Bilionário Indomado: Tate

J. S. Scott · Capítulo 9 de 18

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Bilionário Indomado: Tate

Capítulo 9

Marcus não parecia ter sido afetado pelo que acontecia, mas os olhos dele estudaram Tate à medida que se aproximava.

Sem uma palavra, Tate jogou o braço para trás e deixou o punho voar, atingindo o rosto do irmão. O agente atrás de Marcus precisou segurá-lo para mantê-lo de pé.

— Isso é por trair o seu país e por deixar que Lara fosse ferida, seu imbecil egoísta — disse ele com voz ameaçadora. Em seguida, ele deu as costas a Marcus e voltou para o lado de Lara, pegando a mão dela.

As lágrimas correram pelo rosto de Lara. Ela sentiu o coração apertado por causa da traição que Tate sentia naquele momento.

Não terminaria ali, ela sabia. Tate teria feridas mais profundas do que as físicas ao ter a lealdade despedaçada pelo irmão mais velho.

Ela apertou a mão dele em uma demonstração de apoio.

Ele a conduziu para fora do hangar, sem olhar para Marcus ao ajudá-la a entrar no carro. O agente dirigiu como um louco para o hospital.

 

Gabe Walker estacionou a caminhonete enorme em uma vaga ao longo da rua principal de Rocky Springs, sentindo as entranhas contraídas por causa do que teria que fazer.

Ele saiu do veículo e balançou a cabeça lentamente enquanto colocava o chapéu Stetson preto. As pessoas brincavam, chamando-o de caubói bilionário, mas ele nunca se ofendera. Ele morara no Texas durante a maior parte da infância e tinha uma família rica, com uma fortuna proveniente do petróleo. Como Blake, o pai dele também tinha um rancho de gado. Portanto, Gabe achava que era tão caubói quanto qualquer outro, ainda mais que Blake, a quem muitos chamavam de caubói senador.

Ele parou à porta e olhou para a placa bonita na janela: Chloe Colter, Médica Veterinária Ele ainda achava difícil acreditar que a pequena Chloe Colter agora era veterinária, e uma excelente veterinária, pelo que ouvira dizer.

E não é mais tão pequena.

Gabe admitia com facilidade que aquela mulher o deixava de pau duro. Isso começara a acontecer desde que ela voltara para a cidade e ele a vira mais de um ano antes, uma mulher adulta e com todas as curvas nos lugares certos. Ela era uma mulher linda e ficava meio irritada sempre que ele estava por perto. Ok… sim… talvez ela tivesse motivos para desgostar dele um pouco. Mas não parecia que ela superaria o incidente em um futuro próximo.

Ele soltou um suspiro ao abrir a porta e aproximar-se da mesa da recepção da clínica de Chloe, voltando a mente para a tarefa à mão.

Ora, como poderia contar a ela o que estava acontecendo se nem ele conseguira entender completamente?

— O que você está fazendo aqui? — O banco da recepcionista estava vazio e a cabeça de Chloe surgiu no corredor. Ela o olhou friamente.

Ele tirou o chapéu e gesticulou para que ela fosse para a sala de espera, que estava vazia. O expediente já terminara, mas, como sempre, Chloe ainda trabalhava com os animais. — Preciso falar com você, Chloe.

Ela provavelmente reagiu ao tom sério da voz dele, pois saiu para a área de recepção imediatamente. — O que foi? — Ela fechou a porta atrás de si e parou em frente a Gabe com uma expressão interrogativa no rosto.

Minha nossa, como ela era linda. Ele engoliu em seco ao olhar para ela.

Conte logo a ela. Enrolar não tornará as coisas mais fáceis.

— Tate está ferido. Ele está no hospital — disse ele com voz grave.

O rosto dela ficou sombrio e um olhar desesperado tomou o lugar da expressão de curiosidade. — Ai, meu Deus. É grave? O que aconteceu? Ele vai ficar bem?

Ele não sabia detalhes. Blake recebera um telefonema e Gabe estivera na casa dele discutindo alguns problemas do rancho quando o amigo recebeu a notícia de que Tate estava ferido e que a pista de pouso na propriedade dos Colters fora isolada como cena de um crime investigado pelo FBI.

— Não sei. Vou levar você até o hospital. Blake foi buscar sua mãe.

Ele contou a ela que o ferimento acontecera na pista de pouso e que o acesso a parte daquela área fora restringido como parte da cena de um crime.

— Por quê? — Chloe o encarou. — Ele caiu com um avião?

Gabe balançou a cabeça negativamente. — Só o que sei é que parece que ele foi esfaqueado por uma pessoa desconhecida. É uma investigação do FBI e não sabemos muito mais do que isso. — Ele respirou fundo antes de acrescentar: — Mais uma coisa, Chloe.

Meu Deus. Como ele contaria a ela sobre a outra tragédia na família quando Chloe já estava assustada por causa de Tate? Mas ele precisava. — Seu irmão Marcus foi preso.

Chloe colocou as mãos nos quadris. — Por favor, diga-me que isso tudo é alguma piada de mau gosto. Isso não é possível. Marcus é a pessoa mais correta que conheço. Por que diabos ele seria preso?

Gabe pensara a mesma coisa, mas era verdade. — O FBI o prendeu por conspiração para cometer um ato de terrorismo. — Ele mesmo mal conseguia acreditar naquilo. Ele não conhecia Marcus tão bem quanto conhecia Blake, mas nunca imaginaria um cara tão correto como Marcus fazendo aquilo.

— Por favor, diga-me que está brincando — pediu Chloe. Os olhos dela brilharam com lágrimas.

— Posso ser um escroto às vezes, Chloe, mas juro que não brincaria com algo assim. Sinto muito. — Ele não aguentou ver aqueles olhos acinzentados vulneráveis encarando-o como se estivessem implorando. Ele queria dizer a ela que não estava falando sério, mas não podia. Ele estava falando muito sério. — Pegue seu casaco, querida, e eu a levarei para o hospital para ver Tate.

— Sim, sim, vou buscá-lo. — Chloe parecia atordoada ao abrir a porta e voltar ao escritório para buscar as roupas de inverno e a bolsa.

Gabe pegou a bolsa da mão dela e ajudou-a a vestir o casaco. Em seguida, pegou o capuz e colocou gentilmente sobre suas orelhas, enrolando logo depois o cachecol em volta de seu pescoço.

— Pode dirigir depressa, por favor? — pediu ela ao saírem. Ela tentou trancar a porta com a mão trêmula.

Ele pegou a chave, trancou a porta e guardou o chaveiro dentro da bolsa dela. — O mais depressa que for seguro — prometeu ele ao abrir a porta da caminhonete e ajudá-la a entrar.

Ela ainda parecia estar em choque. Ele afivelou o cinto de segurança dela antes de fechar a porta gentilmente e dar a volta correndo no veículo.

Depois de sentar no banco do motorista, ele ligou a caminhonete e iniciou o curto percurso até o hospital. Ele dirigiu o mais depressa que ousou nas ruas cheias de gelo, o que era bem acima do limite de velocidade das vias.

— Não sei o que pensar. Não sei como acreditar nisso tudo —

murmurou Chloe baixinho.

— Vai ficar tudo bem, Chloe. Vamos descobrir tudo assim que chegarmos ao hospital. Tate estará bem. Você sabe que ele é muito inquieto para ficar parado por muito tempo. — Gabe torceu muito para que ele estivesse bem.

— Estou preocupada com mamãe. Ela não vai aceitar isso muito bem. Mesmo que Tate esteja bem, Marcus ser acusado de algo tão horrível a deixará muito chocada.

— Não sabemos o que aconteceu. Vamos descobrir os fatos primeiro. Talvez seja tudo um grande mal-entendido. Blake disse que o agente que telefonou não deu muitos detalhes.

Ela soltou um suspiro longo e alto, como se estivesse tentando se acalmar. Gabe viu que a mão dela tremia ao apoiar o braço no console entre os dois assentos. Ele não parou para pensar.

Estendendo o braço, ele segurou a mão trêmula dela e apertou-a de leve. — Respire, Chloe.

Ela respirou fundo novamente. Gabe ficou surpreso por ela não puxar a mão. Ela entrelaçou os dedos nos dele, confiando nele ao assentir.

O coração dele bateu mais forte e ele acariciou a mão dela com o polegar. Era como se Chloe tivesse dado a ele o mundo ao segurar sua mão. E talvez tivesse… pois ela se sentira reconfortada com o toque dele e retribuíra com confiança.

Só aquele… aquele breve momento significava tudo para ele.

Segurar a mão dela é melhor do que qualquer sexo que já fiz na vida.

Quando Gabe entrou no estacionamento do hospital, ele torceu muito para que as coisas não fossem tão ruins quanto pareciam naquele momento. Mas se fossem… ele de alguma forma, de alguma maneira, compensaria tudo para Chloe.

Ele odiou romper a conexão frágil entre os dois ao estacionar, mas ambos saíram rapidamente do veículo, ansiosos para entrar no hospital.

Ele estendeu a mão quando ela teve que passar por cima de um bloco de cimento no chão. Chloe pegou a mão dele novamente.

Gabe entrelaçou os dedos nos dela ao correrem em direção à

 

entrada, feliz por estar ali para apoiar Chloe, mas perguntando-se por que ela não se dera ao trabalho de telefonar para o noivo.

— Quero sair desta merda de lugar… agora — resmungou Tate ao tentar se sentar no leito da sala de emergência do Centro Médico de Rocky Springs.

Blake, Chloe, a mãe de Tate e Gabe Walker estavam parados ao pé da única cama do quarto.

Lara estava ao lado de Tate e empurrou-o de forma gentil e firme de volta para o travesseiro. — Você não vai embora agora. Precisa terminar o soro que lhe deram. Você perdeu sangue demais.

Por sorte, nada de importante fora danificado e Tate não precisara de nada além de reposição de fluidos, remédios e várias suturas para fechar o ferimento.

— Vou sair daqui — informou Tate a ela com teimosia. — Ora, perdi mais sangue quando doei.

Lara poderia argumentar contra o que Tate dizia, mas não se deu ao trabalho. Ela se aproximou dele e colocou a boca perto de sua orelha, sussurrando sensualmente: — Caso se comporte, prometo que vou chupar você mais tarde de uma forma que sua cabeça vai explodir.

Ok… ela não era exatamente especialista em sexo oral, mas Tate não precisava saber disso. Ela se afastou dele, colocando o rosto em frente ao de Tate, e passou a língua sobre os lábios deliberadamente.

Tate cedeu imediatamente e deitou-se novamente sobre o travesseiro. — Vou ficar até terminar o soro — concordou ele depressa.

Lara sorriu para ele. — Obrigada.

— Sente-se — exigiu ele. — Parece que você precisa mais desta cama do que eu. O filho da puta acabou com o seu rosto.

Lara se olhara no espelho e sabia que seu rosto estava feio. Não houvera fratura, mas o maxilar e a bochecha estavam inchados e roxos. O pequeno corte na bochecha fora limpo e mal podia ser notado. — Sobrevivi a coisas muito piores. — Ela repetiu as palavras dele, mas puxou a cadeira para perto da cama e sentou-se.

— Será que eu quero saber o que você acabou de dizer a ele para que o convencesse a ficar? — perguntou Blake desconfiado.

Lara virou a cabeça para olhar para a família de Tate. Blake e Chloe ainda pareciam estar em choque por causa da situação, a expressão de Gabe era sombria e a mãe de Tate chorava silenciosamente. As lágrimas escorriam pelo rosto de Aileen, mas ela mantinha a boca firmemente fechada.

— Eu disse a ele que você e Gabe iam segurá-lo — mentiu Lara descaradamente.

Tate emitiu um som de desprezo. — Se você tivesse dito isso, eu já teria saído daqui. Aqueles dois não iam conseguir me deter.

Lara lançou um olhar de advertência a Tate e mudou de assunto. —

Um dos agentes trouxe a caminhonete de Tate para cá. Posso levá-lo para casa quando ele terminar. Sei que foi um dia estressante. Talvez seja melhor vocês irem descansar.

— Eu gostaria de ver Marcus — disse Aileen finalmente com a voz trêmula.

— Ele já está sendo transportado para a sede do FBI em Washington. Ele é um caso um tanto especial e os agentes de Denver disseram que receberam ordens superiores para levá-lo para lá assim que possível. Sinto muito, sra. Colter. Ele será julgado e, em algum momento, você poderá vê-lo. — A dor nos olhos da mulher mais velha fez com que Lara sentisse vontade de chorar. Os crimes de Marcus tinham literalmente destruído a família inteira. Estavam todos arrasados. Os Colters eram uma família respeitada e admirada, e todos acabariam prejudicados pelo que Marcus fizera.

— Também terei que ir a Washington — disse Blake em tom baixo e grave. — Eles querem me interrogar. Eu não ficaria surpreso se todos nós precisarmos testemunhar em algum momento.

— Você está sob suspeita? — perguntou Tate com raiva. — Culpa por associação. Merda. Isso acabará com sua carreira quando for divulgado, Blake, mesmo não tendo culpa de absolutamente nada.

Blake balançou a cabeça devagar. — A última coisa que me importa no momento é minha carreira política — respondeu ele com os olhos cheios de tristeza e preocupação. — Eu sei que você viu com os

próprios olhos, Tate, mas acho que ainda não quero aceitar que Marcus seja culpado.

— Nem eu — sussurrou Aileen com voz chorosa.

— Nem eu — acrescentou Chloe.

Blake colocou os braços em volta da irmã e da mãe, com expressão sombria.

— Eu queria poder dizer o mesmo — murmurou Tate. — Mas eu vi tudo e ele não é o irmão que conheci a vida inteira. Não sei o que aconteceu com ele.

Lara estendeu o braço e segurou a mão de Tate, sentindo a dor emocional dele. Minha nossa, não importava a rapidez com que ele cedera a ela em troca de prazer sexual. Em algum lugar, lá no fundo, Tate devia se ressentir por ela ter acabado com a família dele.

Chloe e Aileen foram para o outro lado da cama e abraçaram Tate gentilmente quando Blake anunciou que queria levar a mãe de volta para casa. Gabe se ofereceu para levar Chloe.

— Alguém precisa ficar de olho em Tate — disse Chloe firmemente.

— Ele pode agir como se fosse durão, mas precisará de um pouco de ajuda. Vou ficar com ele.

— Lara vai ficar comigo. — Tate beijou a irmã na testa antes que ela endireitasse o corpo. — Pode pedir a alguém que pegue as coisas dela no hotel e leve-as para a minha casa?

— Gabe e eu cuidaremos disso — concordou Chloe ao olhar para Gabe em busca de confirmação.

Gabe assentiu rapidamente, concordando.

— Obrigado. — Tate olhou para a família ao falar: — Isso não vai acabar conosco. Somos Colters e lidaremos com isso juntos.

Lara observou quando Aileen endireitou o corpo. — Sim, tem razão.

— É claro que sim — confirmou Blake.

— Vamos superar isso — afirmou Chloe.

— Seus amigos ajudarão. — Gabe deu um tapinha nas costas de Blake.

Lara ficou maravilhada com a força que sentiu no quarto pequeno.

Havia tristeza, mas um espírito resistente também estava presente.

Todos estavam pesarosos no momento, mas ela não tinha dúvidas de que superariam a tempestade.

Ela os observou até que todos saíram do quarto e fecharam a porta.

— Vai mesmo ficar comigo? — perguntou Tate, com uma vulnerabilidade atípica na voz rouca.

Lara já falara com o chefe, dizendo a ele que precisava de um tempo para se recuperar e ajudar a família Colter. Ele concordara em lhe dar uma folga. — Só se precisar de mim — respondeu ela. Seu olhar encontrou o dele. Ela desejou poder absorver parte da dor que ainda se refletia no olhar dele.

— Estava falando sério sobre me chupar? — perguntou ele esperançoso.

— Quando você estiver curado. — Ela tentou reprimir um sorriso.

— Não… quando você estiver curada — respondeu Tate ardentemente. Os olhos dele passearam pelo rosto inchado dela.

Ela chegou mais perto dele e repousou a cabeça gentilmente em seu abdômen sobre o lençol branco. Ela se sentia emocionalmente esgotada e muito grata por Tate estar vivo. — Eu fiquei com medo —

admitiu ela em um sussurro.

Talvez ela não devesse sentir tanto medo como agente federal, mas ficara aterrorizada de que Tate acabasse morto. Ela assumia aquele risco para si mesma todos os dias ao fazer o seu trabalho e aceitaria seu destino se fosse necessário para tirar terroristas da rua. Mas o medo e a culpa que sentira ao envolver Tate era a parte que não conseguia superar. Para ela, Tate era tecnicamente um civil e Lara o envolvera em uma investigação do FBI que quase o matara.

— Naquela situação em particular, você teria que ser louca ou completamente idiota para não sentir medo. E você não é nem uma coisa nem outra, querida. É uma reação natural. — Ele deslizou os dedos pelos cabelos desgrenhados de Lara, massageando o couro cabeludo. — Você é a mulher mais corajosa que já conheci.

Lara suspirou, deixando o corpo relaxar pela primeira vez desde aquela manhã, e saboreou a conexão inexplicável que tinha com Tate até que a enfermeira chegasse para tirar o soro e prepará-lo para ir para casa.