto tempo ficará aqui?

— Duas semanas. Ele me chantageou — disse Hope a Tate em tom infeliz.

Tate sorriu. — Homem esperto. Ele ameaçou contar à sua família se você for embora?

— Sim.

Tate riu.

— Tate? — disse Hope baixinho.

— Sim?

— Você é um escroto — disse ela.

Ele riu novamente. — Eu nunca disse que não era, querida.

Hope revirou os olhos. Apesar de dever muito a Tate, ele a irritava com o tom vago. Hope imaginou que aquilo se devia ao fato de ele ser das Forças Especiais. — Você saiu do exército? —

perguntou ela curiosa.

Ele assentiu. — Há mais de um ano.

Por sorte, Tate não tocou mais no assunto de Jason. Hope e ele conversaram até terminarem o café. Depois, ele andou com ela até a casa de hóspedes. Ela deu um abraço em Tate ao se despedir dele. Naquele instante, Jason abriu a porta.