Bilionário Desmascarado: Jason

J. S. Scott · Capítulo 7 de 18

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Bilionário Desmascarado: Jason

Capítulo 6

 

—Vou lhe dar dois segundos para tirar as mãos da minha esposa.

Depois disso, vou matar você — rosnou Jason furioso.

Hope imediatamente saiu do abraço carinhoso de Tate, assustada ao ver a expressão assassina no rosto de Jason ao olhar para Tate.

— Ela estava vagando pelo bosque. Talvez você devesse cuidar melhor da sua esposa — respondeu Tate em tom malicioso para provocar Jason deliberadamente.

— Idiota — rosnou Jason ao tentar passar por Hope para chegar a Tate.

— Pare — gritou Hope. — Jason, eu preciso falar com você. —

Ela parou entre Jason e Tate e empurrou o peito dele. — Tate, obrigada por me trazer até aqui. Mas eu teria conseguido encontrar o caminho com facilidade.

— Acho que está se tornando um hábito trazer você em segurança para casa, H. L. Sinclair — respondeu Tate em tom enigmático. — Eu disse que ele queria mais do que apenas sexo —

acrescentou ele baixinho antes de se virar e ir embora pelo caminho em direção à casa dele.

— O que diabos ele quis dizer com aquilo? — resmungou Jason. Os olhos cor de safira encararam furiosos as costas de Tate.

— Nada — disse ela ao tentar empurrar Jason para dentro da casa. Ela tomara algumas decisões durante o caminho de volta da casa de Tate e queria conversar com Jason, precisava tentar explicar tudo.

Se fizesse isso, talvez ele concordasse em ajudá-la. Se não tentasse, teria que viver com o arrependimento de nunca saber o que teria acontecido se tivesse pedido a ajuda de Jason.

E ela já fizera coisas demais das quais se arrependia.

Virando-se abruptamente, Jason entrou furioso na casa.

Hope soltou um suspiro aliviado e entrou atrás dele. Ela não tivera certeza absoluta de que ele não iria atrás de Tate. Fechando a porta atrás de si, ela seguiu Jason até a sala de estar.

— Fale — exigiu ele, sentando-se em um reclinador de couro com expressão tempestuosa. — Diga-me como você acabou de se esfregar em um cara que acabou de conhecer. Pelo amor de Deus, Hope, qual é o seu problema?

— Eu não estava me esfregando nele — respondeu Hope indignada. — Eu o abracei. E não acabei de conhecê-lo. Nós... nos conhecemos há algum tempo. — Ela soltou a câmera e o estojo cuidadosamente sobre a mesa e sentou-se no sofá em frente a ele, colocando as pernas sob o corpo.

Você consegue. Basta contar a ele. Jason é o único homem que pode ajudar você.

— Como diabos você conheceu Colter? Ele nunca me disse que conhecia você. Você estava dormindo com ele entre um namorado e outro? — explodiu Jason. A expressão dele ficou gelada. — Não entendo mais você, Hope. Em um minuto está histérica por causa das preliminares e, na manhã seguinte, encontro você nos braços de outro homem.

— Eu sei. — Hope sabia que seu comportamento o deixava confuso. Colocando-se no lugar dele, imaginou que Jason provavelmente achava que ela era psicótica. — Eu gostaria de explicar.

Por favor.

— Eu queria muito que alguém explicasse — resmungou Jason com expressão irritada.

Hope respirou fundo. — Eu conheci Tate pelo nome de Colt.

Era o que ele usava como codinome quando estava nas Forças Especiais. Eu não sabia que ele estava aqui nem que era um dos Colters do Colorado. Ele e a equipe das Forças Especiais salvaram minha vida há três anos. — Ela viu Jason abrir a boca para fazer uma pergunta, mas ergueu a mão, ansiosa para contar toda a história antes que desistisse. — Deixe-me contar a história primeiro.

Jason assentiu, sem dizer nada enquanto a encarava com olhar sombrio.

Hope continuou: — Era o primeiro ano da minha carreira e ainda estava tentando fazer meu nome. Estava começando a tirar fotografias de climas extremos. Eu sabia que havia um ciclone que atingiria a costa da Índia. Subi em um avião sozinha e fui para lá, assentando-me em um lugar alto seguro. A tempestade foi pior do que o previsto e a costa ficou um desastre. Eu estava segura, mas o estrago foi enorme e tudo estava um caos. Ninguém notou quando eu fui empurrada para dentro do porta-malas de um carro e levada embora.

A respiração de Hope ficou pesada, mas ela continuou falando.

— Eu fiquei aterrorizada e tudo ficou escuro pelo que pareceram dias, mas foram apenas algumas horas. Quando o porta-malas finalmente foi aberto, eu estava muito longe da costa e fui levada para uma casa fora de uma vila sob a mira de um revólver. — Hope estremeceu ao se lembrar do olhar gelado e sem expressão do homem estrangeiro, mas prosseguiu. — Havia um... homem. Eu não sabia o que estava acontecendo no começo e implorei para que me deixasse ir embora antes que as autoridades descobrissem. Ele falava inglês muito mal, apenas o suficiente para que eu entendesse o que dizia. Ele só riu e continuou rindo enquanto... enquanto... — Ai, meu Deus, só diga! —

Ele me estuprou, Jason. Várias vezes. Eu lutei, gritei e tentei fugir, mas não consegui. E doeu. Doeu muito. Depois de algum tempo, tudo ficou enevoado. Ele me bateu para que eu calasse a boca, mas ninguém apareceu para me ajudar.

As lágrimas correram por seu rosto ao continuar: — Acho que ele pretendia me matar. Mas eu disse a ele que, se entrasse em contato com a embaixada norte-americana, talvez conseguisse algum dinheiro se me mantivesse viva. — Entre... — A voz de Hope desapareceu, mas ela prosseguiu. — Entre um estupro e outro, ele entrou em contato com a embaixada, que tentou ganhar tempo. A unidade de Tate estava na Índia. Descobri mais tarde que eles estavam bem perto, procurando aquele mesmo homem, que era um terrorista conhecido e que estava escondido na Índia. Acho que eles sabiam que a melhor chance era tentar um resgate, pois ele me mataria de qualquer forma, mesmo que a embaixada pagasse. A equipe de Tate invadiu a casa e matou o terrorista antes que ele me matasse. Eles salvaram minha vida. —

Hope soluçou e tentou desesperadamente não se lembrar do puro terror que sentira naquele dia, mas não conseguiu.

— Tate ficou comigo até voltarmos aos Estados Unidos, conversando comigo, tentando me ajudar. Nunca mais o vi depois disso. Nem tive a oportunidade de agradecer a ele. Fiquei feliz em vê-lo hoje, feliz por poder agradecer pelo que ele e a equipe fizeram por mim. — Hope não olhou para Jason. Não conseguiu. — Fiz terapia durante dois anos. O exército tratou meus ferimentos. Tive que fazer exame de HIV três e seis meses depois. Graças a Deus, os dois exames deram negativo. Não havia um caso a perseguir. Tate matou o homem que me atacou e achei que superara o incidente... até encontrar você novamente. Eu queria você, Jason. Meu corpo voltou à vida com algo que nunca senti antes. Não é que eu não queira. Eu gostaria que saber como seria estar com você. Só que, emocionalmente... não consigo.

— Ela fechou os olhos.

Hope subitamente sentiu o corpo sendo erguido quando Jason se sentou no sofá e colocou-a no colo. Ele correu os dedos pelos cabelos dela e beijou-a na testa. A outra mão subiu e desceu várias vezes nas costas dela. — Meu Deus! Eu sinto muito, Pesseguinho. Eu não sabia. Nunca imaginei... — As palavras dele morreram, evidenciando a dor e a raiva.

Hope enterrou o rosto no ombro dele. — Eu nunca estive com um homem por vontade própria. Nunca senti desejo suficiente por ninguém.

— Você ainda era virgem quando isso aconteceu — disse Jason com voz angustiada. — Caralho. Eu queria poder desenterrar o filho da puta e matá-lo de novo. — A voz dele vibrou violentamente e ele enterrou o rosto nos cabelos dela. — Eu sinto muito, Hope... muito mesmo. Eu deveria ter percebido que havia alguma coisa errada. Estava envolvido demais com minhas emoções para ver você. E, neste momento, estou me odiando por isso — disse ele, apertando os braços em volta dela. — Odeio o fato de você ter passado por isso sozinha.

Puta merda! Por que eu não estava lá? Por que eu não estava ao seu lado? — Ele a balançou no colo enquanto estremecia.

— Não foi culpa sua. — Ela o deixou confortá-la, mantê-la segura nos braços. Ela não conversara com David na época, pois ainda não eram próximos. Era bom ter alguém, especialmente Jason, para finalmente lhe dar um pouco de consolo. Apesar de estar revivendo a experiência horrível, ela se sentiu segura nos braços dele. — Ninguém soube. Era uma missão secreta, não houve testemunhas e a polícia indiana nunca descobriu. Somente a embaixada e o governo foram envolvidos. Era uma área isolada fora de uma vila. A história nunca vazou para a imprensa e fiquei grata por isso. — Fora horrível o suficiente sem ter que lidar com o circo da mídia.

— Mas você precisava de alguém, querida. Estava sozinha, mas que merda — disse ele ao encostar o rosto nos cabelos dela. — Eu fui muito escroto com você, Hope. Eu não sabia. Não sabia. — Ele a balançou com mais força, segurando-a de forma desesperada.

A agonia na voz dele fez com que Hope estremecesse e sentisse a volatilidade do arrependimento dele. — Você não sabia. E fico feliz por estar aqui agora. Eu estava sozinha e foi difícil. Agora é mais fácil.

— Não vou obrigar você a ficar, Hope. E nunca mais ameaçarei você. Vou fazer qualquer coisa para compensar isso.

O coração dela ficou apertado e ela passou as mãos nos cabelos dele, devolvendo o conforto que ele lhe dera tão prontamente. — Eu

quero ficar.

— Graças a Deus — disse ele em tom protetor. — Preciso ficar com você. Quero mostrar que não sou escroto o tempo inteiro.

Hope sorriu por entre as lágrimas. — Eu sei.

— Você não vai ficar sozinha. Vou estar sempre ao seu lado daqui em diante. Minha nossa, você aguentou demais por conta própria. — Ele ainda estava trêmulo, balançando-a gentilmente. —

Você precisa de alguém, Hope. Deixe-me ser essa pessoa. Por favor.

Ela não precisava de alguém, precisava dele. Instintivamente, ela sabia que Jason era exatamente do que precisava. — Estou com medo

— admitiu ela hesitante.

— Meu Deus, eu sinto muito. A última coisa que eu quero é que tenha medo de mim. Só quero que me queira — admitiu ele.

— E eu quero. Você é o único homem que eu quis assim. Mas espero que entenda que meus medos assumem o controle. Não era você que eu estava rejeitando. Era o ato em si. As lembranças voltam quando se trata de... penetração. Ou de estar confinada. — Ela foi direta, precisava ser para que ele entendesse.

— Não vou tocar em você de forma sexual de novo. Eu juro.

Era o oposto do que ela queria e precisava explicar. Ela abriu a boca para disser isso a ele, mas fechou-a quando Jason falou de novo.

— Você poderia ter morrido. Só o fato de estar aqui, de eu poder segurá-la desse jeito, já é um milagre.

— Eu sobrevivi, Jason. Sou grata por isso.

— Você voltou ao campo novamente. Por quê? — Ele ergueu a cabeça para forçá-la a encará-lo. Sua expressão ainda era atormentada.

Hope olhou para os olhos perturbados dele. — Eu precisava —

confessou ela. — Tive uma depressão muito profunda por alguns meses. Tinha medo de sair do apartamento, medo de praticamente tudo e todos. Mas finalmente decidi que não posso deixá-lo ganhar.

Ele me disse que odiava os norte-americanos. Ele cuspiu em mim. No fim, eu precisei cuspir naquelas lembranças, enterrá-las. Ele estava morto e eu estava viva. Eu precisava viver de verdade, não apenas existir, para derrotá-lo. Foi difícil voltar, viajar de novo. Mas ficou

mais fácil. Eu precisava desesperadamente me recompor e foi o que aconteceu quando voltei a trabalhar.

Hope respirou fundo, pronta a tentar explicar o que queria. — E

só que parece que eu não consigo fazer sexo. Sinceramente, nunca tentei até reencontrar você. Não houve um homem que me fez querer essas coisas. Acho que é a ideia de ser... invadida que me assusta. Só consigo me lembrar da dor e isso me joga de volta ao que aconteceu.

De verdade, não quis fazer nada até você. Quero que me ajude, Jason.

Quero que me ajude a superar meus medos. — Se Jason não conseguisse, ninguém conseguiria. Ela decidira pedir a ajuda dele ao voltar para a casa de hóspedes. Precisava superar o medo, agora que sabia que existia, e o único homem que queria era Jason.

Ele a encarou com preocupação nos olhos. — Hope, não posso forçar você depois...

— Não tenho nenhuma doença e tomo anticoncepcional. Depois do que aconteceu, comecei a tomar anticoncepcional porque ainda viajo para fora do país e sei o que pode acontecer. Talvez seja um pouco de paranoia. Quais são as chances de isso acontecer de novo? Mas faz com que eu me sinta mais segura. Fiquei feliz por não pegar nada nem ficar grávida. Não é que eu não queira. Quero que você entenda isso, entenda por que fiquei fora de controle ontem à noite. Agora, você sabe de todos os meus segredos. Quero ficar com você pelas próximas duas semanas e tentar superar isso. Quando terminar esse tempo, podemos seguir cada um o seu caminho, não importa o que aconteça. — Ela quase engasgou ao dizer aquilo. Seria difícil dizer adeus, mas ela entendia que precisava tentar. Talvez passasse a vida inteira sem sentir o que sentia por Jason. Talvez fosse sua única chance.

— Você precisa confiar em mim, Hope. Confiar de verdade —

disse Jason com voz rouca. Ele acariciou o rosto dela com olhar enigmático. — Agora que sei pelo que você passou, também estou com medo. Não quero magoar você e não quero que tenha mais um minuto de dor.

— Não temos mais segredos. Eu confio em você. Ainda me quer mesmo depois de saber que eu fui... usada? — Ela passara anos

 

sentindo-se suja e indesejável.

Ele afastou o olhar e puxou a cabeça dela contra o peito. —

Acho que quero você mais ainda. Você provavelmente é a mulher mais corajosa que já conheci. Tate e os homens dele podem tê-la resgatado, mas você ajudou a salvar sua própria vida porque é inteligente. Eu só queria ter sabido disso antes. Não acredito que passou por tudo isso e nunca contou aos seus irmãos.

— Eu não consegui. Confio que você não contará nada a eles.

Não mudará nada agora — respondeu ela nervosa. Não havia motivos para que os irmãos soubessem e ela não queria mais falar naquele assunto.

— Nunca vou contar os seus segredos — respondeu Jason.

Jason fez perguntas, principalmente sobre o que ela sentira durante todo o incidente e detalhes sobre como Tate a resgatara. Ela respondeu a todas elas, sentindo-se muito mais segura em conversar sobre o assunto agora que contara tudo. Ele foi paciente, deixou que ela respondesse no próprio ritmo, mas manteve os braços protetoramente em volta dela, segurando-a no colo.

Quando ela terminou de contar todos os detalhes que ele perguntou, Hope sentiu apenas alívio e a consciência completamente limpa. Ela relaxou nos braços dele, sentindo-se segura. O corpo e a mente estavam exaustos.

Jason estava no inferno, sentindo-se como se fosse o demônio em pessoa.

Covarde!

A consciência o devorou depois do que Hope revelara, torturando-o para que contasse a ela que preparara todo o plano para que eles se casassem. Mas como poderia fazer isso agora, quando precisava que ela confiasse nele?

Meu Deus! Ele mentira para ela. Ele a manipulara. Ele a acusara de algumas coisas horríveis de que ela não tinha culpa nenhuma. Ela fora estuprada. Repetidamente. Fora surrada. Aterrorizada. A única coisa que ele queria era consertas coisas. Mas não podia e odiou-se por isso.

Imbecil!

Filho da puta!

Egoísta desgraçado!

Hope sofrera horrores que ele não conseguia nem imaginar e, mesmo assim, Jason nunca parara para pensar que talvez houvesse algo muito errado. Ele estivera preocupado demais consigo mesmo, pensando em como faria sexo com ela para aliviar as próprias necessidades. Ele pensara nas necessidades dela? Não... não pensara. E

deveria levar um tiro por ser um filho da puta tão egoísta.

Ela fora corajosa o suficiente para contar todos os seus segredos, que tinham feito com que as entranhas dele se revirassem. Ele não podia pensar no que ela passara, no tanto que sofrera, em como estivera perto de morrer, sem perder o controle completamente. Só de pensar em Hope presa no porta-malas de um carro, levada para sabia Deus onde em um país estranho, e sendo violada repetidamente fazia com que ele estremecesse de fúria. Os instintos protetores dele estavam exacerbados e ele não queria deixá-la fora de suas vistas de novo.

Jason tinha certeza de que a maioria das pessoas, se tivesse sofrido o que Hope sofrera, nunca mais pisaria naquele lugar. Mesmo assim, ela voltara, determinada a não deixar que aquela experiência tomasse conta de sua vida. Aquilo exigia muita coragem. Talvez Tate tivesse razão quando dissera que Hope tinha colhão.

Obviamente, Tate reconhecera Hope, mas não dissera nada.

Aquilo deixou Jason furioso e agradecido ao mesmo tempo. Colter guardara os segredos de Hope, mas Jason queria que o idiota arrogante

tivesse dito alguma coisa, dado algum aviso sobre o que acontecera com ela. Jason sabia que fora um idiota completo com o amigo só por causa de um abraço. E com Hope, com o casamento armado. Naquele momento, ele não gostava muito de si mesmo. Colter salvara a vida de Hope e, por isso, o próprio Jason queria abraçar o amigo arrogante.

Queria agradecer a ele por ter protegido Hope quando Jason não a protegera.

Ela nunca esteve com um homem, exceto à força.

Meu Deus! Ele queria ser o homem que ensinaria a ela que o sexo não era ruim. O único homem. Só a ideia de alguém tocando nela fez com que ele apertasse os braços em volta dela até que Hope soltasse um grito.

— Desculpe. — Ele a beijou na testa. — Estou me sentindo um pouco protetor.

Estou me sentindo um pouco louco! Está bem... talvez mais do que apenas um pouco.

— Não preciso de sua proteção, Jason. Preciso que trepe comigo e ajude-me a gostar — disse ela com voz trêmula e provocante.

Jason quase rosnou. Para ele, as duas coisas estavam ligadas.

Ele queria reclamá-la, marcá-la como sua, torná-la sua para que a protegesse. Jason não queria que ela se lembrasse de nada de cunho sexual antes dele. Mas ele mesmo estava quase com medo do ato agora. E se ele a machucasse? Ainda assim, se era isso o que Hope queria, ele lhe daria qualquer coisa que desejasse. — Falando em proteção, você me disse que estava limpa, mas não perguntou se eu estou — comentou ele.

— Confio em você — murmurou ela suavemente. — Se não estivesse, teria me dito.

Porra!

A consciência bateu nele. Com força.

Ela confiava nele, apesar de não merecer aquela confiança.

Não posso contar a ela agora. Ainda não. Ela precisa conseguir confiar em mim. E, deste momento em diante, nunca farei

nada que possa trair essa confiança. Algum dia, terei que contar a ela. Mas vou tentar primeiro lhe dar o que precisa.

— Estou limpo. Nunca fiz sexo sem me proteger. Não confio muito nas pessoas — admitiu ele com sinceridade.

Ela saiu do colo dele e sentou-se ao seu lado. Os olhos verdes estudaram o rosto de Jason com curiosidade. — Com quantas mulheres você saiu?

Jason engoliu em seco e disse: — O suficiente.

Hope cruzou os braços sobre o peito. — Quantas?

Sinceramente, Jason tinha vergonha de admitir que não contara.

— Não sei, não me lembro. — Ele já sabia que, diante de Hope, nenhuma delas importava. Tinham sido algo temporário e todas queriam a mesma coisa que ele: sexo sem compromisso.

— Nenhuma namorada? Nunca? — perguntou ela, franzindo a testa.

— Uma. Quando eu estava na faculdade.

— O que aconteceu?

— Ela me chutou quando descobriu que eu não era tão rico quanto pensava.

— O quê? — perguntou Hope furiosa.

Jason deu de ombros. — É sério. Ela me chutou. Comecei a falar sobre os problemas que eu tinha com a empresa do meu pai depois da formatura e ela me deixou por um cara mais rico. Acho que eu era um risco muito grande — disse ele com um sorriso.

Ele ficara magoado na época, mas superara rapidamente. Estivera ocupado demais tentando salvar a empresa para se preocupar com o relacionamento. Talvez isso o deixara mais cuidadoso e muito mais casual em se tratando de relacionamentos, mas seu coração não fora partido.

— Ninguém chutaria Jason Sutherland. — Hope soltou uma exclamação de descrença. — Ela devia estar louca.

— Sou um prêmio tão grande assim, Hope? Você está planejando se divorciar de mim. — Secretamente, ele gostou da indignação dela por uma mulher tê-lo chutado tantos anos antes.

— Podemos anular o casamento. Não estávamos exatamente sóbrios. E é diferente. Temos um acordo — respondeu ela em tom hesitante. — Ela era sua namorada. Não tinha desculpa nenhuma para magoar você.

Jason olhou para a aliança dela possessivamente.

Ela é minha. Nada de divórcio. Nada de anulação.

Jason torceu a boca, tentando não sorrir ao ver a expressão irritada dela. Ela estava irritada por ele, furiosa por ele. — Foi há muito tempo. — Ele a segurou pela cintura, precisando senti-la novamente em seus braços, e puxou-a para o colo. — Além do mais, se ela não tivesse me chutado, talvez eu não estivesse aqui agora.

Ele estaria ali e sabia disso. Desde que ela tinha dezoito anos e ele vinte e três, nunca houvera ninguém mais para Jason, exceto Hope.

Talvez ele estivesse apenas dando tempo ao tempo, esperando, mas o relacionamento que tivera após a universidade teria terminado de qualquer forma. Hope sempre estivera lá, no fundo da mente dele, subconscientemente impedindo-o de ter um relacionamento sério com outra pessoa, pois ele nunca conseguiria sentir a mesma coisa por outra mulher. Ele estava exatamente onde deveria estar. Finalmente. Ele sentiu isso no fundo da alma. O pesadelo que Hope vivera o assombraria para sempre. A consciência o fez imaginar que talvez aquilo não tivesse acontecido se ele a tivesse perseguido antes ou logo depois da formatura dela. Se ele estivesse na vida dela na época, Hope nunca teria corrido o mundo sem proteção. E ele deveria ter feito parte da vida dela.

— Não gosto da ideia de alguém magoar você — disse Hope em tom suave, acariciando o rosto dele.

— Agora você sabe como me sinto. O que aconteceu com você está me matando — respondeu ele. — Não tenho como fazer com que isso desapareça. Eu queria poder fazer isso. Mas você não tem nada a provar para ninguém agora. Especialmente para um homem morto.

— Eu sei. — Ela inclinou a cabeça e olhou para ele. — Não quero ficar com você por causa de ninguém além de mim. Você é o primeiro homem que me fez sentir viva.

Minha.

E ele se sentia exatamente da mesma forma. O problema era que ele não sabia como lidar com Hope. Ela fazia com que ele precisasse, quisesse desesperadamente. De uma forma tão primitiva e elementar que ele não sabia se conseguiria lhe dar o que ela queria. — Não será fácil para mim — admitiu ele. — Algumas vezes, parece que estou perdendo o controle quando estou com você. E gosto de assumir o controle no quarto. Com você, quase fico louco com a necessidade de prendê-la e fazer com que se submeta. Estou obcecado pelo desejo que sinto por você.

Hope tirou um cacho dos cabelos dele que caíra sobre a testa. —

Não é você. Sou eu. Meu corpo responde a você, especialmente à forma alfa e possessiva com que controla meu corpo. O problema está na minha mente.

— Então vou precisar que fique comigo, querida, de corpo e mente. Não fuja. — Os olhos dele a devoraram. — Responda a mim.

Só a mim. Veja somente eu. Sinta somente eu.

Jason viu o olhar de desejo nos olhos cor de esmeralda e quase perdeu o controle. O pênis latejou com a vontade de estar dentro dela.

Ela assentiu e passou os braços em volta do pescoço dele. — Eu preciso de você.

Era a primeira vez que ele ouvia aquelas palavras dita por alguém que não estava interessada em seu dinheiro. Hope o queria.

Hope precisava dele.

— Você me tem. — Ele se levantou, segurando-a nos braços, a coisa mais preciosa que já tivera.

— O que você está fazendo? — perguntou ela curiosa.

Jason não reduziu o passo ao carregá-la para o quarto. — É hora da lição número um, Pesseguinho, antes que fique completamente louco.