Bilionário Desmascarado: Jason

J. S. Scott · Capítulo 14 de 18

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Bilionário Desmascarado: Jason

Capítulo 13

Ao perceber o tamanho do tornozelo, ela soube que não conseguiria andar tão cedo. Com as opções limitadas, Hope decidiu descansar por alguns minutos e tentar rastejar o mais próximo possível da trilha principal. Assim, teria mais chances de ser encontrada.

Por favor, goste de mim o suficiente para estar me procurando, Jason.

Talvez Tate demorasse algum tempo para perceber que ela desaparecera, possivelmente dias ou até mesmo uma semana. Até lá, talvez fosse tarde demais.

Ela afastou o medo. Hope se preparou para uma tentativa muito longa e dolorosa de se salvar.

 

A noite não demoraria a cair e Jason estava em pânico. Ok... talvez já tivesse passado do pânico e chegado ao desespero.

Ele fora até a casa de Tate, onde descobrira que Hope estivera lá e fora embora.

Hope sabe de toda a história.

Colter informara a ele que contara a verdade a Hope, pois ela encontrara o recibo das alianças e imaginara a maior parte da trama.

Tate até mesmo dera uma bronca em Jason por não ter contado a ela antes. Teoricamente, Jason merecera a bronca, mas não de Colter. Ele preferia levar uma bronca de Hope. Sinceramente, ele só queria ver Hope, mesmo que ela estivesse furiosa.

Grady telefonara para dizer a Jason que nenhum dos irmãos tivera notícias de Hope.

Ele deixara a casa de Colter e correra de volta para a casa de hóspedes, ainda encontrando-a vazia. Ele telefonara para Tate e eles iniciaram um grupo de busca. Não havia possibilidade de que Hope estivesse em outro lugar que não na área selvagem. Não havia outra rota direta entre a casa de hóspedes e a casa de Colter, portanto, ela devia ter saído do caminho principal.

O grupo de busca estivera procurando Hope por horas e não havia sinais dela. Tate usara o helicóptero, mas havia áreas que ele não conseguia ver de cima, áreas com bosques densos que precisavam ser vasculhadas a pé. Os irmãos de Hope e Chloe estavam procurando e Jason sabia, pelo mapa que recebera de Tate, que devia estar perto do fim da área que lhe fora atribuída. Ao chegar à beirada do cânion, ele desceria pela única entrada e voltaria.

Ele gritou o nome de Hope ao afastar os galhos. O coração dele parou enquanto esperava uma resposta. Só o que ele ouvira até o momento fora... silêncio.

Colter jurara que Hope parecera bem ao sair da casa dele, dizendo que precisava caminhar sozinha para pensar. Jason esperava que ela não estivesse pensando em como sair do casamento.

Eu sinto muito, querida. Muito mesmo. Por favor, responda.

As emoções dele variavam do medo para o remorso e para a irritação por ela ter saído do caminho principal e colocado a si mesma em perigo. Alguma coisa estava errada, ele conseguia sentir. Era quase como se suas emoções estivessem ligadas às de Hope. Seu instinto lhe dizia que ela não estava só sentada em algum lugar pensando no relacionamento deles. Ela sabia que não devia sair do caminho principal depois do escurecer. Ela não levara nenhum equipamento: nenhuma lanterna, nem mesmo o celular. Ele o encontrara sobre o balcão da cozinha, ligado e carregado.

Merda!

Tate dissera que ela nem tinha água e fora uma tarde incomumente quente. Ele limpou o suor do rosto com a camiseta já suja. Se ela estivesse ferida ou presa em algum lugar, provavelmente não conseguiria chegar a uma fonte de água.

A voz dele estava rouca enquanto continuava a chamar o nome dela. Ele observou o sol descer por trás das montanhas. Empurrando mais alguns galhos, ele finalmente chegou a uma clareira e viu a outra parede do cânion à frente. Andando até a beirada, ele estudou a queda quase vertical até o fundo. Era um cânion longo e largo. Ela não podia ter ido além. Só havia uma entrada. Tate dissera que a melhor rota era

 

usar o longo caminho para baixo, encontrar a entrada e começar a voltar. O restante das áreas em volta era de locais improváveis, pois tinham terreno difícil.

— Merda! — disse ele, frustrado e desesperado. Jason precisava encontrá-la.

— Hope! — gritou ele. A voz dele ecoou da parede oposta do cânion, que era mais alta do que o lado onde ele estava.

— Aqui. — Uma resposta fraca soou no fundo do cânion e ele ficou imóvel. O coração bateu selvagemente quando ele viu Hope deitada de costas no meio do cânion.

— Caralho! — Jason tirou o celular do bolso e telefonou rapidamente para Tate para avisar que Hope estava no cânion, obviamente ferida, mas ele não sabia a gravidade.

Ela caíra? Aquela ideia deixou Jason maluco, mas ele tentou se acalmar. Uma queda da borda a teria matado. A maior parte do solo do cânion era rochosa e ela não teria sobrevivido se tivesse caído.

— Hope! Aguente firme, vou descer.

— Estou bem — gritou ela de volta, mas com voz fraca. — Foi só minha perna.

— Só minha perna — repetiu ele irritado. — Hope provavelmente poderia sangrar até a morte sem admitir.

Saber que ela estava ferida fez com que ele se movesse imediatamente, descendo pela parede do cânion. As rochas tinham fendas, o que facilitava a escalada, mas a descida era um desafio. Era mais difícil ver os locais onde apoiar as mãos e os pés. No entanto, ele pretendia chegar até Hope imediatamente. Ele não daria a volta para procurar a entrada.

Jason a ouviu gritar seu nome horrorizada quando ele começou a descer o mais depressa possível.

Hope gritou o nome de Jason, tentando impedi-lo de descer a parede rochosa. Era alto demais, perigoso demais, e ele não tinha uma corda de segurança. Era loucura tentar descer a face rochosa. Mas Jason estava descendo, e depressa.

Ela não ousou emitir qualquer som enquanto observava, horrorizada, enquanto ele descia o penhasco. Uma distração poderia matá-lo.

Ai, meu Deus. Por favor, deixe que ele desça em segurança.

Depois disso, eu o matarei.

Hope observou com a respiração presa quando Jason chegou à metade do caminho e simplesmente continuou. O corpo forte desceu pela parede rochosa com determinação.

Ele está fazendo isto por mim, está arriscando a vida por mim.

Ele poderia ter dado a volta. Eu teria esperado.

Xingando-se baixinho por ter rastejado de volta para o cânion, ela não tirou os olhos de Jason. Ela saíra do cânion e fora para a floresta. Ao ouvir um helicóptero voando baixo, ela tivera certeza de que tinham começado uma busca. Infelizmente, ela tivera que usar as mãos e os joelhos, movendo-se lentamente. O helicóptero fora embora antes que ela conseguisse sair da cobertura das árvores. Além do mais, ela vestia uma camiseta verde que não ajudava a destacá-la para alguém que estivesse procurando de cima. Em vez de tentar avançar, ela usara a energia que ainda tinha para voltar ao cânion e posicionar-se no meio para esperar que o helicóptero passasse novamente. Ela estaria visível e seria resgatada na próxima passagem da aeronave. Estava quente e ela estava com muita sede, mas fora a única opção. Ela não tinha forças para voltar ao caminho principal. Voltar ao cânion, sabendo que a estavam procurando com o helicóptero, fora a única opção lógica.

Hope prendeu a respiração quando o pé de Jason escorregou antes de encontrar apoio novamente enquanto ele descia o restante da parede vertical. Finalmente, ele chegou ao chão do cânion e Hope soltou o ar com força. Ela ofegou e estremeceu depois de vê-lo a um passo em falso da morte.

Ele correu na direção dela e caiu de joelhos ao seu lado. — O

que aconteceu? Onde você se machucou? Jesus! Diga-me que está bem mesmo — balbuciou ele freneticamente com o rosto perturbado.

Tudo o que aconteceu entre vocês foi uma fraude?

As palavras de Tate a assombraram. Arriscar a vida dele por ela não era fraude alguma da parte de Jason. A expressão dele estava angustiada e aquilo não era uma mentira. Ele estava aterrorizado por ela, colocara o bem-estar dela antes do seu. — Só machuquei o tornozelo. Não consigo caminhar. — Ela deu um soco no ombro dele.

— Mas que merda! Nunca mais faça isso comigo. Você acabou de tirar vinte anos da minha vida. Você poderia ter morrido.

— Sempre vou pegar o caminho mais rápido até você. — Ele colocou a perna dela no colo ao se sentar na terra. — Porra, seu tornozelo está do tamanho de um melão. O que diabos você fez?

Hope mordeu o lábio quando ele mexeu gentilmente o pé dela.

— Eu não estava olhando por onde andava. E caí.

— Consegue mexer o pé? — perguntou ele.

— Não. Não consigo apoiar o peso nele. — Ela mexeu os dedos do pé e lentamente girou o calcanhar com uma exclamação de dor.

— Pare. Você precisa fazer um raio-X. Tate está a caminho. —

Ele a olhou com alívio e ansiedade, afastando os cabelos desgrenhados de seu rosto. — Eu deveria ter trazido água, mas queria andar o mais depressa possível.

— Vou sobreviver. — Hope observou a expressão dele.

Conseguiria esperar até que Tate chegasse. — Por favor, nunca mais arrisque a vida desse jeito de novo. Prometa — implorou ela com voz trêmula.

— Não posso prometer isso, querida. Levo minhas promessas muito a sério e faria isso de novo e de novo se precisasse chegar até você — respondeu ele.

— Você é louco — disse ela confusa pela teimosia dele. As lágrimas escorreram pelo seu rosto quando ela olhou para Jason Sutherland. Hope nunca o vira tão sujo e desarrumado. Parecia que fora arrastado pela lama e depois pendurado no sol quente por horas.

— Você me deixou assim — respondeu ele. — Eu costumava ser perfeitamente são — acrescentou ele em tom mais leve.

Hope ouviu o som o helicóptero aproximando-se e os dois ficaram em silêncio enquanto observavam a aeronave fazer um pouso perfeito, não muito longe de onde estavam.

Jason a pegou no colo e correu na direção do helicóptero, esperando que a hélice parasse de girar e o piloto acenasse para que abrissem a porta atrás do assento dele. Jason a colocou no banco e puxou o corpo para ficar atrás dela. Depois de fechar a porta, rapidamente ele a colocou no colo. — Vá. Ela precisa ir para o hospital. Machucou o tornozelo, que pode estar fraturado. Está muito inchado.

O piloto tirou os fones de ouvido, virou-se e entregou uma garrafa de água para Jason. — Parece que você precisa disto.

De forma nada surpreendente, Tate era o piloto. Ele sorriu para ela. — Resgatei você de novo, H. L. Sinclair. Vai me abraçar agora?

— Ele ligou novamente o helicóptero.

Hope lançou um sorriso fraco para ele. — Talvez na próxima vez.

— Você só vai encostar nela por cima do meu cadáver —

retrucou Jason irritado.

— Podemos cuidar disso — disse Tate com um sorriso largo.

— Hospital, Colter. Vamos logo — rosnou Jason. Ele entregou a água primeiro a Hope, ajudando-a a segurar a garrafa. Quando ela terminou, Jason bebeu antes de colocar a garrafa sobre o assento ao lado.

— Estou indo. Meu Deeeeeus! Missão cumprida, Sutherland.

Acalme-se — respondeu Tate calmamente ao se virar e recolocar os fones de ouvido.

Tate rapidamente colocou o helicóptero em movimento, subindo tão depressa que Hope teve a sensação de que seu estômago ficara no chão do cânion.

— Caralho, ele voa como um morcego saído direto do inferno

— reclamou Jason em voz alta.

— Você pediu. — Hope deitou a cabeça no ombro dele, com a boca perto de seu ouvido para que ele conseguisse ouvi-la acima do barulho do helicóptero. — Já estive em um helicóptero com ele antes.

Hope ainda se lembrava do voo até um lugar seguro que Tate fizera depois de resgatá-la. Tate não fazia nada devagar. Ele era meticuloso, rápido e provavelmente muito mortal. Ela nunca o vira assim, mas não duvidava de que ele pudesse ser mortal sob aquele sorriso convencido e o comportamento implicante.

— Durante o seu resgate? — perguntou Jason com voz tensa.

— Sim. Ele parece sempre forçar as coisas até o limite. Ele pilotava da mesma forma quando estava nas Forças Especiais. Ele é bom.

— Ele é um escroto às vezes — retrucou Jason.

— Ele salvou minha vida. Acho que salvou muitas vidas.

Consigo aceitar a arrogância dele só por isso — respondeu Hope.

— E o que foi aquela merda sobre abraçá-lo? — perguntou Jason.

Hope deu de ombros. — Eu o abracei porque fiquei muito feliz em vê-lo e por ser grata a ele. Ele acha que é irresistível. — Ela tinha que admitir, Tate era de tirar o fôlego de tão bonito. Aquela covinha fazia com que ele fosse muito fascinante e atraente. De forma compreensível, a aura de perigo e mistério, aliada à personalidade dele, o tornava uma tentação para a maioria das mulheres. Mas Hope não era uma delas e a única química que sentia era com o homem que a segurava com amor e proteção, o cara que literalmente escalara uma montanha para ajudá-la.

Jason.

— Chega de abraçar outros homens — exigiu Jason.

Hope sorriu contra o ombro dele. — Eu tenho irmãos.

— Está bem, só eles.

— Ele foi nos buscar e está nos levando para o hospital com velocidade incrível — disse Hope em tom provocador. — Talvez eu possa dar um beijo na bochecha dele mais tarde? — Ela cutucou a fera e sabia disso, mas não conseguiu evitar. Quanto mais possessivo Jason

ficava, mais segura ela se sentia. Naquele momento, precisava daquela segurança. Ela estava machucada e com o coração magoado. O conforto dele afastava sua mente da dor física.

— Você quer beijar Tate? — Jason soou abalado e irritado.

— Por favor. Só para agradecer — continuou ela.

— Não. Não quero seus lábios nem seu corpo perto de Colter no futuro — disse ele ferozmente. Ele apertou os braços em volta da cintura dela. — Basta ele sentir o seu perfume intoxicante para tentar roubá-la.

Sorrindo contra o ombro dele por ele ter a impressão de que ela era irresistível para qualquer homem, Hope respondeu: — Mas, neste exato momento, estou fedendo.

— Mas não vai beijá-lo — respondeu ele firmemente.

— Veremos — retrucou ela em tom misterioso. O helicóptero começou a descer para pousar.

Ele resmungou irritado, mas respondeu: — No momento, a única coisa que me importa é você. Acho que chegamos ao hospital.

Ainda está sentindo dor?

Ela assentiu hesitantemente. O tornozelo latejava de forma agonizante, mas ela não queria que Jason soubesse como a dor era intensa. — Ficarei bem.

— Eu sinto tanto, Hope. Você nunca saberá o quanto — disse ele com a voz cheia de remorso e arrependimento.

Ela abriu a boca para responder, para tentar aliviar um pouco da autopunição dele, mas a porta do helicóptero se abriu. Mãos cuidadosas a ajudaram a deitar em uma maca que fora levada até a plataforma do heliporto.