Bilionário Indomado: Tate
Capítulo 6
—Você e papai brigaram alguma vez? — perguntou Chloe Colter à mãe. Elas estavam sentadas à mesa juntas para tomar um café da manhã tardio. A mãe chegara em casa em um voo cedo e Chloe fora ao aeroporto buscá-la.
Aileen Colter amava todos os filhos igualmente e preocupava-se com problemas diferentes para cada um deles. Mas, naquele momento, ela estava preocupada com Chloe. Sendo a única filha mulher e a mais nova, ela sempre tivera uma personalidade exuberante, uma alegria que parecia irradiar de sua alma.
Ultimamente, aquela luz que era Chloe parecia ter desaparecido. —
Algumas vezes, sim — respondeu ela à filha com cuidado, imaginando por que Chloe perguntara sobre seu relacionamento com o marido, pai de Chloe.
Chloe largou o garfo, deixando a comida intocada, e pegou a xícara de café. — Não me lembro de ter visto vocês dois discutindo.
Aileen olhou para o prato cheio de Chloe e franziu a testa. — O que aconteceu com o seu pulso? — Quando a filha largara o garfo, ela percebera algumas manchas em seu braço.
— James estava tentando me ensinar alguns movimentos de artes marciais. Foi um acidente — explicou Chloe.
Um acidente? Talvez tivesse sido acidental, mas como James machucara o braço de Chloe ensinando artes marciais para uma iniciante? Não era um machucado pequeno. O pulso inteiro e parte do braço estavam roxos e amarelados. — Seu pai e eu discordávamos algumas vezes, mas nós nos respeitávamos o suficiente para não gritar. — O falecido marido, Russell Colter, fora uma pessoa complicada, como os filhos eram, mas nunca levantara a voz. Nunca precisara. Aileen sempre sentia quando havia algo
errado e os dois resolviam conversando. Se as coisas saíam do controle e eles queriam desabafar, nunca faziam isso na frente das crianças. E nunca desrespeitaram um ao outro.
— Ele tinha muita responsabilidade — comentou Chloe. — Nunca ficava bravo e descontava em você?
— Nunca — respondeu Aileen à filha em tom enfático. — Ele conversava comigo a respeito, mas nunca me culpou por algo que não fosse culpa minha. — Ela estudou o rosto da filha e percebeu os círculos escuros sob os olhos de Chloe, bem como as linhas de estresse em volta da boca. — Está tudo bem entre você e James, querida?
— Sim. Tudo bem. Está tudo bem — respondeu Chloe depressa.
Talvez depressa demais. — Ele só parece preocupado e estressado com o trabalho. E, como estou começando a prática, as coisas estão um pouco tensas, acho.
Alguma coisa estava errada. Aileen conseguia sentir. Mas a filha era adulta, tinha quase trinta anos, e ela tinha muito orgulho de Chloe.
Ela não queria se meter, mas pretendia observar o relacionamento deles muito mais de perto. Seu instinto de mãe raramente estava errado. — Você sabe que pode conversar comigo sobre qualquer coisa, certo?
Chloe abriu um sorriso fraco. — Eu sei, mamãe. Obrigada. Senti sua falta enquanto estava longe.
Aileen também sentira falta dos filhos. Chloe ficara longe por muito tempo enquanto estudava e, agora, iria se casar e sair de casa para sempre em questão de meses. Por sorte, James era um médico local e eles morariam em Rocky Springs. No entanto, ela se acostumara a ter Chloe de volta em casa e seria difícil vê-la se mudar de novo.
Eu queria me livrar dessa sensação materna de que há algo de errado com Chloe. Tenho certeza de que é apenas tristeza por vê-la ir embora. James é um médico respeitado e minha filha agora é uma veterinária local. Ele e Chloe terão uma vida maravilhosa juntos.
Infelizmente, Chloe não parecia uma noiva feliz e James era polido, mas distante. Ele sempre fora assim, o que tornara difícil conhecê-lo bem. — Você e James ainda não compraram as alianças? — Aileen sabia que a filha queria uma aliança. Ela vira Chloe olhando
sonhadoramente alianças e anéis de diamante durante meses. Ela sabia também que Chloe queria ter um filho. Apesar de ela ter bastante tempo antes de ter filhos, Aileen se perguntou se Chloe sentia que o relógio biológico estava despertando. Havia momentos em que ela se perguntava se Chloe queria um filho mais do que realmente queria um marido.
— Ele ainda quer esperar até mais perto do casamento.
Uma voz masculina atrás de Aileen a assustou.
— Então termine com aquele idiota e case comigo.
Aileen sorriu e virou-se, feliz ao ver o filho, Blake, e o amigo dele, Gabriel Walker, a voz masculina misteriosa que provocava a filha.
— Blake — exclamou Aileen alegre ao saltar depressa da cadeira e jogar-se nos braços do filho.
As obrigações de Blake como senador dos EUA o mantiveram em Washington DC por tempo demais. Ele passara meses sem ir a Rocky Springs.
Ele a pegou nos braços e girou-a no ar. — Como está minha mãe favorita? — brincou Blake ao abraçá-la com força.
Ela bateu de leve no ombro de Blake. — Sou sua única mãe. Agora, ponha-me no chão. — Ela o repreendeu, mas secretamente adorava a forma como os filhos exibiam abertamente a afeição que sentiam pela mãe e pelos outros irmãos. Eles brigavam como todos os irmãos, mas a devoção uns pelos outros era sempre evidente. E ela fora abençoada com os filhos que criara com Russell: cada um dos filhos era alguém de quem ela se orgulhava e que amava com todo o coração.
Ele a apertou de leve antes de colocá-la de volta no chão. — Ah, bom… mesmo se eu tivesse cinquenta mães, você ainda seria minha favorita — respondeu Blake.
Que fala mansa! De todos os garotos, Blake era o mais charmoso…
o que provavelmente era bom, pois ele era político. Mas, sinceramente, Blake sempre fora assim. Mesmo quando criança, ele conseguia encantar uma cascavel.
Gabriel estendeu os braços para ela e Aileen o abraçou imediatamente. — É tão bom ver você, Gabe. — Era sempre bom ver Gabe Walker. Ele e Blake eram amigos desde a adolescência e Gabe
agora morava permanentemente em Rocky Springs. Ele era dono de um rancho equino muito rentável e fazia fronteira com o rancho de gado de Blake, que se estendia muito além dos limites da cidade. O
marido dela e o pai de Gabe tinham sido bons amigos e Blake e Gabe se tornaram praticamente irmãos durante a adolescência.
Aileen também fora amiga da mãe de Gabe e ficara muito triste quando ele perdera primeiro a mãe e depois o pai. Desde então, ela o considerava quase como um outro filho. Ele devia se sentir solitário na mansão imensa que construíra na propriedade dos cavalos, mas nunca falava sobre o assunto.
Gabe obviamente soubera da chegada de Blake. Provavelmente ele o encontrara no aeroporto e acompanhara-o até em casa para tomar o café da manhã.
Ao soltar Gabe, Aileen se virou para a filha, que se levantara para abraçar Blake. O irmão, o segundo mais velho, quase esmagava a irmã mais nova em um abraço.
Aileen perguntou em tom de brincadeira: — Você acabou de receber outro pedido de casamento, querida. Não vai responder ao pedido de Gabe?
— Não — respondeu Chloe irritada ao olhar friamente para Gabe.
— Já sou comprometida.
Aileen teve que morder o lábio para não sorrir. A forma como Chloe e Gabe brigavam a divertia. Secretamente, ela desejava que Chloe estivesse casando-se com um homem como Gabe. Ele a manteria na linha sem precisar desmerecê-la. Gabe obviamente gostava de Chloe, mas a filha não correspondia. Por algum motivo, Chloe evitava Gabe em cada oportunidade.
O olhar de Gabe encontrou o de Chloe e ele deu uma piscadela. —
Você sabe que só está esperando que um pedido melhor chegue.
— Então terei que esperar para sempre — respondeu Chloe em uma voz quase hostil, mas abrindo um sorriso amarelo. — Por sorte, vou me casar com o homem dos meus sonhos em poucos meses.
— Se você fosse minha mulher, eu já teria colocado um anel no seu dedo. — A voz de Gabe saiu leve, mas seu olhar foi intenso.
— Então, ainda bem que não sou sua mulher — respondeu Chloe em tom duro.
Blake falou para aliviar a tensão: — Onde estão todos?
— Zane está em Denver, trabalhando em um projeto. Marcus deveria ter chegado ontem, mas a tempestade o atrasou. Deve chegar hoje. E Tate está em casa. — Aileen acenou para que todos se sentassem e serviu o café da manhã para os dois homens. Ela não deixou de notar que Chloe rapidamente puxou a manga comprida para baixo para cobrir o pulso machucado.
— Acho que Tate está de olho em uma garota que está hospedada aqui no resort. Fui ver se Lara estava na academia hoje cedo e ela não estava. Acho que ela acabou ficando presa com Tate — contou Chloe a Blake em tom empolgado. Ela se recostou na cadeira. Blake estava sentado à sua direita e Gabe à esquerda. Ela ignorou Gabe completamente.
Blake arregalou os olhos. — Ah, é? E quem é essa mulher misteriosa? E por que ela estaria presa com meu irmão?
Chloe contou o que sabia sobre Lara, comentando que ela não voltara do passeio no dia anterior antes da tempestade. Depois, explicou que Tate saíra para procurar Lara. — Ele me enviou uma mensagem dizendo que a encontrara e que ela estava segura.
Porém, ela não voltou para o resort na noite passada. Deve estar com ele. Eu gosto dela. Deu uma surra em James no judô.
— No sr. Faixa Preta? — comentou Gabe em tom sarcástico.
Sem olhar para Gabe, Chloe respondeu em tom defensivo: —
James é muito bom, mas Lara é fantástica. Ela se ofereceu para me ensinar alguns movimentos de autodefesa.
— Então você acha que Lara ainda está na casa de Tate? —
perguntou Blake.
— Deve estar. Talvez fosse mais perto. A nevasca foi bem forte ontem. — Chloe olhou pensativa para o irmão.
— E Tate tem um Jeep com um limpador de neve que poderia tê-la trazido com facilidade de volta para o resort — Blake relembrou Chloe com um sorriso largo no rosto.
Aileen colocou um prato cheio de ovos, bacon e torradas em frente de Blake e Gabe. — Comam. E não impliquem com seu irmão sobre gostar de uma mulher. Ele teve um ano difícil. Seria bom se pelo menos um dos meus filhos estivesse pensando em casamento e netos.
Tate saíra das Forças Especiais militares, um fato que deixara Aileen extremamente feliz. Ela cansara de se preocupar com o filho mais novo colocando-se em perigo todos os dias. Mas ela sabia que ele sentia falta daquela vida e que estava inquieto. Uma boa mulher talvez ajudasse o rapaz a ficar mais contente.
Tate se curara do ferimento que fora a causa de seu desligamento do exército, um ferimento que ele insistia ter acontecido enquanto esquiava fora do trabalho. Claro! O filho realmente achava que ela acreditara naquela desculpa? Ela sabia que ele tentava não preocupá-la, mas Aileen não acreditara naquela história por um minuto sequer. Uma mãe simplesmente… sabe.
— Mamãe, sou senador dos Estados Unidos. Acha mesmo que eu seria imaturo o suficiente para implicar com Tate por causa de uma mulher? — protestou Blake antes de começar a atacar o prato de comida.
— Sim.
— Sim.
Chloe e Gabe responderam enfaticamente ao mesmo tempo.
Aileen pegou a xícara de café, contente ao observar Gabe e Chloe se entreolharem surpresos e trocarem um sorriso leve pela primeira vez.
Lara odiava vestir roupas sujas, mas poderia trocá-las quando voltasse ao resort. Depois de se vestir, ela ajustou a Glock 23
escondida às costas e abaixou o suéter sobre a arma.
— O que está fazendo? — perguntou Tate ao entrar no quarto.
— Estou me arrumando para voltar ao resort — respondeu ela em tom contido, ainda furiosa porque ele não parara de rir desde que revelara que estava investigando Marcus. Ela imaginou que ele se recuperara, pois não estava rindo naquele momento. Ela finalmente saíra brava da cozinha depois que ele rira sem parar por cinco minutos.
— Então, você pode investigar um homem inocente? — A voz de Tate ainda tinha um toque de humor.
Ela se virou e cruzou os braços sobre o peito. — Estou cansada, com fome e armada. Não mexa comigo, Colter.
— Nossa, você fica muito gostosa quando está furiosa. — Ele a olhou de forma maliciosa.
— Nem pense nisso. — Ela estendeu o braço quando Tate avançou, andou em volta dele e voltou para a cozinha. Ela sentiu a presença dele atrás de si. — Tenho um trabalho a fazer e não gosto da ideia de você zombar do que faço.
— Ei. — Ele pegou o braço dela e virou-a. — Não estou zombando do que você faz. Você tem um trabalho importante e perigoso e, obviamente, é boa nisso. Mas está caçando o cara errado.
— O cara errado que vem trazendo explosivos o suficiente para explodir um estado inteiro? O cara errado que tem lidado com terroristas conhecidos? O cara errado que está guardando armas de destruição em massa em algum lugar da propriedade dele em Rocky Springs? Você quer dizer esse cara errado? — perguntou ela em tom furioso.
Tate a encarou. — Isso não é possível. Marcus é um cara honesto, Lara, e não pode ser mais ético. Eu lhe diria se pensasse diferente, mas não é do feitio dele fazer isso. E você já sabe o que aconteceu com meu pai. Marcus o amava e sofreu mais do que os outros quando papai morreu, pois era o mais velho e o mais próximo de nosso pai. Meu Deus! A última coisa que Marcus faria seria se aproximar de algum maldito terrorista, muito menos ser parte de uma trama para explodir pessoas inocentes.
O coração de Lara ficou pesado. Como ela conseguiria convencer um homem que amava o irmão de que aquele irmão era, na realidade, um terrorista disfarçado de homem de negócios? — Temos provas, Tate. Eu não estaria aqui se não tivéssemos. O FBI não desperdiçaria dinheiro em uma investigação sem uma causa justa.
Desculpe.
— Mostre-me as provas. Ajudarei você. Onde é esse suposto depósito? — perguntou Tate impacientemente.
— Isso nós não sabemos. É por isso que estou aqui — admitiu Lara. — Só o que sabemos é que Marcus vem comprando explosivos suficientes para explodir uma área muito grande, transportando-os
para cá. Ele foi visto com os terroristas conhecidos. Os membros desse grupo são bem poderosos, ricos e bem disfarçados como homens de negócio. A maioria deles mora aqui nos Estados Unidos, são imigrantes do Oriente Médio.
— Marcus desejaria matar cada um deles se soubesse que eram membros de um grupo terrorista. — Tate andou de um lado para o outro na cozinha. — Ele não tem um depósito para esse tipo de equipamento na casa dele.
— Ele construiu uma pista de pouso no verão…
— Para que pudéssemos pousar nossos jatinhos aqui, em vez de em Denver. Todos queríamos a pista.
— Ele também construiu um novo hangar.
— O outro é pequeno e estava ficando velho. Ele tem um jatinho novo em folha. Mas levarei você até a pista para conferi-la, se isso a convencer de que ele é inocente. Enquanto isso, eu gostaria de ouvir sobre todas as supostas provas contra Marcus — exigiu Tate. Ele a olhou de forma intensa.
Lara o encarou, tentando ler suas intenções. Ele poderia ser uma grande ajuda ou um atraso.
— Você confia em mim ou não confia, querida. Tome a decisão —
rosnou Tate.