Bilionário Indomado: Tate
Capítulo 7
— Tomei. Tenho os arquivos no meu notebook no resort. — Ela tomara a decisão. Seus instintos confiavam em Tate. Mesmo com Marcus sendo irmão dele, Tate não permitiria que ele matasse pessoas inocentes. Ele passara vários anos tentando impedir que esse tipo de coisa acontecesse.
— Iremos primeiro ao hangar e à pista. Preciso de cinco minutos para tomar um banho e trocar de roupa.
— Vou preparar o café da manhã — concordou Lara. — Precisamos comer. — A investigação já demorara bastante e poderia esperar mais uma hora.
— Lara? — Tate chamou o nome dela quando ela foi para a cozinha.
— Sim? — Ela se virou para ele.
— Eu confiaria minha vida a Marcus. Vamos descobrir que isso tudo é um grande mal-entendido — disse ele em tom sombrio.
Ela assentiu, sentindo o coração apertado por ele. — Espero que sim, Tate. De verdade.
Ele se virou e foi para o banheiro sem dizer mais uma palavra.
—Por que você trepou comigo na noite passada? Foi porque estava com vontade ou porque queria informações? — perguntou Tate a Lara em tom casual.
Ela o encarou friamente. A interrogação e a expressão ligeiramente vulnerável nos olhos dele disfarçavam a pergunta direta. Eles tinham voltado ao resort para que ela trocasse de roupa e pegasse a arma extra, uma Glock 27 compacta que, naquele momento, prendia no tornozelo com o pé sobre a cama.
— Não importa o que você possa pensar, não trepo com ninguém para conseguir informações — disse ela na defensiva ao puxar a perna da calça sobre a arma. — Eu queria você. Não é uma coisa boa se envolver com a família de um suspeito de uma forma íntima e eu não deveria ter feito isso como uma agente federal em um caso.
Mas fazia muito tempo desde que eu quis alguém.
— Então só estava com desejo pelo meu corpo? Não conseguiu resistir a mim? — perguntou ele com um sorriso malicioso. Ele estava deitado na cama dela, com as mãos atrás da cabeça, e observou-a.
Lara sentiu o rosto ficar vermelho. Mas que homem atrevido! Ele a deixava louca. Em um momento, parecia tão vulnerável e, no seguinte, fazia comentários como o que acabara de sair de sua boca.
— Não se superestime, Colter. Eu estava em uma onda de secura.
— Ei, não estou reclamando. Ficarei mais do que feliz de molhar sua onda de secura de novo. Pode me usar para ficar molhada sempre que quiser — disse ele com uma expressão inocente.
Você já me deixa molhada!
Tate Colter não tinha nada de angelical, apesar de, às vezes, parecer que era. Ela o estudou. Uma onda de calor invadiu seu corpo
quando ela olhou abertamente para o corpo dele. Ele vestia uma calça jeans desbotada, que abraçava seu corpo como uma amante, e uma camiseta velha que combinava com os olhos. Ela viu cada músculo bem definido do abdômen e do peito dele sob o material fino. Os bíceps se flexionavam para acomodar a posição das mãos atrás da cabeça.
Minha nossa. Com a quantidade de testosterona que o corpo dele emanava, a única coisa que ela queria era sentar sobre ele até que aquela atitude arrogante se transformasse em paixão quente. Ele a desafiava, provocava tudo que havia de feminino dentro dela. E ela não sabia bem como lidar com aquilo.
Sim, ela trabalhava em uma profissão dominada por homens e muitos deles se achavam gostosos. Mas não eram nem de longe parecidos com aquele homem deitado na cama dela. Podiam ser similares a Tate na personalidade com excesso de autoconfiança.
Mas Tate tinha mais dentro de si do que qualquer outro homem que ela conhecera. A confiança dele era real e a compaixão e a gentileza subjacentes eram humanas. E os raros momentos de vulnerabilidade faziam com que o coração dela quase parasse. Havia tantas facetas naquele homem que a cabeça de Lara girava e seu corpo vibrava de desejo. Ela queria retirar camada após camada e descobrir quem era o verdadeiro Tate Colter… ou se ele era todas aquelas coisas embaladas em um homem maravilhoso.
Ela nunca fora sexualmente agressiva, principalmente porque nunca vira o desejo sexual nos olhos de um homem como via em Tate sempre que ele a olhava. Ela se ajoelhou sobre a cama e, de forma ousada, colocou a mão na virilha dele. Seu coração acelerou ao sentir a ereção sob os dedos. Ela passou a mão sobre o pênis ereto ao olhar diretamente nos olhos de Tate. — Eu não estava usando você. A noite passada foi uma das experiências mais incríveis da minha vida. Eu não sabia que podia ser… daquele jeito.
Todos os rastros de humor sumiram do rosto dele quando sua expressão ficou intensa. — Você quer dizer que nunca gozou daquele jeito? — perguntou ele, com a voz cheia de paixão.
— Quero dizer que nunca gozei. Não com um homem. — Ela suspirou quando ele a encarou. — Estive com dois homens na vida:
meu ex-namorado traidor e minha primeira paixão no último ano da escola. Essa segunda experiência foi dolorosa e… apressada. O ex traidor não se preocupava com o prazer de ninguém, exceto o próprio. — Aquilo fazia com que Tate fosse especial para ela. Ele fora tão intenso em fazê-la gozar, concentrando-se primeiro no prazer dela. O sexo daquele jeito podia ser tornar muito viciante.
As mãos fortes envolveram a cintura dela e jogaram-na de costas sobre a cama com um movimento suave. O corpo dele instantaneamente cobriu o dela. — Querida, o prazer de uma mulher sempre deve vir em primeiro lugar. — A expressão dele ficou feroz.
— Sou diferente. Acho que meu ex me via mais como uma agente federal — sussurrou ela sem fôlego.
— Você também é uma mulher. Uma mulher completa. Eu sei disso.
Senti todas essas partes macias e sensuais ontem à noite. Meu único arrependimento é que não senti seu gosto, não enterrei minha boca na sua boceta até que você gritasse por misericórdia —
comentou ele com a voz rouca. Os olhos dele estudaram o rosto de Lara. — Você estava vestida para encontrar Marcus no bar naquele dia? Estava tentando atrair a atenção dele?
— Sim — admitiu ela com sinceridade. — Meu objetivo era me encontrar com Marcus da forma que fosse possível e fazer com que me notasse. Depois, eu queria me aproximar dele e obter qualquer informação que conseguisse.
— Aproximar quanto? — rosnou Tate.
Ela suspirou. — Não tão próxima. Amo meu país e os cidadãos dele, mas meu trabalho termina depois do flerte. Não trepo com homens para conseguir informações. Esta é uma missão incomum para mim. Normalmente, não tento atrair a atenção de homem algum.
— Você atraiu a mim, em vez de Marcus — retrucou Tate. — Ainda me arrependo das coisas que não fizemos, mas vou colocar minha cabeça entre essas coxas macias mais tarde.
Lara fechou os olhos ao imaginar aquele visual. O corpo dela vibrava com desejo. Como aquilo seria? Com Tate, provavelmente seria um prazer surreal que ela nunca conhecera. — Tenha cuidado.
Estou armada — lembrou ela ao abrir os olhos novamente.
— Eu também. Mas o único perigo que você corre no momento é comigo — rosnou ele. Ele abaixou a boca para capturar a dela com uma rapidez exigente que a deixou sem fôlego.
Ela passou instintivamente os braços em volta do pescoço dele. O
perfume masculino a cativou e envolveu-a até que ela não conseguisse pensar em nada além dele. O gosto dele, sua dominância, sua exigência sexual a deixaram em chamas.
Ele finalmente afastou a boca e puxou a gola do suéter preto que ela vestia. Ele a moveu para baixo para traçar um caminho ardente pelo seu pescoço enquanto consumia a carne sensível com a boca.
— Lara — disse ele baixinho contra a têmpora dela. — Você me deixa louco, querida.
Ela começou a inclinar a cabeça para que ele pudesse chegar mais perto quando ouviu uma batida alta na porta.
— Merda! — exclamou ela. O coração dela batia com força por causa do ataque sensual de Tate e do choque de cair de volta no mundo real.
— Lara. Você está aí? — A voz de Chloe Colter soou do outro lado da porta trancada.
— Ai, meu Deus. É a sua irmã. — Lara empurrou gentilmente o peito largo de Tate.
— Droga. Ela sempre chega nos momentos errados — resmungou Tate ao deixá-la relutantemente se levantar.
— Espere um pouco! — Lara puxou o suéter para baixo e tentou arrumar os cabelos emaranhados com os dedos, prendendo-os rapidamente com uma presilha na nuca.
— Não quero esperar — resmungou Tate ao se levantar.
Uma risada leve escapou dos lábios dela antes que conseguisse reprimi-la. O tom infeliz de Tate por terem sido interrompidos a deixou feliz.
Ele me quer. Ele realmente me quer.
Foi uma das melhores sensações que ela já sentira. Lara não estava acostumada com um homem que a tratava como uma mulher atraente em vez de uma agente federal, o que a deixou com o coração leve e muito feliz.
Ela andou até a porta e destrancou-a, abrindo-a com um sorriso leve. Aquela expressão rapidamente desapareceu quando ela olhou para o homem parado ao lado de Chloe.
Marcus Colter.
— Olá, Chloe — ela cumprimentou a irmã sorridente de Tate. — Sr.
Colter?
Havia outro homem perto de Chloe que Lara não reconheceu. Ele parecia ter a mesma idade de Marcus.
— Blake? Eu não sabia que você tinha voltado. — A voz de Tate estava mais entusiasmada do que estivera minutos antes.
A tensão nos músculos de Lara relaxou. Então não é Marcus. Ela estivera concentrada nas fotos de Marcus Colter por tanto tempo que se esquecera que ele tinha um irmão gêmeo, o senador Blake Colter.
Marcus era o mais velho dos irmãos Colter, mas apenas por alguns minutos. Marcus e Blake Colter eram tão parecidos que Lara não sabia como Tate conseguia diferenciá-los tão depressa.
Obviamente os irmãos sabem quem é quem. Afinal, eles cresceram juntos.
— Senador — disse Lara ao acenar com a cabeça para ele. — É
um prazer conhecê-lo, senhor. — Ela olhou para Chloe. — E é bom ver você de novo.
Ela deu um passo para o lado para deixar os três visitantes entrarem e Tate cumprimentar o irmão. Ele fez isso com um tapa nas costas do irmão e um comentário engraçadinho típico: — Que bom ver que finalmente voltou aqui para encontrar as pessoas que votaram em você.
Blake bateu de volta no irmão mais novo. — Apresente-nos — disse ele a Tate com um sorriso ao olhar apreciativamente para Lara.
— Nem pense em jogar seu charme para cima dela. Ela não vai cair na sua conversa mole — rosnou Tate, soando como se estivesse apenas parcialmente brincando. — Lara, este é meu irmão, Blake, e o amigo dele, Gabe Walker.
— Sr. Walker. — Ela apertou a mão do homem.
— Gabe, por favor.
— E nada de formalidades comigo também, Lara. Por favor, chame-me de Blake. Qualquer amiga da minha família é amiga minha
também — disse ele em tom charmoso.
Não tenho tanta certeza de que serei amiga de algum de vocês depois de desmascarar seu irmão mais velho.
Na verdade, ela tinha certeza quase absoluta de que seria a pessoa mais odiada pela família Colter. O coração dela ficou apertado ao pensar no que a conclusão daquela investigação faria com eles, especialmente com Tate.
— Eu queria ter certeza de que você estava bem — explicou Chloe.
— Tate me mandou uma mensagem ontem dizendo que tinha encontrado você, mas não a vi hoje mais cedo.
— Eu… eu estava…
— Ela estava comigo. Minha casa era mais perto e ela estava perdida no frio — disse Tate em tom suave.
— Fico feliz por estar bem — disse Chloe com um sorriso.
Lara sorriu de volta para a morena atraente. Gabe Walker parecia não conseguir tirar os olhos de Chloe. Interessante.
Blake olhou confuso para Tate. — Se vocês estavam na sua casa, por que não pegou o Jeep e…
Tate deu uma cotovelada na barriga do irmão.
— Ai. Por que fez isso? — reclamou Blake, esfregando o ponto dolorido.
— Desculpe — desculpou-se Tate com total falta de remorso. —
Lara e eu estávamos prestes a sair. Conversaremos mais tarde. —
Ele lançou um olhar de advertência ao irmão para que parasse de falar.
Lara observou a interação entre os dois com interesse, mas deixou que Tate pegasse sua mão e levasse-a até a porta. No caminho, ela pegou as roupas de frio que estavam sobre a cadeira e entregou o casaco de Tate.
Os três visitantes saíram com promessas de se encontrarem posteriormente, deixando Lara e Tate para trás.
— Você disse que estava se preparando? — perguntou Lara, nervosa sobre ir à pista de pouso e com o que poderiam encontrar lá.
Tate dissera que Marcus se atrasara por causa do clima e não chegara ainda, mas não sabia quando chegaria.
Tate ficou de costas para ela. — Quer sentir minha arma? — A voz dele estava cheia de duplo sentido.
Depois de fechar a porta e colocar a chave de plástico no bolso, ela colocou a mão nas costas dele. — Arma enorme — comentou ela ao sentir a coronha antes que ele vestisse o casaco.
— Querida, tudo o que eu tenho é grande. — Ele deu uma piscadela. — Minhas mãos são maiores. Preciso pelo menos de uma arma de tamanho padrão.
— Difícil esconder — retrucou ela ao percorrerem o corredor até o elevador. — Maior nem sempre é melhor.
— Mas, em alguns casos, certamente é preferível. — Ele moveu as sobrancelhas de forma maliciosa ao acenar para que ela entrasse primeiro no elevador.
— Algumas vezes, caras que têm coisas grandes nem sempre têm o melhor equipamento. É uma compensação.
— Você sabe que isso certamente não se aplica a mim. — Ele sorriu para ela, com os olhos brilhando maliciosamente.
Que safado. Mas ela não tinha como argumentar contra aquilo. Tate não tinha absolutamente nada a compensar.
Eles ficaram sérios ao saírem do resort. Tate abriu a porta do passageiro da caminhonete para ela, outra novidade. Os homens nunca abriam a porta para ela… nunca.
Ele deu a volta no veículo e sentou-se no banco do motorista. —
Vamos acabar logo com isso. Consigo pensar em coisas muito mais agradáveis a fazer.
Lara engoliu em seco para remover o nó na garganta. — Tate, sinto muito…
— Não se desculpe — resmungou ele. — Marcus não tem nada a ver com algo remotamente ilegal ou prejudicial a alguém. Eu conheço meu irmão.
As provas contra Marcus Colter eram irrefutáveis. As remessas tinham sido compradas por ele e a carga transportada para Rocky Springs. Ela estava com o coração partido porque Tate ficaria arrasado, mas era inevitável.