Bilionário Desmascarado: Jason

J. S. Scott · Capítulo 1 de 18

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Bilionário Desmascarado: Jason

Uma Noite com um Bilionário

Meia-noite, Noite de Ano Novo, Am esport, Maine, 2014

Hope Sinclair tentou desesperadamente afastar os olhos do homem mais atraente que já vira, mas sem sucesso. Ela o conhecia desde a infância, mas não era mais criança e, meu Deus, nem ele.

Mas que merda. Tenho que parar de olhar para ele. Vou olhar para outro lugar em um minuto. Juro. Vou parar de babar por ele.

Ainda assim, os olhos dela continuaram presos em Jason Sutherland, incapazes de se afastar do homem mais lindo do planeta.

Hope tentou ser sutil, tomando um gole de champanhe enquanto olhava para ele, mas teve certeza de que seu desejo era bem óbvio. Ele ficava lindo quando usava calças jeans e camiseta. Em um terno na festa de Ano Novo, era de parar o coração, de uma forma inconscientemente sedutora, muito masculina. Não era apenas o rosto divino e o corpo em excelente forma que atraíam o olhar das mulheres, era o conjunto inteiro. Cada ação, cada palavra que saía da boca de Jason exalava confiança, uma masculinidade que era irresistível para as mulheres. A expressão dele era predatória e cautelosa enquanto

conversava com outro homem na festa. Não havia sinal do sorriso doce e genuíno que ela sabia que ele tinha. Obviamente, ele não estava conversando com alguém que conhecia. Provavelmente, era alguém que queria alguma coisa dele, como a maioria das pessoas normalmente queria.

Ela prendeu a respiração ao observá-lo acenar abruptamente com a cabeça e andar até onde estava o irmão dela, Dante. A expressão dele mudou, mudando para o homem charmoso que ela sabia que Jason conseguia ser. Ele bateu de leve nas costas de Dante e abriu um sorriso genuíno. Seu olhar suavizou quando ele pareceu brincar com Dante.

As muitas faces de Jason Sutherland.

Ela suspirou e finalmente afastou o olhar de Jason, imaginando quantas pessoas realmente conheciam o homem sob o exterior bilionário. Hope não vira Jason com frequência nos anos anteriores, mas ele não podia ter mudado tanto assim.

Hope decidira muito tempo antes que adorava Jason. Quando tinha sete anos, ela quisera se casar com ele e aquele sentimento não mudara muito nos dezenove anos anteriores. Exceto, talvez, pela parte de querer se casar. Ah, sim, e a parte do desejo que surgira subitamente quando ela o vira aos dezoito anos. Agora, com vinte e seis, ela ainda achava que ele era o homem mais incrivelmente lindo e perigoso que já vira.

Jason não matava mais dragões por ela. Não impedia os valentões que implicavam com ela na escola fundamental só porque os cabelos eram vermelhos demais, as sardas eram aparentes demais e ela era tímida demais para se encaixar na multidão popular de crianças.

Naquela época, Jason fora mais importante para ela que a vida, o super-herói de doze anos, mais velho, mais inteligente, que a resgatava sempre que necessário. E uma das coisas que ela mais adorara em Jason era que ele nunca contara aos irmãos mais velhos dela sobre aquelas experiências humilhantes. O cara que conseguia guardar um segredo. Apesar de ter sido muito próximo dos irmãos dela na época, Jason nunca contava nada a Grady, Dante, Jared nem Evan se ela lhe pedisse para não contar. Se Jason tivesse contado aos irmãos o que

acontecia na escola particular esnobe que ela fora forçada a frequentar, eles teriam se envolvido e acabariam encrencados. Adicionar mais confusão à vida dos irmãos na época só teria dado ao pai alcoólatra e abusivo mais motivos para criar o caos. Não que o pai constantemente furioso precisasse de motivo. Ainda assim, Hope não quisera balançar ainda mais um barco que já estava afundando. A vida na casa dos Sinclair fora miserável o suficiente sem adicionar os problemas de infância dela ao drama.

Quando ela fez doze anos, tudo mudou. Jason fora para a universidade naquele ano e ela ficara arrasada. Mas, como toda garota de doze anos, acabara superando a perda do ídolo, vendo Jason apenas nas breves visitas dele a Boston. Durante a adolescência, ele se tornara mais um amigo ou conhecido que ela via de vez em quando, alguém que existia apenas nas fronteiras de sua vida. Pelo menos... até que ela o vira novamente na formatura da escola, um dia em que todos os pensamentos sobre o ícone da infância e o amigo casual mudaram e alteraram completamente e para sempre o que sentia por Jason. Ele não foi mais um deus nem um amigo depois daquele dia. Não... o adorado herói se transformou em algo muito mais perigoso quando Hope fez dezoito anos: Desejo!

Mortificada pela reação do próprio corpo ao vê-lo, ela conseguira esconder a atração no decorrer dos anos. Não fora tão difícil assim. Ela raramente o via e normalmente evitava os eventos em que achava que ele estaria. Nem sempre ela tinha sucesso e havia algumas reuniões que não podia evitar. Mas sempre tinha um namorado e mostrar a atração carnal por Jason fora uma impossibilidade.

Ele morava em Nova Iorque e, apesar de ela viajar muito devido ao estilo de vida maluco que tinha, aquele nunca fora um de seus destinos. Portanto, encontros casuais não aconteciam por causa da geografia. Era um longo caminho de sua casa no Colorado até a cidade de Nova Iorque. Com frequência, ela acabava no meio do nada para avançar na carreira, e certamente não eram lugares em que Jason estaria a negócios.

Os pensamentos de Hope foram interrompidos quando o volume da festa cresceu.

Cinco!

Quatro!

Três!

Dois!

Um!

O relógio marcou meia-noite e o salão enorme explodiu com o barulho.

Feliz Ano Novo!

Hope sorriu ao erguer a taça de champanhe até a boca e dar um gole longo e lento. Grady, seu irmão, deu em Emily, a futura noiva, um dos beijos mais apaixonados que Hope já testemunhara.

Ainda bem que eu vim. É tão bom ver Grady feliz.

Hope hesitara sobre deixar o Colorado e ir para Amesport para o noivado de Grady e a festa de Ano Novo, apesar de ter uma segunda casa maior ali. Era uma época do ano movimentada para ela, estava em um estado de espírito ruim e bastou Grady mencionar que Jason talvez aparecesse para que quisesse desistir. No entanto, ela quisera ver todos os irmãos. Grady fora o primeiro irmão a se apaixonar e ficar noivo.

Agora, ela se sentia feliz por ter ido a Amesport. Os irmãos eram mais importantes do que uma atração ridiculamente constrangedora que ela sentia por Jason. Além do mais, ela e Jason não eram inimigos. Na verdade, eram praticamente estranhos agora, apesar de terem sido amigos no passado.

Em momentos importantes como aquele, não importava o quanto os irmãos Sinclair estivessem ocupados, sempre se reuniam.

Hope precisara ir. Ela detestava se sentir tão separada dos irmãos por causa da forma como vivia a vida. Aquela distância a magoava. Poder testemunhar a felicidade de Grady valia cada momento desconfortável de estar no mesmo lugar que Jason.

Ver Grady assim valeu muito a pena.

A noiva de Grady era adorável e Hope sentiu o rosto quente de vergonha ao pensar nos problemas que causara ao jovem casal. O

irmão Jared era um mulherengo e, algumas vezes, enviava algumas mulheres na direção de Grady. Hope resgatara Grady várias vezes telefonando para a casa dele e fingindo ser sua esposa. Ela fora escrota o suficiente para afastar todas elas. Infelizmente, quando Emily atendera o telefone de Grady, Hope supusera que Jared enviara outra mulher para Grady e fizera o mesmo papel. O problema era que Grady queria Emily. Ops! Por sorte, Emily a perdoara, mas Hope ainda se sentia mortificada.

Um por um, os irmãos se aproximaram e beijaram seu rosto. Ela abraçou cada um deles com força. Apesar de a deixarem completamente maluca com as atitudes de irmãos mais velhos, ela amava Evan, Grady, Dante e Jared com cada fibra de seu ser. Só queria que eles não fossem tão chatos algumas vezes. Sendo a única mulher na família Sinclair, e a mais nova, Hope estava sempre sob a mira dos irmãos mais velhos protetores. Eles a tinham perturbado constantemente por causa do agora ex-namorado, James, pois ele não tinha emprego. Para eles, qualquer pessoa que não fosse um homem rico e bem-sucedido que trabalhasse insanamente não a merecia.

Eles se esqueceriam de James em um piscar de olhos se soubessem o que mais eu estava fazendo. Eu receberia muito mais do que apenas sermões constantes.

Ela sentiu o coração apertado por não poder e não dividir muito da própria vida com os irmãos mais velhos. Isso colocara uma certa distância entre eles que ela nunca desejara. Mas isso acontecera por não dividir muito da própria vida com nenhum deles. Não era que não quisesse. Ela queria muito que fizessem parte de sua vida, mas o preço de contar tudo a eles seria alto demais.

Hope suspirou e tomou um longo gole do champanhe ao pensar em sua existência solitária. Sua vida acabara sendo diferente do que imaginara ao terminar a escola e finalmente se livrar de um lar que fora uma prisão.

Se eu soubesse na época como as coisas seriam, talvez tivesse feito diferente.

 

Agora, ela não era mais prisioneira da mãe crítica, era prisioneira de seus próprios enganos.

A alegria estava por todo o lado e todos brindavam a um novo ano. Hope tinha um sorriso jovial no rosto, mas nunca se sentira tão sozinha.

— Ainda bem que Hope finalmente chutou aquele idiota do namorado.

— Dante teve que gritar para ser ouvido acima do burburinho alto dos convidados que comemoraram o Ano Novo.

Jason Sutherland levantou a cabeça subitamente. — Hope terminou com o namorado?

Dante assentiu. — Logo antes de sair do Colorado. Imbecil.

Quem termina com uma mulher nos feriados de fim de ano?

Jason contraiu os pulsos em reação. — Ele a chutou?

Dante deu de ombros. — Ela não disse muita coisa. Acho que não quer tocar no assunto. Só estou feliz por ele finalmente ter saído da vida dela.

A atenção de Dante se desviou para os irmãos e Jason ficou de costas para ele. Os olhos dele buscaram Hope, que estava sozinha ao lado do bar, bebendo uma taça de champanhe.

Jesus, como ela é linda.

Ele sentiu o peito apertado, o que não era incomum quando via Hope. Fora assim desde o dia em que a vira na formatura da escola.

Eu deveria tê-la roubado naquele dia.

Todos os eventos em que ele a vira depois daquele dia foram uma tortura e aquela festa não era diferente. Ele finalmente tivera que se

virar de costas para impedir-se de ir até ela, tirar sua roupa e fodê-la ali mesmo.

Hope Sinclair era sua obsessão particular, uma mulher que conseguia transformá-lo de um pensador racional em um maníaco compulsivo obsessivo com apenas um olhar. Ela não tentava ser provocante. Não precisava. Para ele, Hope era a personificação da provocação, bastava ficar em algum lugar onde conseguisse vê-la.

E, pela primeira vez desde que a vira na formatura da escola, ela estava disponível.

Porra. Isso a deixou totalmente irresistível.

O coração de Jason ficou apertado quando olhou para ela: sorrindo, mas solitária, exatamente como ele. Jason ficou imaginando se ela se sentia tão sozinha e inquieta como ele naquele momento.

Ele a olhou de cima abaixo, dos cabelos ruivos presos no topo da cabeça ao corpo com curvas generosas e, finalmente, aos saltos finos sensuais. Os sapatos dela faziam com que tivesse fantasias de fodê-la enquanto aqueles saltos se enterravam em seu traseiro, enquanto ela gritava seu nome ao ser atingida por um clímax poderoso.

Merda! Não aguento mais isso.

O pênis ereto se contraiu com impaciência, forçando o zíper da calça. Por sorte, ele estava de casaco, o que evitou que o salão inteiro visse sua fixação sexual secreta por uma mulher que deveria ser um tabu.

Ela é a irmã mais nova de Grady.

Jason era amigo dos Sinclairs desde que conseguia se lembrar.

Ele crescera perto deles em um bairro muito exclusivo em Boston.

Grady e Dante eram amigos muito próximos dele, mas isso não o impedira de querer atacá-la o tempo inteiro, apesar de ter sido uma certa restrição. O maior obstáculo sempre fora o namorado. Jason não gostava de dividir e, se tivesse Hope Sinclair, nunca conseguiria tolerar pensamentos de outros homens na cabeça dela enquanto estivessem trepando. Além do mais, ele conhecia Hope o suficiente para saber que ela não transaria com ele enquanto ainda estivesse envolvida com outro homem. Jason sofrera em silêncio, conseguindo

manter, por pouco, a necessidade profunda que sentia dela sob controle sempre que se encontravam.

 

Ela está disponível. Nada de namorado.

Ele quase literalmente sentiu a trava em seu desejo ser liberada, deixando o corpo queimando com a vontade de se enterrar em Hope e reclamá-la como um homem das cavernas ensandecido. Ele estreitou os olhos ao observá-la intensamente. Já passara da hora de dar o primeiro passo.

Minha.

Com determinação, ele colocou o copo sobre uma mesa e andou na direção de Hope, com a intenção de tomá-la antes que perdesse completamente o juízo.

— Feliz Ano Novo, Hope. — O tom barítono aveludado estava tão perto que Hope sentiu o movimento do ar na têmpora quando o hálito quente atingiu seu rosto. Ela sentiu o corpo estremecer em uma resposta involuntária quando mãos grandes e quentes pousaram sobre seus ombros firmemente e viraram-na para encarar a voz.

Sim, ela observara Jason a noite inteira. Seus olhos ficaram grudados no corpo alto e musculoso, imaculadamente vestido em um terno preto que ele usava de forma tão casual como usaria uma calça jeans. Mas estar tão perto dele era enervante. Jason Sutherland era uma pessoa extremamente confortável consigo mesmo, independentemente do que vestisse. Era algo que sempre a atraíra nele, em qualquer idade.

No entanto, tão de perto e com Hope muito além da idade de adorar um herói, ele a deixava muito nervosa.

Ele era perceptivo demais e os olhos azuis penetrantes sempre pareciam capazes de olhar para dentro de sua alma. Isso era desconfortável e tinham deixado Hope inquieta perto dele durante a vida adulta.

— Feliz Ano Novo, Jason — murmurou ela, sorrindo polidamente.

Ai, meu Deus, como o cheiro dele é gostoso.

Hope sentiu o calor pulsando entre as pernas só de inalar o perfume amadeirado dele, a essência dos feromônios masculinos que podiam deixar uma mulher embriagada. Ela fez o possível para não fechar os olhos e deixar-se afogar naquela voz profunda dele, que quase dizia “ vamos trepar”, e no perfume masculino.

Ela inclinou a cabeça para trás e ficou hipnotizada pelos olhos azuis. A cor lembrava o céu em um dia perfeito de verão. Com uma altura média de um metro e setenta, aumentada pelos saltos torturantes que usava, Jason ainda era muito mais alto, fazendo com que se sentisse um pouco sufocada ao tê-lo tão perto. Defensivamente, ela deu um passo atrás. As mãos dele caíram de seus ombros.

Um olhar rápido de desapontamento surgiu no rosto de Jason, mas sumiu rapidamente, substituído por um sorriso malicioso, um sorriso que quase fez com que Hope derretesse.

— Quero meu beijo de Ano Novo — disse ele com voz divertida e olhos ardentes.

Não. Nem pensar, garotão. Se eu chegar tão perto de você de novo, vou me perder no seu perfume, vou me afogar nesses olhos azuis.

Hope sabia que, se o deixasse chegar perto demais, a fachada cuidadosamente erguida, na qual trabalhara tão duro para aperfeiçoar no decorrer dos anos, desmoronaria. Mas também sabia que não poderia recusar completamente. Ela não tinha motivo algum para não beijá-lo.

Afinal de contas, ele era amigo da família. Com cuidado, ela se aproximou e apresentou a bochecha para ele.

Jason tirou a taça de champanhe da mão dela, colocando-a sobre uma mesa próxima. — Não era exatamente isso que eu tinha em mente, linda. — Pegando-a pela mão, ele não disse nada ao conduzi-la até as portas da varanda no outro lado do salão e levou-a para o lado de fora.

Perplexa, Hope parou quando ele fechou a porta. Eles estavam sozinhos no pátio. E estava muito frio! Ela usava um vestido de festa preto relativamente conservador, de mangas longas, mas a bainha ficava na altura dos joelhos e o ar frio subiu pela saia, quase congelando o corpo inteiro. Ela esfregou os braços e estremeceu. — O

que está fazendo? Você ficou maluco? Está muito frio aqui fora. — Ela rangeu os dentes de frio.

Imediatamente, ele tirou o casaco e colocou sobre os ombros dela, usando as lapelas para puxá-la para mais perto. — Eu precisava de privacidade e ficarei mais do que feliz de aquecer você — respondeu ele com a voz rouca e misteriosamente urgente.

Hope adorou o contato do casaco, ainda com o calor do corpo dele.

Droga, tem o cheiro dele.

— Por que precisamos vir para fora? — perguntou ela confusa.

— Você poderia ter só...

Ele puxou o corpo dela, usando o casaco, contra o próprio corpo quente e sólido, cortando qualquer protesto que ela pretendia fazer ao cobrir a boca de Hope com a sua. Os dedos do pé de Hope se contraíram dentro dos sapatos de salto alto quando Jason tomou posse de seus lábios e enterrou a mão nos cabelos ruivos. Os grampos que os seguravam voaram no ar quando Jason a devorou. Ela soltou uma exclamação de surpresa, o que deu a Jason a oportunidade de aprofundar o beijo, inclinar a cabeça dela e explorar os recessos de sua boca com a língua de forma tão intensa que Hope ficou sem fôlego. O

corpo traidor assumiu o controle e respondeu a ele como se sua vida dependesse disso. Ela passou os braços em volta do pescoço de Jason e rendeu-se ao abraço dele. Jason comandou e ela obedeceu, deixando que ele atacasse cada um de seus sentidos enquanto respondia à exploração dominante.

Era aquilo que ela quisera, aquilo que precisara de Jason desde a formatura da escola, o dia em que finalmente admitira para si mesma que se sentia atraída por ele. Jason nunca fizera qualquer movimento em sua direção, nunca a tratara de outra forma que não como amiga, mas ela quisera... aquilo. Ela sentira a tensão sexual entre eles desde o dia em que o vira na festa da formatura. Sem saber se o desejo era apenas dela ou dos dois, ela evitara todos os contatos diretos e as conversas íntimas com ele desde que percebera o que sentia. Agora, ela sabia que a atração era mútua. A prova disso estava firmemente encostada na parte inferior de seu abdômen. Ela não sabia se queria comemorar ou fugir. As sensações que surgiram daquele abraço carnal eram novas para ela, tão excitantes quanto assustadoras.

No fim, o corpo traidor de Hope tomou a decisão sozinho. Os hormônios femininos gritaram felizes quando ela deixou os dedos deslizarem pela textura áspera dos cabelos dele, puxando-o para mais perto.

Mais perto. Preciso ficar mais perto dele. Preciso disso.

Preciso dele.

Ela deixou a língua duelar com a dele, entregando-se ao momento. Jason era um tabu, uma fantasia secreta que tomou vida, e ela se deixou mergulhar na paixão do toque desesperado dos lábios dele. Ele deu vida ao corpo dela pela primeira vez em muito tempo e com muito mais intensidade do que jamais sentira. Com Jason, ela não queimava lentamente sob o beijo apaixonado; sentia-se incinerada, tomada pela masculinidade dele. O calor entre os dois a consumia totalmente.

Finalmente, ele afastou a boca. Os dois estavam ofegantes por causa do encontro fora de controle.

— Era por isso que eu precisava de privacidade — disse ele com tom faminto. Ele tinha o rosto enterrado nos cabelos dela e Hope estremeceu com o calor da respiração de Jason em seu pescoço. —

Observar você do outro lado do salão estava me matando.

Voltando à realidade, Hope tentou se afastar dele. — Jason, eu...

— Não — resmungou ele, apertando os braços em volta dela. —

Não me diga que não queria isso e muito mais, tanto quanto eu quero.

Ela não poderia dizer aquilo porque teria sido uma mentira.

Houvera mentiras suficientes em sua vida. Ela não esperara que o corpo respondesse ao desejo daquela forma, mas tivera uma reação volátil a Jason. — Eu queria. Se não quisesse, você estaria agora gritando de dor depois de levar uma joelhada entre as pernas.

E, meu Deus, eu quero mais. Mas não posso. Não posso fazer isso.

Ela nunca se entregaria completamente ao desejo físico e sabia instintivamente que, com Jason, provavelmente seria tudo ou nada.

Ele nunca era brando em nada do que fazia e ela tinha certeza de que queria tudo dela.

Uma risada rouca vibrou perto do seu ouvido. — Fico feliz em saber que você não mudou muito — disse ele em tom divertido.

Ah, mas como mudei. Você ficaria surpreso se soubesse como estou diferente. — Você não me conhece mais. — Ela recuou lentamente, já sentindo falta da sensação incrível de estar contra o corpo dele.

Ele a segurou pelos ombros e enrolou-a mais firmemente com o casaco. — Talvez não — disse ele. — Mas quero recuperar o tempo perdido. Quero você. Fique comigo esta noite, Hope. Vamos em uma aventura juntos, como fazíamos quando éramos crianças.

Aquele comentário a atingiu como um raio diretamente no coração. As pequenas aventuras com Jason tinham sido o destaque em sua infância. A maioria das chamadas aventuras terminava na loja de doces local, pois Jason adorava chocolate, ou na sorveteria, pois ela implorava a ele que a levasse lá. Mas Jason sempre transformava aquelas excursões simples em aventuras malucas. Olhando para trás, ele não se importava em fazer o papel de um capitão do mar ou um explorador, quando já estava no ensino médio, só para diverti-la. —

Não tenho mais dez anos — resmungou ela infeliz.

— Acredite, estou muito ciente disso — respondeu Jason em tom sombrio e enigmático.

Hope colocou as mãos nos bíceps bem definidos dele. Ela o encarou e estudou sua expressão, sem conseguir decifrar muito sob a luz difusa do pátio, exceto pelo toque de desejo que continuara em seus olhos. — Por quê? Você tem mulheres caindo a seus pés diariamente. Por que eu? Por que agora? Você poderia escolher a mulher mais linda do salão se quisesse matar um pouco de tempo. —

Jason Sutherland era um investidor bilionário e, aos trinta e um anos, era um dos solteiros mais cobiçados do mundo. Mesmo sendo uma amiga da família, por que ele queria passar algum tempo com ela?

Apesar de Hope ter uma casa ali, em Amesport, Maine, ela não morava lá. E Jason viera de avião só para a festa de Ano Novo e de noivado de Grady. Os dois iriam embora na manhã seguinte. Talvez ele estivesse apenas inquieto e entediado. Ainda assim, havia muitas mulheres atraentes no salão dentre as quais escolher, se ele quisesse alguém apenas por uma noite. Ela não poderia lhe dar o que ele queria. E ela queria mais do que poderia aceitar dele. Jason fazia com que ela o quisesse como uma droga altamente viciante. Mas ela sabia que não conseguiria absorvê-lo como queria.

Jason deu de ombros. — Eu escolhi a mulher mais atraente da festa e não preciso matar tempo. Só não quero fingir hoje à noite, Hope.

A sensação profunda de solidão na voz dele encontrou eco na alma de Hope. Ela nem agiria como se não soubesse o que ele queria dizer. Ela sabia. Jason estava sempre rodeado de pessoas, vivia no mundo dos mega ricos, mas Hope sabia, por experiência própria, que era difícil saber quais eram os motivos delas quando diziam ser amigas ou quando diziam que se importavam. A maioria do mundo em que tinham crescido era superficial. Fora por isso que ela evitara a mídia e optara por viver fora daquela esfera ao ficar adulta. No entanto, Jason não tivera opção. Ele era jovem demais para se aposentar e, de qualquer forma, não fazia parte da personalidade dele. Ele sempre tivera motivação.

Hope ergueu a mão até o rosto dele e acariciou o maxilar forte.

Ela adorou a sensação da barba por fazer sob os dedos. — Você tem

mais a oferecer do que dinheiro — disse ela em tom suave e sincero.

Por baixo do exterior brutal de homem de negócios, Jason tinha o coração de um homem que tinha feito praticamente de tudo para animar uma criança que sofrera intimidação dos colegas. Ele até mesmo estivera disposto a bancar o bobo quando deveria ser um garoto popular do ensino médio. Aquele coração ainda batia no peito daquele homem. Ele só aprendera a cobri-lo com uma máscara social e com o instinto de sobrevivência de “ matar ou morrer” dos negócios, como acontecera com os irmãos dela.

— E o que mais eu tenho a oferecer? — perguntou Jason em tom rabugento. Ele passou o braço forte em volta da cintura dela novamente enquanto traçava seu lábio com o dedo indicador.

Além do fato de ter um coração bom e de ter o corpo e o rosto de um deus? Ahm... além do fato de ser gostoso o suficiente para derreter praticamente qualquer mulher? Ah, sim, esqueci de dizer que você também é incrivelmente brilhante...

Jason não era só atraente, ele era a fantasia secreta de todas as mulheres. Ela nunca o vira nu, mas tinha certeza de que seria de tirar o fôlego. Não era difícil ver que ele estava em excelente forma, mesmo vestido, e os ombros largos e a altura faziam com que parecesse perigoso e formidável. Os cabelos dourados tinham vários tons sensuais e estavam cortados em um estilo que fazia com que parecessem estar constantemente desarrumados. Era incrível que Jason conseguisse deixar aquele estilo tão sexy e sofisticado, mesmo usando terno. Ou melhor... especialmente usando terno. Em Jason, o corte era polido e urbano, apesar de ser uma aparência desarrumada que fazia com que todas as mulheres, especialmente ela, quisessem arrancar as roupas dele e levá-lo para cama só para que parecesse ainda mais desarrumado.

— Você tem um bom coração, Jason — respondeu ela finalmente, distraída pelo toque sensual do dedo dele em seu lábio e pelo olhar faminto nos olhos de Jason. Ela achou melhor deixar de fora o fato de ele ser tão sexy.

Ele jogou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada.

— O quê? É verdade — respondeu Hope em tom firme, ficando um pouco irritada.

Ele parou de rir, abrindo um sorriso malicioso. — Eu sou um escroto, Hope.

Ela não tinha como discordar. Qualquer um que fosse tão rico quanto Jason tinha uma parte implacável. — Só na superfície — disse ela baixinho, descendo a mão do rosto para o ombro dele.

Ele brincou com um cacho dos cabelos de Hope com expressão pensativa. — Você ficaria surpresa de ver como a parte escrota vai fundo. — Ele soltou um suspiro. — Minha doce Hope, salvadora de todas as criaturas em necessidade, quer tentar me reabilitar? —

perguntou.

Jason não precisava mudar. Só precisava de alguém que o entendesse. Ela fez uma careta ao ouvir o que ele dissera, mas, algumas vezes, realmente tentava salvar animais ou seres humanos em necessidade. Quase sempre, aquela característica particular a devorava por dentro devido ao caminho que escolhera na vida. — Ainda tenho Daisy — confessou ela. Jason lhe dera a gatinha branca com algumas manchas marrons quando Hope o encontrara na formatura da escola.

Daisy fora abandonada na rua e estava faminta. Jason a levara para Hope, que nunca tivera coragem de se desfazer de Daisy. Fora amor à primeira vista e a gata era sua companheira fiel.

— Achei que você a faria engordar e encontraria um lar para ela — comentou Jason.

— Não consegui. — Não que Hope tivesse se esforçado para se livrar da gata. Na verdade, nunca nem tentara. Só precisara de cinco minutos para se apaixonar pela gatinha adorável. — Ela é surda, ninguém a quis — acrescentou ela na defensiva quando Jason a olhou ceticamente. A gata de olhos azuis não escutava, mas isso não a deixava mais lenta. Daisy provavelmente nascera surda e não parecia sentir falta de algo que nunca tivera. No entanto, Hope não podia deixá-la sair de casa por causa do perigo de a gata estar do lado de fora e não ouvir um perigo iminente, apesar de isso não parecer perturbar Daisy.

— Eu sinto muito — disse Jason com remorso. — Eu não pretendia deixá-la presa a uma gata surda.

— Não sinta — retrucou Hope. — Eu a amo. Ela é uma excelente companhia. — Não era fácil para Hope ter um animal por causa das viagens que fazia, mas ela conseguira com a ajuda da vizinha quando não podia levar Daisy consigo.

— Companhia melhor do que o seu ex-namorado? — perguntou Jason em tom rabugento.

Ah sim... ele.

— Com certeza — respondeu ela firmemente. Jason passou o dedo sensualmente pelo seu rosto e ela estremeceu.

— Você está com frio. — Jason pegou a mão gelada dela e levou-a até a porta. — Vamos sair daqui. Venha comigo — disse ele em tom persuasivo ao chegarem à porta.

Venha comigo.

Só não estou com vontade de fingir hoje à noite.

Hope olhou para Jason, estudou os olhos dele e tentou entender a urgência. A expressão dele era segura, o maxilar ainda estava contraído, mas havia um toque de persuasão nos olhos dele que ela não conseguiu ignorar.

Não posso. Não, não, não. Não com Jason. Não posso deixar que esse olhar implorador me atinja.

No fim das contas, o coração a traiu. — Está bem. Encontro você lá na frente. Mas não vou dormir com você. Portanto, se só quer transar, não apareça. — Alguma coisa perturbava Jason e ela queria saber exatamente o que estava acontecendo com ele. Além do mais, queria ficar com ele. Os dois partiriam na manhã seguinte e provavelmente demoraria muito para que se encontrassem novamente.

Apesar de ser perigoso ficar sozinha com ele, também era uma tentação à qual não podia resistir. Além do desejo, ela sentia muita falta dele.

Só tenho hoje à noite.

— Não é só isso que quero — respondeu Jason ao abrir a porta para ela.

A apreensão a invadiu como uma onda gelada ao notar o tom profundo da voz dele e o fato de não ter negado que queria dormir com ela. Hope devolveu o casaco a ele. — Então, não vai tentar me seduzir?

— Provavelmente irei em algum momento, pois não vou conseguir me conter, mas você pode dizer não — respondeu ele sério.

É este o problema. Não sei se vou conseguir dizer não.

Ela endireitou os ombros e olhou para ele de forma desaprovadora. — Não tenho problema algum em dizer não — mentiu ela ao se afastar, evitando a multidão.

— Hope? — Jason segurou gentilmente o braço dela.

— Sim?

— Ainda será uma noite agradável, mesmo que você diga não.

Só quero passar um tempo com você. — A voz dele vibrava com intensidade.